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A Gata Christie


Quarta-feira, 26.04.17

Era uma vez o espaço

Eu digo a palavra "exposição" e eles ficam logo com aquelas caras de enfado. "Oh mãe, tem mesmo de ser?" Tem. Nem lhes dei hipótese. Como ambos estão a falar do espaço na escola, achei que só teriam a ganhar em ir ver a exposição "Cosmos Discovery", que está instalada numa tenda gigante em Belém. Mesmo que odeiem, alguma coisa haverá de ficar naquelas cabeças, é sempre o que penso. E assim fomos, meio contrariados mas fomos. E, como sempre, valeu a pena o esforço. A exposição tem muitas coisas giras - os fatos dos astronautas, os capacetes, as embalagens da comida, os modelos dos carrinhos que se usam na Lua - mas as mais giras de todas são, obviamente, as cápsulas espaciais (a americana e a russa) e a reconstituição da cabine de comandos de uma nave espacial (que pena não podermos sentar-nos lá e carregar naqueles botões todos!). Na verdade, há tanta coisa para ver que o mais complicado, pelo menos com os meus putos, é conseguir mantê-los atentos e interessados durante toda a visita, chega ali uma altura em que já passam pelas vitrines sem parar, é preciso ir chamando a atenção deles para alguns pormenores sem ser demasiado professoral mas, ainda assim, passando alguma informação (uma canseira, é verdade, mas com isto descobri que sei imensas coisas sobre o espaço, o que não deixa de ser incrível, a quantidade de conhecimento que uma pessoa vai acumulando quase sem se aperceber, o que só comprova a minha teoria de que, se variarmos as abordagens, alguma coisa vai ficando). No final, o Pedro quis experimentar o "giroscópio", que é uma maquineta que os astronautas usam para se prepararem para as viravoltas da viagem. Mais ninguém na família se atreveu.

Único senão: os bilhetes são um bocadinho caros.

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No 25 de abril não descemos a avenida. Largamos amarras e fomos ao espaço.

Isto também é Liberdade. 

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por Gata às 10:05

Segunda-feira, 24.04.17

São fases

Estou numa daquelas fases em que nada me parece suficientemente interessante para ser escrito aqui ou então é demasiadamente importante para ser aqui escrito.

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Do sempre fantástico Baby Blues

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por Gata às 15:46

Quinta-feira, 13.04.17

A felicidade nas coisas pequenas (XXXII)

Saí do cinema feliz. Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, com uma fantástica Sônia Braga, foi uma boa surpresa. Um filme com pessoas reais, com diálogos reais, com cenários reais, com histórias reais. Tão bom, mas tão bom, que apetece ver de novo.

(ah, esta semana não vais ter os putos vais ter uma vida louca, pensam as pesoas. e depois é isto. filmes e mais filmes. a felicidade nas coisas pequenas também é isto.)

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por Gata às 19:07

Quarta-feira, 12.04.17

Paula Rego

A primeira exposição que vi da Paula Rego foi no CCB, em 1997. Fiquei apaixonada. De então para cá, tenho acompanhado o trabalho dela. Cada vez melhor, na minha modesta opinião. A série sobre o aborto é incrível na maneira como mostra o sofrimento das mulheres. As "mulheres-cão" são perturbadoras. A série sobre a depressão, de 2007 mas só agora tornada pública, está nesta linha. Tantas outras obras. Sempre intrigantes. Sempre a questionarem-nos e a fazerem-nos questionar.

Temos agora oportunidade de entrar um bocadinho mais no mundo da artista com o documentário e a exposição intitulados Paula Rego, Histórias & Segredos, a partir das muitas conversas com e do enorme trabalho de pesquisa do seu filho Nick Willing. Eu fiz ao contrário, mas o ideal é ver primeiro o filme, ouvi-la a contar as histórias todas, a falar da relação com a mãe e com o pai, o que pensava de Portugal e da ditadura, o modo como se apaixonou perdidamente por Vic Willing, os abortos, os filhos, a vida em família, a importância do trabalho, a complicada relação com o marido que, apesar de tudo, sempre amou, o sexo, os amantes, as dificuldades financeiras, o sucesso, a depressão. E, depois de tudo isto, ir ver a exposição e olhar para cada quadro, confrontando as histórias e os segredos que ela nos contou com aquilo que foi mostrando na sua obra ao longo da vida. É que estes segredos são, como diz o filho, a chave para perceber todo o seu trabalho.

E, depois, há o resto. O que ela não diz. A forma como fala - tão clara quando se expressa em inglês, quase como uma criança quanda fala português. A relação entre uma mãe e um filho, finalmente próximos à medida que ela envelhece - tem já 82 anos e percebemos que não está muito bem de saúde. As fotografias e os filmes antigos. Paula morena, de chapéu, o cabelo apanhado, como uma estrela de cinema, dirá umas das filhas. E a liberdade, que ela sempre procurou, na sua vida e nas suas obras. Sem essa liberdade interior Paula Rego não seria Paula Rego. 

O filme está apenas num cinema em Lisboa, o Ideal, e talvez não fique muito tempo, por isso não se atrasem. A exposição fica na Casa das Histórias, em Cascais, até 17 de setembro.

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(dá série "Depressão", 2007)

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por Gata às 18:24

Segunda-feira, 10.04.17

A pretexto de uma açorda

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A pretexto de uma açorda juntaram-se 14 colegas de curso e suas famílias num monte em Reguengos de Monsaraz. A pretexto de uma açorda, e aproveitando as férias da Páscoa, houve quem viesse dos Açores e houve quem viesse de Londres. Vieram amigos próximos, amigos distantes, gente que não se via há mais de 20 anos, gente de quem eu já não me lembrava. Era, à partida, o grupo mais improvável. Mas se há sítio bom para fazer amigos ou para retomar amizades antigas é à volta de uma mesa, com uma poejada com feijão e bacalhau, ovos com espargos, ovos com silarcas, favinhas, muitos queijos, pão maravilhoso e, claro, a prometida açorda de alho. Vinhos da terra. E até um gin produzido ali bem perto. Chegámos a ser 21 adultos à mesa, 16 crianças e dois cães. Conseguem imaginar? A Márcia e o Zé, nossos anfitriões, receberam-nos com uma generosidade e uma alegria enormes (a trabalheira que devem ter tido a preparar aquilo tudo). Visitámos a adega de Reguengos e a Herdade do Esporão, fomos passear a Monsaraz, houve quem molhasse os pés no Guadiana ao entardecer, houve quem se atrevesse numa moda alentejana. E conversámos e gargalhámos. Havia mesmo muita conversa para pôr em dia. E enquanto isso, os miúdos brincaram na terra, andaram de tractor, correram atrás das galinhas, ficaram bronzeados do ar do campo.

A pretexto de uma açorda, passámos um fim-de-semana mesmo bom. Longe de tudo. Sem pensar na vidinha. Só a aproveitar as coisas boas da vida. E esta felicidade de estarmos uns com os outros. 

Nem eu sabia, mas estava mesmo a precisar disto.

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por Gata às 18:02

Sexta-feira, 07.04.17

És central ou és periférico?

Já é tarde, tenho um bolo no forno e malas por fazer que amanhã vamos de viagem, mas queria vir aqui dizer-vos que o espectáculo criado pelo Vhils e que se estreou hoje no CCB é mesmo do caraças. Os miúdos gostaram mas ficaram um pouco desiludidos porque estavam à espera de ainda mais hip hop, mas talvez a culpa tenha sido minha, que lhes falei muito dos bailarinos para eles se entusiasmarem. Não há porque ficar desiludido: os bailarinos são na verdade muito bons, os vídeos são muito bons, o rap final de Chullage é uma delícia de rimas e de crítica social. E que aquele espectáculo tenha sido apresentado perante um público engravatado e, quase de certeza, na sua maioria não pagante, é por si só todo um tratado (e uma ironia a que Vhils não ficará certamente alheio). É pena que só esteja em cena por duas noites. E também não se percebe que uma instituição anuncie aos sete ventos que uma sala está esgotada quando na verdade há muitos (mas mesmo muitos) lugares por preencher. Talvez seja esse o preço a pagar para sair da periferia.

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por Gata às 23:09

Terça-feira, 04.04.17

Pontas soltas (isto anda tudo ligado, outra vez)

Um destes dias apanhei o Sinais, do M. Night Shyamalan, num canal axn qualquer. Já não me lembrava como é bom este filme. Os filmes bons são como novelos que têm muitas pontas por onde puxar e ir desenrolando fios, cada vez mais longos. 

Nem de propósito, hoje vi este desenho da Mari Andrew, que é uma ilustradora de que gosto bastante. Sobre resiliência mas também sobre aquilo que vamos aprendendo com a vida e que nos vai tornando mais fortes, mais preparados, mais aptos para a vida que ainda está por vir. Tal como no filme: não temos acreditar que isto faça tudo sentido para que, na prática, isto faça tudo sentido.

Este também é da Mari Andrew:

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E ainda:

- a Joanna Godard escreveu sobre a felicidade nas coisas pequenas. A felicidade nas coisas pequenas dá-nos, muitas vezes, o sentido que andamos à procura. 

- Tentar, falhar, superar. Ensaio para uma cartografia é o espectáculo que a Monica Calle apresenta no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, até ao próximo domingo. Eu não vou conseguir ir vê-lo e tenho imensa pena. Vejam só estas fotos do Paulo Pimenta.

- Comecei a ler o livro novo do Bruno Vieira Amaral, Hoje estarás comigo no paraíso. Ainda vou muito no início mas estou a gostar. Ter um livro sempre à mão, na mochila, e não andar a todo o instante a olhar para o telefone é meio caminho para a minha felicidade.

- Nunca esquecer: relativizar, relativizar sempre.

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por Gata às 22:39

Domingo, 02.04.17

O impossível

Se depender da minha habilidade para os negócios e, sobretudo, para me vender (no bom sentido, saber promover e vender o meu trabalho) nunca mas mesmo nunca irei ficar rica.

Isso é mau, obviamente. Eu adoraria ser rica. 

Mas eu adoraria ser rica continuando a ser exactamente assim como sou.

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por Gata às 23:50

Terça-feira, 28.03.17

Isto anda tudo ligado

Às vezes faços uns comentários ou escrevo uns posts no facebook a chamar a atenção para títulos ou ângulos de notícias que alimentam os estereotipos de género e a discriminação. Parecem coisas sem importância mas faço questão de as denunciar porque me parece que revelam muito sobre a mentalidade que está instalada em nós, de tal forma que muitas vezes nem nos apercebemos como estamos a ser preconceituosos ou discriminatórios. Por exemplo, quando fazemos artigos em que ouvimos especialistas e são todos homens (vejam aqui uma bela selecção). Ou artigos em que as mulheres são assunto devido ao seu corpo ou ao modo como se vestem (este foi um dos que me irritou recentemente, mas experimentem fazer uma pesquisa no site de um jornal qualquer com a palavra "ousada" e terão uma ideia do que estou a falar). Ou quando tratamos uma mulher com aquele tom condescendente (como por exemplo aqui) ou como se fosse uma aventureira por fazer ou querer fazer as "coisas dos homens" (whatever that means). Ou outras coisas assim.

Pergunto-me sempre se alguém parou para pensar naquilo que escreveu ou naquela foto que escolheu ou naquele título que até está na primeira página. Porque o que falta é só isso. Parar e pensar um pouco. Para que o pré-conceito apareça como evidência (e, em certa medida, muito disto que eu estou a falar deve-se à cada vez maior falta de discussão de ideias e de verdadeira edição nos jornais que fazemos, mas isso é outro assunto, de que talvez fale um dia).

Imagino que alguns achem que estou a dar demasiada importância a estas coisas. Minudências, dizem-me. Que não é por escolhermos uma fotografia da Scarlett Johansson para a primeira página apenas porque ela é gira e tem aquela voz que vem daí grande mal ao mundo. Mas eu acho que faz muito mal. Na verdade sinto que ainda não damos atenção suficiente a estas coisas pequenas mas muito reveladoras. Temos um longo caminho por percorrer. E, o que é pior, para além da discriminação escondida ou inconsciente ainda temos que lidar com a discriminação às claras.

Duas provas disto que estou a dizer:

Ontem, li este artigo, que é sobre a princesa Diana e o príncipe Carlos mas é também sobre aquela estranheza que quase todos já sentimos quando, num casal, um homem é mais baixo do que a mulher, e que não tem qualquer razão de ser a não ser o preconceito. Mesmo. Só temos que tomar consciência disso. Esta tarefa de combatermos os nosso próprios preconceitos é a primeira batalha que temos de travar.

E veja-se o que aconteceu hoje, na capa do Daily Mail. Mais um dia normal num tabloide, afinal, os tabloides (e as revistas sociais) são verdadeiros antros de estereotipização do género, de forma completamente consciente e assumida:

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Só para terminar com uns sinais de esperança. Esta BD reflete muito bem aquilo que penso sobre a educação dos rapazes. Este vídeo, embora com um foco diferente, também é muito inspirador:

Pode parecer que não, que as pernas das inglesas na capa do jornal não têm nada a ver com a cultura machista nas relações amorosas, mas se olharmos com atenção isto está mesmo tudo ligado. 

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por Gata às 21:48

Segunda-feira, 27.03.17

Hoje é dia do teatro

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Há dias bons, como são aqueles em que posso conversar com e depois escrever sobre pessoas de que gosto bastante. Foi o que aconteceu com este artigo que foi publicado no sábado. A fotografia do João Brites é do Gonçalo Villaverde/Global Imagens e fica como memória de uma manhã bem passada na quinta de O Bando e de um bacalhau à brás dos melhores que já tive oportunidade de provar.

Hoje é dia do teatro e, apesar de ser segunda-feira, há teatro bom para ver por aí. Aproveitem.

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por Gata às 09:23



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