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A Gata Christie


Segunda-feira, 22.01.18

Actores

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Tudo começa com o casting. O mesmo texto dito por actores diferentes, com emoções diferentes, transforma-se num outro texto. Esse é um dos (super) poderes dos actores. Mas há mais. O de viverem vidas que não são a sua. E mortes também. E de nos mostrarem sentimentos que de outra forma desconheceríamos. O de improvisar. O de fazer o mesmo, todas as noites, sempre igual e sempre diferente. O de rir quando é para rir. E de chorar quando é para chorar. O de mudar de personagem como quem muda de camisa, de manhã, à tarde e à noite, uma pessoa diferente a cada hora, com um outro passado, uma maneira de andar, uma voz, uma intenção. Os actores são atletas emocionais, diz-se a certa altura. E, tal como os outros atletas, têm de treinar uma e outra vez, para se apresentarem em forma no momento da competição. Dando a ilusão que é fácil numa ginástica de que, tantas vezes, nos esquecemos (se eles forem bons, diria, se eles forem mesmo bons, não nos mostram o seu verdadeiro eu, não nos deixam perceber o que por ali vai, as dores que sentem no corpo e na alma, as suas dores tão bem escondidas que às vezes até eles próprios as esquecem).

Os actores têm ainda mais um poder que eu - pessoa que só obrigada se coloca perante uma audiência e, ainda assim, com suores frios, dores de barriga e voz tremida - admiro imenso, que é essa capacidade de darem o corpo às balas, de se exporem perante o público, seja uma sala esgotada ou uma plateia vazia, sem medo do ridículo, sabendo que estarão permanentemente a ser julgados. E ainda bem que o fazem porque só assim podem tocar os que estão sentados no escuro, mesmo à sua frente.

É de tudo isto que fala Actores, o espectáculo absolutamente fantástico que Marco Martins criou (e encena e realiza e interpreta) com os actores Nuno Lopes, Bruno Nogueira, Miguel Guilherme, Rita Cabaço, Luísa Cruz e Carolina Amaral.

Não é para termos pena deles. É para os admirarmos (ainda mais). 

Um espectáculo com tudo no sítio - os excertos escolhidos dos espectáculos em que estes actores participaram, os enquadramentos da câmara, os momentos de riso e os momentos mais sérios, a voz do encenador que interrompe (mesmo) quando acha que é necessário repetir, as histórias que são ou não verdadeiras e tanto faz, as interpretações dos actores que fazem de actores. E, quando achávamos que já nada nos poderia surpreender, aquele final. 

Esta música. E nós, deleitados, a vê-los.

 

"Everybody's gotta live
And everybody's gunna die
Everybody's gotta live
I think you know the reason why"

Love, Everybody's Gotta Live

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por Gata às 21:21

Domingo, 14.01.18

"Três cartazes à beira da estrada"

Não há heróis em Três Cartazes à Beira da Estrada/ Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, o filme de Martin  McDonagh que, até agora, é o grande vencedor da temporada de prémios do cinema. Como na vida real, ninguém é completamente bom. Também ninguém é completamente mau, embora neste filme sobressaiam as imperfeições destas pessoas, movidas a ódio, que habitam numa terra pequena da América profunda. Esta é a história de Mildred (Frances McDormand), cuja filha foi raptada e assassinada há sete meses e que, revoltada pelo facto de a polícia não estar a investigar com mais afinco o crime, decide colocar três cartazes à entrada da terra questionando o chefe da polícia. Esta é também a história da vergonha do filho. De um ex-marido ridículo. De um polícia (Woody Harreleson) a morrer de cancro. De um outro polícia (Sam Rockwell) habituado a resolver tudo com pancadaria. De uma velhota a dormitar num sofá. E de um anão à procura de aceitação. À falta de psicanalistas caros, a violência - nas palavras e nos actos - é a maneira que têm de lidar com as tristezas e frustrações do dia-a-dia. Fez-me lembrar Hell or High Water, de David McKenzie, nomeado para os Óscares de 2017. Com a vantagem de ter um final muito anti-Spielberg, ou seja, sem quaisquer lições de moral. 

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por Gata às 09:43

Domingo, 14.01.18

Sozinhos em casa

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Eles crescem. No Baby Blues e cá por casa também. Tem sido uma aprendizagem para todos nós.

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por Gata às 00:01

Quinta-feira, 11.01.18

"Lady Bird": a adolescência é um lugar estranho

A atriz Greta Gerwing - que podem ter visto em, por exemplo, Frances Ha, de Noam Baumbach e de que ela foi co-argumentista (2012), ou Mulheres do Século XX, de Mike Mills (2016) - tem 34 anos e estreou-se como realizadora com o filme Lady Bird, que tem recebido inúmeros elogios da crítica e acabou de ganhar o Globo de Ouro para melhor filme musical ou de comédia. Ando há uns dois meses a ler sobre Lady Bird e isso nem sempre é bom porque quando criamos uma expectativa muito grande sobre o que quer que seja a probabilidade de nos desiludirmos é muito maior. Mas não aconteceu.

Lady Bird conta a história de uma miúda de 17 para 18 anos (interpretada por Saoirse Ronan), naquele momento em que termina o liceu e sonha com a faculdade (e com a liberdade, com a maioridade, com isso tudo). A ação passa-se nos EUA em 2002 e, embora não seja assumidamente autobiográfica, a história é claramente inspirada na vida da autora que, tal como Lady Bird, cresceu em Sacramento, estudou numa escola católica e gostava de teatro musical. No filme, a família passa por dificuldades financeiras mas, apesar disso, ela está decidida a sair de Sacramento e a ir estudar para Nova Iorque.

Talvez seja preciso ter crescido numa terra pequena (e num tempo em que a internet e os telemóveis ainda não eram tão banais como hoje) para se perceber exactamente essa ânsia de sair dali e de ganhar asas. Eu lembro-me bem. A partir de uma determinada altura, no liceu, já nem me preocupava muito se os meus pais não me deixavam fazer o que eu queria. Passei todo o 12º ano em contagem decrescente. Eu não fui infeliz na minha adolescência, não tenho memórias traumáticas nem nada disso. Fui até bastante feliz. Tinha bons amigos, divertíamo-nos imenso todos juntos, íamos ao cinema e passávamos longas tardes em casa uns dos outros a conversar sobre tudo e nada. Mas houve uma altura em que eu percebi que aquilo não me chegava. Não me faltava nada. Apenas a liberdade para ser quem eu era realmente. Mas em vez de me revoltar ou de me meter em aventuras adolescentes, que têm tudo para correr mal, optei por fazer uma coisa muito inteligente: esperar. Vir estudar para Lisboa deu-me a autonomia para ser quem eu queria ser. E que não era, na verdade, muito diferente daquilo que tinha sido até aí. Não desatei a fazer maluqueiras nem a apanhar bebedeiras. Simplesmente, podia tomar as decisões pela minha cabeça em vez de pensar "no que é que os outros vão dizer". E isso faz toda a diferença.

A Lady Bird é um bocadinho mais aventureira do que eu era. Mas ela está a passar precisamente por esse período de descoberta de si mesma. E o modo como o filme nos conta isso é muito ternurento, é como uma viagem à nossa adolescência.

Por outro lado, há a mãe (interpretada por Laurie Metcalf). Como eu também já sou mãe e como os meus filhos estão cada vez mais crescidos, é quase impossível não me rever nas preocupações daquela mãe. Tenho esperança de conseguir comunicar melhor com os meus filhos mesmo quando eles tiverem fases mais complicadas e sei que, aconteça o que acontecer, hei de ser sempre uma lamechas incorrigível e hei de agarrá-los e enchê-los de beijos e dar-lhes colo sempre que eles precisem. Mas há ali um lado de querer prepará-los para a vida e de nos preocuparmos com o futuro dos nossos bebés que acho que é universal. É também isso o amor. Mesmo que nem sempre as mães o consigam demonstrar da maneira que os filhos gostariam.

Lady Bird é um filme sem artificios mas com muitos detalhes - óptimas interpretações, personagens complexas, até mesmo as secundárias, música bem escolhida, cenários, figurinos -  que nos transporta para as aulas do liceu e nos faz lembrar as emoções das primeiras paixões, dos primeiros beijos, dos primeiros corações partidos. Eu não sei se isso é grande cinema ou se este filme vai ficar para a história, mas a mim fez-me muito feliz.

Lady Bird estreia em Portugal a 15 de março.

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por Gata às 14:54

Quarta-feira, 10.01.18

"I don't know a thing about social media"

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Da maravilhosa Mari Andrew

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por Gata às 21:42

Sábado, 06.01.18

A propósito de reis e rainhas

Não sei como é que isto aconteceu mas estou a tornar-me uma pessoa que vê séries. Esta semana comecei a ver The Crown, sobre a rainha Isabel II. Que delícia. Uma história contada sem pressa e com montes de pequenos detalhes. Ainda só vi quatro episódios mas estou com muita vontade de ver as duas temporadas a grande velocidade. Bendita Netflix.

A propósito: vejam AQUI as fotografias verdadeiras e da série dos membros da familia real. É muito fixe.

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por Gata às 18:53

Quinta-feira, 04.01.18

O que eu aprendi durante uma semana nas plataformas de encontros online

Tudo começou num jantar com duas amigas, alguma sangria e bastante conversa sobre sexo. Tu devias era estar no Tinder, disseram-me. Se eu não fosse comprometida estaria lá, sem dúvida. E, pronto, calhou ter uma semana mais desafogada de trabalho e de compromissos de mãe, com algum tempo livre, e lá decidi perder a vergonha e ir ver o Tinder. É um pouco intimidante, sobretudo se não se é uma pessoa com uma auto-estima muito elevada, devo confessar. Aquela coisa de estar numa montra traz ao de cima todos os meus receios de gaja, aqueles que nos acompanham no nosso dia-a-dia (se não sou boa o suficiente, se não sou bonita o suficiente, se sou gorda, se sou velha, se ele não gosta..), de uma forma bastante primária e, por isso mesmo, mais difícil de combater. É preciso coragem. Siga. 

Primeiro embate. Temos de dizer as idades dos homens que queremos ver. Isto leva-nos logo a pensar muito naquilo que queremos ou naquilo que estamos dispostas a aceitar. Também nos leva a repensar a imagem que temos de nós e dos outros. Uma coisa é uma pessoa andar na rua e sentir-se com 30 anos, outra coisa é estar ali, no meio da selva dos engates (já explico isto melhor mais à frente).

Segundo embate. Confrontada com a fotografia de um homem sobre o qual não sei absolutamente nada, eis que surgem, do mais profundo do subconsciente, todos os meus preconceitos. Este não porque é feio (ah, claro, porque tu só andas com homens bonitos, não é?), este não porque é gordo (no comments), este não porque tem ar de parvo, este não porque tem ar de velho, este não porque tem ar de puto, este não porque não sei quê. E eu a pensar de mim para mim que isto está errado. Que não é assim que a coisa funciona. Que isto da atracção (já nem falo de uma ligação maior) passa por tantas variantes que vão do cheiro à química, à voz a sei lá mais o quê, como é possível olhar para uma foto desfocada num telemóvel e decidir?

Terceiro embate. As fotos, senhores!, as fotos. Havia tanto a dizer sobre isto. Uma coisa é certa: sabe-se muito sobre uma pessoa pelo tipo de foto que põe no seu perfil. Há os que decidem pôr fotos dos seus abdominais ou outras partes torneadas do seu corpo. Há os que põem fotos manhosas tiradas no estádio de futebol ou numa noite de copos. Há os que põem selfies tiradas na cozinha ou deitados na cama. Há os que põem fotos com os filhos ou, o que é ainda mais incrível, com outras mulheres. Todos estes pequenos pormenores dizem muito sobre o tipo de homem que está ali (e, bolas, fiquei com tanta curiosidade de ver as fotos das mulheres, um dia ainda vou criar um perfil falso de homem só para ver o que ali se passa, deve ser mesmo incrível!).

Quarto embate. Está uma pessoa muito descansada na sua vida e aparece uma mensagem: Olá. Começa o jogo. Eu sou pessoa com grande dificuldade em fazer conversa, essa coisa da small talk não é para mim, nem ao vivo quanto mais online. De onde teclas?, perguntam-me, e eu sinto-me de volta ao bom velho Mirc de há vinte anos. As conversas começam quase todas da mesma maneira, dá vontade de gritar aleluia! quando há algum homem mais interessante. Eu não sou de meter conversa, não o faço na vida real, mas não é porque ache mal que as mulheres metam conversa, nada disso, é mesmo aquela coisa da auto-confiança e do medo da rejeição (falamos nisso depois, ok?), mas se alguém meter conversa comigo, mesmo na vida real, gosto de ser simpática. Mas dizer o quê? Perguntar o quê? Por onde levar a conversa? E quando ele dá erros de português? (turn off total, devo confessar. sou capaz de ultrapassar isso se já conhecer a pessoa e simpatizar com ela, mas assim à primeira?, please, no way) E se é um bronco? E se não gosta de cinema? E se gosta de ir caçar? Continuamos a conversa? Dizemos adeus?

Quinto embate. Vamos lá ser honestos. As pessoas estão sozinhas, querem companhia, conversar um pouco, conhecer pessoas novas, fazer amigos. Mas, acima de tudo, toda a gente no Tinder espera encontrar alguém com quem ir para cama. Claro que é preciso conversar um pouco antes, marcar um encontro, tomar um café ou ir jantar, ver como a coisa corre. Mas toda a gente tem essa esperança, lá no fundo, mesmo que não a confesse em voz alta. E isso mina todas as conversas, não há conversas desinteressadas. Portanto, tudo o que ali se passa, aquela converseta toda, é necessária só até ao momento em que alguém propõe o tal encontro, cara a cara. E isso pode acontecer ao fim de meia dúzia de palavras. Ou pode nunca acontecer. Depende muito daquilo que uma pessoa quer ou precisa naquele momento. Também depende da disponibilidade para investir numa conversa significativa, que vá para além das banalidades do costume, até encontrar alguém que faça click.

Ao fim de três dias, desisti. 

Atenção: não tenho nada contra o Tinder. Aparentemente há muita gente que encontra lá parceiros para belas cambalhotas, há muita gente que faz amigos e há até quem inicie a partir dali relações importantes e encontre o verdadeiro amor. Acho óptimo. Mas comigo não resulta. É mesmo um daqueles casos em que "não és tu, sou eu". Penso que precisaria de me entregar mais a cada uma daquelas conversas, mas o meu problema é que eu não tenho tempo para isso. Não tenho tempo para conversas online (tenho filmes para ver e livros para ler e posts para escrever ao serão). Não tenho tempo para marcar jantares com gente que mal conheço (eu mal tenho tempo para estar com os meus amigos). Sobretudo não tenho tempo para perder com pessoas com quem, muito provavelmente, não vou querer passar mais do que uma noite (ou elas comigo).

Então, estava eu a comentar estas conclusões quando uma amiga me falou do Ok Cupid. Que é mais completo porque podes definir melhor o teu perfil e tem mais filtros que permitem descobrir pessoas que têm mais a ver contigo. Fui ver.

Uma das coisas boas do Ok Cupid é realmente a possibilidade de completar o perfil como nós quisermos. E, depois, de vermos os perfis das outras pessoas. E isto põe-nos a pensar em muitas coisas.

A questão da idade, mais uma vez. Eu tenho 43 anos. E se há coisa que sei é que não preciso de um miúdo na minha vida. Um miúdo, quero eu dizer, um homem que ache que a melhor coisa do mundo é sair à noite, beber copos e engatar miúdas. Mas também não preciso de alguém que esteja desesperadamente à procura de constituir família. Assentar sim, ter mais filhos não. E não preciso mesmo nada de alguém que não saiba viver para além dos seus desejos e que não perceba todos os constrangimentos de quem tem filhos. E isto é importante, até mesmo para um único encontro é preciso haver empatia, não é? Portanto, e já com uma dose generosa de boa vontade, estabeleço o meu limite nos 39 anos. Erro enorme. Os homens de 39 anos que estão por ali são todos umas crianças. Depois, ponho o limite nos 50 anos. E, pasme-se, acho todos os homens de 50 anos uns velhos (ponho-me a pensar: eu também sou uma velha?). Pior. Consulto os perfis que aparecem e descubro que, na sua maioria, estes homens quarentões estão disponíveis para conversar com miúdas a partir dos 20 anos e raramente procuram uma mulher mais velha do que eles. Por favor. Bota estereótipo nisso. Que deprimente.

Depois há as perguntas. Um questionário imenso sobre tudo e mais alguma coisa, que podemos ir respondendo à medida que nos apetecer. Há perguntas que não fazem muito sentido, há perguntas parvas, mas de uma maneira geral é divertido. Eu, pelo menos, diverti-me. Porque a cada pergunta confrontas-te com aquilo que és e com aquilo que procuras. Como há a possibilidade de deixar as respostas privadas, podemos ser completamente honestos. Confrontamo-nos com os nossos preconceitos (again) e com os nossos desejos mais íntimos mas isso a mim interessa-me bastante. Por exemplo, perguntamo-nos: é importante conhecer alguém que goste de ler livros/ que goste de futebol mas não seja obcecado/ que não acredite no destino/ que tenha um curso superior ou podemos passar sem estas coisas? E se pararmos para pensar um bocadinho nisto, há tanta coisa que podemos descobrir sobre nós a responder a estas questões.

O questionário serve para estabelecer uma percentagem de compatibilidade, o que obviamente nos leva a explorar melhor os perfis das pessoas mais compatíveis connosco. Vamos tentar perceber exactamente no que é que somos compatíveis e no que é que somos diferentes, há muitas pistas que nos permitem conhecer um bocadinho melhor aquela pessoa para além da foto. E isso pode ser útil. Ou não, mas ao menos é divertido. 

Tirando isso, a coisa desenrola-se mais ou menos como no Tinder. Mas, pelo menos no meu caso, com muito menos opções. O sistema avisou-me para eu não ser tão exigente para ter mais hipóteses de escolha. Lol. Houve 55 homens que fizeram "like" no meu perfil, o que não é mau, mas eu não sei quem eles são. Nenhum deles era um dos oito ou nove a quem eu tinha dado o meu "like" (parece que avisam quando há correspondência). Recebi muitas mensagens de homens tentando estabelecer contacto. Olá, onde moras?, que belo sorriso, etc. A história do costume.

Uma dúvida: o que fazer quando se encontra alguém que nós já conhecemos da vida real? É que pode ser uma pessoa com quem nunca, nem nos nossos sonhos, nos apeteceu estar. E até pode ser uma pessoa que já nos interessava antes mas com quem nunca tivemos coragem para fazer avanços. Será este o sítio certo para o fazer? Em ambos os casos, decidi ignorar. Mas é uma situação estranha, lá isso é.

Ao fim de três dias, desisti.

Apaguei a conta no Tinder, deixei a conta do Ok Cupid em stand by, porque talvez um dia me apeteça ir lá fazer mais umas pesquisas sociológicas.

De qualquer forma, posso dizer, agora com conhecimento de causa, que este tipo de abordagem não é para mim. É preciso uma pessoa querer muito conhecer outra pessoa. É preciso estar disponível, em vários sentidos. E eu, por muito que diga que sim, quando chega a hora da verdade não estou assim tão disponível. Nem tão interessada. Talvez noutra altura, quem sabe. Por agora, o que me dava jeito era mesmo conhecer alguém num sítio qualquer, numa situação de trabalho, em eventos de amigos, no café, na rua, sei lá, num sítio qualquer, conversar com essa pessoa sem sequer pensar no que isso possa significar e, a certa altura, achar que se calhar me apetecia conhecê-la melhor. À moda antiga. Esse, sim, é o meu tipo de plataforma de encontro.

E só para terminar aqui fica este anúncio, porque é novinho em folha, já deste ano, e porque acho a animação muito fixe:

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por Gata às 01:31

Terça-feira, 02.01.18

Do jornalismo que faz falta em 2018

Os jornais portugueses estão a morrer porque não fazem jornalismo. Ou fazem-no pouco. Ou fazem-no mal. Claro que há o problema do negócio e das vendas e da internet. Claro que o papel irá desaparecer, mais cedo ou mais tarde, porque há cada vez menos pessoas a comprar jornais em papel. Mas os jornais podem existir sem papel. Teríamos que pensar seriamente sobre isto mas se houvesse jornalismo como deve ser seria possível. Os jornais estão em crise porque não souberam gerir as mudanças nem adaptar-se e acharam que ia ser tudo como era no início dos anos 90. Os jornais estão como estão porque as empresas estão em falência mas os administradores continuam a achar que é mais importante gastar dinheiro em almoços e carros e outras mordomias de uns quantos do que pagar mais do que 800 euros a jornalistas qualificados. E quando têm que cortar nas despesas não cortam nos cartões de crédito, cortam nos jornalistas. Para que é que eles servem mesmo? Os jornais estão a desaparecer porque, chegadas a uma situação de desespero, as pessoas que mandam nos jornais estão mais preocupadas com os cliques do que com confirmar uma notícia antes de a copiar de algum site, mais ou menos fiável, e esquecem completamente todas as regras básicas do jornalismo e às vezes até as regras básicas do bom senso. Acima de tudo, os jornais estão a morrer porque houve quem se esquecesse que a função dos jornais é fazer jornalismo. Não é fazer umas coisas giras. Não é dar dicas. Não é estar na moda. Não é reproduzir as patacoadas das redes sociais. Para isso tudo já existem outros sites e blogues e contas de instagram. E, vá lá, os jornais até poderiam fazer isso tudo, se fosse bem feito. Mas deveriam sobretudo fazer outras coisas. Deveriam ser outra coisa.  

Isto é o que eu acredito.

E, pelos vistos, é aquilo em que acredita também A.G. Sulzberger, o novo publisher do The New York Times. Este é o seu compromisso. Espero bem que não sejam só palavras ocas:

"Much will change in the years ahead, and I believe those changes will lead to a report that is richer and more vibrant than anything we could have dreamed up in ink and paper. What won’t change: We will continue to give reporters the resources to dig into a single story for months at a time. We will continue to support reporters in every corner of the world as they bear witness to unfolding events, sometimes at great personal risk. We will continue to infuse our journalism with expertise by having lawyers cover law, doctors cover health and veterans cover war. We will continue to search for the most compelling ways to tell stories, from prose to virtual reality to whatever comes next. We will continue to put the fairness and accuracy of everything we publish above all else — and in the inevitable moments we fall short, we will continue to own up to our mistakes, and we’ll strive to do better."

Que venha 2018 e vamos ver o que é que isto dá. Aqui e do outro lado do Atlântico.

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por Gata às 01:40

Segunda-feira, 01.01.18

2017 a modos que assim

Tenho dificuldade em fazer um balanço de 2017. Foi um ano tépido. Sem muito que se lhe diga. Sem viagens inesquecíveis. Sem paixões arrebatadoras. Sem mudanças drásticas nas nossas vidas. Foi um ano de altos e baixos, como todos, cheio de momentos bons e de momentos maus e de momentos que são apenas a vidinha a arrastar-nos para a frente. Repito-me, eu sei, mas é a verdade. Valha-nos a felicidade nas coisas pequenas. O sorriso dos putos cada vez mais crescidos. O cheiro de um bolo no forno. O colo das minhas pessoas. Olhar o mar. A alegria de voltar a casa, no Alentejo. Os livros, os filmes, as músicas e toda a arte que nos enriquece. Os amigos, até mesmo aqueles que quase não vejo mas que estão sempre presentes. O amor que pomos nos pequenos gestos. O ano termina e fico feliz com a certeza de que estou a fazer o melhor que posso, o que acho mais correcto, aquilo em que acredito - na minha vida pessoal, profissional, social. E estas são as únicas armas que tenho para enfrentar este 2018 que ainda agora chegou e já tem tudo para correr mal.

"Absolute Beginners", David Bowie

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por Gata às 12:30

Quarta-feira, 27.12.17

Das coisas boas deste ano (2)

Luís Severo

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por Gata às 14:23



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