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A Gata Christie


Segunda-feira, 04.03.13

Já cá estamos


Marisa Monte, "O que você quer saber de verdade"

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por Gata às 15:47

Segunda-feira, 24.09.12

Liberdade

Parece que o que dá "ibope" é falar de sapatos e publicar fotos de vestidos. Mas não me apetece.

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por Gata às 10:40

Terça-feira, 04.01.11

Sejam bem vindos, estranhos

O Pedro não se conforma com o facto de eu não ser uma blogger a sério. Que não tenho uma lista de blogs preferidos aqui ao lado, que não faço (não sei fazer) links nos meus posts, que não tenho contador e por isso não sei quantas pessoas me lêem nem de onde vêm, que não participo nos grandes debates da blogosfera. É uma pena, diz ele. Mas eu gosto de estar assim, na semi-clandestinidade. Só cá vem quem me conhece e eu não tenho que fazer cerimónia, posso receber as visitas de roupão e pantufas. Foi por isso que hesitei um pouco quando o Pedro me convidou a ir lá, ao Delito de Opinião. É um pouco intimidante, confesso. Mas, pronto, uma pessoa não se pode deixar vencer pela timidez, não é? Cresce e aparece, Maria João. De modos que hoje me arranjei a preceito, vesti roupa nova, pus um batôn, e aqui estou pronta a receber todos os quiserem vir cuscar a minha casa. É uma vez sem exemplo. Aproveitem.

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por Gata às 10:22

Terça-feira, 12.05.09

Passa ao outro

Sempre gostava de saber quais são os vossos 15 programas/séries de televisão inesquecíveis:

- Diogo Calhau
- Cocó na fralda
- Alma limpinha com ajax
- Riso geral
- O homem que está de regresso
- Princesa das Estrelas

Divirtam-se.

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por Gata às 10:13

Segunda-feira, 29.12.08

As listas

Por estes dias anda toda a gente a fazer listas. De filmes, de livros, de músicas, de espectáculos. Eu adoro listas. Mas este ano isto está difícil. Não li o Roth nem o Coetzee nem o Auster. Não ouvi os Last Shadow Puppets. Não vi o Leonard Cohen. Não vi o Hunger nem o Querido Mês de Agosto. Terei ido ao teatro? (glup, até engulo em seco de vergonha) Sei que vi uns filmes de que gostei, a grande maioria em dvd, como o Juno ou o There Will Be Blood, foram mais com certeza mas agora não me ocorre. Sei que li uns livros, muitas biografias e algumas ficções, quase todos eles com sotaque brasileiro mas, embora tenha gostado do Cristovão Tezza e me tenha surpreendido com o humor da Adriana Calcanhotto, não me parece que daqui a uns anos me vá recordar com precisão dos livros lidos em 2008. A bem dizer não me lembro de este ano ter feito grande coisa na minha vida para além de trabalhar, dedicar-me à família (e já foi bom, nem toda a gente se pode dar ao luxo de dizer que pariu mais uma criancinha este ano, pois não?) e, ah, claro, passar horas infidáveis na internet. A internet salvou-me durante os cinco meses que passei de licença de maternidade (mas como, como é que eu tinha sobrevivido da outra vez?) permitindo manter-me ligada ao mundo, vendo cada vez menos (e menos e menos e menos) televisão, procurando mil e uma coisas no youtube, navegando de blogue em blogue até já não conseguir encontrar o caminho de regresso, e, até, imagine-se, descobrir, sozinha, sem a ajuda das recensões do expresso nem a indicação de amigos, um novo autor fétiche. Chama-se Antonio Prata, é brasileiro (para não variar) e, para já, só o conheço do blogue mas estou com muita vontade de ler os seus livros. Foi assim 2008. Completamente desligada mas ao mesmo tempo ligadérrima.

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por Gata às 22:10

Quinta-feira, 13.11.08

Sem palavras

O problema de ter voltado a trabalhar é que me parece que gasto as palavras todas a escrever notícias e noticiazecas e, quando chego ao fim do dia, já não consigo pensar quanto mais escrever alguma coisa de jeito. Eu até me sento ao computador mas a única coisa que sai é um grande mahna mahna.

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por Gata às 10:27

Quinta-feira, 17.07.08

Coming out

Apetecia-me escrever sem contar os caracteres nem ter que obedecer a fórmulas. Escrever sem ser por obrigação, escrever sobre alguma coisa que me interessasse minimamente. Apetecia-me escrever e podia simplesmente ter aberto um documento em word e começado a teclar mas, em vez disso, criei um blogue. Começou por ser um desafio pessoal. Será que tenho alguma coisa para dizer? Será que vou conseguir escrever com pés e cabeça? Será que isto vai ter algum interesse? Eram dúvidas a mais para alguém já de si muito inseguro por isso, pelo sim pelo não, este cantinho manteve-se mais ou menos secreto. Contei a meia dúzia de pessoas, não mais, só para saber o que elas achavam disto. Depois contei a mais duas ou três, e essas contaram a outras e desataram a fazer links para aqui e, como já se previa, a coisa começou a escapar ao meu controlo. Quando apareceram os primeiros comentários de pessoas que eu não conhecia de parte nenhuma demorei uns dias a recuperar do choque. Ui, há gente que me lê, e agora? E agora, continuo. Uns dias mais inspirada, noutros sem ponta por onde se lhe pegue (como, aliás, se pode constatar numa visita ao arquivo). E com isto se passou um ano. Para assinalar a data a Gata vai revelar o seu nome - mas há alguém que ainda não saiba? Não que isto tenha grande importância para o mundo em geral mas, enfim, para mim é um grande passo, é assim uma espécie de saída do armário, esta sou eu e não me envergonho de o ser, como quem assume um vício:
- olá a todos, o meu nome é maria joão caetano e tenho um blogue.
E pronto. Agora já sabem. E eu espero aguentar-me à bronca.

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por Gata às 09:36

Quarta-feira, 18.07.07

A Gata

Então e se lhe chamasses A Gata Christie?
Olhei para aquele montinho de pêlo cinzento enroscado a um canto do sofá e achei piada ao nome. Eu nunca tinha gostado muito de gatos. Mas no início de 1998, depois de seis anos a morar num quarto em casa da dona Idalina, pensei que já era altura de me mudar para uma casa que não cheirasse a cobertores amarfanhados em naftalina e onde pudesse entrar, a qualquer hora, sem ter de encarar o olhar reprovador que me esperava no sofá. A P. trabalhava a poucos metros da minha secretária mas eu quase nunca falara com ela. Não me lembro quem foi que me disse que ela também estava à procura de casa mas sei que depois de uma pequena conversa decidimos ali mesmo que iríamos morar juntas. Encontrámos um apartamento num sexto andar em Benfica, paredes-de-meias com uma grande amiga. Os dois quartos, o corredor e a sala estavam forrados com uma alcatifa vermelho escuro, a televisão era a preto e branco e o papel de parede deprimente mas a mim pareceu-me um palácio. A P. também deve ter achado que era um palácio porque não descansou enquanto não arranjou um gato para lá morar, era mesmo o que nos faltava, dizia, um gatinho lindo, para que isto seja uma casa a sério.
Afinal era um gata. Uma gatinha recém-nascida com cara de Sissi. Não, de Marota. Não, de Felpuda. Foi o E., um amigo cinéfilo e de humor sofisticado, que disse:
Então e se lhe chamasses A Gata Christie?
Olhei para aquele montinho de pêlo cinzento enroscado a um canto do sofá e achei piada ao nome. Foi assim que A Gata Christie se tornou uma de nós.


Infelizmente o nome não era nada prático. Oh Gata Christie não arranhes a cadeira, oh Gata Christie sai de dentro da cama, oh Gata Christie não se faz chichi no chão. A vida não está para nomes tão compridos. Gata, simplesmente Gata, assim ficaria conhecido o animal que quase destruiu o palácio de Benfica e deixou marcas irreparáveis na nossa pele. Eu nunca tinha gostado muito de gatos e não estava propriamente a adorar a experiência mas quando a P. apareceu, um dia, carregando no colo um gatinho castanho tão escanzelado quanto pulguento, não lhe consegui dizer que não. O bicho tinha sido abandonado com poucos dias de vida, ainda nem sequer conseguia beber leite de um prato e tremia que nem varas verdes. À noite, os seus miados lancinantes ecoavam pelo prédio e faziam-nos acordar de mau humor. Por essa altura, decidimos arrancar a alcatifa das três assoalhadas, comprar uma embalagem gigante de Whiskas e reforçar o estoque de areia empacotada. Nas famílias, mesmo as mais pobres e desesperadas, há sempre lugar para mais um.


A Gata e o Bicho tornaram-se rapidamente amigos inseparáveis. Tão inseparáveis que, apesar de todos os nossos cuidados, a Gata engravidou duas vezes e teve uma dúzia de gatinhos cinzentos e castanhos que saltitavam pela casa como Gremlins e se enfiavam nas gavetas, por trás dos livros, dentro dos sapatos. Tivemos que impingi-los a amigos e conhecidos a quem assegurávamos, de sorriso nos lábios, que estes irrequietos animais de vinte centímetros eram, afinal, uns santos, capazes de nos enternecer mesmo quando chegamos a casa mortos de cansaço a suspirar por um banho de espuma e um chocolate quente.
Eu nunca gostei muito de gatos mas quando, ao fim de dois anos, a casa começou a tornar-se de facto pequena para tanta gente – entre humanos e felinos éramos já seis nas três assoalhadas -, confesso que comecei a matutar no que iríamos fazer com a nossa prole. A P. saiu primeiro e levou o Bicho. Eu mudei-me pouco depois com a nossa Gata. Foi um choque para ambos. Ele entrou em depressão, tornou-se insociável, escondia-se atrás da máquina de lavar roupa e não deixava ninguém tocar-lhe. Ela tinha ataques de loucura em que corria pelo apartamento, ainda mais pequeno do que o anterior, deitando por terra tudo o que lhe aparecesse à frente. Foi assim até ao tempo em que as barrigas cresceram e de repente era preciso arranjar espaço para outras crias nas nossas vidas.
A Gata e o Bicho voltaram a encontrar-se numa quinta em Santarém. Parece que sofreram um pouco a adaptar-se ao campo, a andar com as patas na terra, a comer formigas e a fugir de outros gatos, cães e demais animais que eles, até então, desconheciam. Parece que de vez em quando desapareciam por uns dias e regressavam a coxear, com feridas lambidas e olhar mortiço. Parece que voltaram a ter mais gatinhos cinzentos e castanhos. E que depois acasalaram com os seus próprios filhos num daqueles comportamentos selvagens que nos faz duvidar da beleza da natureza.
Nunca gostei muito de gatos mas, não sei porquê, no momento de dar um nome a este blogue lembrei-me da minha Gata. A Gata Christie.

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por Gata às 01:05



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