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A Gata Christie


Terça-feira, 04.04.17

Pontas soltas (isto anda tudo ligado, outra vez)

Um destes dias apanhei o Sinais, do M. Night Shyamalan, num canal axn qualquer. Já não me lembrava como é bom este filme. Os filmes bons são como novelos que têm muitas pontas por onde puxar e ir desenrolando fios, cada vez mais longos. 

Nem de propósito, hoje vi este desenho da Mari Andrew, que é uma ilustradora de que gosto bastante. Sobre resiliência mas também sobre aquilo que vamos aprendendo com a vida e que nos vai tornando mais fortes, mais preparados, mais aptos para a vida que ainda está por vir. Tal como no filme: não temos acreditar que isto faça tudo sentido para que, na prática, isto faça tudo sentido.

Este também é da Mari Andrew:

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E ainda:

- a Joanna Godard escreveu sobre a felicidade nas coisas pequenas. A felicidade nas coisas pequenas dá-nos, muitas vezes, o sentido que andamos à procura. 

- Tentar, falhar, superar. Ensaio para uma cartografia é o espectáculo que a Monica Calle apresenta no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, até ao próximo domingo. Eu não vou conseguir ir vê-lo e tenho imensa pena. Vejam só estas fotos do Paulo Pimenta.

- Comecei a ler o livro novo do Bruno Vieira Amaral, Hoje estarás comigo no paraíso. Ainda vou muito no início mas estou a gostar. Ter um livro sempre à mão, na mochila, e não andar a todo o instante a olhar para o telefone é meio caminho para a minha felicidade.

- Nunca esquecer: relativizar, relativizar sempre.

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por Gata às 22:39

Segunda-feira, 06.03.17

Disto de ser mãe sozinha ou não tão sozinha assim

Aconselharam-me o filme Mulheres do Século XX, de Mike Mills, com a Anette Benning a fazer de mãe solteira de um rapaz de 15 anos, sem saber muito bem como é que se educa um homem bom. Está bom de ver porque é que toda a gente achou que o filme tinha a ver comigo. E tem. É engraçado porque as questões que ela se coloca eu também as coloco, de tempos a tempos. Será que é necessário um homem para educar um rapaz? Será que eu vou conseguir fazê-lo sozinha? Será que vou conseguir entender as suas necessidades e as suas angústias masculinas? Ou, para sermos mais práticos, como raio é que o vou ensinar a fazer a barba? Enfim, esse tipo de coisas. Mas a mim parece-me que o filme vai muito além disto. É sobre todas as mães e todos os filhos e sobre aquele momento em que os filhos nos fogem das mãos e começam a ter uma vida só sua, e que, por melhores mães que sejamos, não nos inclui. Há um momento em que ela diz que tem inveja das amigas do filho, porque elas têm oportunidade de vê-lo como ele realmente é, como ele se comporta quando não está com a mãe. Acho que todos sentimos um bocadinho isso e vai-se adensando à medida que eles crescem.

O filme é de facto muito engraçado e tocante. Além da Annete Benning, naquela mãe cheia de dúvidas mas sempre com uma tranquilidade desarmante (quem me dera), a Elle Fanning e a Greta Gerwig também estão muito, muito bem. O puto é muito giro. E, depois, passa-se no final dos anos 70 e há aquele ambiente todo do pós-mundo-hippie, pós-guerra do vietname, da guerra fria e do punk. As músicas e as imagens da época completam o retrato. A voz que se ouve no trailer é do presidente Jimmy Carter no seu discurso da "crise de confiança", em 1979. E tem tudo a ver.

Mas, por algum motivo, não consegui identificar-me tanto com aquela mãe como estava à espera. Talvez porque eu tenha dois filhos e ela só um, talvez porque os meus sejam ainda muito novos. Ou talvez porque senti ali falta da vida como ela é. Claro que temos dúvidas e que andamos sempre a tentar fazer o melhor para eles e educá-los para que sejam homens bons, mas isso acontece com todos os pais, sozinhos ou acompanhados. O mais complicado nisto de ser mãe sozinha, digo eu, é, acima de tudo, a logística. O facto de uma pessoa ter de trabalhar oito horas por dia, de os putos terem de ir para a escola, de ser preciso ir às compras e cozinhar e limpar a casa e lavar a roupa e fazer o irs e ajudar nos trabalhos de casa e ir ao médico e tratar das merdinhas todas. Na vida-que-não-é-dos-filmes uma pessoa fica tão assoberbada com isto tudo que, admitamos, não resta muito tempo para questionamentos metafísicos. Ou quando temos esse tipo de pensamentos não nos resta outra alternativa a não ser dizermos a nós próprias: estou a fazer o melhor que posso. Caso contrário corremos o risco de nos sentirmos umas falhadas e termos um esgotamente nervoso.

Numa coisa, no entanto, aquela mãe tem razão. É muito mais fácil quando se tem ajuda. Veja-se o que aconteceu connosco no fim-de-semana passado. Eu tinha que trabalhar e tinha horários esquisitos e tudo se avizinhava bastante complicado. E, afinal, tudo se resolveu. Ter amigos é, de facto, uma das coisas mais preciosas do mundo. Eu tenho a sorte de ter pessoas mesmo especiais à minha volta, cada uma de sua maneira. Amigos que acolhem os meus filhos em sua casa e lhes dão colinho bom. Amigos que me ajudam na logística do leva e traz e com quem ainda posso ficar um bom bocado a conversar e a comer sushi ou pizza. Amigos com quem posso contar.

E, ainda por cima, como bónus, acho que os meus filhos só ficam a ganhar com o facto de estas pessoas (estas e outras pessoas) estarem nas suas vidas. É mesmo um daqueles casos em que uma falha se transforma num benefício.

Como forma de dizer obrigado, este é o Randy Newman a cantar You've got a friend in me, a música que ficou conhecida no filme Toy Story. (a minha primeira ideia era pôr aqui aquele vídeo fofinho da "Claire and dad" a cantarem isto mas, entretanto, percebi que a Claire está a ser transformada pelos pais numa daquelas estrelas infantis ao estilo da Shirley Temple e achei que não tinha nada a ver com o que eu queria dizer neste post, antes pelo contrário)

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por Gata às 14:52

Quarta-feira, 01.03.17

Moonlight e os outros Óscares

Moonlight, de Barry Jenkins, que ganhou o Óscar de Melhor Filme, é um belíssimo filme sobre o azar de morar no bairro errado da vida, sobre os putos estúpidos do liceu, sobre bullying e sobre os efeitos da droga na vida das pessoas. Impressionou-me pela beleza (a cena em que o miúdo aprende a nadar é linda, linda) e pela serenidade com que conta uma história tão dura: a de Chiron, um miúdo que cresce num bairro social de Miami, rodeado de droga, vítima da intolerância e da violência dos colegas, à procura de si mesmo e a desobrir-se homossexual. É a história de um miúdo que se sente diferente e que aprende desde muito cedo que é melhor ficar calado para se manter longe de confusões (e mesmo assim...) e que não pode confiar em ninguém. Mas é também uma história de amor. 

O argumentista Tarell Alvin McCraney partiu da sua própria experiência para escrever esta história (embora, ao contrário do protagonista, ele não se tenha tornado dealer). Os três atores que interpretam o papel de Chiron nas várias fases da sua vida são óptimos, todos. A contenção, os silêncios, aqueles olhares. É, de facto, um filme que me tocou sem nunca recorrer ao sentimentalismo fácil. 

Gostei que Moonlight tivesse ganho o Óscar porque era o meu favorito, embora ache que teria ficado igualmente bem entregue se fosse para Manchester by the Sea ou La La Land. Este era o meu pódio. São filmes muito diferentes mas cada um deles, à sua maneira, é um bom filme  - e é possível gostar-se de Moonlight e de La La Land, cá estou eu para prová-lo, não embarco nada nesses discursos anti ou pró. Um não exclui o outro, pelo contrário, ainda bem que existem filmes assim, que nos falam de maneira diferente, que nos levam para sítios diferentes.

Manchester By the Sea, de Kenneth Lonnergan, atravessa-nos com a sua tristeza. O filme acaba e continuamos a sentir aquele peso da culpa sobre nós. Tal e qual como o protagonista, Lee Chandler (o ator oscarizado Casey Affleck), que fica paralisado pela culpa, incapaz de se relacionar emocionalmente com outras pessoas, com raiva de si mesmo e com medo de voltar a falhar e a magoar os outros. É um daqueles murros no estômago em forma de cinema de que gosto tanto.

De La La Land, de Damien Chazelle, gostei logo desde a primeira e fabulosa cena do engarrafamento de trânsito (filmada sem cortes, de maneira incrível). Está ali logo tudo explicado que é para a malta não ficar à espera de realismo nenhum. E gostei de tudo. Das roupas coloridas, de se ouvir o Take On Me, do poster da Ingrid Bergman no quarto de Mia, das discussões sobre jazz, do sapateado, das mil e uma referências aos musicais que vimos nas sessões de cinema na televisão aos domingos à tarde. Da fantasia, que tanta falta nos faz. Daquele momento mágico em que as mãos se tocam no cinema (quem nunca sentiu aquele arrepio na barriga num momento assim?). Da viagem pela história do cinema com uma só canção. E de os finais poderem ser felizes mesmo quando não são "finais à filme". É um filme que só na aparência é feliz e despreocupado (não sou grande fã da Emma Stone, mas ela até está bem).

Logo a seguir nas minhas preferências vinha Hell or High Water, de David Mackenzie, um filme de que se falou pouco ultimamente mas de que gostei mesmo muito. Foi uma completa surpresa. Um mergulho no faróeste, onde os cowboys do século XXI usam as armas à cintura, tal e qual como nos westerns, e não hesitam em sacá-las, onde há poços de petróleo e rangers à antiga (grande, grande Jeff Bridges), dinners deprimentes e bancos (usurários, odiados) que estão ali mesmo, no meio de nenhures, a pedirem para serem assaltados. A terra onde (sabemo-lo desde novembro) nem sempre os bons ganham: isto é a América. profunda. pobre. de gatilho rápido. Ao som de Nick Cave.

Noutro campeonato, claramente abaixo, gostei muito do Lion, de Garth Davis, e chorei que nem uma madalena arrependida com a história do miúdo que se perde da família na Índia dos anos 80 e acaba por ser entregue para adopção a uma família australiana (e achei o Dev Patel óptimo, em vários sentidos). Vedações, de Denzel Washington, baseia-se na excelente peça de teatro de August Wilson e tem interpretações extraordinárias de Denzel Washington e Viola Davis (qual atriz secundária, qual quê, para mim era Óscar de Melhor Atriz e pronto). É um filme de pessoas e palavras, como ela disse. Bom, sem dúvida, mas, ainda assim, é uma peça de teatro filmada. E, tal como Elementos Secretos, não achei que fosse material para Óscar. Este, sobre três mulheres negras que trabalharam na NASA em 1961, numa América segregacionista, é baseado em histórias reais e fala de assuntos muito sérios (e tão actuais) como o racismo ou a discriminação das mulheres, mas, sinceramente, não me pareceu mais do que um filmezinho simpático.

Com O Herói de Hacksaw Ridge, de Mel Gibson, tive uma relação complicada. Gostei da história (também real) do soldado Doss, objetor de consciência, que foi para a Segunda Guerra Mundial recusando-se a pegar numa arma. Mas há qualquer coisa de pornográfico no modo como Gibson filma as batalhas, com sangue a espirrar e estropiados por todo o lado, e uma musiquinha épica sempre como pano de fundo. Para mim foi too much, mesmo reconhecendo que o filme tem qualidades. E, por último, O Primeiro Encontro, de Dennis Villeneuve, que, definitivamente, não é o meu pedaço de bolo. De uma maneira geral não gosto de ficção científica nem de filmes com seres sobrenaturais e este Arrival não me fez mudar de opinião. Vi-o há pouco mais de duas semanas e, agora que penso nisso, não ficou cá nada.

E, pronto, foi isto que eu andei a fazer no último mês. Este ano, pela primeira vez, consegui ver todos os nomeados para Melhor Filme e ainda mais uns nomeados noutras categorias. Nada mau. Nada mau mesmo. Para quem não tem tempo nenhum para ir ao cinema (ou para o que quer que seja) foi uma autêntica proeza. Foi isso, em grande parte, que me impediu de vir aqui escrever mais frequentemente, mas não se pode ter tudo, já se sabe. Sobretudo, foi pena não ter conseguido escrever antes da entrega dos prémios, como era minha intenção. Talvez para o ano. Agora que me habituei a isto até me posso tornar uma maluquinha dos Óscares. 

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por Gata às 21:40

Quarta-feira, 21.12.16

Nós, Daniel Blake

Eu ia preparada, conheço mais ou menos a obra do Ken Loach e tinha lido as críticas nos jornais, mas ainda assim foi cá um murro no estômago. É uma história tão simples e tão verdadeira de um homem que teve um ataque cardíaco e por isso se vê impedido de trabalhar mas que não tem direito ao subsídio de invalidez porque uma técnica sentada a uma secretária e sem qualquer conhecimento médico achou que ele estava apto para o trabalho. Daniel Blake passa horas em espera ao telefone, espera horas em filas para expor o seu caso. E à medida que o tempo passa e o dinheiro escasseia vai conhecendo essa miséria que se instala de mansinho. Esta é também a história de uma mãe solteira que perde o seu subsídio porque se enganou no autocarro e chegou atrasada à reunião na segurança social. Uma mãe que passa fome para alimentar os seus dois filhos (a cena no banco alimentar é absolutamente avassaladora). Eu, Daniel Blake é um filme sobre nós, sobre esta sociedade que nós construímos, onde as pessoas são reduzidas a números, onde a burocracia impera, onde não há preocupação com o outro, onde o Estado, que devia ser o garante da justiça e da segurança, é quem mais nos rouba e atrapalha e humilha. 

"I am not a client, a customer, nor a service user. I am not a shirker, a scrounger, a beggar nor a thief. I am not a national insurance number, nor a blip on a screen. I paid my dues, never a penny short, and was proud to do so. I don’t tug the forelock but look my neighbour in the eye. I don’t accept or seek charity. My name is Daniel Blake, I am a man, not a dog. As such I demand my rights. I demand you treat me with respect. I, Daniel Blake, am a citizen, nothing more, nothing less. Thank you."

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por Gata às 21:44

Sexta-feira, 02.12.16

"Someone's gotta sing the pain"

Em julho de 2015, Arthur, um dos filhos de Nick Cave, morreu ao cair de um penhasco em Brighton. Tinha 15 anos. O músico estava nessa altura a meio do processo de criação de mais um disco, Skeleton Tree. As canções compostas antes só ficaram concluídas depois. Na fase final de produção, Nick Cave permitiu que uma equipa de filmagem dirigida por Andrew Dominik acompanhasse a gravação. O resultado é um filme extraordinário, One More Time With Feeling, onde o músico se mostra como nunca na sua fragilidade e no seu sofrimento, de forma desarmante, a tentar dar algum sentido à sua música, às suas palavras, à sua vida. É isso que vemos naquele ecrã, quase sempre a preto e branco, um pai a fazer o luto do seu filho da melhor maneira que sabe: a pôr mão no ombro do filho que lhe resta, Earl (eram gémeos), a sorrir para a mulher, Susan, a entregar-se ao trabalho e a criar mais um disco com os companheiros de sempre, os Bad Seeds, e pelo meio a tentar construir frases sabendo à partida que tudo o que disser sobre o assunto é bullshit e só pode ser bullshit. Não há narrativa possível.

Mas não é só bullshit, claro. Reconhecemos aquela culpa, o desespero, as perguntas por responder, a descrença, o sofrimento. A música que ganha novos sentidos. As imagens desfocadas. Será da câmara ou serão as nossas lágrimas? A dor que é dele e que é de todos nós. A mais temível de todas as dores.

Há um momento em que Cave fala de como o tempo é elástico. Houve aquele acontecimento traumatizante, onde o tempo parou, e depois a vida continuou e todos eles, mal ou bem, continuaram a viver. E é como se estivessem a esticar o elástico. Mais cedo ou mais tarde, são forçados a voltar ao ponto de partida. Àquele momento terrível. Por mais que façam, não podem apagar aquele acontecimento. As pessoas dizem-lhe "ele continua a viver no nosso coração" e Cave diz que sim, ele continua no seu coração, mas "já não vive". Essa é a dura verdade. "Isto aconteceu-nos a nós, mas aconteceu-lhe também a ele." Há uma vida que foi interrompida. Que ficou por viver.

Um trauma destes muda-nos de maneira profunda. Tornamo-nos outros, diz ele, que não se reconhece no espelho, que não consegue prever as suas próprias reacções nem os seus sentimentos. Não sabe muito bem quem é agora. O novo Nick Cave deixa que o filmem a mudar de camisa, com a voz embargada, a dar a mão à mulher por baixo da mesa, a dizer que não tem a certeza se quer ser filmado. "O que é que eu estou a fazer?"

Ele é outro. Assim como Susan e Earl também serão outros. E, no entanto, ali estão eles: "Decidimos ser felizes. É o nosso desafio." 

Mesmo que, no final, só reste um vazio.

E, nós, depois disto, dizendo umas piadas para tornar mais suportável o momento em que nos encaramos todos à medida que as luzes se acendem, saímos do cinema, enfrentamos o frio, corremos para abraçar os nossos. E ouvimos as músicas de Skeleton Tree como se fosse a primeira vez. One more time with feeling.

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por Gata às 15:56

Quarta-feira, 14.09.16

Eu podia muito bem ser uma daquelas fãs histéricas

Ri, cantei, emocionei-me. Saí do cinema feliz, como quando se reencontram velhos amigos. 

The Beatles: Eight Days a Week, de Ron Howard. Estreia amanhã. 

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por Gata às 11:52

Domingo, 31.07.16

Estas vidas deram filmes

Andei que tempos à espera de Miles Ahead, o filme de Don Cheadle sobre o músico Miles Davis. Li artigos, vi os trailers e, agora que já o vi, posso dizer que, afinal, não gostei assim tanto. Eu gosto muito de documentários e gosto muito de biopics e filmes baseados em histórias reais. Mas nem sempre saio do cinema feliz. Ultimamente vi dois filmes de que esperava bastante e que se revelaram uma desilusão:

Este Miles Ahead - acredito que o homem estava numa fase má da sua vida, drogado, deprimido, alterado, há cinco anos sem editar nenhum disco de originais, pressionado pelos fãs e pela editora, isso tudo, mas aquela loucura toda com tiroteios, fitas roubadas, perseguições de carros com um jornalista à mistura pareceu-me bastante exagerada; sei que aquilo é ficção, mas ainda assim para eu gostar mais do filme teria de achar aquela acção toda mais plausível. A boa música não faz um bom filme.

E também o Race, realizado por Stephen Hopkins, sobre o grande Jesse Owens. A história é verdadeira e brutal. Ali temos um atleta americano negro que além de ter de vencer o racismo no seu país ainda vai ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Os jogos de Hitler. Pois o que me parece que falha no filme é precisamente esse momento dos jogos. Toda a história do rapaz é bem contadinha mas uma pessoa chega ao estádio de Berlim e estava à espera de algum drama, de emoção. E nada. (e acabar o filme a simpatizar com a Leni Riefenstahl também não sei se será uma coisa boa). Jesse Owens merecia muito mais.

Por outro lado, há filmes que me surpreendem. 

Veio parar-me às mãos um filme que me tinha passado ao lado mas que esteve no ano passado no DocLisboa: Listen to me, Marlon. O documentário de Steven Riley pega numa série de gravações de voz que Marlon Brando fez, em casa, com o seu gravador, sozinho, a falar sobre o cinema e o resto. Usa ainda excertos de entrevistas e imagens dos filmes de Brando. E com isto conta a história do actor, ou pelo menos uma parte da história. Sem artifícios. Dos tempos em que seguia o Método até ao total desinteresse pela representação, as críticas aos realizadores, as manias de estrela. 

E hoje vi The Program, de Stephen Frears, acabadinho de estrear em Portugal com o título Vencer a Qualquer Preço, sobre o ciclista Lance Armstrong. Eu nem sou grande fã de ciclismo por isso não estava assim muito entusiasmada à partida. Mas conseguiu prender-me. O argumento é baseado no livro do jornalista David Walsh, do Sunday Times, que chegou a perder um processo em tribunal com Armstrong que o acusou de difamação, e o filme concentra-se, acima de tudo, nos anos em que Lance ganhou a volta a França - ganhou sete vezes, de 1999 a 2004. Só a parte final me parece algo apressada, mas, por outro lado, sabendo que o processo se arrastou durante tanto tempo (apenas em 2013 ele admitiu ter usado doping), talvez fosse difícil fazer melhor. Gostei bastante de não haver lamechices com a família e os filhos, nem arrependimentos nem nada. Não há falsos moralismos aqui. A parte pior (para mim) foram as agulhas, mas não foi suficiente para me fazer não gostar deste The Program

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por Gata às 15:22

Sábado, 25.06.16

Um clássico

Há que tempos que não tínhamos uma manhã de sábado assim, sem futebol nem trabalhos de casa nem nada. Lembrei-me de mostrar ao meu pré-adolescente este filme, para variar um bocadinho do minecraft e dos tontos dos youtubers. Ao princípio, ele não estava muito interessado em ver um filme com 30 anos e 0 super-heróis. Mas acabou por se divertir imenso. E eu também. 

Ferris Bueller's Day Off, de John Hughes. Em português chama-se O Rei dos Gazeteiros. Deu ontem, no canal Hollywood, por isso é só procurá-lo na box.

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por Gata às 15:33

Sábado, 18.06.16

A escola é o sítio onde as crianças aprendem a ser felizes (ou deveria ser)

Michael Moore é um realizador demagógico e às vezes até desonesto, ainda assim encontro sempre algo interessante nos seus filmes-panfletos. Neste Where to invade next, que ainda não vi mas tenho andado a cuscar no youtube, gosto bastante desta cena. Faz-me ter vontade de me mudar para a Finlândia. Faz-me pensar na escola que temos por cá. E no que podemos fazer para melhorar o ensino (e a vida) dos nossos filhos. 

Nós já estamos em modo férias. E é tãããããão bom.

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por Gata às 15:07

Segunda-feira, 13.06.16

O que faz uma mãe um fim-de-semana inteiro quando não está com os filhos?

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Walking, not running. Uma peça de teatro para esquecer. Deixem o pimba em paz com a Cris no Terreiro do Paço. Um gin com música ao vivo. Um filme chinês: Regresso a Casa. Cerejas. Uma comédia romântica: Trainwreck. Mojitos com vista sobre a cidade. Um cheirinho a santos populares. Andar descalça. Comer pizza, ir à praia e dar gargalhadas com amigos bons. Caminhar um bocadinho mais. Futebol. Requeijão com doce de abóbora e um livro novo.

E ainda: não fazer nada.

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por Gata às 19:12



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