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A Gata Christie


Domingo, 02.11.14

Dançámos, dançámos muito

A minha opinião é capaz de ser um bocadinho parcial mas eu cá acho que a festa dos 40 foi fantástica. Mesmo. Não porque tivesse alguma coisa extraordinária, que não teve, não houve decoração especial nem comida com nomes esquisitos, nem nada dessas coisas bonitinhas que há nas festas que vocês costumam ver por aí noutros blogues. Pois não. Mas teve a coisa mais extraordinária do mundo que são os meus amigos. 50 amigos (ena, tantos!, e mais uns quantos que não puderam lá estar fisicamente mas estavam na mesma). Foi muito engraçado juntar pessoas tão diferentes, de várias fases e várias áreas da minha vida, amigos da faculdade, amigos do trabalho, amigos antigos, amigos recentes. E foi muito giro vê-los todos juntos, alguns a fazerem novos amigos também. Acho que todos se divertiram, cada um à sua maneira, uns mais animados, outros só na conversa, uns que ficaram menos tempo, outros que ficaram até ao fim, mas pareceu-me que todos tiveram uma noite boa, e essa era a minha grande preocupação.

Para memória futura:

A festa foi no restaurante/bar O Século e, embora a comida não fosse nada do outro mundo, o sítio é muito agradável. Adorei chegar lá e ver as mesas postas, com as velinhas acesas, as janelas abertas para a rua, com a possibilidade de ficarmos um bocado cá fora, no largo, a conversar. Era o espaço do tamanho certo para a nossa festa, nem grande de mais nem pequeno de mais. E, como tínhamos a sala só para nós, depois do jantar, pudemos ficar lá a dançar até nos apetecer, ou seja, até depois das 4 da manhã.

Encomendei um bolo na Doces Paladares que, além de lindo, era muito, muito bom. Foi caro mas valeu cada cêntimo.

A Inês e a Ângela trouxeram um saco cheio de chapéus, óculos e outras máscaras para ser tudo ainda mais divertido (foi uma bela ideia, suas marotas).

Tinha pedido ao meu cunhado (que além de ser um dos fotógrafos da família tem acesso privilegiado ao arquivo fotógrafico do meu pai) para fazer um filme com algumas fotos dos meus 40 anos mas ele fez muito mais do que isso. O filme estava fabuloso (e cheio de tesourinhos deprimentes) e contou com a contribuição de alguns amigos queridos, que me fizeram chorar de emoção e rir até me doer a barriga. Que boa surpresa.

O Nuno e o João foram os DJs mais fantásticos do mundo. Uma festa em que se ouve David Bowie e One Direction, Madonna e Depeche Mode, Buraka, Spice Girls, Chico Buarque, e mais, muito mais, só pode ser uma grande festa. Dancei muito, pois dancei. E também foi bom ver que não sou a única a gostar de dançar.

Obrigado ao Baby M. que, apesar dos sustos, não nasceu, o que nos permitiu ter uma barriga maravilhosa na pista de dança.

Como as noivas, não consegui dar atenção a toda a gente. Mas deixo aqui um enorme obrigado a todos: Teresa e Pedro, Sónia e Ricardo, Helena e Raul, Isabel e Jairo, Sónia e Nuno, Ângela, Inês, Rita R., Paula, Lina e António, Susana, Filipa e Tiago, Eurico, Joana, Nuno G., João M., Rita e Diogo, João Pedro e Ana, João Miguel e Teresa, Lumena, Mafalda, Cecília, Patrícia A., Sandy, Milú, João M.F., Patrícia V., Maria João e Pedro, Rute, Cristina, Lurdes e Ricardo, Élia e Pedro, Susana e Miguel, Sofia e Nelson, Manuela e Nuno.

Obrigado pela amizade, pelos abraços, pelos beijos, pelas prendas (também), pela animação, pelas mensagens, por estarem por aí, mais perto ou mais longe.

Não tirei fotografias - até levei a máquina mas estava demasiado ocupada a festejar e nem me lembrei - mas estou a tentar recolher as fotos que todos tiraram. Mas uma coisa vos digo: com fotos ou sem fotos, vou lembrar-me desta noite para sempre.

Fiquei de rastos, que a idade, já se sabe, não perdoa. Mas se tudo correr bem dançamos de novo aos 50, combinado?

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por Gata às 16:12

Sexta-feira, 31.10.14

Já cá ando há 40 anos

Já cá ando há 40 anos.

Tenhos dois filhos.

Apaixonei-me algumas vezes. E desapaixonei-me outras tantas.

Casei-me e divorciei-me.

Tenho asma crónica.

Sou jornalista. E gosto muito (apesar de haver dias que).

Tenho saudades dos meus avós.

Gosto de comer e nunca vou ser magra.

Há dias em que sinto que não vou ser capaz, há outros dias em que me sinto a super-mulher, mas nisto, como em tudo o resto, aliás, acho que sou muito parecida com todas as outras pessoas.

Tenho medo de morrer.

Choro muito, com os filmes e com a vida.

Mas, de uma maneira geral, sou feliz.

Fazer um balanço?

Já cá ando há 40 anos. Não me arrependo assim de grandes coisas. Quero dizer. Há coisas que acho que podia ter feito melhor. Ou situações em que podia ter arriscado mais. Tenho pena de não ter dado mais atenção a algumas pessoas e depois já ser tarde de mais. Há coisas que fiz que foram, afinal, desnecessárias. Ou que podia ter evitado. Mas acho que nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente. E não há assim nada de grave de que me arrependa mesmo. Olho para trás e tenho a consciência tranquila. Tudo o que fiz e disse estava de acordo com o que sentia em cada momento, com o que me pareceu importante naquela dada altura. Se o fiz, se o disse, estava a ser honesta. Comigo e com os outros. E isso é algo de que me orgulho mesmo. De não ser falsa. De não mentir. De não fazer jogos. De não ter esqueletos no armário. De acreditar que mais vale mostrar-me como sou, com todos as minhas falhas, do que estar a construir uma personagem que, mais cedo ou mais tarde, será desmascarada. Nunca tive grande paciência para me preocupar com o que os outros pensam de mim, e já várias vezes fui prejudicada por isso. Ah, porque rio muito e muito alto. Ah, porque digo o que acho. Ah, porque protesto quando acho que as coisas estão mal. Ah, porque sou muito emotiva. Ah, porque sou uma gaja complicada e que muda de ideias e que às vezes não sabem bem o que quer. Ah, porque falo muito. Ah, porque devia ser mais discreta. Pois. Sou assim mesmo. E às vezes faço umas figuras tristes, pois faço, porque me exponho demasiado. Porque odeio situações indefinidas e preciso sempre esclarecer tudo na minha cabeça, custe o que custar. Mas continuo a achar que é melhor assim. Mesmo que os outros me mintam - e mentem-me, frequentemente. Mesmo quando descubro essas mentiras e isso me entristece, sobretudo quando vêm de pessoas de que gosto (gostava) muito. Mesmo quando me desiludo - e desiludo-me muitas vezes - ao descobrir que a honestidade não só não é compreendida como não tem reciprocidade. Mesmo assim. Depois há as outras vezes e há outras pessoas que me provam que vale a pena. Que quando somos exactamente aquilo que somos, as pessoas que ficam connosco são exactamente aquelas de que precisamos, as que gostam de nós sem condições e sem falsidades. As nossas pessoas.

Já cá ando há 40 anos e tenho dois filhos que são o meu maior tesouro (mesmo quando são umas pestes). Que despertam o melhor e o pior de mim. Que me fazem ter medos inconfessáveis. E me dão forças que nem eu sabia que tinha. E tenho a minha família fantástica (pai, mãe, irmã, cunhado) que são o meu porto de abrigo. No meu Alentejo, claro. E tenho os meus amigos, os meus amigos do peito, uns que já estão comigo há mais de 20 anos, outros mais recentes, que não vou enumerar mas vocês sabem que são, não sabem? Se há coisa que aprendi nestes últimos anos foi a importância de dizer às pessoas de quem gostamos o quanto gostamos delas, mostrar-lhes o quanto são importante para nós. E tenho-me esforçado para o fazer. Umas vezes aqui, muitas vezes por aí. Dando aqueles abraços. Dando a mão. Dando o ombro. Dando uma palavra. Outras vezes pedindo (tenho pedido muito aos meus amigos).

Daqui a pouco vou estar com algumas dessas pessoas. Quase todas, para dizer a verdade. Já cá ando há 40 anos e não me lembro quando foi a última vez que fiz uma festa de aniversário. Mas às vezes temos que sair da nossa zona de conforto. Entre as mensagens que tenho recebido hoje, muitas avisam-me de que o melhor ainda está para vir, que agora é que vai ser mesmo a valer. Portanto, se até aqui já foi assim bom e se agora ainda vai ser melhor... só posso estar optimista, não é?

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por Gata às 12:03

Quinta-feira, 30.10.14

Are we there yet?

(aquele momento em que me arrependo de ter marcado uma festa e só me apetecia ficar sozinha, embrulhada numa manta a ver um filme romântico qualquer. isto já passa, isto já passa, acho)

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por Gata às 20:08

Terça-feira, 30.09.14

'Let's Dance'


David Bowie

Falta um mês. E porque estes dias (estas semanas? estes meses? estes anos?) não têm sido fáceis e andamos todos a precisar de um pouco de animação, vamos passar o mês a dançar. Dançar faz bem ao corpo e à alma. A mim dançar faz-me muito bem. Dançar sozinha em casa. Dançar com os meus putos aos pulos na sala. Dançar abraçada. Dançar de olhos fechados na pista de uma discoteca. Dançar com amigas uma noite inteira para espantar os maus humores. Por aqui, em outubro vamos dançar. Todos os dias. Em contagem decrescente para os 40.

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por Gata às 01:00

Domingo, 31.08.14

Dançando

Com Adriana Calcanhotto. A dois meses dos 40.

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por Gata às 09:03

Quinta-feira, 31.07.14

Save the date

Daqui a exactamente três meses, quando fizer 40 anos, quero estar com os meus amigos para, juntos, celebrarmos a vida, a amizade, a alegria e o tempo que passa por nós e passa connosco. Nesse dia, vamos dar muitos abraços, rir e dançar, que são algumas das coisas melhores do mundo.

Lykke Li, 'Dance, dance, dance'

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por Gata às 10:11

Quarta-feira, 30.07.14

Nunca mais *

"B: The happiest time? (…) This must be the happiest time: half of being adult done, the rest ahead of me. Old enough to be a little wise, past being really dumb… (…) Enough shit gone through to have a sense of the shit that’s ahead (…). What I like most about being where I am is that there’s a lot I don’t have to go through anymore (…)."


[Edward Albee, Three Tall Women, 1994]

 

* post roubado ao Pedro, com o devido agradecimento

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por Gata às 09:33

Quarta-feira, 16.07.14

A meio da vida

"Uma pessoa chega aos 40 anos e compreende que, estatisticamente, está no meio da vida, e isso tem um valor simbólico muito forte", dizia-me o Gonçalo Cadilhe no outro dia, numa conversa num terraço com vista sobre Lisboa a propósito do seu novo livro (podem ler mais aqui: cadilhe.pdf). Ele, que é um viajante e amante do surf, decidiu aproveitar o "meio da vida" para realizar a sua viagem de sonho e passou um ano a surfar em algumas das melhores ondas do mundo, enquanto tratava de pensar nas coisas boas e más da sua vida.

Daqui a três meses, eu também vou fazer 40 anos. E neste deitar contas à vida, que é inevitável, o que está a ser mais estranho não é tanto olhar para trás e ver aquilo que fiz ou que deixei por fazer, pois vivo bem com o meu passado, nem sequer é sentir-me a envelhecer, ver os cabelos brancos e as peles caídas, pois que também não me faz muita confusão essa parte, o que está a ser mais difícil é mesmo esta sensação de que se por um lado a vida vai a meio, por outro é como se estivesse agora a começar. Ou a começar de novo. Isso é algo com que não contava. Achei que ia chegar aos 40 com uma vida perfeitamente estabilizada e com muito mais certezas sobre o caminho a percorrer. E, afinal, a única certeza que tenho é que não podemos dar nada como adquirido e temos que estar sempre prontos para as mudanças. E, afinal, não consigo planear as próximas férias de natal, quanto mais fazer planos para quando for velhinha. E, afinal, não há um só caminho pela frente, mas vários, e ainda há muitas decisões por tomar e muitas possibilidades por acontecer.
E isso é inesperado mas não tem que ser necessariamente mau. Vamos a meio. Ainda não é o fim.

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por Gata às 21:51

Terça-feira, 24.06.14

Aos 39

Tenho um cabelo branco.

Acabei de o descobrir. Estava aqui no computador, muito entretida a pôr a correspondência em dia, sentada à secretária de um quarto de hotel em Wiesbaden, com um espelho mesmo à minha frente, e eis que levanto os olhos do teclado e lá está ele, o meu cabelo branco. Há quanto tempo andaria a esconder-se de mim, atrás dos outros cabelos? Mas agora ali está. O meu primeiro cabelo branco. Enorme, brilhante, perfeitamente visível com a luz vinda da janela do lado esquerdo. É só um, por enquanto, podia arrancá-lo, não é? Mas será que faria alguma diferença?

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por Gata às 16:00

Quinta-feira, 10.04.14

Uma miúda

 

Andava à procura de umas coisas antigas nos álbuns e não consegui resistir a estas fotografias tiradas pelo pai em agosto de 1997. Um dia de festa. Toda a gente feliz. Lembro-me que tomei decisões importantes neste dia. É tão engraçado olhar para aqui e encontrar aquela miúda que eu era.

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por Gata às 16:48



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