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A Gata Christie


Quarta-feira, 28.12.16

George Michael (1953-2016)

Calhou estar na noite de natal em casa de uma amiga, ela ter recebido um gira-discos de presente e nós estarmos naquele momento a explorar os discos de vinil da nossa juventude. Calhou ela ter, ali, o Last Christmas e o Careless Whisper em 45 rotações e, de repente, sabermos que George Michael tinha morrido e ficarmos todos meio nostálgicos. A lembrarmo-nos. Aos 10 anos, dançávamos assim, aos saltinhos, a agitar os braços, muito leves, muito felizes. Mesmo crescida, sempre gostei mais do George Michael que se dançava do que daquele que sofria em melosas baladas românticas. Não posso dizer que tenha sido um músico assim muito importante para mim mas admito que, muito por causa do trabalho mas não só, tenho ouvido as suas canções nos últimos dias e é verdade que as conheço quase todas e até sei cantar os refrões. Acho mesmo que é preciso ter crescido nos anos 80 para entender isto. 

Wake Me Up Before You Go Go (1984)

I Want Your Sex (1987)

Faith (1987)

Too Funky (1992)

Outside (1998)

 

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por Gata às 08:35

Sábado, 24.12.16

Samba para o dia de hoje

Véspera de Natal, por Adoniran Barbosa 

"Eu me lembro muito bem
Foi numa véspera de natal
Cheguei em casa
Encontrei minha nega zangada, a criançada chorando,
Mesa vazia, não tinha nada.

Saí, fui comprar bala mistura,
Comprei também um pãozinho de mel
E cumprindo a minha jura,
Me fantasiei de papai noel

Falei com minha nega de lado
Eu vou subir no telhado
E descer na chaminé
Enquanto isso você
Pega a criançada e ensaia o dingo-bel

Ai meu deus que sacrifício
O orifício da chaminé era pequeno
Pra me tirar de lá
Foi preciso chamar
Os bombeiros"

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por Gata às 00:43

Quarta-feira, 07.12.16

Porque amanhã é feriado

Isto é bem bonito. Labirinto ou Não foi Nada (poema de David Mourão Ferreira sobre o Fado Vianinha, de Francisco Viana) é o primeiro single do novo disco de Gisela João, Nua. O videclipe foi realizado por André Tentugal e é protagonizado por Fernando Santos/ Deborah Cristal.

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por Gata às 22:05

Sábado, 03.12.16

"Para ser rainha nunca foi preciso rei"

Saímos da aula de bateria do Pedro já depois das sete e meia. Carregados de mochilas. Caminhámos uns dez minutos debaixo daquela chuvinha até casa. A última coisa que nos apetecia era voltar a sair. Já imaginávamos a nossa noite de sexta-feira passada no sofá, em frente da televisão, enroscados nas mantas. Mas... sabem, eu queria muito ir ver a Capicua. Eu nunca a tinha visto ao vivo e tinha passado o último mês a controlar a ocupação da sala no ticketline ao mesmo tempo que tentava convencer uma amiga a fazer-nos companhia, até que, à última hora, tinha conseguido uns bilhetes à borla mesmo irresistíveis, como é que eu poderia não ir? Vá lá, miúdos, façam isto pela mãe. Eles fizeram. E ainda bem. Foi mesmo bom. A nossa felicidade pode ser ver a felicidade de alguém, em cima do palco, a cantar uma música dedicada às mulheres que se levantam cedo para trabalhar ou outra para as mulheres que são maltratadas pelos homens, a dizer que "para ser rainha nunca foi preciso rei", a lembrar o 25 de abril e a cantar em rap as palavras de Sophia de Mello Breyner ("como casa limpa, como chão varrido, como porta aberta") e Sérgio Godinho ("só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, a habitação, saúde, educação"). Os miúdos, claro, pediam a Maria Capaz e Vayorken, que também chegaram, mais para o fim, quando já estávamos todos de pé e a fazer "muito barulho". Não sei muito bem o que é que eles perceberam de tudo o que foi dito mas sei que vê-la ali, tão feliz e genuína, com a sua blusa de bolinhas e folhos, a ser exactamente aquilo que quer ser, sem ligar a estereótipos parvos, e ouvir o que ela nos tem a dizer em forma de poemas ao mesmo tempo duros e belos, é uma grande lição. Para eles e para mim.

Capicua, Medo

e A Mulher do Cacilheiro.

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por Gata às 13:31

Sexta-feira, 02.12.16

"Someone's gotta sing the pain"

Em julho de 2015, Arthur, um dos filhos de Nick Cave, morreu ao cair de um penhasco em Brighton. Tinha 15 anos. O músico estava nessa altura a meio do processo de criação de mais um disco, Skeleton Tree. As canções compostas antes só ficaram concluídas depois. Na fase final de produção, Nick Cave permitiu que uma equipa de filmagem dirigida por Andrew Dominik acompanhasse a gravação. O resultado é um filme extraordinário, One More Time With Feeling, onde o músico se mostra como nunca na sua fragilidade e no seu sofrimento, de forma desarmante, a tentar dar algum sentido à sua música, às suas palavras, à sua vida. É isso que vemos naquele ecrã, quase sempre a preto e branco, um pai a fazer o luto do seu filho da melhor maneira que sabe: a pôr mão no ombro do filho que lhe resta, Earl (eram gémeos), a sorrir para a mulher, Susan, a entregar-se ao trabalho e a criar mais um disco com os companheiros de sempre, os Bad Seeds, e pelo meio a tentar construir frases sabendo à partida que tudo o que disser sobre o assunto é bullshit e só pode ser bullshit. Não há narrativa possível.

Mas não é só bullshit, claro. Reconhecemos aquela culpa, o desespero, as perguntas por responder, a descrença, o sofrimento. A música que ganha novos sentidos. As imagens desfocadas. Será da câmara ou serão as nossas lágrimas? A dor que é dele e que é de todos nós. A mais temível de todas as dores.

Há um momento em que Cave fala de como o tempo é elástico. Houve aquele acontecimento traumatizante, onde o tempo parou, e depois a vida continuou e todos eles, mal ou bem, continuaram a viver. E é como se estivessem a esticar o elástico. Mais cedo ou mais tarde, são forçados a voltar ao ponto de partida. Àquele momento terrível. Por mais que façam, não podem apagar aquele acontecimento. As pessoas dizem-lhe "ele continua a viver no nosso coração" e Cave diz que sim, ele continua no seu coração, mas "já não vive". Essa é a dura verdade. "Isto aconteceu-nos a nós, mas aconteceu-lhe também a ele." Há uma vida que foi interrompida. Que ficou por viver.

Um trauma destes muda-nos de maneira profunda. Tornamo-nos outros, diz ele, que não se reconhece no espelho, que não consegue prever as suas próprias reacções nem os seus sentimentos. Não sabe muito bem quem é agora. O novo Nick Cave deixa que o filmem a mudar de camisa, com a voz embargada, a dar a mão à mulher por baixo da mesa, a dizer que não tem a certeza se quer ser filmado. "O que é que eu estou a fazer?"

Ele é outro. Assim como Susan e Earl também serão outros. E, no entanto, ali estão eles: "Decidimos ser felizes. É o nosso desafio." 

Mesmo que, no final, só reste um vazio.

E, nós, depois disto, dizendo umas piadas para tornar mais suportável o momento em que nos encaramos todos à medida que as luzes se acendem, saímos do cinema, enfrentamos o frio, corremos para abraçar os nossos. E ouvimos as músicas de Skeleton Tree como se fosse a primeira vez. One more time with feeling.

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por Gata às 15:56

Domingo, 27.11.16

Três coisas boas (e mais uma) para começar bem a semana

1. Está em cena até 18 de dezembro, no Teatro Nacional Dona Maria II, o espetáculo As Criadas. Texto de Genet, encenação de Marco Martins, interpretação das maravilhosas Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz. Teatro de vísceras, de corpos ali tão perto de nós, de palavras cuspidas, de vidas sufocadas. Não é fácil mas nem tudo o que é bom é fácil.  

2. O Jorge Palma está a preparar uma série de concertos especiais a propósito dos 25 anos do álbum. O já era um disco fabuloso há 25 anos e, agora, quando o ouvimos, parece ainda melhor. Eu estive à conversa com o músico e até lhe pedi um autógrafo, que é uma coisa que não faço muitas vezes. 

palma.jpg3. Estou a ler O Túnel dos Pombos, que é o livro de memórias de John Le Carré. Uma preciosidade. Eu já sabia que ia gostar antes mesmo de começar e, na verdade, não devia sequer pronunciar-me sobre ele porque ainda vou a meio. Mas é tão bom. Para além do lado mais pessoal, tem muitos mas mesmo muitos pormenores engraçados sobre a Guerra Fria, mas também outras histórias mais ou menos recentes, desde o Vietname à Palestina, dos bastidores da política internacional. É como se as histórias de espiões que lemos na ficção de repente ganhassem vida. 

E mais uma: Reserva Pra Dois, uma música que junta (a linda) Mayra Andrade e Branko e que nos põe a dançar com um sorriso na cara. Eu danço com eles. 

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por Gata às 22:18

Domingo, 27.11.16

Deixem-na cantar até ao fim

elza.jpgElza Soares esteve entre nós nestes últimos dias. Eu não fui vê-la. Mas li a história dela, uma história fantástica. Conhecia-a vagamente, muito pouco, afinal, mas depois de ouvir o último disco, que é extraordinário, fui à procura do que estava para traz. É fascinante ouvi-la, é fascinante vê-la, ainda hoje, com a sua peruca exuberante, a encher o palco apesar de estar confinada a uma cadeira de rodas. E os relatos de quem a viu em algum dos concertos que deu em Portugal deixam-me cheia de inveja, tenho que admitir. Ouço-a outra vez. Muitas vezes. Ouçam-na também.

Esta é Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo

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por Gata às 18:08

Sexta-feira, 25.11.16

Whatever

"I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want."

Whatever, Oasis.

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por Gata às 23:15

Terça-feira, 22.11.16

I don't care

 "They say I'm crazy
Got no sense
But I don't care"

Canta Judy Garland 

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por Gata às 15:21

Quarta-feira, 16.11.16

Há sempre duas versões (ou mais) da mesma história

Por isso eu corro demais, Roberto Carlos, 1967

Por isso eu corro demais, Adriana Calcanhotto, 1998

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por Gata às 12:05



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