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A Gata Christie


Domingo, 27.11.16

Três coisas boas (e mais uma) para começar bem a semana

1. Está em cena até 18 de dezembro, no Teatro Nacional Dona Maria II, o espetáculo As Criadas. Texto de Genet, encenação de Marco Martins, interpretação das maravilhosas Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz. Teatro de vísceras, de corpos ali tão perto de nós, de palavras cuspidas, de vidas sufocadas. Não é fácil mas nem tudo o que é bom é fácil.  

2. O Jorge Palma está a preparar uma série de concertos especiais a propósito dos 25 anos do álbum. O já era um disco fabuloso há 25 anos e, agora, quando o ouvimos, parece ainda melhor. Eu estive à conversa com o músico e até lhe pedi um autógrafo, que é uma coisa que não faço muitas vezes. 

palma.jpg3. Estou a ler O Túnel dos Pombos, que é o livro de memórias de John Le Carré. Uma preciosidade. Eu já sabia que ia gostar antes mesmo de começar e, na verdade, não devia sequer pronunciar-me sobre ele porque ainda vou a meio. Mas é tão bom. Para além do lado mais pessoal, tem muitos mas mesmo muitos pormenores engraçados sobre a Guerra Fria, mas também outras histórias mais ou menos recentes, desde o Vietname à Palestina, dos bastidores da política internacional. É como se as histórias de espiões que lemos na ficção de repente ganhassem vida. 

E mais uma: Reserva Pra Dois, uma música que junta (a linda) Mayra Andrade e Branko e que nos põe a dançar com um sorriso na cara. Eu danço com eles. 

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por Gata às 22:18

Domingo, 17.07.16

A lição

A Lição, de Ionesco, não é um texto fácil. Aquela aluna e aquele professor começam por nos provocar risos, parece que estamos perante uma sátira sobre o sistema educativo e, depois, aos poucos, o tom vai-se tornando mais negro, os sorrisos vão desaparecendo, a tragédia parece inevitável. O Teatro Meridional faz A Lição, com encenação de Miguel Seabra, que também interpreta ao lado de Sara Barros Leitão e Elsa Galvão. Tão bons, todos. Fui vê-los esta semana e foi como levar um soco no estômago. Uma palavra ainda para a Marta Carreiras, responsável pelo espaço cénico e pelos figurinos.

liçao.jpgEm cena até 31 de julho. 

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por Gata às 23:07

Quinta-feira, 14.07.16

Longe

Não estava em Lisboa no dia em que os campeões celebraram pela cidade. Não gritei pelas ruas atrás dos nossos meninos, nem sequer acompanhei os festejos. Estava a trabalhar, longe de ecrãs de televisão e da internet. Que azar. Apesar disso, gostei muito de ir a Tondela e de conhecer melhor as pessoas da Acert. Há coisas a acontecer longe da capital e nem sempre damos por elas.

tondela 4.JPGO Pequeno Grande Polegar estreou-se ontem, no jardim do Tondela, e talvez no próximo ano apareça por aí. As fotos (esta e as outras que estão no artigo) são da Maria João Gala/Global Imagens.

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por Gata às 11:33

Segunda-feira, 13.06.16

O que faz uma mãe um fim-de-semana inteiro quando não está com os filhos?

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Walking, not running. Uma peça de teatro para esquecer. Deixem o pimba em paz com a Cris no Terreiro do Paço. Um gin com música ao vivo. Um filme chinês: Regresso a Casa. Cerejas. Uma comédia romântica: Trainwreck. Mojitos com vista sobre a cidade. Um cheirinho a santos populares. Andar descalça. Comer pizza, ir à praia e dar gargalhadas com amigos bons. Caminhar um bocadinho mais. Futebol. Requeijão com doce de abóbora e um livro novo.

E ainda: não fazer nada.

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por Gata às 19:12

Quarta-feira, 11.05.16

Já valeu a pena

"Mesmo que o espectáculo não seja muito bom, já valeu a pena por ter conhecido todas estas pessoas e ter aprendido tanto com elas." Estávamos sentados no chão, nos tapetes do salão nobre do Teatro Nacional D. Maria II, a conversar depois de um ensaio. Engolimos todos em seco. Era a Madalena que dizia isto, sobre a Estação Terminal, o espectáculo que se estreia ali amanhã e no qual colaboram pessoas tão especiais quanto um jovem bailarino transexual, um travesti, um ex-recluso, actores e bailarinos, alunos de dança, cegos, sem-abrigo, um casal de artistas homossexuais que veio da Tasmania. A Madalena também é uma pessoa especial. É uma daquelas pessoas com quem vale sempre a pena conversar, que nos toca e nos faz ir mais além, mesmo quando (o que é raro) os espectáculos não são muito bons.

(nos dias em que ando mais triste com o jornalismo que andamos a fazer ou nos dias em que ando mais triste com a minha vida, penso nisto, nestas oportunidades maravilhosas que vou tendo, de conhecer pessoas assim, de ser menos ignorante e mais feliz, de viver momentos mesmo especiais.)

estaçao.JPGAs fotos (tão bonitas também) são do Reinaldo Rodrigues/Global Imagens. 

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por Gata às 22:12

Sexta-feira, 29.04.16

Hoje é sexta-feira

Esta semana fui com o António estudar para o teste de história no Museu do Aljube. E depois contei tudo no Quarto das Brincadeiras. É sempre bom ter uma oportunidade para lhes falar da importância da democracia e da liberdade. O teste é hoje, espero que lhe corra bem (estamos em plena época de testes, isto não tem sido fácil).

Hoje é Dia Mundial da Dança. Esta noite, estreia o Romeu e Julieta, espetáculo de Rui Horta com a Companhia Nacional de Bailado. Não é ballet, ficam já avisados. Mas é mesmo muito bom. 

Hoje é também o dia em que Samuel Úria apresenta o seu novo disco, Carga de Ombro, num concerto no São Luiz. O Samuel Úria é um daqueles músicos de quem é quase impossível não gostar. É inteligente e bom conversador, com a dose certa de referências e de intelectualismo sem arrogância e com algum humor. Além disso, este disco é muito bom. Vejam-no aqui, a cantar um dos temas novos:

Gostava de ir ver o Úria mas prefiro ir terminar o dia com a minha amiga Cecília, que faz hoje 40 anos. Parabéns, minha lindeza.

Hoje é sexta-feira e está sol.

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por Gata às 12:46

Sexta-feira, 08.04.16

É outra vez sexta-feira

A semana passou a correr (o facto de só ter ter folgado um dia não ajudou) e o fim-de-semana já está à porta.

Se tiverem tempo, aproveitem para ir ao Teatro São Luiz ver A Conquista do Polo Sul, um espectáculo arrojado e que nos põe a pensar no mundo em que vivemos, com grandes interpretações de Bruno Nogueira, Nuno Lopes, Romeu Costa, Miguel Damião (ainda me lembro de quando ele era fotojornalista em início de carreira e agora é um actor e tanto), Flávia Gusmão, Nuno Nunes e Ana Brandão. A encenação é de Beatriz Batarda, que está sem dúvida no meu top de encenadores portugueses.

polo.JPG(a foto é de Paulo Spranger/ Global Imagens)

E ainda:

- Birth is not performance art - um artigo na Slate sobre o regresso das mulheres "à natureza". Sou muito crítica das fábricas-de-fazer-nascer-bebés que são as maternidades mas mais do que defender o parto natural ou o que quer que seja defendo que cada mulher deve ter o direito a dar à luz como quiser e de viver este momento como achar melhor, desde que o faça em segurança. Os fundamentalismos são maus para todos. E esta Amy Tuteur fez-me lembrar as palavras de Elisabeth Badinter.

- ainda a propósito de nascimentos, uma reportagem do Finantial Times para nos ajudar a pôr tudo em perspectiva.

- se ainda não leram, vale a pena ler esta reflexão da Sónia sobre a idade adulta, dos quarenta e tais, quando nos confrontamos cada vez mais com o envelhecimento e a morte dos que nos rodeiam.

- este vídeo da Lupita Nyong'o a pentear as amigas é qualquer coisa. O vídeo foi feito há dois anos mas eu só o vi esta semana. E lembrei-me da Djaimilia.

- a Marisa Monte está a preparar uma Coleção de gravações que ficaram de fora dos discos, colaborações, participações em bandas sonoras e outros temas mais esquecidos. O disco sai no dia 29 mas ela deixou-nos este aperitivo: Nu com a minha música, com Rodrigo Amarante e Devendra Banhart.

Ah, e descansar, descansar muito (mesmo com jogos de futebol e festas de anos e trabalhos de casa, aproveitar que pelo menos neste fim-de-semana os putos ainda não têm que estudar para os testes, valha-nos isso).

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por Gata às 00:06

Domingo, 13.03.16

Teatro dentro do teatro dentro do teatro

Depois de um prego de caranguejo no Prego da Peixaria, avancei para o Teatro da Politécnica, mesmo ali ao lado, para ver A Noite da Dona Luciana, texto de Copi, encenação de Ricardo Neves-Neves, produção do Teatro do Eléctrico. Tinha lido imensos elogios mas nada me preparou para aquilo. Mais do que comédia é um teatro do exagero - nos gestos, nas expressões, na forma de falar, nos gritos, nos penteados, na história que continua quando parecia já ter acabado, nas referências meta-teatrais. É um espectáculo em certos momentos absurdo, noutros apenas ridículo. Que tanto provoca gargalhadas como estupefacção. Gostei muito de algumas cenas, outras achei-as apenas parvas, outras penso que nem as percebi. Ri-me, é verdade. No final, ainda sentadas nos nossos lugares, a minha amiga Rute virou-se para mim: o que é que aconteceu aqui? Ainda não sei bem, respondi-lhe. Há um prazer que se tem nisto de sermos surpreendidos e desafiados por uma criação artística, mesmo quando não chegamos ao fim plenamente satisfeitos. Que é o que nos faz acordar no dia seguinte a pensar no que se viu.

E ainda o prazer de descobrir esta actriz, Rita Cruz.

donaluciana.jpgA Noite da Dona Luciana fica em cena em Lisboa apenas até 19 de março.

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por Gata às 11:36

Domingo, 07.02.16

Bastidores

Gosto muito de bastidores. Existe algo de mágico nisso de criar um espectáculo. De imaginar um espectáculo e depois dar-lhe vida. E eu gosto de saber como se faz. Do trabalho que dá. Da quantidade de pessoas que estão envolvidas. Dos pequenos gestos que são necessários. De tudo o que acontece à revelia do espectador. Gosto muito de bastidores. Na última semana voltei aos bastidores do Teatro Nacional D. Maria II. Andei por corredores e armazéns, subi ao telhado e assisti a um ensaio atrás do palco. Foi uma semana cansativa mas boa (sim, estou outra vez a dizer que gosto muito do meu trabalho, pelo menos na maior parte dos dias). O resultado pode ser lido AQUI.

teatro.JPGA fotografia é de Jorge Amaral/ Global Imagens 

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por Gata às 23:14

Sábado, 06.02.16

Como uma conversa

Jorge Silva Melo, ator, encenador, realizador, diretor dos Artistas Unidos, fez um filme que é uma carta, que é um poema, que é um desenho. O Jorge, posso chamar-lhe assim pois já o conheço há algum tempo, é um conversador de mão cheia e o filme que ele fez é como uma conversa. Sentamo-nos com ele num sofá e o Jorge fala-nos do Teatro Avenida e da visita da Rainha Isabel II, dos cowboys, dos estudantes que foram presos e do sonho do teatro, das ruas de Paris e da guerra colonial, dos amigos, da beleza dos actores e de como um prédio a cair no Bairro Alto foi, durante algum tempo, um espaço de liberdade total. Ver este filme, Ainda Não Acabámos, que me emocionou de uma maneira estranha, ver este filme e poder depois ir conversar com ele - esta é uma daquelas coisas que me faz adorar o meu trabalho.

O filme passa esta segunda-feira no Teatro São Luiz, em Lisboa, às 19.00. A entrada é livre.

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por Gata às 10:52



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