Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Gata Christie


Quinta-feira, 30.07.15

Da minha janela vê-se o mar

Por estes dias estou em S. Miguel. Há muito tempo que não vinha aos Açores e nunca tinha vindo a esta ilha. É trabalho, é muito trabalho, acreditem, mas pelo meio já provei uma maravilhosa bifana de atum e o melhor bolo de ananás do mundo, chicharros com feijão, queijo que pica na língua e queijadas de leite. A comida, a paisagem verde e as pessoas que tenho o privilégio de ir conhecendo fazem com que o trabalho não custe tanto.

walk 009.jpg

walk 019.jpg

walk 031.jpg

walk 036.jpgTirando a primeira, que são só uns miúdos descalços em Rabo de Peixe, estas são imagens de algumas das peças de arte pública produzidas no âmbito do festival Walk & Talk. A última, o 'Abraço à Ruína', é uma pequena maravilha de Vhils, num torreão no alto de um monte, rodeada de vegetação e silêncio. A arte pode ser (nem sempre, mas pode ser) a melhor iguaria.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 18:26

Sexta-feira, 10.07.15

Stand up

Há uns tempos, a Catarina lembrou uma frase que também ouvi muito lá em casa: "quanto mais te baixas mais se te vê o rabo". Não é bonito, não senhor, mas é muito verdade. Há momentos na vida em que temos que nos erguer. Seja no contexto profissional ou no pessoal. E pode até dar-se o caso de acontecer tudo no mesmo dia. De manhã no trabalho, à tarde em casa, à noite a cantar isto:

"They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious"

Uprising, dos Muse

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 16:21

Segunda-feira, 29.12.14

150 anos

Cheguei ao Diário de Notícias em julho 1996. Entrei como estagiária, trabalhei a recibos verdes, saí durante dois meses - dezembro de 1997 e janeiro de 1998 -, voltei, entrei para os quadros e fiquei por lá até hoje, sobrevivendo a várias mudanças na direcção, várias remodelações gráficas, várias reorientações editoriais, dois despedimentos colectivos e mais uma série de tropelias. Mudei várias vezes de secção, de horário, de chefia. Mudei de secretária, de cadeira, de computador. Mudei muito nestes anos. Mas parte daquilo que sou passa, inevitavelmente, por ali.

No Diário de Notícias aprendi a profissão que escolhi. Aprendi a ver o mundo com outros olhos. Aprendi a desafiar-me. Aprendi com os meus erros. Aprendi que vale a pena ir à luta. E que às vezes temos que nos calar. Escrevi textos de que me orgulho e outros de que me envergonho. Escrevi muitos textos. Muitos mesmo. Trabalhei fins-de-semana e feriados, acumulei folgas, perdi noites de sono, pulei refeições, comi sandes em frente do computador, perdi tempo, perdi a paciência, ganhei cabelos brancos. Diverti-me. Aprendi que o esforço é quase sempre recompensado. E que às vezes não é. Por causa do Diário de Notícias conheci pessoas e coisas e sítios e mundos que de outra forma nunca teria conhecido. E também aprendi que nem sempre podemos fazer aquilo que queremos e de que gostamos e que às vezes até temos que fazer coisas com as quais discordamos completamente. Aprendi que temos que nos adaptar. Aprendi o que é o digital.

No Diário de Notícias conheci pessoas que admiro. E outras que nem por isso. No Diário de Notícias conheci pessoas que mudaram a minha vida de maneiras muito diferentes - quer a nível profissional, quer a nível pessoal. Fiz amigos. Fiz grandes amigos. Fiz amigos para a vida. Teci cumplicidades. Guardei segredos. Contei novidades. Ri-me muito. Disse adeus. Fui a jantares de despedida. Chorei em funerais.

O futuro dos jornais é negro e ninguém sabe muito bem quantos anos vai durar este jornal que hoje comemora 150 anos. 150 anos. É uma raridade. E, mesmo com todos os seus defeitos, mesmo com todos os dias maus, mesmo com todas as dores de cabeça e desilusões, é um orgulho enorme estar ali. E é um prazer poder fazer, quase todos os dias, aquilo que gosto de fazer. Tenho sido feliz naquele segundo andar da avenida da Liberdade.

150 anos é obra. Parabéns DN.

IMG_1042.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 17:07

Sexta-feira, 05.12.14

Os meus serões também têm destas coisas

Sentada à secretária ninguém vê mas tenho nos pés uns ténis brilhantes com atacadores cor-de-rosa e escrevo sobre uma rainha morta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 22:50

Sexta-feira, 25.07.14

Paradoxos de uma mãe divorciada

De três em três semanas, calha-me trabalhar ao fim-de-semana. Odeio, claro.

Mas.

Nesses fins-de-semana em que me calha trabalhar tenho que arranjar uns avós ou uns tios que fiquem com os meus filhos. E, quase sempre, os avós e os tios são simpáticos e, para facilitar, ficam com eles também à noite.

Isso significa que.

De três em três semanas, calha-me ter uma ou duas ou (raramente, muito raramente) três noites sem crianças. Em que não preciso correr do trabalho para os ir buscar. Em que posso cozinhar umas comidas com molhos e picantes. Ou posso comer uns flocos ao jantar. Ou posso ir jantar fora. Em que posso ir ao cinema ou ao teatro ou a um concerto ou estar com amigos. Em que não tenho que pensar neles e nas roupas deles e nas comidas neles e nas brincadeiras deles e nas coisas todas deles. Em que posso sair até às tantas. Ou ficar em casa sem fazer nada. Em que posso estar sozinha. Ou estar acompanhada. E isso faz com que trabalhar ao fim-de-semana não seja assim tão mau. Nada mau mesmo.

Hoje é sexta-feira. Hoje é um desses dias paradoxais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 11:16

Quarta-feira, 23.07.14

A vida no prego

"A mãe engoliu em seco mas nem por isso a voz lhe saiu melhor, foi uma prenda do meu marido. Cara senhora, diz o velho pacientemente, eu compro ao peso, não pago os feitios das peças nem o valor estimativo. A mãe torce as mãos, perdemos tudo, tenho dois filhos, este e uma rapariga que acaba este ano o liceu, o senhor deve saber a dor que é não podermos cuidar dos nossos, só nos deixaram trazar cinco contos por pessoa, já cá estamos há muitos meses, o dinheiro está a acabar, o senhor sabe que  ninguém pode viver sem dinheiro e não consigo arranjar trabalho, ou não há ou não mo dão, o meu marido trabalhou a vida inteira, não tivemos culpa. O velho interrompe a mãe, cara senhora, sou só o homem com uma balança, só sei pesar o que a balança pesa, peço desculpa."

Esta semana, por causa de coisas de trabalho, voltei a 'O Retorno', de Dulce Maria Cardoso. Trabalhar assim é um prazer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 16:00

Sexta-feira, 11.07.14

Em greve


Havia tanto a dizer. O João Paulo Baltazar diz o essencial: "A greve é a forma de luta mais extrema. O despedimento colectivo é a medida de gestão mais radical. Hoje faço greve porque ainda trabalho na TSF. Faço greve em protesto contra a falta de discussão séria de medidas alternativas ao despedimento de 140 trabalhadores do grupo Controlinveste (quase metade deles, jornalistas). Faço greve em protesto contra a falta de diálogo frontal, construtivo e participado sobre o quotidiano e o futuro da empresa. Faço greve em defesa de uma imprensa forte e plural. Contra uma cultura de automatismos acríticos, precariedade laboral e medo à solta."

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 09:09

Quarta-feira, 25.06.14

Ambulante



Há dias em que gosto muito do que faço. Há duas semanas que andava a precisar de um dia desses.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 12:13

Quinta-feira, 12.06.14

Das injustiças

Foi ele que baptizou a minha gata. Foi ele que, sem saber, deu o nome a este blogue. O meu chefinho, que será sempre o meu chefinho mesmo que o tenha deixado de ser há já alguns anos, poderá não "produzir conteúdos" com a velocidade, a leveza e o picante que se quer nos dias de hoje, mas sabe mais do que nós todos (sobre cinema, sobre literatura, sobre cultura e sobre o mundo) e escreve textos deliciosos, como deviam ser todos os textos publicados nos jornais, com pés e cabeça e conteúdo e humor e verdade e assinatura. E como se não bastasse isto tudo vai deixar-me umas saudades monstras.

Sobre ele e os outros 160 despedidos ontem - 24 dos quais jornalistas no meu jornal - escreve muito bem a Fernanda.

E também o Pedro Santos Guerreiro.

A mim faltam-me palavras. Sobram-me as dúvidas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 02:41

Quarta-feira, 11.06.14

Na corda bamba

Uma pessoa já sabe que a vida, como dizia o Herman, é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo. Mas não dava para ter um daqueles interruptores que faz a mudança progressivamente? É que isto de um dia estar lááááá em cima e no dia seguinte vir a rebolar por aí a baixo a grande velocidade dá cabo de mim.

Diz que isto hoje não vai ser bonito. Resta saber quão feio será.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 00:18



Pesquisar

Pesquisar no Blog