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A Gata Christie



Domingo, 31.07.16

Estas vidas deram filmes

Andei que tempos à espera de Miles Ahead, o filme de Don Cheadle sobre o músico Miles Davis. Li artigos, vi os trailers e, agora que já o vi, posso dizer que, afinal, não gostei assim tanto. Eu gosto muito de documentários e gosto muito de biopics e filmes baseados em histórias reais. Mas nem sempre saio do cinema feliz. Ultimamente vi dois filmes de que esperava bastante e que se revelaram uma desilusão:

Este Miles Ahead - acredito que o homem estava numa fase má da sua vida, drogado, deprimido, alterado, há cinco anos sem editar nenhum disco de originais, pressionado pelos fãs e pela editora, isso tudo, mas aquela loucura toda com tiroteios, fitas roubadas, perseguições de carros com um jornalista à mistura pareceu-me bastante exagerada; sei que aquilo é ficção, mas ainda assim para eu gostar mais do filme teria de achar aquela acção toda mais plausível. A boa música não faz um bom filme.

E também o Race, realizado por Stephen Hopkins, sobre o grande Jesse Owens. A história é verdadeira e brutal. Ali temos um atleta americano negro que além de ter de vencer o racismo no seu país ainda vai ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Os jogos de Hitler. Pois o que me parece que falha no filme é precisamente esse momento dos jogos. Toda a história do rapaz é bem contadinha mas uma pessoa chega ao estádio de Berlim e estava à espera de algum drama, de emoção. E nada. (e acabar o filme a simpatizar com a Leni Riefenstahl também não sei se será uma coisa boa). Jesse Owens merecia muito mais.

Por outro lado, há filmes que me surpreendem. 

Veio parar-me às mãos um filme que me tinha passado ao lado mas que esteve no ano passado no DocLisboa: Listen to me, Marlon. O documentário de Steven Riley pega numa série de gravações de voz que Marlon Brando fez, em casa, com o seu gravador, sozinho, a falar sobre o cinema e o resto. Usa ainda excertos de entrevistas e imagens dos filmes de Brando. E com isto conta a história do actor, ou pelo menos uma parte da história. Sem artifícios. Dos tempos em que seguia o Método até ao total desinteresse pela representação, as críticas aos realizadores, as manias de estrela. 

E hoje vi The Program, de Stephen Frears, acabadinho de estrear em Portugal com o título Vencer a Qualquer Preço, sobre o ciclista Lance Armstrong. Eu nem sou grande fã de ciclismo por isso não estava assim muito entusiasmada à partida. Mas conseguiu prender-me. O argumento é baseado no livro do jornalista David Walsh, do Sunday Times, que chegou a perder um processo em tribunal com Armstrong que o acusou de difamação, e o filme concentra-se, acima de tudo, nos anos em que Lance ganhou a volta a França - ganhou sete vezes, de 1999 a 2004. Só a parte final me parece algo apressada, mas, por outro lado, sabendo que o processo se arrastou durante tanto tempo (apenas em 2013 ele admitiu ter usado doping), talvez fosse difícil fazer melhor. Gostei bastante de não haver lamechices com a família e os filhos, nem arrependimentos nem nada. Não há falsos moralismos aqui. A parte pior (para mim) foram as agulhas, mas não foi suficiente para me fazer não gostar deste The Program

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por Gata às 15:22




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