Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Gata Christie



Terça-feira, 05.04.16

Eu e a verdadeira Agatha

Segunda-feira. De folga, depois de um fim-de-semana de trabalho. Fui levar as crianças à escola, pouco depois das 9 já estava a encher o carrinho do supermercado, voltei para casa, dei uma arrumação geral e sentei-me no sofá. Antes do meio-dia estava sentada a ver televisão. Um luxo. E ali fiquei durante três horas, completamente vidrada na minissérie Convite para a morte - três episódios a partir do livro And Then There Were None, da Agatha Christie, com a assinatura da BBC. Passou na Fox Crime e é uma pequena maravilha.

Lembrava-me de ter lido o livro mas já não me lembrava quem era o criminoso. Acho que li todos os livros da Agatha Christie. Mais do que uma vez. No entanto, não tenho nenhum livro dela. Os livros da Agatha Christie, gordos, com duas histórias em cada volume, eram bastante mais caros do que os livros dos cinco e da patrícia que nós costumávamos ler e, por isso, era mais difícil juntar dinheiro para comprá-los. Além disso eram daqueles que se liam de um só fôlego. Então, faziam parte daquele lote de livros que íamos buscar à biblioteca da gulbenkian durante as longas férias de verão. Um de cada vez. Um a seguir ao outro. E no ano seguinte todos de novo, ou só os que nos apetecia reler.  

agatha.jpgOs livros da biblioteca tinham um cheiro característico. Para mim, os livros da Agatha Christie têm esse cheiro, a papel antigo. Era esse o cheiro dos crimes do A, B, C e do mistério dos sete relógios, da morte no Nilo e da velhinha Miss Marple que resolvia mistérios enquanto bebia chá. Do Crime no Expresso do Oriente, também em filme que por essa altura passou na televisão e deu origem a várias brincadeiras de detectives, eu, a minha irmã e mais duas amigas a desvendar segredos e a prender criminosos nas tardes de calor. Depois Poirot ganhou um rosto com a série com David Suchet, perfeito a interpretar o detective belga, com as células cinzentas sempre a trabalhar e a sua mania da perfeição e da arrumação. E, por fim, as peças todas encaixaram-se quando li a autobiografia de Agatha Christie (editada em Portugal pela Asa). É um belo calhamaço mas vale muito a pena por todas as histórias, que começam ainda no século XIX, passam pela primeira guerra mundial, Agatha Christie a surfar na África do Sul, as viagens ao Médio Oriente, as grandes viagens de comboio, as explorações arqueológicas, os filhos, os livros. Fiquei a adorar esta mulher.

agatha_christie_su_3340225b.jpg

Outro dia tentei ler um dos livros de Agatha Christie e não consegui. Aquela escrita já não é para mim. Achei melhor não insistir. Todas as coisas têm o seu tempo, mais vale não estragar as boas memórias. Mas os filmes e as séries, se forem bem feitos assim como este Convite para a morte, são sempre um prazer. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 10:11


3 comentários

De Francisco Oliveira a 05.04.2016 às 16:44

Também tenho memórias semelhantes, que só não metem a carrinha da biblioteca da FCG porque com uma família cheia de primos mais velhos havia sempre livros em 2ª, 3ª, 4ª, etc, mão.
Um reparo: a foto não é da Agatha Christie, mas sim do Príncipe Eduardo, futuro rei Eduardo VIII - até abdicar para se casar com Wallis Simpson (e mudar o curso da História).

De Gata a 05.04.2016 às 22:37

ups, vamos já tratar disso. obrigado :)

De Inês a 09.04.2016 às 18:59

Com muita pena minha, tenho essa colecção incompleta e não há maneira de encontrar os que me faltam. Agora a minha leitura de noite é a sua autobiografia.

Comentar post




Pesquisar

Pesquisar no Blog