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A Gata Christie



Segunda-feira, 24.11.14

Fazer o pino

Precisava de mais tempo nos meus fins-de-semana. Nos outros dias também mas os fins-de-semana parece que passam sempre a correr.

Tudo começou com José Sócrates a ser preso e nós sem sabermos de nada, com a televisão desligada, entretidos a rir e a conversar com uma grupeta de amigos que ocupavam os sofás, as cadeiras e os bancos lá de casa, a comer uma das melhores lasanhas do mundo e um pudim de chorar por mais. Conhecemo-nos há quase 15 anos, no mestrado na faculdade de letras. Hoje eles já são todos doutores ou quase doutores ou pós-doutores e eu nem o mestrado acabei. Mas tudo bem. Encontramo-nos uma ou (com sorte) duas vezes por ano e é sempre como se ainda estivéssemos numa aula de história do teatro ou dramaturgia ou o que fosse. As conversas encadeadas umas nas outras. Chegar ao fim da noite já a combinar o próximo jantar para daqui a seis meses.

Depois, entre os trabalhos de casa que nos ocuparam a tarde inteira no sábado e um domingo passado em família, no Alentejo, numa espécie de ensaio geral para o natal (sim, sim, já estou a pensar no natal), conseguimos ir ver Timber!, o espetáculo que os canadianos do Cirque Alfonse trouxeram ao São Luiz. Uma pequena maravilha que, além de ser de uma imensa beleza,  deixou os putos de olhos esbugalhados com as acrobacias, malabarismos e mortais variados. O António, que já sabia fazer o pino, está dedicado a conseguir andar com as mãos no chão e os pés no ar (o que me faz temer pelo que irá acontecer depois de, amanhã, irmos ver os acrobatas de Pequim...).

Timber©Nicolas Descôteaux (7).jpg  Timber©Nicolas Descôteaux (9).jpg
(além disso, foi também uma oportunidade para testar, ao vivo e a cores, aquela ideia, que está agora na moda, do "lumbersexual". Como dizia um amigo meu, não é bem a minha chávena de chá, mas percebo a ideia)

Precisava de mais tempo nos meus fins-de-semana. Ontem, ao voltar do alentejo, noite cerrada apesar de serem apenas seis da tarde, a chuva que não parou a viagem inteira, os putos a dormirem lá atrás, só pensava em como tenho tanta sorte por ter tudo o que tenho e por poder fazer todas as coisas que faço, e em como, se tivesse mais tempo, poderia fazer tantas coisas mais e estar com tantas mais pessoas e fazer tudo com mais calma. Às vezes, na vida, também precisamos fazer o pino. Virar tudo do avesso, uma e outra vez, as vezes que forem necessárias.

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por Gata às 16:05




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