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A Gata Christie



Sexta-feira, 10.10.14

Fixar este momento raro

O António foi o último menino a sair do ATL. Avisei-o que estava atrasada e disse-lhe para esperar por mim com o segurança junto à portaria da escola, mas, depois, graças à simpatia de um colega meu, que ouviu o telefonema desta mãe entristecida, lá consegui despachar-me um bocadinho mais cedo. O António saiu com a professora do ATL que me sorriu condescendente, "afinal sempre conseguiu". Pus a pesadíssima mochila dele às minhas costas e descemos a rua para ir buscar o mano com as suas muletas. Chegámos a casa tarde e cansados. O dia foi puxado. Tinha saído de casa às 8.00 da manhã para deixar o António na escola e depois ir ao hospital trocar o penso do Pedro e depois deixar o Pedro na escola e depois ir trabalhar muito. Por isso, sim, chegámos a casa quase doze horas depois, tarde e cansados, e enquanto eu aquecia a sopa que tinha congelada e punha uma pizza no forno os meus filhos sentaram-se os dois na mesa da cozinha a trabalhar, o Pedro a fazer uma página de pá, pé, pi, pai, pião e pipa que tinha trazido como trabalho de casa, o António a fazer uma ficha de matemática, que nem era trabalho de casa nem nada, era só uma ficha que lhe apetecia fazer. E tive que ser eu a dizer, então, meninos, se fossem tomar banho e deixassem o resto dos trabalhos para amanhã, pode ser? Nunca me tinha imaginado a dizer uma frases destas. A maternidade não pára de me surpreender. Ou de como os nossos filhos, com todos os seus defeitos, são sempre os melhores filhos do mundo.

(fixar este momento, fixar este momento e lembrar-me dele num daqueles dias em que os putos me tiram do sério e me deixam desesperada a achar que nunca vou ser capaz de os educar convenientemente)

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por Gata às 21:27




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