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A Gata Christie



Segunda-feira, 11.01.16

Just for one day

passei o dia com o David Bowie. dancei pela casa com modern love. fiquei sentada no carro à espera dos miúdos com life on mars. voltei à pista dos meus 40 com let's dance. tive vontade de mudar o mundo (ou pelo menos mudar a minha vida) com rebel rebel. encarnei seu jorge na versão alternativa de starman. recordei canções que há muito não ouvia, descobri outras que não conhecia. há que dizer que eu não sou assim grande conhecedora, só conheço aquelas músicas que toda a gente conhece. e só essas são tantas. changes. dancing in the street. oh pretty things. ziggy stardust. suffragate city. space oddity. china girl. absolute begginers. ashes to ashes. e mais umas quantas. mas o Bowie é muito mais do que as suas músicas. já o admirava mas quis saber mais. passei o dia a ler textos sobre ele, a descobrir curiosidades sobre a sua infância, a ver entrevistas antigas. os videoclipes. a vê-lo a dançar. a envelhecer. a rever aquele lazarus que me tinha impressionado logo e que agora ganha todo um novo sentido. a pensar nisto da doença e da morte e de como é que se pode enfrentá-la. isso de se saber que se vai morrer não deve ser lá muito bom, comentou o antónio quando, a caminho do treino, ouvindo a antena 3, lhes falei do David Bowie e de como tinha sido um músico importante. isso de se saber que se vai morrer e fazer um disco de despedida, sem dizer a ninguém, mas que é elogiado por todos, e depois morrer serenamente num dia frio de inverno, não é para todos, é mesmo só para pessoas especiais. no final do dia, ouço esta, em repeat. heroes. e é como se estivesse outra vez na faculdade e fôssemos dançar para um daqueles bares que dantes havia numas caves apertadas do bairro alto. e eu que nessa altura só bebia água, água a noite inteira, e dançava como se não houvesse amanhã, de olhos fechados que é a melhor maneira de dançar. dançávamos e acreditávamos. we can be heroes. o Bowie morreu e mesmo não o conhecendo assim tão bem é como se tivesse morrido um de nós.

e ainda:

um texto para saber mais sobre a sua carreira

coisas que devemos contar aos nossos filhos sobre David Bowie - por exemplo, que nunca nos devemos conformar com o que temos e que um homem que sabe dançar é sempre atraente

este texto para pensar 

e esta fotografia, a última, publicada na página ofical de Bowie no dia do seu aniversário, no passado dia 8 de janeiro:

bowie.jpg

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por Gata às 22:19


1 comentário

De vanita a 12.01.2016 às 10:38

Passei o dia todo, e hoje de manhã, a querer escrever exactamente isto. Não preciso, já o fizeste, bem melhor do que eu o faria. E sim, palmas para essa capacidade de sofrer a doença em silêncio e fazer arte da própria morte. Eu, que também não era assim tão conhecedora da obra de David Bowie, tiro-lhe o chapéu, em vénia. Que senhor!

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