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A Gata Christie



Quinta-feira, 16.04.15

Lágrimas

Deixei-o no quarto a ler com uma lanterna, debaixo das mantas, para não incomodar o mano que queria dormir. Apareceu-me na sala um bom quarto de hora depois, lavado em lágrimas. O que se passou, meu filho? Não consigo dizer. E ali ficámos, abraçados, até eu conseguir perceber que a família do Jamie, o protagonista, tinha morrido toda num acidente. O pai, a mãe, a irmã. Morreram todos, mãe. Ora bolas, como se acalma esta dor? Conversámos um bocadinho sobre isto. Sobre as coisas más que acontecem e como aprendemos a dar a volta por cima. Sobre aquele Jamie que teve um acidente e anda numa cadeira de rodas e perdeu a família e ainda assim diz piadas e ri e tem amigos e outra família. Um pouco mais de colo. Já passou. Assoou o nariz, limpou os olhos, voltou para a cama. O meu filho, o meu filho pré-adolescente e lindo, que chora com filmes de animação desde que tinha três anos e viu o Nemo, afinal também chora com os livros. Sei exactamente como é, eu sou igual.

(tinha mais ou menos esta idade quando li o meu pé de laranja-lima e chorei baba-e-ranho com a morte do portuga. ainda hoje, choro mais com os filmes do que com a vida real)

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por Gata às 00:45


2 comentários

De Anónimo a 16.04.2015 às 13:23

Gosto tanto dos seus posts. E identifico-me tanto com eles.
MSilva

De Sofia a 10.05.2015 às 19:40

A mim acontece-me exactamente o mesmo, também choro muito mais com a ficção do que com a vida real. Lembro-me perfeitamente de que chorei como uma Madalena arrependida ao ler os Maias.

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