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A Gata Christie



Sexta-feira, 27.05.16

Não é precio aprender ballet desde criança para saber dançar

Uma das coisas que eu gosto nesta história é isto: hoje em dia os pais parecem obcecados com a educação dos filhos, querem proporcionar-lhes imensas experiências e incutir-lhes muitos conhecimentos (incutir é a palavra certa) para garantirem que eles vão ter todas as ferramentas para o sucesso, os pais têm que ler histórias aos filhos para eles gostarem de ler, têm de os levar a muitos concertos para bebés para eles gostarem de música, têm de os pôr a aprender inglês aos três anos para eles saberem falar muitas línguas, têm de os levar a viajar porque é importante conhecer o mundo (o quê? ainda não foram à neve? mas que raio de mães és tu?), é essencial começar a fazer tudo muito cedo, desde pequenino, para não lhes arruinar as hipóteses de virem a ter um bom emprego, os pais sentem-se completamente responsáveis pelo futuro dos filhos e tentam moldar-lhes a vida bem moldada, à sua medida e sem margem para erro. E é mentira. Aquilo que as pessoas são quando crescem não depende só dos pais e da educação que eles lhes dão. Claro que a educação é importante mas uma coisa é educar, ensinar regras, transmitir valores, despertar a curiosidade, abrir portas, dar apoio, outra coisa é achar que existe uma relação direta e inequívoca entre aquilo que as crianças fazem/experimentam e aquilo que vai ser o seu futuro.

Felizmente não existe esse determinismo. Felizmente existe um mundo que se intromete nos nossos planos e pessoas que se atravessam na nossa vida. Existe o inesperado. Felizmente existe a personalidade de cada um. Existe a vontade individual. Talentos que se revelam. Sonhos que vêm sabe-se lá de onde. Um caminho que é trilhado todos os dias. E tantas, tantas descobertas que os filhos podem fazer sozinhos, ao longo desse caminho. Com tentativas e erros e falhanços e vitórias e alegrias e tristezas. À medida que crescem.

Penso nisto muitas vezes, porque sei que falho muito e que não consigo fazer tudo o que quero (ou que sonhei) e esta é uma maneira de acalmar os meus sentimentos de culpa. De me lembrar que (para o bem e para o mal) não está tudo nas minhas mãos. Que o importante é lhes transmitido todos os dias, em pequenas coisas, quase invisíveis, quase sem darmos por isso (tal como aconteceu comigo, afinal). Que o importante é estar lá para lhes dizer "vai", "arrisca", "não tenhas medo". Que o importante é estar lá, para amparar as quedas, dar colo, limpar-lhes as lágrimas. E também para os felicitar e aplaudir (muitas vezes, é o que todos queremos).

O resto há de acontecer. Ou não.

Se puderem, não deixem de ir ver o espetáculo do João dos Santos Martins e outros espectáculos do Festival Alkantara.

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por Gata às 11:55


1 comentário

De Ana Monica a 28.05.2016 às 16:35

Olá Maria João,
Nunca comentei mas admiro bastante a sua escrita e o seu blog (ia dizer a sua dedicação aos seus filhos, mas parece-me paternalista quando estou longe de o querer ser - para além de que é pateta dizê-lo). Este seu post comoveu-me muito, pq é tudo o que eu acho que temos de ser para os filhos: a rede, o empurrão e que o que temos de lhes ensinar, as ferramentas que lhes "temos de dar" são aquelas que lhes permitirão ser bem sucedidos no que ELES quiserem ser bem sucedido. temos de os ensinar que não faz mal ter medo, que estamos lá para eles mas que eles são fortes o suficiente por eles mesmos.

Obrigada pelo seu blog, gosto muito muito!
Felicidades
Monica

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