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A Gata Christie



Quarta-feira, 21.12.16

Nós, Daniel Blake

Eu ia preparada, conheço mais ou menos a obra do Ken Loach e tinha lido as críticas nos jornais, mas ainda assim foi cá um murro no estômago. É uma história tão simples e tão verdadeira de um homem que teve um ataque cardíaco e por isso se vê impedido de trabalhar mas que não tem direito ao subsídio de invalidez porque uma técnica sentada a uma secretária e sem qualquer conhecimento médico achou que ele estava apto para o trabalho. Daniel Blake passa horas em espera ao telefone, espera horas em filas para expor o seu caso. E à medida que o tempo passa e o dinheiro escasseia vai conhecendo essa miséria que se instala de mansinho. Esta é também a história de uma mãe solteira que perde o seu subsídio porque se enganou no autocarro e chegou atrasada à reunião na segurança social. Uma mãe que passa fome para alimentar os seus dois filhos (a cena no banco alimentar é absolutamente avassaladora). Eu, Daniel Blake é um filme sobre nós, sobre esta sociedade que nós construímos, onde as pessoas são reduzidas a números, onde a burocracia impera, onde não há preocupação com o outro, onde o Estado, que devia ser o garante da justiça e da segurança, é quem mais nos rouba e atrapalha e humilha. 

"I am not a client, a customer, nor a service user. I am not a shirker, a scrounger, a beggar nor a thief. I am not a national insurance number, nor a blip on a screen. I paid my dues, never a penny short, and was proud to do so. I don’t tug the forelock but look my neighbour in the eye. I don’t accept or seek charity. My name is Daniel Blake, I am a man, not a dog. As such I demand my rights. I demand you treat me with respect. I, Daniel Blake, am a citizen, nothing more, nothing less. Thank you."

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por Gata às 21:44




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