Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Gata Christie



Sexta-feira, 09.10.15

O mundo visto da cozinha

Uma criada interna, a excelente Regina Casé. Chama-se Val, veio do nordeste para São Paulo para trabalhar e ganhar dinheiro para mandar para a filha, lá longe. Mora no quarto dos fundos, não come o gelado dos patrões e nunca entrou na piscina. E é ela que faz a vida daquela família funcionar. Foi ela que tomou conta de Fabinho quando ele era criança, é ela que leva o cão a passear, é ela que acorda o rapaz, agora já crescido, para ele ir para a escola, que põe a comida na mesa, que tira os pratos, que serve os aperitivos, que faz o que tem de ser feito. É no colo dela que Fabinho continua a procurar consolo quando algo lhe corre mal. Um dia a filha de Val aparece e instala-se ali. Jessica recusa-se a ser tratada como a mãe, pois não é criada da família. Mas também não pode ser tratada como uma visita dos patrões, que não é. Qual é o seu lugar? E como é que a presença dela vai alterar a vida naquela casa? Pode a filha da criada sentar-se à mesa com os patrões e ficar tudo na mesma?

Que hora ela volta? é o filme de Anna Muylaert que está a fazer furor no Brasil. Estreou em Sundance, foi premiado em Berlim e é o candidato brasileiro aos Óscares. É um filme que fala de classes e de consciência de classe. Mas é também um filme sobre o trabalho doméstico. E sobre mães e filhos (o título em inglês é The Second Mother). Parece que vai estrear em Portugal. Eu já vi e digo(-te) que vale a pena.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 00:32


1 comentário

De mdlsds a 11.10.2015 às 11:49

Já vi e gostei. A cena da patroa confrontada com o falhanço do filho em comparação com o êxito da filha da emprega é demais. Ainda há um mês senti um bocadinho isso na pele, quando uma pessoa com quem trabalho, hierarquicamente superior e portanto financeiramente também, me perguntou com ar de pesar, partindo sempre do pressuposto que não seria possível a admissão, como tinha corrido a candidatura do meu filho ao ensino superior. O ar com que recebeu a boa nova do sim, entrou, tinha uma boa média, entrou no curso que escolheu, na primeira fase, sem preocupações, é oficialmente um caloiro do ensino público. Impagável. Por comparação ao filho, um menino dos bons colégios que ingressou numa faculdade privada para esconder a fraca média que conseguiu. E eu fiquei tão feliz e tão orgulhosa como aquela personagem. Tal e qual. Capaz de enfiar os pés numa piscina alheia também. Não vi da minha cozinha, mas vejo todos os dias do meu gabinete. :) Obrigada pela sugestão.

Comentar post




Pesquisar

Pesquisar no Blog