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A Gata Christie



Quarta-feira, 25.11.15

Paridade

Sou contra as quotas. De mulheres ou do que for. Sou a favor de promover a igualdade de oportunidades e a igualdade no tratamento de homens e mulheres - em casa, no trabalho, na sociedade. Comprar bonecas para todas as crianças, independentemente de serem rapazes ou rapazes. Ensiná-las a lavar a loiça e a pendurar quadros na parede, qualquer que seja o seu sexo. Mas sou contras as quotas. Não exijo para mim nenhum tratamento especial por ser mulher. Não vou votar numa mulher (na maria de belém, por exemplo) só por ser mulher. Quando introduzimos o factor "naturalista" numa discussão destas estamos a dar um passo para, daqui a nada, estar a dizer coisas como que as mulheres são mais sensíveis do que os homens ou as mulheres preocupam-se mais com os outros (o que não é verdade, depende das mulheres e depende dos homens com que as estamos a comparar) ou que as mulheres têm uma relação privilegiada com os filhos (o que também não é sempre assim, como se sabe). Quando introduzimos o factor "naturalista" numa discussão destas estamos a abrir caminho para mais desigualdades e para justificar comportamentos racistas, homofóbicos, etc., como tão bem nos ensina a história.

É óbvio que eu gostava que houvesse mais mulheres no governo, porque isso significaria que vivemos numa sociedade mais igualitária, onde homens e mulheres têm igual acesso aos centros de poder. Mas, para falar a verdade, o que eu gostava mesmo era de ter um governo mais competente. Se são homens ou mulheres que lá estão, pouco me interessa. Se são negros ou brancos, de origem brasileira ou goesa, se usam óculos ou próteses nas pernas, se são hetero ou gay, se são gordos ou magros, se gostam de punk rock ou música clássica, se usam minissaias ou calças à boca de sino. Interessa-me que sejam honestos e competentes, que cumpram as suas promessas, que não sejam preguiçosos e que não se deixem corromper, que pensem no que é melhor para o seu país, que governem como deve ser. E sobre isso, deixem-me que vos diga, tenho muitas dúvidas.

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por Gata às 11:07


10 comentários

De Alexandra a 25.11.2015 às 12:09

Ora nem mais!

De Matilde a 25.11.2015 às 15:45

Olá! Normalmente leio, mas não comento, mas hoje em particular, tenho de te dizer que adorei o teu post!

De Maria das Palavras a 25.11.2015 às 18:34

Amén.

De Anti-Social a 25.11.2015 às 19:59

Bingo! Na mouche!

De My life page a 25.11.2015 às 21:31

Adorei bingo ;)

De O ultimo fecha a porta a 25.11.2015 às 23:50

Parabéns pelo post. Perfeitamente de acordo

De Fatia Mor a 26.11.2015 às 00:47

É isso mesmo!

De Anónimo a 28.11.2015 às 18:01

Não sou contra quotas, nos caso em particular que falaste. Claro que o que se quer é um governo competente e seria óptimo não serem precisas quotas. Só que não havendo quotas, o número de mulheres no parlamento/governo seria ainda inferior e num ambiente só de homens, as mulheres competentes teriam mais dificuldade em entrar nesse meio. (não sei se me expliquei bem)

De cheia a 28.11.2015 às 21:41

Muito obrigado pelo post. A sensibilidade não se obtém por quotas.

Porque humilhas o teu irmão?
Em vez de lhe dares a mão
Porque o metes no gueto, longe da mansão?
Porque lhe roubas as matérias primas
Com falsas promessas de cooperação!

De 100porcentocorda a 29.11.2015 às 05:34

Falou e disse... considero importante a igualdade e a promoção dessa mesma igualdade, apesar de achar que naturalmente o homem poderá ter uma maior apetência para liderar um grupo do que uma mulher. Mas hoje em dia a "naturalidade" das coisas questionam se tantas mas tantas vezes, e os exemplos de que as mulheres são igualmente boas naquilo que os homens fazem são tantos, que só um "cego" social poderia não concordar com o que acima foi escrito.
Gostei da humildade das palavras e da sua verdade

http://100porcentocorda.wix.com/trabalhos-verticais

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