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A Gata Christie


Quarta-feira, 19.10.16

A política numas botas de biqueira redonda

No liceu, fiz parte de uma lista para a associação de estudantes. Havia duas listas, tal como havia dois lados do pátio - o lado dos betinhos, que usavam sapatos de vela e casacos ensebados, e o lado dos vanguardas, uma mancha negra e enfumarada de pessoas que calçavam botas doc martens. Eu não pertencia a nenhum dos lados, costumava parar à frente da escola, com uma data gente sem estilo definido, mas se eu pudesse (se eu tivesse coragem) também iria pintar o cabelo de azul e furar o nariz. Aquelas pessoas que ouviam Cure e Smiths eram as minhas pessoas. Havia duas listas, uma da direita e outra da esquerda. E eu, mesmo sem doc martens, sabia exactamente qual era o meu lado. Passámos horas a discutir o programa eleitoral, os intervalos a pintar cartazes, as tardes livres a distribuir folhetos e autocolantes. Havia aquela ideia ingénua de que poderíamos mesmo contribuir para que a nossa escola fosse melhor. Discuti muito com algumas pessoas. Queria convencê-las da importância de ter uma rádio dos alunos. Do grupo de teatro que não havia. Do campo de jogos que era preciso melhorar. Da estupidez das praxes (no meu liceu havia praxes). Da estupidez da PGA (lembram-se?). De pouco valeu. Os outros tinham o apoio da JSD, davam balões cor-de-laranja e tinham folhetos impressos a cores. Foi em 1991/92, o Cavaco Silva era primeiro-ministro e havia uma série de boys no liceu a sonharem com carreiras políticas. Perdemos as eleições. 

Nunca mais fiz campanhas por coisa nenhuma mas continuo a discutir apaixonadamente (às vezes com paixão em demasia) quando acredito em alguma coisa.

docs.JPG(estas não são docs, são uma versão light. mas ando novamente tentada)

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por Gata às 12:56

Quinta-feira, 06.11.14

Ah, o bom gosto dos anos 80!

IMG_0066.JPG(não há comentário possível a isto)

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por Gata às 21:52

Segunda-feira, 20.05.13

Grupos de rapazes

Lembram-se de falar aqui do meu Justin Bieber?. Pois hoje lembrei-me que no meu tempo também havia boybands. E não eram assim tão diferentes das de agora. Estes são os meus One Direction:

 

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por Gata às 16:34

Sexta-feira, 27.11.09

Today's flavour

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por Gata às 15:33

Sexta-feira, 27.11.09

Quinze anos outra vez

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por Gata às 15:29

Sexta-feira, 27.11.09

Eu também gosto disto (juro)

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por Gata às 15:28

Quinta-feira, 26.03.09

Auto-ajuda

Há uma idade, quando estamos na adolescência e achamos que vamos morrer de amor porque o tal da outra turma não nos liga nenhuma, ou quando aquela borbulha na testa nos faz ter vontade de passar o dia enfiadas em casa, ou quando as músicas mais lamechas do lionel richie e do jim diamond nos fazem chorar, há [houve] uma idade em que nós, as raparigas, coleccionamos citações profundas - poemas, excertos de livros, letras de músicas, coisas que tocam a nossa alma sofrida de quinze anos. Escrevemo-las nos cadernos da escola com canetas coloridas e de cheiro a morango. No placard de cortiça ao lado da escrivaninha eu tinha uma frase do Richard Bach (um clássico), escrita com a letra da minha irmã, que dizia mais ou menos assim:
Não te deram um desejo sem te darem, ao mesmo tempo, o poder de o concretizares; contudo, é possível que tenhas de lutar por ele.
Mais ou menos. Cito de cor. É esse o poder da adolescência. Fica impregnada na nossa pele. E depois revela-se nos momentos mais inoportunos. Do nada, pomo-nos a cantar os dire straits ou os new kids on the block. Do nada, lá vem o Richard Bach, uma espécie de segredo antes do tempo dos best sellers.
Não te deram um desejo sem te darem, ao mesmo tempo, o poder de o concretizares; contudo, é possível que tenhas de lutar por ele.
E tantos anos depois não é que o gajo tem razão? Se pensarmos bem, ou se não quisermos pensar de todo. A isto se resume a vida. Um desejo. E a esperança de que se lutarmos o suficiente havemos de alcançá-lo. E lutamos. E sofremos. E pensamos, lá está, é preciso lutar para conseguir. E a puta da vida às vezes dá-nos cabo da cachimónia. Mas, bom, com jeitinho, a coisa faz-se. Há de se fazer.
Não te deram um desejo sem te darem, ao mesmo tempo, o poder de o concretizares; contudo, é possível que tenhas de lutar por ele.
Repetir até à exaustão. Nao te deram um desejo. Eu tenho o poder. Basta lutar.
Mas até quando?

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por Gata às 22:58

Terça-feira, 01.07.08

Fascinios

Para além do português, da filosofia, da história, o que lhe interessava mesmo era o teatro. Em todas as festas do liceu, fosse o natal ou a récita de finalistas, o Toninho era sempre aquele que tinha as ideias, que escrevia as peças, que ensaiava com mais entusiasmo e só descansava quando nos entusiasmava a nós também. Melodramas e comédias, sketches revisteiros ou arremedos de frei luís de sousa, ele fazia tudo. Não que fosse um ávido espectador de teatro ou sequer um grande cinéfilo (era impossível ser alguma destas coisas por aqueles lados naquela altura), mas alimentava-se de telenovelas da globo e tinha, ele próprio, um projecto para fazer uma telenovela. O enredo crescia em páginas dactilogradas ao serão e ele lia-nos excertos nos intervalos ao mesmo tempo que explicava quais os actores que sonhava ver em cada papel. Estás a delirar, Toninho. Ou talvez não. Terminado o liceu, o Toninho foi estudar direito, imagino que com óptimas notas, e nunca mais soube nada dele até há uns tempos quando vi o seu nome na televisão - ali mesmo, escrito com todas as letras, no genérico de uma telenovela. Já não Toninho mas António, autor de novelas do horário nobre que dá entrevistas para as revistas, conhece as estrelas da nossa praça e que, sem medo, trocou o código civil e a gravata por um sonho de miúdo. Assim é que é.

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por Gata às 09:59

Quinta-feira, 12.06.08

Sardinhas e manjericos

Era a Julieta que, todos os anos, organizava os bailes dos santos populares, com o acordeonista da moda e o concurso da miss vestido de chita. A Julieta era uma senhora toda despachada, de cabelo pintado e voz nasalada que tinha uma mercearia na esquina da minha rua. Sempre que faltava algum ingrediente para o jantar lá ia eu, a minha avó pergunta se tem presunto bom ou meia dúzia de ovos ou um pouco de feijão manteiga desse que tem de ser medido com a caixinha de madeira. E a Julieta e o marido davam-me o troco em moedas e guloseimas - rebuçados bola de neve, pastilhas pirata, pirolitos caseiros embrulhados em papel colorido. A Julieta gostava de festas, sobretudo do carnaval. Era vê-la mascarada de bruxa ou de odalisca a bater-nos à porta e a desafiar-nos para um desfile improvisado, vamos lá para a rua, dizia, e a cada ano havia mais pessoas a juntar-se ao grupo até que arranjaram também um carro e uma aparelhagem e, quase sem dar por isso, a Julieta tornou-se a presidente da comissão de festas da terra e, durante algum tempo, o carnaval ganhou fama e vinham pessoas de todas as aldeias para ver o magnífico corso da rua da república. De maneiras que, para arranjar dinheiro para as serpentinas e papelinhos, era também a Julieta que organizava os bailes dos santos populares. Havia sardinhas assadas e cerveja, febras e sangria, a Julieta subia ao palco para apresentar as meninas de vestidos floridos e, enquanto as mulheres se agarravam a outras mulheres a dançar pela noite fora, os homens ficavam encostados ao balcão a emborcar imperiais. Às vezes também havia uma fogueira. Os miúdos adoravam - fazia-se uma fogueira no meio da estrada e depois íamos todos a correr e a saltar por cima das chamas tentando não nos queimarmos. Nunca percebi o que é que os santos tinham a ver com as fogueiras mas era tradição e era divertido. Quando a Julieta se cansou de organizar carnavais e bailes manhosos, quando se zangou com os senhores da câmara ou foram os senhores da câmara que se zangaram com ela, não sei, acabaram-se as festas na minha terra. Nunca mais houve acordeões a tocar no largo da escola nem sambistas a desfilar em pleno inverno. A Julieta transformou a mercearia numa retrosaria, em vez de pirolitos passou a vender tecidos de chita florida para vestidos que já não iam a concurso. E, agora, se não fossem os manjericos à venda no mercado a gente nem se lembrava que é santo antónio.

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por Gata às 10:56

Segunda-feira, 21.01.08

Pierre Cosso

Foi o meu primeiro ídolo. Apareceu numa série de televisão falada em italiano chamada 'Cinderella dos anos 80', que dava na RTP1, aos fins de semana depois do almoço. E aparecia também na 'Bravo', a revista alemã da qual eu recortava fotografias para colocar nos cadernos e posters para a parede. Pierre Cosso foi o meu primeiro ídolo. Tinha os olhos azuis e um penteado foleiro - mas não éramos todos foleiros nos anos 80? Desde então, pergunto a todas as raparigas da minha idade se se lembram dele e nunca ninguém se lembra. Quem? Cheguei a duvidar da minha sanidade. Terei sonhado com este tipo a andar de lambreta? Fui salva pela internet. Pierre Cosso existiu mesmo - ainda existe, tem mulher e filhos, barba de três dias e um ar bastante mais aconselhável agora que já passou dos 40 (os homens têm essa sorte, a idade joga geralmente a seu favor). Não se tornou um actor famoso nem consta que tenha feito nada de muito importante na vida. Mas para mim basta este dueto com Bonnie Bianco. 'Stay'. Vejo isto agora e delicio-me com os penteados, as roupas, a musiquinha, os olhares melosos. A adolescência é um lugar estranho. Eu sabia esta letra de cor. Mais assustador: ainda sei.

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por Gata às 11:46



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