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A Gata Christie


Segunda-feira, 10.04.17

A pretexto de uma açorda

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A pretexto de uma açorda juntaram-se 14 colegas de curso e suas famílias num monte em Reguengos de Monsaraz. A pretexto de uma açorda, e aproveitando as férias da Páscoa, houve quem viesse dos Açores e houve quem viesse de Londres. Vieram amigos próximos, amigos distantes, gente que não se via há mais de 20 anos, gente de quem eu já não me lembrava. Era, à partida, o grupo mais improvável. Mas se há sítio bom para fazer amigos ou para retomar amizades antigas é à volta de uma mesa, com uma poejada com feijão e bacalhau, ovos com espargos, ovos com silarcas, favinhas, muitos queijos, pão maravilhoso e, claro, a prometida açorda de alho. Vinhos da terra. E até um gin produzido ali bem perto. Chegámos a ser 21 adultos à mesa, 16 crianças e dois cães. Conseguem imaginar? A Márcia e o Zé, nossos anfitriões, receberam-nos com uma generosidade e uma alegria enormes (a trabalheira que devem ter tido a preparar aquilo tudo). Visitámos a adega de Reguengos e a Herdade do Esporão, fomos passear a Monsaraz, houve quem molhasse os pés no Guadiana ao entardecer, houve quem se atrevesse numa moda alentejana. E conversámos e gargalhámos. Havia mesmo muita conversa para pôr em dia. E enquanto isso, os miúdos brincaram na terra, andaram de tractor, correram atrás das galinhas, ficaram bronzeados do ar do campo.

A pretexto de uma açorda, passámos um fim-de-semana mesmo bom. Longe de tudo. Sem pensar na vidinha. Só a aproveitar as coisas boas da vida. E esta felicidade de estarmos uns com os outros. 

Nem eu sabia, mas estava mesmo a precisar disto.

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por Gata às 18:02

Segunda-feira, 06.03.17

Disto de ser mãe sozinha ou não tão sozinha assim

Aconselharam-me o filme Mulheres do Século XX, de Mike Mills, com a Anette Benning a fazer de mãe solteira de um rapaz de 15 anos, sem saber muito bem como é que se educa um homem bom. Está bom de ver porque é que toda a gente achou que o filme tinha a ver comigo. E tem. É engraçado porque as questões que ela se coloca eu também as coloco, de tempos a tempos. Será que é necessário um homem para educar um rapaz? Será que eu vou conseguir fazê-lo sozinha? Será que vou conseguir entender as suas necessidades e as suas angústias masculinas? Ou, para sermos mais práticos, como raio é que o vou ensinar a fazer a barba? Enfim, esse tipo de coisas. Mas a mim parece-me que o filme vai muito além disto. É sobre todas as mães e todos os filhos e sobre aquele momento em que os filhos nos fogem das mãos e começam a ter uma vida só sua, e que, por melhores mães que sejamos, não nos inclui. Há um momento em que ela diz que tem inveja das amigas do filho, porque elas têm oportunidade de vê-lo como ele realmente é, como ele se comporta quando não está com a mãe. Acho que todos sentimos um bocadinho isso e vai-se adensando à medida que eles crescem.

O filme é de facto muito engraçado e tocante. Além da Annete Benning, naquela mãe cheia de dúvidas mas sempre com uma tranquilidade desarmante (quem me dera), a Elle Fanning e a Greta Gerwig também estão muito, muito bem. O puto é muito giro. E, depois, passa-se no final dos anos 70 e há aquele ambiente todo do pós-mundo-hippie, pós-guerra do vietname, da guerra fria e do punk. As músicas e as imagens da época completam o retrato. A voz que se ouve no trailer é do presidente Jimmy Carter no seu discurso da "crise de confiança", em 1979. E tem tudo a ver.

Mas, por algum motivo, não consegui identificar-me tanto com aquela mãe como estava à espera. Talvez porque eu tenha dois filhos e ela só um, talvez porque os meus sejam ainda muito novos. Ou talvez porque senti ali falta da vida como ela é. Claro que temos dúvidas e que andamos sempre a tentar fazer o melhor para eles e educá-los para que sejam homens bons, mas isso acontece com todos os pais, sozinhos ou acompanhados. O mais complicado nisto de ser mãe sozinha, digo eu, é, acima de tudo, a logística. O facto de uma pessoa ter de trabalhar oito horas por dia, de os putos terem de ir para a escola, de ser preciso ir às compras e cozinhar e limpar a casa e lavar a roupa e fazer o irs e ajudar nos trabalhos de casa e ir ao médico e tratar das merdinhas todas. Na vida-que-não-é-dos-filmes uma pessoa fica tão assoberbada com isto tudo que, admitamos, não resta muito tempo para questionamentos metafísicos. Ou quando temos esse tipo de pensamentos não nos resta outra alternativa a não ser dizermos a nós próprias: estou a fazer o melhor que posso. Caso contrário corremos o risco de nos sentirmos umas falhadas e termos um esgotamente nervoso.

Numa coisa, no entanto, aquela mãe tem razão. É muito mais fácil quando se tem ajuda. Veja-se o que aconteceu connosco no fim-de-semana passado. Eu tinha que trabalhar e tinha horários esquisitos e tudo se avizinhava bastante complicado. E, afinal, tudo se resolveu. Ter amigos é, de facto, uma das coisas mais preciosas do mundo. Eu tenho a sorte de ter pessoas mesmo especiais à minha volta, cada uma de sua maneira. Amigos que acolhem os meus filhos em sua casa e lhes dão colinho bom. Amigos que me ajudam na logística do leva e traz e com quem ainda posso ficar um bom bocado a conversar e a comer sushi ou pizza. Amigos com quem posso contar.

E, ainda por cima, como bónus, acho que os meus filhos só ficam a ganhar com o facto de estas pessoas (estas e outras pessoas) estarem nas suas vidas. É mesmo um daqueles casos em que uma falha se transforma num benefício.

Como forma de dizer obrigado, este é o Randy Newman a cantar You've got a friend in me, a música que ficou conhecida no filme Toy Story. (a minha primeira ideia era pôr aqui aquele vídeo fofinho da "Claire and dad" a cantarem isto mas, entretanto, percebi que a Claire está a ser transformada pelos pais numa daquelas estrelas infantis ao estilo da Shirley Temple e achei que não tinha nada a ver com o que eu queria dizer neste post, antes pelo contrário)

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por Gata às 14:52

Segunda-feira, 23.01.17

Trump merece o nosso desprezo mas será isso o melhor a fazer?

A Lina senta-se ao meu lado ou à minha frente ou pelo menos perto de mim há... quanto tempo?... eu vou dizer há uma meia dúzia de anos, mas sem grandes certezas. Conversamos quase todos os dias e temos vindo a descobrir que temos muito em comum para além do lugar onde trabalhamos. Nas preocupações que temos com os miúdos. Naquilo que pensamos do jornalismo. Na luta contra a discriminação das mulheres. Partilhamos muitos pontos de vista. Mas nem sempre concordamos. Por exemplo, temos gostos muito diferentes no que toca à roupa que usamos. E a homens. E há ainda aquela questão dos pullovers (private joke). E há o Trump.

O inominável, diz ela.

E desta vez, amiga, por muito que goste de ti, já deves ter reparado que não vou concordar contigo. Eu percebo o que queres dizer. Achas que estamos a dar-lhe demasiada atenção e a amplificar gestos e palavras desprezíveis. Eu percebo e concordo contigo se estivermos a falar de um desses bloguistas ou gurus ou outra gente armada ao pingarelho que aparece de repente na televisão e nas revistas a botar postas de pescadas. São opiniões que não interessam. E dar-lhes tempo de antena só vai dar-lhes mais poder e enriquecer as suas contas bancárias. É preciso ignorar mesmo.

Mas Trump é o presidente dos Estados Unidos da América e, quer queiramos, quer não, este homem foi eleito pelos americanos, é apoiado por muita gente e tem, de facto, muito poder. Tem poder para estragar a vida aos americanos e tem poder para estragar a nossa vida, de tantas maneiras, directas e indirectas, que é assustador. Por isso, sinto que temos que estar vigilantes. E que devemos denunciar as suas mentiras. E que não podemos calar-nos perante frases e tomadas de posição que vão contra aquilo em que acreditamos. Não, não devemos perder tempo com o seu penteado, a sua mulher, os seus passos de dança e todo o folclore em volta da figura. Mas temos que prestar atenção ao que de facto interessa, que são as suas decisões e actos políticos. Se em dois dias já aconteceu tanta coisa - foram apagadas as referências ao aquecimento global no site da Casa, foi decretado o fim do Obamacare, foi eliminada a versão em espanhol do site da Casa Branca (que tinha sido criada por Obama), foi decretada uma guerra aos jornalistas que não alinhem na versão oficial da verdade de Trump e aprendemos o que são "factos alternativos" - temo que coisas muito piores virão a acontecer à medida que o senhor tomar efectivamente o poder nas suas mãos. 

Claro que não adiantará de nada aquilo que eu digo ou escrevo aqui ou no meu facebook, mas, como costumo dizer, uma voz é como um voto, sozinha é impotente mas se formos muitos há de ter algum efeito. Nem que seja só alertar meia dúzia de pessoas à minha volta. Isto quer dizer que, amiga, ou mudas de lugar ou vais levar com Trump mais vezes do que gostarias :) (smile)

E ainda:

- um texto para nos fazer pensar sobre os motivos que levaram tantas pessoas a votar em Trump. temos de pensar sobre isto, tentar perceber para tentar encontrar uma saída.

- foi lindo ver as marchas das mulheres no sábado. a iniciativa superou em muito as minhas expectatitvas (e as expectativas da própria organização). mesmo que não sirva para mais nada, já serviu para que os opositores a Trump nos vários cantos dos EUA e nos vários cantos do mundo saibam que não estão sozinhos. vejam algumas imagens AQUI.

- uma exposição em Nova Iorque com fotografias de outros protestos. parece que não tem nada a ver, mas tem. 

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por Gata às 14:20

Quarta-feira, 28.12.16

Os meus joões

"Vou estar pelos teus lados, queres almoçar?" Bastou uma mensagem assim para estar com o único amigo que tenho no Porto. Raramente nos vemos, para falar a verdade podemos até passar anos sem falarmos, mas quando nos encontramos é bom como sempre. Falamos de tudo e de nada, calamo-nos, abraçamo-nos muito, dizemos umas parvoíces, discutimos o sentido da vida, ou pelo menos o sentido das nossas vidas. É uma daquelas amizades sem merdas, sabem? Uma coisa rara entre homens e mulheres: uma amizade sem equívocos. Tenho a sorte de ter alguns (poucos, não chegam a uma mão cheia) bons amigos homens assim. 

Curiosamente, chamam-se todos João.

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por Gata às 21:04

Quarta-feira, 28.12.16

George Michael (1953-2016)

Calhou estar na noite de natal em casa de uma amiga, ela ter recebido um gira-discos de presente e nós estarmos naquele momento a explorar os discos de vinil da nossa juventude. Calhou ela ter, ali, o Last Christmas e o Careless Whisper em 45 rotações e, de repente, sabermos que George Michael tinha morrido e ficarmos todos meio nostálgicos. A lembrarmo-nos. Aos 10 anos, dançávamos assim, aos saltinhos, a agitar os braços, muito leves, muito felizes. Mesmo crescida, sempre gostei mais do George Michael que se dançava do que daquele que sofria em melosas baladas românticas. Não posso dizer que tenha sido um músico assim muito importante para mim mas admito que, muito por causa do trabalho mas não só, tenho ouvido as suas canções nos últimos dias e é verdade que as conheço quase todas e até sei cantar os refrões. Acho mesmo que é preciso ter crescido nos anos 80 para entender isto. 

Wake Me Up Before You Go Go (1984)

I Want Your Sex (1987)

Faith (1987)

Too Funky (1992)

Outside (1998)

 

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por Gata às 08:35

Segunda-feira, 14.11.16

Avenida da Liberdade, 266

Vai ser uma semana difícil. Até para mim, que tenho a mania que as coisas são só coisas e que o que interessa são as pessoas. Até para mim, que treino o desapego para evitar sofrimentos desnecessários. Que deito fora papéis e restos de vida sem olhar para trás porque acredito, acredito mesmo, que as coisas que interessam ficam guardadas em nós. Vai ser uma semana difícil. E não é só porque aquele é um edifício histórico e porque tem as palavras Diário de Notícias escritas na fachada, não é pela arquitetura de Pardal Monteiro ou pelos murais do Almada. Nada disso. É mesmo porque aquele edifício faz parte de mim.

Foi ali que há vinte anos, em julho de 1996, comecei o meu percurso profissional. Entrei por aquela porta rotativa da avenida da liberdade cheia de nervos e de sonhos, com a intenção de fazer o estágio e ir à minha vida. E depois fui ficando (estive fora durante um mês, que foi o suficiente para saber que queria voltar). Ao fim de uns meses naquela redacção cheia de pó e de fumo, com tantas horas passadas ao computador, fiz úlceras nos olhos e tive de deixar de usar lentes de contacto. Paciência. Fui-me afeiçoando àquelas escadas de pedra, ao log-in no atex - mjoao, à máquina de café ranhoso, à extensão telefónica que me atribuíram - 7680,  aos vários lugares onde me sentei na redacção no 2º andar (e durante uns meses, por causa das obras, no 5º andar, com uma vista fantástica para o marquês), ao terraço aonde subíamos para ver as manifestações no 25 de abril e os festejos do benfica campeão. Foi ali, naquele edifício, que passei grande parte da minha vida nestes últimos 20 anos. Horas muito boas, horas menos boas. Foi ali que aprendi a ser jornalista. Foi ali que conheci pessoas que me ajudaram a ser melhor jornalista. E que fiz amigos - alguns deles para a vida.

Naquele edifício que é na Avenida da Liberdade, 266, mas que para nós é na Rodrigues Sampaio, 111, rimos e chorámos, gritámos e insultámo-nos, fizemos plenários, tomámos decisões, trabalhámos que nem malucos em dias terríveis e em dias muito bons, descobrimos essa coisa fantástica que é a internet, vimos as torres gémeas a desabarem, comemos sandes em longas noites eleitorais, ganhámos um nobel da literatura, despedimo-nos de pessoas, demos as boas vindas a quem veio por bem, desesperámos, perdemos a fé no jornalismo, acreditámos que íamos mudar o mundo, assistimos ao nascimento de muitas paixões (ui, se aquelas paredes falassem), foi ali que as barrigas cresceram e que envelhecemos, quase sem dar por isso.

E, sim, é verdade, as memórias não vão desaparecer só porque vamos sair daquele edifício, mas ainda assim sinto que estamos a perder algo. Porque há memórias que são dali e de mais sítio nenhum. Há pessoas que, para mim, ficarão para sempre ligadas a este lugar. O Mário Bettencourt Resendes, que me parecia enorme, a sair do seu gabinete com aquele sorriso e aquela voz que ele tinha. O João Pedro Fonseca e seu coração bondoso, sempre pronto a ajudar quem mais precisava. O João Fernandes, que foi o meu primeiro editor, na política (e eu tão pequenina). A Milú, a primeira pessoa que acreditou em mim e que me abriu portas. O Eurico de Barros, o chefinho que aceitava sempre as maluqueiras que nós queríamos fazer. O Nuno Galopim, que tem a mania que é ditador mas não é nada e além disso mostrou-me o Beck, os Massive Attack, a Lhasa, os Divine Comedy e tantos outros. O Miguel Gaspar que conversava comigo como se eu fosse crescida. O Manuel Dias com a sua fé infindável na juventude. A Rita Rocha que me levou ao Porto para ver o Nick Cave e os Pulp. O Miguel Madeira que me acompanhou na minha primeira reportagem e depois em muitas outras aventuras (e não foi só trabalho). O Luís Osório que a primeira vez que pegou num texto meu riscou tudo de tal maneira que eu fiquei com vontade de desistir da profissão e, no entanto, foi ele que me fez participar nessa aventura que foi o DNA. A Sónia Morais Santos que é uma das melhores jornalistas que eu conheço e além disso é minha amiga do coração. O João Miguel Tavares sempre a puxar por mim, até mesmo quando discutíamos (o que eu dava para tê-lo agora aqui ao meu lado a dizer-me que está tudo mal e que é melhor escrever tudo de novo). O João Pedro Oliveira que é daqueles amigos que vale mesmo a pena ter (embora nunca tenha tempo para almoçar). A Maria Augusta Silva com uma dedicação ao trabalho que hoje já não existe. A Feliciana Ferreira, sempre com um cigarro entre os dedos, a defender cada jornalista e cada trabalho nosso com unhas e dentes. A Sónia Correia com as suas mãos a tremer mas que mesmo assim dá abraços mesmo bons. A Ângela Marques com aquele humor negro e a sua tranquilidade, aconteça o que acontecer. A Sofia Jesus que parecia tão frágil e afinal teve a coragem que mais ninguém teve. A Isabel Lucas que nos maravilhava (ainda maravilha) com os seus textos escritos por entre insónias angustiadas. A Lumena Raposo a adoçar-nos a vida com sacos de gomas. O Humberto Vasconcelos, avô de nós todos, a Zé que perdemos demasiado cedo, o Armando que era igual ao Mr. Big, o silencioso Pedro Sousa Dias, o Daniel que foi meu parceiro no snooker mesmo sabendo que eu não sabia jogar snooker. O José Carlos Carvalho e o Rodrigo Cabrita que são os melhores fotojornalistas e os melhores companheiros de trabalho que se pode ter. O Luís Filipe Rodrigues que por trás daquele cabelo era um cavalheiro. O João Moço que ainda me atura e me leva a dançar quando eu estou deprimida. Tantos outros, a Rita Carvalho sempre tão ponderada, a imparável Cristina Margato, o João Cepeda, a Rute Araújo, a Gisela Pissarra, a Paula Lobo, o Mário Lopes, o Tiago Pereira, a Natacha Cardoso, tantos, tantos, os motoristas que eram os nosso anjos da guarda, o Celso da secretaria que movia mundos para que tudo corresse nos eixos, o Abel que nos guiava no labirinto do arquivo sem se perder, muitos outros, estou a esquecer-me de alguém, com certeza, mas são vinte anos e muitas pessoas, não levem a mal, por favor. E já nem estou a falar daqueles que vão comigo para as torres e com quem vou continuar a construir memórias (por quanto tempo?).

Vai ser uma semana difícil, daqui até domingo. É só um edifício, são só paredes. E no entanto. Mesmo que o sorriso se mantenha, há uma tristeza grande por aqui.

dn.jpg(a foto é do Leonardo Negrão, que deve ser a pessoa que mais tem fotografado a redacção do DN, em todas as suas fases)  

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por Gata às 12:41

Quarta-feira, 02.11.16

My girls

Por mim, tinha ido ao Piódão com a minha família e tinha sido o aniversário perfeito. Às vezes não acreditam, mas eu não sou uma pessoa de fazer festas. Sou uma pessoa de ir a festas, convidem-me que eu adoro. Mas organizar uma festa para mim é algo mesmo muito raro na minha biografia. Mas umas amigas começaram a chatear-me, que devia combinar qualquer coisa e porque é que não fazia uma festa e não sei quê. Ou então eram elas que estavam preocupadas comigo, com medo que me desse um ataque de nostalgia quando chegasse a casa depois do passeio. Pelo sim, pelo não, decidi convidá-las para virem cá a casa. Mas a minha casa não é lá muito grande e eu ainda assim tenho algumas amigas e, mesmo reduzindo os convites só a raparigas, comecei a stressar pois não conseguia decidir quem é que ia deixar de fora. E foi assim que uma coisa que não era nada passou a ser um fim-de-semana inteiro de festa. Primeiro, no Piódão com a minha maninha. Depois, chegar a casa às cinco tarde e tratar de fazer um bolo e outras coisas para receber um grupo de amigas ao serão. E, por fim, no dia seguinte, feriado, fazer outro bolo para um lanchinho com outro grupo de amigas. E foi a melhor decisão. Eu adoro fazer bolos, os miúdos adoram ter visitas e, apesar de não estarem todas as pessoas que eu gostaria, foi mesmo bom estar com estas que são algumas das minhas pessoas especiais. Deu para pôr a conversa em dia, rirmos muito, partilharmos histórias, bebermos um belo gin alentejano e darmos abraços. A Lina chamou-lhe um "lovely get together", e foram mesmo isso, dois "lovely get together". 

E uma curiosidade: tantas festas e não cantámos os parabéns. não foi uma decisão, aconteceu assim. eu não tinha velas, também ninguém se lembrou e não fez falta nenhuma. acho que isso só aconteceu porque estava mesmo feliz.

Obrigado, miúdas.

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por Gata às 20:59

Segunda-feira, 13.06.16

O que faz uma mãe um fim-de-semana inteiro quando não está com os filhos?

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Walking, not running. Uma peça de teatro para esquecer. Deixem o pimba em paz com a Cris no Terreiro do Paço. Um gin com música ao vivo. Um filme chinês: Regresso a Casa. Cerejas. Uma comédia romântica: Trainwreck. Mojitos com vista sobre a cidade. Um cheirinho a santos populares. Andar descalça. Comer pizza, ir à praia e dar gargalhadas com amigos bons. Caminhar um bocadinho mais. Futebol. Requeijão com doce de abóbora e um livro novo.

E ainda: não fazer nada.

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por Gata às 19:12

Segunda-feira, 06.06.16

Umbigos

Tirámos um pequeno Batman da caixa dos brinquedos e levámo-lo para o Frederico, acabado de nascer, lindo, lindo como só os bebés podem ser. Os miúdos adoram ir ver os bebés. Ficam fascinados com o tamanho das mãos e dos dedos, com os barulhinhos que eles fazem, com os cabelos em pé. O Pedro ainda faz muitas perguntas sobre como os bebés saem pelos pipis ou pelas barrigas e definitivamente não ficou convencido com a explicação que lhe dei sobre o umbigo. De vez em quando pergunta se pode ter mais um mano. Por favor, mãe, vá lá. Quando lhe digo que não pergunta se em vez de um mano pode ter um cão. Para termos um cão não precisávamos de um pai, argumenta. Como se fosse esse o principal obstáculo.

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por Gata às 00:09

Sábado, 28.05.16

Hospital

Num piso demos as boas vindas à Alice, nem três quilos de gente, acabada de chegar a este mundo para felicidade de todos. No piso de baixo dei (demos, embora os miúdos não tivessem entrado no quarto) um beijo apertado a uma amiga que estava muito doente e teve que ser operada. 

De todas as coisas do mundo, abraçar os amigos de vez em quando é uma das melhores que podemos fazer. 

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por Gata às 23:39



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