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A Gata Christie


Quarta-feira, 05.07.17

Ovelha negra

"Quando dizem que a idade está na cabeça, meu fígado e minha coluna dão uma risadinha sarcástica."

Rita Lee, quase 70 anos e muito "rockenrou", conta as suas memórias numa autobiografia sincera e divertida que é agora editada em Portugal.

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por Gata às 08:39

Quinta-feira, 13.04.17

A felicidade nas coisas pequenas (XXXII)

Saí do cinema feliz. Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, com uma fantástica Sônia Braga, foi uma boa surpresa. Um filme com pessoas reais, com diálogos reais, com cenários reais, com histórias reais. Tão bom, mas tão bom, que apetece ver de novo.

(ah, esta semana não vais ter os putos vais ter uma vida louca, pensam as pesoas. e depois é isto. filmes e mais filmes. a felicidade nas coisas pequenas também é isto.)

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por Gata às 19:07

Sábado, 24.12.16

Samba para o dia de hoje

Véspera de Natal, por Adoniran Barbosa 

"Eu me lembro muito bem
Foi numa véspera de natal
Cheguei em casa
Encontrei minha nega zangada, a criançada chorando,
Mesa vazia, não tinha nada.

Saí, fui comprar bala mistura,
Comprei também um pãozinho de mel
E cumprindo a minha jura,
Me fantasiei de papai noel

Falei com minha nega de lado
Eu vou subir no telhado
E descer na chaminé
Enquanto isso você
Pega a criançada e ensaia o dingo-bel

Ai meu deus que sacrifício
O orifício da chaminé era pequeno
Pra me tirar de lá
Foi preciso chamar
Os bombeiros"

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por Gata às 00:43

Domingo, 27.11.16

Deixem-na cantar até ao fim

elza.jpgElza Soares esteve entre nós nestes últimos dias. Eu não fui vê-la. Mas li a história dela, uma história fantástica. Conhecia-a vagamente, muito pouco, afinal, mas depois de ouvir o último disco, que é extraordinário, fui à procura do que estava para traz. É fascinante ouvi-la, é fascinante vê-la, ainda hoje, com a sua peruca exuberante, a encher o palco apesar de estar confinada a uma cadeira de rodas. E os relatos de quem a viu em algum dos concertos que deu em Portugal deixam-me cheia de inveja, tenho que admitir. Ouço-a outra vez. Muitas vezes. Ouçam-na também.

Esta é Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo

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por Gata às 18:08

Quarta-feira, 16.11.16

Há sempre duas versões (ou mais) da mesma história

Por isso eu corro demais, Roberto Carlos, 1967

Por isso eu corro demais, Adriana Calcanhotto, 1998

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por Gata às 12:05

Quinta-feira, 13.10.16

Não adianta fugir

"Nada do que foi será

De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar"

Caetano Veloso e Lulu Santos cantam Como uma Onda

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por Gata às 00:04

Sábado, 06.08.16

"Isto aqui, o que é?"

Emocionei-me, o que querem? Emocionei-me várias vezes. Muito por causa da música. Aquele abraço, construção, o samba do avião, momento lindo e tão simples aquele de Giselle desfilando feita garota de Ipanema em direção a Tom Jobim (era o neto dele, Daniel, que estava ao piano). Paulinho da Viola cantando o hino que não me é estranho. Elza Soares, velhinha e maravilhosa, Zeca Pagodinho e Marcelo D2, Jorge Ben no país tropical, Wilson das Neves evocando os mestres do samba, Caetano e Gil, o batuque infernal das escolas de samba. Tanta alegria. Fernanda Montenegro disse um poema de Drummond de Andrade. Emocionei-me, pois. Com o Guga a levar a tocha olímpica. E Vanderlei Cordeiro de Lima - o tal que foi abalroado por um irlandês maluco enquanto corria a maratona nos jogos de Atenas. O Temer vaiado. Imaginar aquele estádio cheio, uma multidão a cantar. Não sei se repararam mas naquela cerimónia, como nos desfiles de carnaval, não havia geometrias, coreografias feitas a régua e esquadro, nada disso, eram muitos e dançavam por ali, tudo mais ou menos assim e tudo a bater certo no fim.

Wilson+das+Neves+Opening+Ceremony+2016+Olympic+FdIWilson das Neves, sambando aos 80 anos, com Thawan Lucas da Trindade, de 8 anos

Fiquei com a sensação que a maior parte do mundo não ia perceber todas estas subtilezas, era preciso ter as referências - e confirmei um pouco isso ao ler alguma imprensa (aqui ou aqui, por exemplo), paciência, azar o deles que não conheciam o "remelexo" do Brasil. Isto aqui, o que é? é um samba de Ary Barroso, de 1942.

por João Gilberto

pelos Novos Baianos

por Caetano Veloso 

 

PS - e entretanto li a Alexandra, que deve ter sentido mais ou menos o mesmo que eu mas consegue escrevê-lo muito melhor. Ora leiam.

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por Gata às 21:37

Domingo, 15.05.16

Show de bola

20160515_110736.jpgA Maria vem cá a casa há dois anos e ainda me consegue surpreender. Esta semana, provavelmente farta de encontrar chuteiras atiradas para um canto qualquer, achou que elas ficavam bem era arrumadas na estante do escritório, ali juntinho aos livros brasileiros. Vinicius de Moraes passa para Ruy Castro que dá para Chico Buarque que remata e marca golo.

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por Gata às 10:52

Terça-feira, 10.11.15

Voltando aos clássicos

 Carinhoso, de Pixinguinha (1917), aqui por Paulinho da Viola e Marisa Monte

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por Gata às 10:24

Domingo, 08.11.15

Ouça um bom conselho, que eu lhe dou de graça

Esta semana, fui duas vezes a Cascais, em trabalho. Da primeira vez, eram quase seis horas, anoitecia e chovia muito. Hoje, era meio-dia e estava um sol de verão. Das duas vezes fui ouvindo um disco dos Blur que era o que estava ali à mão e das duas vezes lembrei-me do concerto deles a que assisti no festival Super Bock Super Rock. Estive quase para não ir. Estava a atravessar uma daquelas fases em que tudo parece correr mal, estava a trabalhar nesse fim-de-semana e sentia-me muito cansada e ainda por cima parecia que não ia arranjar companhia. Decidi ir, contrariando a minha letargia. E foi um concerto espectacular. Diverti-me mesmo, apesar de tudo o resto.

Isto de conseguir suspender os problemas, esquecer momentaneamente que eles existem, sejam eles quais forem, e aproveitar o que temos de bom é uma arte que não está ao alcance de todos, pelo que vou percebendo. As pessoas parece que gostam de ficar enredadas nos seus azares, a matutar nas desgraças, a sofrer antecipadamente por tudo o que ainda está para vir. Eu cá sou pragmática. Não sei se isso é bom ou se é mau, mas é assim que sou e, até ver, tem funcionado. Há quem me ache fria. Mas foi essa frieza que me permitiu continuar com o trabalho, as crianças e a vidinha, mesmo quando perdi o chão. É essa frieza que me permite (bom, nem sempre, mas quase sempre) trabalhar sem pensar nos problemas da vida, estar com as crianças sem pensar no resto, encontrar momentos de alegria até nos dias piores. Não se trata de ser inconsciente. Trata-se de ir resolvendo o que há para resolver, ao mesmo tempo que aproveito o que há para aproveitar. Desvalorizar o que não merece ser valorizado. Relativar, sempre. Seguir em frente

Experimentem. Vão ver que vão ser muito mais felizes.

E já agora ouçam o Chico, citado no título, que vale sempre a pena:

(outra coisa que pensei nestas viagens foi que já estive em vários concertos que foram mesmo especiais, um dia destes tenho que fazer uma lista. isto de fazer umas viagens sozinha, sem as crianças, é óptimo para arrumar ideias)

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por Gata às 22:14



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