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A Gata Christie


Sexta-feira, 07.04.17

És central ou és periférico?

Já é tarde, tenho um bolo no forno e malas por fazer que amanhã vamos de viagem, mas queria vir aqui dizer-vos que o espectáculo criado pelo Vhils e que se estreou hoje no CCB é mesmo do caraças. Os miúdos gostaram mas ficaram um pouco desiludidos porque estavam à espera de ainda mais hip hop, mas talvez a culpa tenha sido minha, que lhes falei muito dos bailarinos para eles se entusiasmarem. Não há porque ficar desiludido: os bailarinos são na verdade muito bons, os vídeos são muito bons, o rap final de Chullage é uma delícia de rimas e de crítica social. E que aquele espectáculo tenha sido apresentado perante um público engravatado e, quase de certeza, na sua maioria não pagante, é por si só todo um tratado (e uma ironia a que Vhils não ficará certamente alheio). É pena que só esteja em cena por duas noites. E também não se percebe que uma instituição anuncie aos sete ventos que uma sala está esgotada quando na verdade há muitos (mas mesmo muitos) lugares por preencher. Talvez seja esse o preço a pagar para sair da periferia.

vhils.jpg

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por Gata às 23:09

Sexta-feira, 05.08.16

Dar ao pé

Adoro dançar. Mas não sei dançar. Dêem-me música e eu danço, completamente livre, à minha maneira. Mas se me pedirem coreografias, mesmo as mais simples, fico parada. Não consigo fazer passinhos coordenados, sou incapaz de dançar agarrada a outra pessoa. Adoraria saber dançar. Mesmo.

Ontem fui ao Andanças e achei piada àquilo. Tanta gente a dançar ou a tentar dançar, sem medo do ridículo, só a deixar ir o corpo. É preciso ter o espírito certo para lá ir com crianças e ficar uns dias a viver sem um banho quente nem um colchão decente para dormir (já para não falar das casas-de-banho), mas, pronto, se ultrapassarmos isso, parece-me uma experiência muito gira.

andanças.JPGEsta foto e as outras do artigo são do Pedro Rocha/ Global Imagens 

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por Gata às 14:13

Sexta-feira, 27.05.16

Não é precio aprender ballet desde criança para saber dançar

Uma das coisas que eu gosto nesta história é isto: hoje em dia os pais parecem obcecados com a educação dos filhos, querem proporcionar-lhes imensas experiências e incutir-lhes muitos conhecimentos (incutir é a palavra certa) para garantirem que eles vão ter todas as ferramentas para o sucesso, os pais têm que ler histórias aos filhos para eles gostarem de ler, têm de os levar a muitos concertos para bebés para eles gostarem de música, têm de os pôr a aprender inglês aos três anos para eles saberem falar muitas línguas, têm de os levar a viajar porque é importante conhecer o mundo (o quê? ainda não foram à neve? mas que raio de mães és tu?), é essencial começar a fazer tudo muito cedo, desde pequenino, para não lhes arruinar as hipóteses de virem a ter um bom emprego, os pais sentem-se completamente responsáveis pelo futuro dos filhos e tentam moldar-lhes a vida bem moldada, à sua medida e sem margem para erro. E é mentira. Aquilo que as pessoas são quando crescem não depende só dos pais e da educação que eles lhes dão. Claro que a educação é importante mas uma coisa é educar, ensinar regras, transmitir valores, despertar a curiosidade, abrir portas, dar apoio, outra coisa é achar que existe uma relação direta e inequívoca entre aquilo que as crianças fazem/experimentam e aquilo que vai ser o seu futuro.

Felizmente não existe esse determinismo. Felizmente existe um mundo que se intromete nos nossos planos e pessoas que se atravessam na nossa vida. Existe o inesperado. Felizmente existe a personalidade de cada um. Existe a vontade individual. Talentos que se revelam. Sonhos que vêm sabe-se lá de onde. Um caminho que é trilhado todos os dias. E tantas, tantas descobertas que os filhos podem fazer sozinhos, ao longo desse caminho. Com tentativas e erros e falhanços e vitórias e alegrias e tristezas. À medida que crescem.

Penso nisto muitas vezes, porque sei que falho muito e que não consigo fazer tudo o que quero (ou que sonhei) e esta é uma maneira de acalmar os meus sentimentos de culpa. De me lembrar que (para o bem e para o mal) não está tudo nas minhas mãos. Que o importante é lhes transmitido todos os dias, em pequenas coisas, quase invisíveis, quase sem darmos por isso (tal como aconteceu comigo, afinal). Que o importante é estar lá para lhes dizer "vai", "arrisca", "não tenhas medo". Que o importante é estar lá, para amparar as quedas, dar colo, limpar-lhes as lágrimas. E também para os felicitar e aplaudir (muitas vezes, é o que todos queremos).

O resto há de acontecer. Ou não.

Se puderem, não deixem de ir ver o espetáculo do João dos Santos Martins e outros espectáculos do Festival Alkantara.

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por Gata às 11:55

Quarta-feira, 11.05.16

Já valeu a pena

"Mesmo que o espectáculo não seja muito bom, já valeu a pena por ter conhecido todas estas pessoas e ter aprendido tanto com elas." Estávamos sentados no chão, nos tapetes do salão nobre do Teatro Nacional D. Maria II, a conversar depois de um ensaio. Engolimos todos em seco. Era a Madalena que dizia isto, sobre a Estação Terminal, o espectáculo que se estreia ali amanhã e no qual colaboram pessoas tão especiais quanto um jovem bailarino transexual, um travesti, um ex-recluso, actores e bailarinos, alunos de dança, cegos, sem-abrigo, um casal de artistas homossexuais que veio da Tasmania. A Madalena também é uma pessoa especial. É uma daquelas pessoas com quem vale sempre a pena conversar, que nos toca e nos faz ir mais além, mesmo quando (o que é raro) os espectáculos não são muito bons.

(nos dias em que ando mais triste com o jornalismo que andamos a fazer ou nos dias em que ando mais triste com a minha vida, penso nisto, nestas oportunidades maravilhosas que vou tendo, de conhecer pessoas assim, de ser menos ignorante e mais feliz, de viver momentos mesmo especiais.)

estaçao.JPGAs fotos (tão bonitas também) são do Reinaldo Rodrigues/Global Imagens. 

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por Gata às 22:12

Sexta-feira, 29.04.16

Hoje é sexta-feira

Esta semana fui com o António estudar para o teste de história no Museu do Aljube. E depois contei tudo no Quarto das Brincadeiras. É sempre bom ter uma oportunidade para lhes falar da importância da democracia e da liberdade. O teste é hoje, espero que lhe corra bem (estamos em plena época de testes, isto não tem sido fácil).

Hoje é Dia Mundial da Dança. Esta noite, estreia o Romeu e Julieta, espetáculo de Rui Horta com a Companhia Nacional de Bailado. Não é ballet, ficam já avisados. Mas é mesmo muito bom. 

Hoje é também o dia em que Samuel Úria apresenta o seu novo disco, Carga de Ombro, num concerto no São Luiz. O Samuel Úria é um daqueles músicos de quem é quase impossível não gostar. É inteligente e bom conversador, com a dose certa de referências e de intelectualismo sem arrogância e com algum humor. Além disso, este disco é muito bom. Vejam-no aqui, a cantar um dos temas novos:

Gostava de ir ver o Úria mas prefiro ir terminar o dia com a minha amiga Cecília, que faz hoje 40 anos. Parabéns, minha lindeza.

Hoje é sexta-feira e está sol.

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por Gata às 12:46

Quinta-feira, 21.04.16

Prince Rogers Nelson (1958-2016)

prince.jpg

Saí do jornal à pressa, já atrasada, atarantada. Prince tinha acabado de morrer e os meus filhos quase a sair da escola. Prince tinha acabado de morrer e a mim apetecia-me ter uns 16 ou 17 anos e fechar-me no quarto com uns phones nos ouvidos e ouvi-lo outra vez, mais uma vez, com aquela voz inconfundível. Entrei no metro, rodeada de pessoas e próximas paragens, e eu a lembrar-me das tantas vezes em que dancei o Kiss, o Get Off, o Cream, o Purple Rain. E agora há o treino e os banhos e o jantar e a cozinha por arrumar e enquanto isso ele a tocar guitarra na minha cabeça. Que parvoíce isto de se ficar triste com a morte de alguém que não nos é próximo, pensava. E no entanto.The most beautiful girl in the world. This Could Be Us. When Doves Cry. Na batalha entre Michael Jackson e Prince, eu sempre fui pelo Prince. Não há moonwalk que bata aquele menear de ancas. Sexy MF. As músicas mais sensuais do mundo são as do Prince. Músicas para empernar com as minhas miúdas (não há outra maneira, amigas, vocês sabem como é). Diamonds and Pearls. I Would Die 4 You. U Got the Look. Alphabet St. Diamonds and Pearls. Tantas. Uma meia leca de gente e tanto talento ali. Ele não precisava dos tacões altos para ser o maior. E era livre. Era o que eu achava, era o que eu sentia quando o via e ouvia. E também eu me sentia livre a dançar com ele.

Ainda não tive tempo para ler muito do que se escreveu nestas horas, mas gostei de ler este texto do Vítor Belanciano.

Vejam-no AQUI que também é uma delícia. 

Adenda: o que tenho a dizer sobre Get Off e outras escolhas de Prince na Máquina de Escrever.

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por Gata às 22:34

Quinta-feira, 10.03.16

Cais do Sodré

Tenho boas memórias do Jamaica e do Tokyo. Memórias do Cais do Sodré antes da rua ser cor-de-rosa, antes de haver tanta malta que quase não se consegue passar, quando ainda não era chique comer sardinhas em lata e as pensões não eram do amor, eram mesmo do negócio do amor. Também tenho boas memórias deste Cais do Sodré gourmet. E sobretudo tenho boas memórias do Jamaica e do Tokyo. Tenho pena que fechem. Era bom saber que existia um sítio, algures, na noite de Lisboa, onde eu poderia ir e conhecer as músicas e não me sentir velha nem mal vestida nem deslocada. No Jamaica nunca ninguém se sentia deslocado, tivesse 18 ou 50 anos, fosse beto ou vanguarda (ainda se diz vanguarda?), gostasse de dançar ou de ficar apenas ali encostado com o copo na mão, usando saltos altos, botas ou ténis. 

Também sei que havia ali muita coisa a precisar de ser melhorada - no Jamaica, no Tokyo, no Cais do Sodré todo. Mas acho que esta é uma boa oportunidade para pensarmos nesta cidade onde duas discotecas vão fechar não porque não tivessem clientes ou porque o negócio já não estava a dar - mas apenas devido à especulação imobiliária. É a isto que se chama gentrificação, uma palavra que eu já tinha ouvido mas a que não tinha dado grande importância. Se quiserem perceber melhor o que é leiam este texto

Tenho boas memórias do Jamaica e do Tokyo. E vou guardá-las. Essas nunca fecham.

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por Gata às 23:03

Terça-feira, 19.05.15

Impudícia e evasão

"A maior parte das salas das chamadas 'sociedade de educação e recreio' não oferecem o mínimo de condições higiénicas, estando algumas instaladas em verdadeiros tugúrios onde o povo acorre em busca deste género de divertimentos. (...) As danças modernas, pela sensualidade melíflua ou descongestionada dos seus acordes, são inteiramente imorais, e a execução e circunstâncias que as rodeiam demonstram à sociedade que o baile - hoje mais do que qualquer época - é um instrumento de perversão. A atmosfera sensual que se respira, a impudícia das vestes femininas, o cúmplice afrouxamento das luzes, a irresponsabilidade do aglomerado, propiciam a evasão, criando um estado de passividade favorável a influências deletérias."

Luís Filipe Mimoso Reis, "Os Costumes e os Bailes" in Boletim de Acção Católica, junho de 1953, citado no livro que ando a ler.

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por Gata às 11:20

Domingo, 26.04.15

Começar o domingo a dançar

Ainda há uma sessão às 16.30. Corram para o Teatro Maria Matos, em Lisboa, e desfrutem da beleza de Cair, o espectáculo de Victor Hugo Pontes para maiores de 5 anos. Nós fomos ver esta manhã e adorámos.

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por Gata às 14:38

Sexta-feira, 13.03.15

Dos perigos da dança

 

"Edmonton, Canadá, 13 mar (Lusa) -  O ator Kevin Bacon foi convidado para liderar um protesto numa cidade canadiana contra uma nova lei municipal que proíbe "mau comportamento" na cidade, incluindo a dança 'footloose' que o ator protagonizou no musical.

Um grupo de pessoas de Edmonton publicaram um vídeo no Youtube pedindo ajuda para angariarem 100 mil dólares (94,5 mil euros) para levar Kevin Bacon à cidade de Taber, no sul de Alberta, para que o norte-americano lidere um protesto, na cidade de 8.104 habitantes, numa manifestação pacífica, em que será realizada uma festa com dança, idêntica à do musical Footloose.

"Uma pequena cidade em Alberta, no Canadá, recentemente aprovou uma lei a partir do filme de 1984, proibindo música 'Footloose' em público, encontros públicos, palavrões, estabelecendo vários toques de recolher", afirmou Jordan Bloemen, um dos organizadores, num vídeo publicado no Youtube. Jordan Bloemen acrescentou que estas proibições são "super-patéticas porque no ano de 2015, Taber, Alberta, é um lugar verdadeiro, e não um lugar imaginário de 1980 que marcou na altura o cinema de rock\dança".

Na opinião do organizador, esta lei "viola a carta canadiana de direito e liberdade". "Nessa pequena cidade do filme Footloose, eles precisavam de um herói. Eles precisavam de Kevin Bacon. Mr. Bacon, o povo de Taber, Alberta, precisa de um herói mais do que nunca", frisou.

Bloemen, Matthew Gresiuk e Scott Winder lançaram a campanha para contestar a lei, "que foi mal pensada". A lei municipal inclui uma multa de 75 dólares (55 euros) para quem cuspir em público, uma multa de 150 dólares (111 euros) para quem gritar ou mencionar palavrões num lugar público. O ruído nos bares também foi limitado. Das 23:00 às 07:00 não se pode fazer barulho. A lei municipal foi aprovada para "regular e proibir certa atividades" com o intuito de prevenir e obrigar à redução de ruído, dos danos ambientes, perturbações de ordem pública, com um recolher obrigatório para os menores de idade."

 

Isto é uma notícia da Lusa mas eu também acho que dançar o Footlose (ou alguns dos temas do Flashdance ou do Dirty Dancing) é uma atividade extremamente perigosa. E que deixa as pessoas a coxear (sim, ainda). Proiba-se, já. Pelo menos durante as próximas semanas.

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por Gata às 15:09



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