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A Gata Christie


Segunda-feira, 09.01.17

Desta vez fomos aos treinos delas

Uma noite, depois do horário normal de trabalho, peguei nos meus filhos e fomos para o fim do mundo de Alcochete. Jantámos umas bifanas num café manhoso, depois eles ficaram muito atentos a ouvir as entrevistas que fiz às jogadoras do sporting e, por fim, um frio de morte e eles divertidíssimos a correr por ali enquanto eu assistia ao treino. Chegámos a casa já tarde e no dia seguinte havia escola. Eles não protestaram. Nunca protestam. Não exijo deles este tipo de coisas muitas vezes mas de vez em quando tem de mesmo ser. Nesta aventura que tem sido estarmos os três sozinhos todos os dias temos aprendido muito sobre o que é viver em família, o que é viver numa família onde só há um adulto e não temos plano B. E os meus filhos, há que dizê-lo, são fantásticos.

O resultado saiu no jornal no sábado mas ainda pode ser lido AQUI. Foi uma ideia minha e deu-me um gozo enorme. Para uma reportagem feita nas horas vagas e na horas extraordinárias, até nem está mal, mas a minha opinião é obviamente suspeita.

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por Gata às 10:56

Quarta-feira, 17.08.16

Jogos em directo. Ou mais ou menos.

As transmissões dos campeonatos de atletismo sempre foram assim. Há várias provas a acontecer ao mesmo tempo e o realizador escolhe aquilo que vai dando em directo e depois vai recuperando (em diferido) algumas das provas que perdeu e há outras que se perdem para sempre, é a vida. É impossível agradar a todos os espectadores, haverá uns que gostam mais de saltos e outros de corridas, há uns que querem ver todos portugueses e outros para quem isso não é importante.

Se sempre foi assim, então porque é que este ano parece que há tanta gente descontente com a transmissão da RTP?

Tenho uma ideia: porque o mundo mudou e porque a maneira como vemos o mundo e a maneira como vemos televisão mudou. Mas as transmissões continuam iguaizinhas ao que eram há 20 anos.

Por um lado, existem outros canais que estão a transmitir as mesmas provas - muitas vezes sem cortes nem anúncios pelo meio. Já me aconteceu ter vários canais ligados (no trabalho, que eu em casa só tenho uma televisão) e constatar as diferenças.

Por outro lado, existe a internet. Através da internet nós podemos acompanhar os resultados das provas quase ao segundo. Não precisamos de esperar pela RTP. E por isso nos irrita tanto quando eles dão anúncios e nós sabemos que estão a acontecer coisas importantes. E por isso nos irrita ainda mais quando eles dão provas em diferido fazendo de conta que é em directo, como se o mundo todo estivesse à espera da RTP para saber, como se não houvesse outros canais nem internet nem liveblogs nem pessoas a conversar no facebook sobre coisas que já aconteceram mas que só vão passar na RTP daqui a uns minutos.

Tenho sido muito crítica em relação a isto e tenho recebido algumas respostas e explicações. Agradeço. As explicações podem fazer com que eu seja mais compreensiva mas não fazem com que eu seja uma espectadora mais satisfeita. Se calhar já é tempo de repensar estas transmissões. Não podemos continuar a fazer as coisas sempre da mesma forma quando o mundo à nossa volta está a mudar.

Por exemplo, explicaram-me que vem tudo decidido do Brasil. Acredito. Mas vem tudo decidido depois de ter sido contratualizado entre as duas partes - não vamos achar que as pessoas da Bielorrússia não viram os seus saltadores mas estiveram a ver o Nelson Évora, não é? Há um acordo com cada país. Então, se calhar, também deverá ser possível decidir quando é que se quer pôr anúncios e quanto tempo duram. Porque falhar os saltos da Patrícia Mamona (recorde nacional) e do Nelson Évora para dar publicidade (e nem sequer era a Nike a pagar para estar no meio dos jogos olímpicos, eram mesmo televendas parvas, foi uma coisa despropositada) é inadmissível. Podia acontecer há 20 anos e ninguém dava por isso. Agora, não pode acontecer.

É verdade, não se consegue satisfazer toda a gente. Haverá sempre quem queira ver o hipismo e quem não queira. Haverá sempre quem prefira a vela ao andebol. Mas há mínimos. Os tais mínimos olímpicos.

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por Gata às 00:39

Sábado, 06.08.16

"Isto aqui, o que é?"

Emocionei-me, o que querem? Emocionei-me várias vezes. Muito por causa da música. Aquele abraço, construção, o samba do avião, momento lindo e tão simples aquele de Giselle desfilando feita garota de Ipanema em direção a Tom Jobim (era o neto dele, Daniel, que estava ao piano). Paulinho da Viola cantando o hino que não me é estranho. Elza Soares, velhinha e maravilhosa, Zeca Pagodinho e Marcelo D2, Jorge Ben no país tropical, Wilson das Neves evocando os mestres do samba, Caetano e Gil, o batuque infernal das escolas de samba. Tanta alegria. Fernanda Montenegro disse um poema de Drummond de Andrade. Emocionei-me, pois. Com o Guga a levar a tocha olímpica. E Vanderlei Cordeiro de Lima - o tal que foi abalroado por um irlandês maluco enquanto corria a maratona nos jogos de Atenas. O Temer vaiado. Imaginar aquele estádio cheio, uma multidão a cantar. Não sei se repararam mas naquela cerimónia, como nos desfiles de carnaval, não havia geometrias, coreografias feitas a régua e esquadro, nada disso, eram muitos e dançavam por ali, tudo mais ou menos assim e tudo a bater certo no fim.

Wilson+das+Neves+Opening+Ceremony+2016+Olympic+FdIWilson das Neves, sambando aos 80 anos, com Thawan Lucas da Trindade, de 8 anos

Fiquei com a sensação que a maior parte do mundo não ia perceber todas estas subtilezas, era preciso ter as referências - e confirmei um pouco isso ao ler alguma imprensa (aqui ou aqui, por exemplo), paciência, azar o deles que não conheciam o "remelexo" do Brasil. Isto aqui, o que é? é um samba de Ary Barroso, de 1942.

por João Gilberto

pelos Novos Baianos

por Caetano Veloso 

 

PS - e entretanto li a Alexandra, que deve ter sentido mais ou menos o mesmo que eu mas consegue escrevê-lo muito melhor. Ora leiam.

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por Gata às 21:37

Domingo, 31.07.16

Estas vidas deram filmes

Andei que tempos à espera de Miles Ahead, o filme de Don Cheadle sobre o músico Miles Davis. Li artigos, vi os trailers e, agora que já o vi, posso dizer que, afinal, não gostei assim tanto. Eu gosto muito de documentários e gosto muito de biopics e filmes baseados em histórias reais. Mas nem sempre saio do cinema feliz. Ultimamente vi dois filmes de que esperava bastante e que se revelaram uma desilusão:

Este Miles Ahead - acredito que o homem estava numa fase má da sua vida, drogado, deprimido, alterado, há cinco anos sem editar nenhum disco de originais, pressionado pelos fãs e pela editora, isso tudo, mas aquela loucura toda com tiroteios, fitas roubadas, perseguições de carros com um jornalista à mistura pareceu-me bastante exagerada; sei que aquilo é ficção, mas ainda assim para eu gostar mais do filme teria de achar aquela acção toda mais plausível. A boa música não faz um bom filme.

E também o Race, realizado por Stephen Hopkins, sobre o grande Jesse Owens. A história é verdadeira e brutal. Ali temos um atleta americano negro que além de ter de vencer o racismo no seu país ainda vai ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Os jogos de Hitler. Pois o que me parece que falha no filme é precisamente esse momento dos jogos. Toda a história do rapaz é bem contadinha mas uma pessoa chega ao estádio de Berlim e estava à espera de algum drama, de emoção. E nada. (e acabar o filme a simpatizar com a Leni Riefenstahl também não sei se será uma coisa boa). Jesse Owens merecia muito mais.

Por outro lado, há filmes que me surpreendem. 

Veio parar-me às mãos um filme que me tinha passado ao lado mas que esteve no ano passado no DocLisboa: Listen to me, Marlon. O documentário de Steven Riley pega numa série de gravações de voz que Marlon Brando fez, em casa, com o seu gravador, sozinho, a falar sobre o cinema e o resto. Usa ainda excertos de entrevistas e imagens dos filmes de Brando. E com isto conta a história do actor, ou pelo menos uma parte da história. Sem artifícios. Dos tempos em que seguia o Método até ao total desinteresse pela representação, as críticas aos realizadores, as manias de estrela. 

E hoje vi The Program, de Stephen Frears, acabadinho de estrear em Portugal com o título Vencer a Qualquer Preço, sobre o ciclista Lance Armstrong. Eu nem sou grande fã de ciclismo por isso não estava assim muito entusiasmada à partida. Mas conseguiu prender-me. O argumento é baseado no livro do jornalista David Walsh, do Sunday Times, que chegou a perder um processo em tribunal com Armstrong que o acusou de difamação, e o filme concentra-se, acima de tudo, nos anos em que Lance ganhou a volta a França - ganhou sete vezes, de 1999 a 2004. Só a parte final me parece algo apressada, mas, por outro lado, sabendo que o processo se arrastou durante tanto tempo (apenas em 2013 ele admitiu ter usado doping), talvez fosse difícil fazer melhor. Gostei bastante de não haver lamechices com a família e os filhos, nem arrependimentos nem nada. Não há falsos moralismos aqui. A parte pior (para mim) foram as agulhas, mas não foi suficiente para me fazer não gostar deste The Program

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por Gata às 15:22

Domingo, 10.07.16

Campeões

campeões.jpgCoisa mais linda. Portugal ganhou à França. Somos campeões europeus de futebol. Cá em casa gritámos de alegria, todos juntos, depois de quase duas horas de sofrimento. Somos campeões. Campeões, campeões, campeões. Que jogo, meu deus. Cheio de emoções. O Ronaldo saiu ao fim de meia hora, lesionado, à conta de uma joelhada de um jogador francês, mas mesmo fora do relvado é grande. O Rui Patrício fez belas e importantes defesas, o golo foi do Éder e os rapazes estão todos de parabéns. Mas, para mim, o homem do jogo é o homem das lágrimas de frustração e das lágrimas da alegria, o miúdo que mostrou aqui, neste campeonato, como está tão crescido. Apoiando os colegas. Lutando até ao fim. Puxando pela equipa. Puxando a equipa. Para além de jogar como ele sabe jogar. E, pelo caminho, calando aqueles que sempre o atacaram. Subiu as escadas a coxear e provavelmente amanhã não vai conseguir mexer-se mas, o que interessa?, vale tudo pela alegria de levantar a taça e ser campeão. 

A felicidade também é isto.

(tinha várias coisas para contar sobre a minha semana de férias mas para já não há condições para mais do que isto)

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por Gata às 23:46

Quinta-feira, 09.06.16

Ronaldo

Parece que agora está na moda não gostar do Cristiano Ronaldo. É uma coisa meio hipster. Se todos gostam eu agora já não gosto e vou arranjar uma nova cena fixe [para perceber melhor do que eu estou a falar, vejam isto]. A mim custa-me perceber que para se gostar do Quaresma ou do Éder ou doutro qualquer seja preciso dizer mal do Cristiano Ronaldo. Quer dizer. O Cristiano Ronaldo não precisa que eu o defenda, obviamente. Mas a mim, que não percebo nada de bola, parece-me que o rapaz tem 31 anos e um percurso único. Será difícil encontrar melhor. Entre títulos, golos marcados e prémios, entre esforço e qualidade, dedicação e eficácia, jogo bonito, fintas estranhas, toques de bola, caramba, pode ter jogos desinspirados, pode falhar uns remates, pode ter fases más (não temos todos?) mas quem é que pode dizer que não é dos melhores? Também ouço às vezes dizer que o rapaz é vaidoso e tem tiques de estrela. Ena. Eu cá se estivesse na selecção mundial de jornalistas e ganhasse milhões e milhões de euros também seria vaidosa e teria tiques de estrela (conheço tantos com tiques de estrela e vai-se a ver não são ninguém, mas adiante), também compraria uma casa de luxo e ia passar férias ao fim do mundo, garanto-vos (e se tivesse 31 anos e uns abdominais daqueles também iria a umas festas em iates e piscinas e não sei quê). E também sei que apesar de todo o circo montado à sua volta, é dos poucos que gosta de manter a sua privacidade. Escrevem-se as maiores barbaridades sobre a sua vida e ele raramente responde, raramente dá entrevistas, raramente o vemos em eventos vip, em inaugurações, em festas da Caras, a beber copos no restaurante do outro em Vilamoura. Faz a sua vida como quer e sem dar satisfações aos tablóides. E isso para mim tem muito valor. Além do mais, parece que está toda a gente sempre muito atenta a todos os possíveis falhanços do Cristiano Ronaldo, seja dentro ou fora de campo. O rapaz pode marcar 58 golos pela selecção mas se falhar um penalti cai-lhe tudo em cima. O rapaz ajuda a família, dá dinheiro para instituições de solidariedade, distribui autógrafos e sorrisos como mais ninguém mas se descobrem que comprou um avião tratam logo de acusá-lo de ser um puto mimado. Please. Ele não chateia ninguém, porque é que não o deixam em paz?
Eu não faço ideia se ele é o melhor jogador do mundo, nem me interessa determinar se ele vai ser o melhor jogador da selecção no campenato que está prestes a começar. Também não acho que seja muito aconselhável estarmos todos à espera que o Ronaldo ganhe os jogos sozinho. Preferia que jogassem todos bem e que o Bruno Alves não desse muito nas canelas dos adversários. Mas isso é apenas mais um daqueles sonhos.

20160608_191442.jpgCristiano Ronaldo, fotografado ontem durante o aquecimento para o jogo Portugal-Estónia. Mesmo ao pé de nós. Para felicidade dos meus dois rapazes.

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por Gata às 14:36

Segunda-feira, 18.01.16

Bater umas bolas

Naquele dia acordei muito cedo. Tinha um avião para apanhar. Liguei a televisão para ver como estava o ténis - naquela altura, em 2003, eu acompanhava com grande atenção tudo o que se passava no ténis - e vi o princípio do jogo da Kim Clijsters com a Serena Williams. Ia ser renhido. Saí de casa. Fui para o aeroporto. Apanhei o avião. Cheguei a Nantes. Fiz check in no hotel. Deviam ser umas nove da manhã ou pouco mais, lembro-me que era ainda muito cedo. Liguei a televisão. No terceiro set a Clijsters ganhava por 5-1- A Serena defendeu dois match points e acabou por ganhar. Nem queria acreditar. É claro que não dormi nada, fiquei presa à televisão (e bem que precisava de dormir, nesse dia o trabalho prolongou-se pela noite fora...)

Entretanto, a Clijsters mudou de vida e abandonou o ténis profissional em 2012 (mas antes teve o seu momento super-mãe) e a Serena aí está, prestes a disputar mais um open da Austrália e a provar que é uma das melhores tenistas de sempre.

Eu gosto de ténis. Gosto desde o tempo do Agassi e da maluca da Jennifer Capriati, do Pete Sampras e da Steffi Graf. Agora já não tenho tanto tempo, já não consigo ficar acordada até às tantas a ver os jogos e quando estamos em casa os putos nem sempre querem ver ténis, mas ainda vou acompanhando e tenho os meus jogadores favoritos. A nova temporada está a começar. A ver se o Nadal ou o Djokovic me vão dar alguma alegria.

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por Gata às 12:07

Domingo, 26.04.15

Relatos

Lembro-me das tardes de domingo na barragem da Rocha. Primavera. Eu e a minha irmã a apanhar flores amarelas e brancas e a brincar às casinhas nos bancos de pedra. Nós e a vovó Ana a brincar à apanhada, às voltas num pilar que lá havia, a relva a crescer por entre as placas de cimento que faziam um caracol no chão. Lembro-me dos cães que ladravam no barracão que era um café. De ter medo. De fazer xixi agachada, atrás das árvores. Lembro-me do Dinho, no carro branco, a ouvir os relatos da bola. Talvez também lesse o jornal. Ou não. Não sei se me lembro disto tudo ou se inventei algumas memórias.

Lembrei-me disto porque estou a ouvir o benfica-porto na rádio (e, tirando os anúncios constantes, parece que os relatos continuam mais ou menos na mesma).

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por Gata às 17:29

Domingo, 15.02.15

Disto de ser dona dolores

Primeiro torneio a sério. Descobri que me emociono quando os nossos miúdos ganham, que é bom vê-los felizes, abraçados, a festejar, fico a sorrir feita parva e a bater palmas como os outros pais todos (mas não grito a dar indicações para dentro do campo). Imagino que também vou ficar triste quando perdermos. 

E, agora, até já falo assim, na primeira pessoa do plural, e faz todo o sentido.

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por Gata às 15:16

Sábado, 17.01.15

Soccer Mom *

DSCF1330.JPG

 

 Acordar às 7.15 num sábado. E ainda é só o começo.

* nada a ver, na verdade

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por Gata às 13:50



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