Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Gata Christie


Sexta-feira, 23.12.16

Tratar da saúde

O meu primeiro médico de família, em Lisboa, era um daqueles médicos mais antigos, super experientes. Foi ele que me passou as receitas das análises, todos os meses, nas duas gravidezes. Aproveitava que tinha ali uma pessoa saudável e bem disposta à sua frente para desanuviar das consultas dos velhinhos, dizia, e ficávamos imenso tempo a conversar sobre política e saúde e jornalismo. Quando ele se reformou, fiquei sem médico de família. Fiz um requerimento e passei para a unidade de saúde familiar mais próxima. Eu adoro a minha USF. Fomos sempre atendidos com toda a atenção lá, quer pelas administrativas quer pelas enfermeiras, nada daquele ambiente caótico do centro de saúde onde as pessoas se degladiavam por uma senha às oito da manhã. Mas com a médica de família nunca tive grande empatia, sempre muito enjoadinha, quase nem olhava para mim. Um dia, apareci lá com uma tosse cavernosa que se arrastava há que tempos. Disse-me que era uma faringite. Uma semana depois voltei para lhe pedir uma baixa, com o diagnóstico de pneumonia confirmado num hospital particular. Comecei a ser seguida por um pneumologista no privado e não fiquei com grande vontade de lá voltar. Continuámos a ir à USF fazer as vacinas, trocar pensos nas cicatrizes das crianças e essas coisas, e apercebi-me que a minha doutora estava de baixa. Passaram-se meses, anos talvez. Até que, finalmente, tenho uma nova médica de família. Fui convocada para uma consulta, caso contrário perdia direito à médica. Lá fui. E adorei. Fiquei mesmo contente. Tive direito a exame ginecológico, pedido de análises de rotina, referenciação para uma consulta de alergologia, conversa sobre tudo e mais alguma coisa, um mail para escrever sempre que precise, e uma convocatória para voltar daqui a três meses com a família completa. 

A parte pior foi, dois dias antes do natal, ser intimada a perder peso. Pela minha saúde e pela minha felicidade, diz ela. Eu concordo, mas isto vai custar-me horrores. Segunda-feira começo a pensar nisso, ok?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 13:06

Domingo, 21.06.15

A feijões

IMG_1238.JPG

E se só tivermos feijões enlatados jogamos a bonecos, que é quase a mesma coisa. Hoje, além da memória também houve bingo. E em vez de gelados fizemos crepes. Mas de resto foi mais ou menos igual. Na televisão houve atletismo e futebol. Fiz uma arrumação "daquelas" no quarto dos miúdos. E o momento alto do dia foi quando fizemos a mala para a primeira semana de campo do Pedro. Uma emoção. Ao jantar alguém comentou "este fim-de-semana foi muito longo". Foi mesmo. Para compensar, palpita-me que a próxima semana vai passar a correr.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 21:28

Sábado, 20.06.15

Foi um belo dia de praia

IMG_1232.JPG

Memória, uno, peixinho, playstation, tablet, desenhos animados, corridas de motos e basquetebol (nos canais de desporto), pinturas com aguarela, limonada, gelados caseiros e conversas parvas (muitas). E calor. Amanhã há mais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 22:28

Sexta-feira, 19.06.15

Outra vez

Outra vez?, perguntam-me. Sim, outra vez. Mas... como? O António caiu no recreio e teve de levar cinco pontos no joelho. Outra vez. Outra vez o choro, outra vez no hospital a dar-lhe mão, outra vez as muletas, outra vez os banhos checos, outra vez as visitas ao centro de saúde para mudar o penso dia-sim, dia-não. Outra vez?, perguntam-me. Mas os teus filhos não páram? Não, aparentemente não. Não sei como fazê-los parar. Eles são assim. Sempre a correr, a saltar, a experimentar, a lutar, a desafiar. Caem, magoam-se, levantam-se. Têm as pernas cheias de nódoas negras, arranhões e feridas várias. E têm azar, também. Cada um deles já foi cosido duas vezes (o António duas vezes na mesma perna; o Pedro na perna e na cabeça). Cicatrizes para a vida. Ah, desta é que ele vai aprender, vais ver, dizem-me os mais optimistas. Mas os meus filhos não aprendem. Não sei como ensiná-los. Voltam a correr, a saltar, a cair, a aleijar-se. Repito para mim que até agora não aconteceu nada de realmente grave, repito para mim que eles são crianças, que é bom que se mexam, que estas coisas acontecem. Então porque me sinto culpada sempre que alguém faz aquela cara e me pergunta: outra vez?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 15:31

Sexta-feira, 22.05.15

Então e esse joelho?

Não tem sido fácil, meus caros. Eu não gosto de me queixar mas a verdade é que mais de dois meses depois do "acidente" já não me dói a andar e até consigo passar um bom par de horas sem pensar na lesão mas ainda tenho dores muito precisas e agudas quando faço determinados movimentos ou quando estou em algumas posições. De maneiras que, como a malta já não é nova e parece que isto de deixar que o corpo se cure por si já não resulta como antes, hoje comecei a fazer fisioterapia. Durante três semanas vou andar a fazer exercícios e massagens e tratamentos com lasers e essas coisas sofisticadas. Numa primeira impressão, posso dizer que devo ser a mais nova ali, àquela hora matinal, mas que os velhinhos que lá estavam a fazer exercícios com bolas coloridas se devem ter rido bastante da minha figura desesperada quando tive que levantar a perna não sei quantas vezes seguidas com um peso de um quilo atado ao tornozelo. Já não me lembrava porque é que odeio tanto ir a ginásios.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 00:01

Quarta-feira, 01.04.15

Diagnóstico

A mãe tem uma rotura parcial do ligamento interno do joelho esquerdo. Diz que não é grave, precisa de mais gelo e descanso durante umas quantas semanas.

O filho pequeno tem uma amigdalite com febres altas e já vai começar  a tomar o devido antibiótico.

O filho grande prepara-se para um torneio de futebol com duas noites fora de casa e tem uma camada de nervos que não se aguenta.

Sobrevivemos. Não há motivo para preocupações. O pior de tudo mesmo é que está um dia de calor maravilhoso e nós em vez de irmos esplanadar andámos entre o hospital da luz e o centro de saúde com paragens generosas no sofá da sala.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 17:58

Segunda-feira, 09.03.15

Há quem tenha ressacas

Foi uma festa para celebrar a vida. Literalmente. A Inês decidiu juntar os amigos para assinalar o facto de viver há dez anos sem estômago. Dez anos depois de um cancro, daqueles assim mesmo maus, a Inês continua a ser uma miúda imparável, sem estômago mas cheia de energia e de alegria. E de saúde. Ora aqui está um bom motivo para brindar. A festa no sábado foi boa, mas boa. Abracei muito a Inês e mais umas quantas pessoas de que gosto muito e encontrei outras que já não via há anos. Dancei e gargalhei como se não houvesse amanhã. Mas, infelizmente, havia. E no dia seguinte descobri que, no meio de arriscadas coreografias para dançar o Footlose ou outra coisa assim do género, magoei o joelho e agora estou para aqui cheia de dores, a tomar anti-inflamatório e a fazer gelo, com uma ligadura na perna e uma muleta para me ajudar nas escadas. Nada de grave, garantiu a médica. Mazelas da idade. E da felicidade.

festa.jpg(Selfie by Isabel dos últimos resistentes na pista de dança)

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 21:50

Terça-feira, 27.01.15

A gripe (2)

Tudo tem um lado positivo. No caso desta gripe malvada, o lado positivo está cheio de filmes:

O Passado, de Asghar Farhadi

Por detrás do candelabro, de Steven Soderbergh

Foxcatcher, de Benett Miller

A Teoria do Tudo, de James Marsh

Sniper Americano, de Clint Eastwood

 

(ainda não estou pacificada com isto de ver filmes pirateados. tento minimizar os problemas de consciência, dizendo que a probabilidade de ir ao cinema nesta altura da minha vida seria... nenhuma. portanto, é assim ou nada. apesar de tudo, ainda me custa um bocadinho, confesso.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 23:11

Segunda-feira, 26.01.15

A gripe

Uma gripe é uma gripe. Dá febre, dores no corpo, tremores de frio, uma vontade enorme de ficarmos deitados sem falar com ninguém. O costume. É tomar os medicamentos, beber chá de gengibre e limão e esperar que passe. O pior não é a gripe. O pior é uma pessoa ter que se levantar às sete da manhã e sair de casa e levá-los à escola. E, depois de passar o dia todo na cama, ter que voltar a sair de casa para os ir buscar à escola. E adormecer no sofá e por isso só se lembrar às 9 da noite que ainda ninguém jantou e despachar tudo com leite e torradas (os miúdos adoram). E no dia seguinte ser sábado e a gripe estar lá igualzinha e dar graças a deus por haver televisão e playstation e outras tecnologias. E aproveitar aqueles momentos bons em que o benuron está a bater para ir ao supermercado e fazer o jantar e ajudar nos trabalhos de casa e estender a roupa e essas coisas todas que é preciso fazer, apesar da gripe e das dores no corpo e da febre e dos tremores. 

Sim, todas as mães fazem isto, o tempo todo, esquecem as suas dores para tomar conta dos filhos. Mas há umas vezes que custam mais do que outras. Esta foi uma dessas vezes. Maldita gripe. Maldita solidão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 00:01

Quarta-feira, 19.11.14

Estou capaz de abrir o champagne

Depois de doze dias em casa, o Pedro tem finalmente autorização para ir à escola.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 19:37



Pesquisar

Pesquisar no Blog