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A Gata Christie


Sexta-feira, 27.10.17

Ovos mexidos

Atrasei-me. [estou tão farta de trabalhar com pessoas incompetentes. a incompetência dos outros afecta-me, tem efeitos reais, visíveis no meu trabalho e na minha vida. atrasei-me porque alguém foi incompetente.] Percebi que me ia atrasar e liguei ao António para que fosse buscar o mano à escola. Quando cheguei a casa já eles estavam no banho. Disse-lhes: a mãe tem de trabalhar, preciso que se portem bem. Sentei-me ao computador. E eles não gritaram, não discutiram, não fizeram barulho. Fizeram ovos mexidos com salsichas para o jantar. Sozinhos. Nem me aproximei da cozinha. Não comeram fruta mas não me apeteceu chatear-me. "Estava tão bom o jantar, comi mesmo bem", declarou o António. Quando finalmente terminei o trabalho, deitei-me com o Pedro a ler um livro. Dei-lhes muitos beijinhos.

Zango-me tanto com eles, tantas vezes, há dias em que parece que tudo está a correr mal, em que me sinto incapaz de os educar como deve ser.

E depois há dias assim.

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por Gata às 09:01

Sexta-feira, 15.09.17

Abrir mais portas

uss.jpg 

Lista dos filmes que os miúdos viram em duas semanas de praia (e eu também, quase todos ou pelo menos bocados):

- Um polícia no jardim-escola (1990), de Ivan Reitman, com Arnold Shwarzenegger

- Alta Golpada (2011), de Brett Ratner, com Ben Stiller

- Mestres da Ilusão (2013), de Louis Leterrier, com Mark Rufallo e Jesse Eisenberg

- Jack Reacher: Nunca voltes atrás (2016), de Edward Zwick, com Tom Cruise

- USS Indianapolis: Homens de coragem (2016), de Mario Van Peebles, com Nicolas Cage (na foto em cima)

- Assassin's Creed (2016), de Justin Kurzel, com Michael Fassbender

- Porquê ele? (2016), de John Hamburg, com James Franco

- Power Rangers (2017), de Dean Israelite.

- Rei Artur: A Lenda da Espada (2017), de Guy Ritchie, com Jude Law

- A Grande Muralha (2017), de Yimou Zhang, com Matt Damon

Os três primeiros já tinham sido vistos (são DVD que estão no Algarve, assim como o Avatar que não vimos desta vez mas que nos últimos anos já foi visto uma meia dúzia de vezes). Os outros filmes levei-os eu, em versão pirata.

Olhando para esta lista até eu me surpreendo: é isto que dou aos meus filhos para eles verem?

Mas deixem-me explicar-vos. Há um ano, mais coisa menos coisa, reparei que o António, na altura com 12 anos, não via filmes. Via os desenhos animados e as séries tontas do nickelodeon, com o irmão, e daí tinha passado diretamente para os youtubers parvos. E fiquei preocupada. Quando eu era desta idade só tínhamos dois canais de televisão e não tínhamos hipótese: víamos o que estava a dar, incluindo muitos filmes, dos westerns aos musicais, passando pelas comédias, os filmes românticos, os policiais. Às vezes nem gostávamos muito, mas acabávamos por vê-los, por falta de opção. Os miúdos hoje têm muitas opções, muitos canais de televisão e ainda o telemóvel e o tablet e, por isso, só vêem o que querem ver, o que já conhecem, o que os cativa nos primeiros cinco minutos. Decidi, então, que me cabia a mim incentivá-lo a ver filmes. Claro que a diferença de idades entre eles é um problema e há um ano o Pedro ainda tinha alguma dificuldade em acompanhar as legendas. Além disso, como não queria que o momento se tornasse uma obrigação mas fosse, antes, um divertimento em família, começámos por coisas simples (os "regresso ao futuro", "a jóia do nilo", os "goonies", esse tipo de coisas), acompanhadas de pipocas nas noites de sexta-feira. A evolução neste ano foi enorme. O António já não resmunga (muito) quando o mando desligar o telefone para ver um filme e já confia mais nas minhas escolhas. O Pedro já lê legendas na perfeição (fomos ver o Gru na versão original) e até já vai ao cinema ver "filmes de crescidos".

De crescidos, isto é, filmes de aventuras e de acção. Não será exactamente a nouvelle vague mas será certamente melhor do que os thundermans e afins. Mas é um caminho que está a ser feito e não é preciso ter pressa nem saltar etapas. Acredito que havemos de lá chegar.

Por exemplo. Ao contrário do que acontecia há um ano, neste momento o António já consegue ver filmes que não sejam só de acção. Já aguenta bem uma comédia (como o Porquê ele?, que ele viu sentindo-se muito crescido) ou filmes que nos fazem pensar um bocadinho (comoveu-se a ver o USS Indianapolis, tal como se tinha comovido a ver o Capitão Fantástico há uns tempos, e ambos deram grandes conversas aqui em casa). E o caminho do Pedro também tem sido muito engraçado: ele quer ver tudo o que o irmão vê e fica muito atento, mesmo quando admite que não está a perceber nada. Às vezes, até me preocupo um pouco por ele ter 9 anos e estar a ver filmes que são para 12 ou 14 anos. O que mostra bem como isto de educar os filhos é tão complicado e como, apesar dos nossos esforços, nunca conseguimos educar duas crianças exactamente da mesma maneira.

Eu sei que isto parece uma coisa de nada e sei também que há de haver por aí miúdos muito mais à frente do que os meus. Mas é como vos digo. É um caminho. E cada pessoa tem de fazer o seu. Eu limito-me a abrir-lhes portas (sempre). São portas pequenas, sim, mas que, espero, conduzam a salas grandes, com outras portas e outros caminhos possíveis. 

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por Gata às 15:19

Terça-feira, 20.06.17

"Bué da easy"

O António é desde ontem o feliz possuidor de um bilhete da Carris. Era um dos objectivos a que nos tínhamos proposto para este ano lectivo e tinha sido esse também um dos motivos por que ele tinha mudado de clube, queria que começasse a ir sozinho aos treinos, facilitando-nos a vida. Mas depois ficámos à espera dos dias grandes e depois não dava jeito e depois não valia a pena e depois passou. Até que, como sempre, a coisa deu-se quando tinha que se dar. Quando se tornou necessária. Esta semana, com treinos e jogos em horário de férias, nada aconselháveis a pais que têm de trabalhar, o António apanhou o autocarro e foi para o treino. Calma. Não foi assim tão simples. Antes de mais, estudámos as opções. Não havia. Depois, estudámos os percursos e descobrimos que havia três carreiras de autocarro directinhas da porta de casa para o clube. Comprámos o bilhete, olhámos demoradamente para o mapa para perceber onde ficava a paragem de destino, expliquei-lhe os procedimentos, ele instalou uma aplicação no telefone para saber mais ou menos os tempos de espera e eu acompanhei-o à paragem. Esperámos uns dois minutos. Eu com o estômago às voltas mas toda sorrisos e palavras de entusiasmo, garantindo-lhe que seria uma aventura. Ele lá foi, confiante. Entrei no carro, segui por outro caminho (pudesse eu ir pela faixa do Bus e não lhe teria tirado a vista de cima), estacionei e esperei à porta do clube. Lá veio o rapaz, todo lampeiro, de mochila às costas e phones nos ouvidos. Abraço-o, correu tudo bem?, felicito-o, és um crescido. E ele olha para mim de soslaio, com aquele olhar de treze anos. "Bué da easy, mãe." E foi jogar à bola. De modos que é isto. O António é desde ontem o feliz possuidor de um bilhete da Carris e até já tratámos do passe para que em setembro possa ir para o treino e para onde mais ele quiser (não vamos pensar muito nisso agora). Está a crescer com passos firmes. E eu, orgulhosa dele, daquela confiança, de vê-lo a ir à sua vida, e ao mesmo tempo a ficar com o coração apertadinho, apertadinho. Parece que vai ser assim para sempre, quer eles tenham dois ou trinta anos (não é, Sónia?). Nada bué da easy, diga-se.

(entretanto, hoje, depois das actividades de tempos livres, ligou-me a dizer que ia fazer panquecas com o Afonso. foram comprar nutella, fizeram a massa na bimby e quando eu cheguei a casa estavam divertíssimos a virar panquecas na frigideira. estavam bem boas, by the way. mal posso esperar por amanhã para saber qual será a próxima novidade...)

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por Gata às 23:12

Sexta-feira, 15.07.16

As good as it gets

Dei por mim sentada numa toalha na praia num daqueles fins de tarde absolutamente espectaculares, com o sol à temperatura certa a tocar-me na pele, sem vento, sem preocupações, com um livro na mão e as gargalhadas dos miúdos, felicíssimos, em brincadeiras dentro e fora da água. E pensei: tenho tanta sorte. Tenho mesmo. É que dificilmente poderia ser melhor do que isto. Claro que poderíamos estar num país exótico qualquer ou poderíamos ter dinheiro para ficar num hotel ou para ir todos os dias comer em restaurantes e não teria que cozinhar ou poderíamos não sei quê. Mas eu não fico a pensar no que poderia ser. O que faço é olhar para aquilo que temos e perceber como, dadas as condições actuais, isto é o melhor que poderíamos ter. Melhor até do que seria de esperar.

Tenho esta sorte de ter sítios-que-são-como-a-minha-casa no Alentejo e no Algarve. A minha família que nos recebe sempre com comidas boas e boa disposição. Aquele calor abrasador, 46º a meio da tarde, que me leva de volta aos longos verões da infância. Os putos já crescidos e que não dão assim tanto trabalho. E desta vez levámos o primo connosco para uns dias de praia e foi ainda melhor porque eles puderam brincar e conversar e passear e divertir-se todos, muito autónomos - o Pedro ainda tem de crescer um bocadinho mas estamos a chegar àquela fase em que eles já quase conseguem resolver os seus conflitos sem a minha interferência e querem estar lá no mundo deles, os mais velhos a ver as miúdas de biquini e a ter as suas conversas parvas, sem precisarem de mim para se entreterem. E, acreditem, eu consegui realmente descansar. Descansar a cabeça de tudo. Fiquei cinco dias sem ter uma conversa com um adulto, o que poderia ter sido um problema mas até isso acabou por ser bom. 

Agora é só aguentar um bocadinho até às próximas férias.

E vejam só como eles cresceram:

098.JPGMonte Clérigo, setembro de 2010 

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Praia da Luz, julho de 2016 

(sim, a blusa que o Alex tem na foto em cima é a mesma que o António tem na foto em baixo, mas na verdade ela agora até já pertence ao Pedro. adoro estes pormenores)

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por Gata às 11:10

Sábado, 25.06.16

Um clássico

Há que tempos que não tínhamos uma manhã de sábado assim, sem futebol nem trabalhos de casa nem nada. Lembrei-me de mostrar ao meu pré-adolescente este filme, para variar um bocadinho do minecraft e dos tontos dos youtubers. Ao princípio, ele não estava muito interessado em ver um filme com 30 anos e 0 super-heróis. Mas acabou por se divertir imenso. E eu também. 

Ferris Bueller's Day Off, de John Hughes. Em português chama-se O Rei dos Gazeteiros. Deu ontem, no canal Hollywood, por isso é só procurá-lo na box.

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por Gata às 15:33

Segunda-feira, 25.04.16

A liberdade passou por aqui

DSC_0148.JPGCrianças a brincar no terraço.

Mãe refastelada no sofá.

Nova tag: eles crescem. 

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por Gata às 18:07



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