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A Gata Christie


Quarta-feira, 02.11.16

My girls

Por mim, tinha ido ao Piódão com a minha família e tinha sido o aniversário perfeito. Às vezes não acreditam, mas eu não sou uma pessoa de fazer festas. Sou uma pessoa de ir a festas, convidem-me que eu adoro. Mas organizar uma festa para mim é algo mesmo muito raro na minha biografia. Mas umas amigas começaram a chatear-me, que devia combinar qualquer coisa e porque é que não fazia uma festa e não sei quê. Ou então eram elas que estavam preocupadas comigo, com medo que me desse um ataque de nostalgia quando chegasse a casa depois do passeio. Pelo sim, pelo não, decidi convidá-las para virem cá a casa. Mas a minha casa não é lá muito grande e eu ainda assim tenho algumas amigas e, mesmo reduzindo os convites só a raparigas, comecei a stressar pois não conseguia decidir quem é que ia deixar de fora. E foi assim que uma coisa que não era nada passou a ser um fim-de-semana inteiro de festa. Primeiro, no Piódão com a minha maninha. Depois, chegar a casa às cinco tarde e tratar de fazer um bolo e outras coisas para receber um grupo de amigas ao serão. E, por fim, no dia seguinte, feriado, fazer outro bolo para um lanchinho com outro grupo de amigas. E foi a melhor decisão. Eu adoro fazer bolos, os miúdos adoram ter visitas e, apesar de não estarem todas as pessoas que eu gostaria, foi mesmo bom estar com estas que são algumas das minhas pessoas especiais. Deu para pôr a conversa em dia, rirmos muito, partilharmos histórias, bebermos um belo gin alentejano e darmos abraços. A Lina chamou-lhe um "lovely get together", e foram mesmo isso, dois "lovely get together". 

E uma curiosidade: tantas festas e não cantámos os parabéns. não foi uma decisão, aconteceu assim. eu não tinha velas, também ninguém se lembrou e não fez falta nenhuma. acho que isso só aconteceu porque estava mesmo feliz.

Obrigado, miúdas.

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por Gata às 20:59

Sábado, 08.10.16

Envelhecer um pouco mais

Estava a organizar as fotografias do verão e de repente...

20160704_202218.jpgNão bastavam as rugas, as peles caídas, os sinais, os milhentos sinais que me nascem todos os dias no rosto e nas mãos e por todo o lado. Nesta fotografia, tirada em julho, nota-se, como nunca, a cicatriz que fiz, acima dos lábios, quando tinha dois anos. Eu já tinha reparado que a cicatriz estava cada vez mais visível, como se a pele, à medida que envelhece, estivesse a perder a capacidade para ocultar os pequenos defeitos que temos. E, agora, aqui está a prova. Envelhecer também é andar para trás. 

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por Gata às 22:40

Terça-feira, 12.01.16

Já passaram 20 anos

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Foi em 1996. Há vinte anos terminei o curso. Há vinte anos comecei a trabalhar. Há vinte anos cheguei ao Diário de Notícias. Esta fotografia foi tirada há vinte anos e está aqui só para contrariar aquelas pessoas que me encontram na rua e gostam de dizer oh pá, estás nas mesma. Não, não estou. E isso é bom. Também é mau, mas é bom.

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por Gata às 15:43

Domingo, 01.11.15

Mocinhos e vilões

IMG_1580.JPG

Esta manhã, enquanto os miúdos ainda dormiam, pus-me a arrumar jornais antigos e reencontrei a entrevista que a Ana Sousa Dias fez ao Jorge Silva Melo. Há um momento em que ele diz:

"Do que eu gosto mesmo a sério [nos filmes de cowboys] é isto: quando uma pessoa está em perigo, o melhor amigo aparece e mata o inimigo. Nem a gente sabe porquê, mas nos filmes do Howard Hawks é isso que acontece. Nós estamos em perigo, não sabemos o que fazer e nem é preciso palavras, a acção é nítida."

Acho que tenho a sorte de ter algumas pessoas assim, que me salvam sempre que eu preciso, às vezes com pequenas coisas, como a amiga que ontem, ao telefone, me dizia "adoro-te, xuxu", outras vezes com gestos grandes, como a amiga que uma noite destas apareceu cá em casa, munida de sushi e rosé, só porque sim, e já nem estou a falar da minha maninha que é a melhor mana do mundo e arredores e tem um papel especial nesta "cobóiada" que é a minha vida. 

Como se costuma dizer (parece que a frase é originalmente do Oscar Wilde mas também pode não ser): "Everything is going to be fine in the end. If it's not fine it's not the end." Se é assim nos filmes, porque não há de ser também na vida?

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por Gata às 12:08

Sexta-feira, 17.07.15

Vintage

sting.JPGO baixo do Sting, com a madeira gasta.

Cantarmos Every Breath You Take e lembrarmo-nos do anúncio da Shweppes.

Dores nas pernas depois de oito horas num festival de música.

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por Gata às 13:06

Sexta-feira, 22.05.15

Então e esse joelho?

Não tem sido fácil, meus caros. Eu não gosto de me queixar mas a verdade é que mais de dois meses depois do "acidente" já não me dói a andar e até consigo passar um bom par de horas sem pensar na lesão mas ainda tenho dores muito precisas e agudas quando faço determinados movimentos ou quando estou em algumas posições. De maneiras que, como a malta já não é nova e parece que isto de deixar que o corpo se cure por si já não resulta como antes, hoje comecei a fazer fisioterapia. Durante três semanas vou andar a fazer exercícios e massagens e tratamentos com lasers e essas coisas sofisticadas. Numa primeira impressão, posso dizer que devo ser a mais nova ali, àquela hora matinal, mas que os velhinhos que lá estavam a fazer exercícios com bolas coloridas se devem ter rido bastante da minha figura desesperada quando tive que levantar a perna não sei quantas vezes seguidas com um peso de um quilo atado ao tornozelo. Já não me lembrava porque é que odeio tanto ir a ginásios.

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por Gata às 00:01

Segunda-feira, 01.12.14

Maturidade

"Na minha vida, repleta de asneiras, o que a maturidade me trouxe foi a autonomia. Escolho, decido e sinto em função da liberdade de poder optar por outras escolhas."

Ainda não cheguei lá. A minha liberdade ainda está muito condicionada pelos dois seres que dependem de mim. Mas é isto que procuro.

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por Gata às 21:55

Quarta-feira, 05.11.14

A "bolinha" que eu sempre fui

Quando eu era pequena chamavam-me "bolinha". Não estou a perceber porquê...

IMG_0055.JPG IMG_0065.JPG

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(estas são algumas das fotos do meu vídeo dos 40 anos. uma verdadeira delícia.)

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por Gata às 00:11

Domingo, 02.11.14

Dançámos, dançámos muito

A minha opinião é capaz de ser um bocadinho parcial mas eu cá acho que a festa dos 40 foi fantástica. Mesmo. Não porque tivesse alguma coisa extraordinária, que não teve, não houve decoração especial nem comida com nomes esquisitos, nem nada dessas coisas bonitinhas que há nas festas que vocês costumam ver por aí noutros blogues. Pois não. Mas teve a coisa mais extraordinária do mundo que são os meus amigos. 50 amigos (ena, tantos!, e mais uns quantos que não puderam lá estar fisicamente mas estavam na mesma). Foi muito engraçado juntar pessoas tão diferentes, de várias fases e várias áreas da minha vida, amigos da faculdade, amigos do trabalho, amigos antigos, amigos recentes. E foi muito giro vê-los todos juntos, alguns a fazerem novos amigos também. Acho que todos se divertiram, cada um à sua maneira, uns mais animados, outros só na conversa, uns que ficaram menos tempo, outros que ficaram até ao fim, mas pareceu-me que todos tiveram uma noite boa, e essa era a minha grande preocupação.

Para memória futura:

A festa foi no restaurante/bar O Século e, embora a comida não fosse nada do outro mundo, o sítio é muito agradável. Adorei chegar lá e ver as mesas postas, com as velinhas acesas, as janelas abertas para a rua, com a possibilidade de ficarmos um bocado cá fora, no largo, a conversar. Era o espaço do tamanho certo para a nossa festa, nem grande de mais nem pequeno de mais. E, como tínhamos a sala só para nós, depois do jantar, pudemos ficar lá a dançar até nos apetecer, ou seja, até depois das 4 da manhã.

Encomendei um bolo na Doces Paladares que, além de lindo, era muito, muito bom. Foi caro mas valeu cada cêntimo.

A Inês e a Ângela trouxeram um saco cheio de chapéus, óculos e outras máscaras para ser tudo ainda mais divertido (foi uma bela ideia, suas marotas).

Tinha pedido ao meu cunhado (que além de ser um dos fotógrafos da família tem acesso privilegiado ao arquivo fotógrafico do meu pai) para fazer um filme com algumas fotos dos meus 40 anos mas ele fez muito mais do que isso. O filme estava fabuloso (e cheio de tesourinhos deprimentes) e contou com a contribuição de alguns amigos queridos, que me fizeram chorar de emoção e rir até me doer a barriga. Que boa surpresa.

O Nuno e o João foram os DJs mais fantásticos do mundo. Uma festa em que se ouve David Bowie e One Direction, Madonna e Depeche Mode, Buraka, Spice Girls, Chico Buarque, e mais, muito mais, só pode ser uma grande festa. Dancei muito, pois dancei. E também foi bom ver que não sou a única a gostar de dançar.

Obrigado ao Baby M. que, apesar dos sustos, não nasceu, o que nos permitiu ter uma barriga maravilhosa na pista de dança.

Como as noivas, não consegui dar atenção a toda a gente. Mas deixo aqui um enorme obrigado a todos: Teresa e Pedro, Sónia e Ricardo, Helena e Raul, Isabel e Jairo, Sónia e Nuno, Ângela, Inês, Rita R., Paula, Lina e António, Susana, Filipa e Tiago, Eurico, Joana, Nuno G., João M., Rita e Diogo, João Pedro e Ana, João Miguel e Teresa, Lumena, Mafalda, Cecília, Patrícia A., Sandy, Milú, João M.F., Patrícia V., Maria João e Pedro, Rute, Cristina, Lurdes e Ricardo, Élia e Pedro, Susana e Miguel, Sofia e Nelson, Manuela e Nuno.

Obrigado pela amizade, pelos abraços, pelos beijos, pelas prendas (também), pela animação, pelas mensagens, por estarem por aí, mais perto ou mais longe.

Não tirei fotografias - até levei a máquina mas estava demasiado ocupada a festejar e nem me lembrei - mas estou a tentar recolher as fotos que todos tiraram. Mas uma coisa vos digo: com fotos ou sem fotos, vou lembrar-me desta noite para sempre.

Fiquei de rastos, que a idade, já se sabe, não perdoa. Mas se tudo correr bem dançamos de novo aos 50, combinado?

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por Gata às 16:12

Sexta-feira, 31.10.14

Já cá ando há 40 anos

Já cá ando há 40 anos.

Tenhos dois filhos.

Apaixonei-me algumas vezes. E desapaixonei-me outras tantas.

Casei-me e divorciei-me.

Tenho asma crónica.

Sou jornalista. E gosto muito (apesar de haver dias que).

Tenho saudades dos meus avós.

Gosto de comer e nunca vou ser magra.

Há dias em que sinto que não vou ser capaz, há outros dias em que me sinto a super-mulher, mas nisto, como em tudo o resto, aliás, acho que sou muito parecida com todas as outras pessoas.

Tenho medo de morrer.

Choro muito, com os filmes e com a vida.

Mas, de uma maneira geral, sou feliz.

Fazer um balanço?

Já cá ando há 40 anos. Não me arrependo assim de grandes coisas. Quero dizer. Há coisas que acho que podia ter feito melhor. Ou situações em que podia ter arriscado mais. Tenho pena de não ter dado mais atenção a algumas pessoas e depois já ser tarde de mais. Há coisas que fiz que foram, afinal, desnecessárias. Ou que podia ter evitado. Mas acho que nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente. E não há assim nada de grave de que me arrependa mesmo. Olho para trás e tenho a consciência tranquila. Tudo o que fiz e disse estava de acordo com o que sentia em cada momento, com o que me pareceu importante naquela dada altura. Se o fiz, se o disse, estava a ser honesta. Comigo e com os outros. E isso é algo de que me orgulho mesmo. De não ser falsa. De não mentir. De não fazer jogos. De não ter esqueletos no armário. De acreditar que mais vale mostrar-me como sou, com todos as minhas falhas, do que estar a construir uma personagem que, mais cedo ou mais tarde, será desmascarada. Nunca tive grande paciência para me preocupar com o que os outros pensam de mim, e já várias vezes fui prejudicada por isso. Ah, porque rio muito e muito alto. Ah, porque digo o que acho. Ah, porque protesto quando acho que as coisas estão mal. Ah, porque sou muito emotiva. Ah, porque sou uma gaja complicada e que muda de ideias e que às vezes não sabem bem o que quer. Ah, porque falo muito. Ah, porque devia ser mais discreta. Pois. Sou assim mesmo. E às vezes faço umas figuras tristes, pois faço, porque me exponho demasiado. Porque odeio situações indefinidas e preciso sempre esclarecer tudo na minha cabeça, custe o que custar. Mas continuo a achar que é melhor assim. Mesmo que os outros me mintam - e mentem-me, frequentemente. Mesmo quando descubro essas mentiras e isso me entristece, sobretudo quando vêm de pessoas de que gosto (gostava) muito. Mesmo quando me desiludo - e desiludo-me muitas vezes - ao descobrir que a honestidade não só não é compreendida como não tem reciprocidade. Mesmo assim. Depois há as outras vezes e há outras pessoas que me provam que vale a pena. Que quando somos exactamente aquilo que somos, as pessoas que ficam connosco são exactamente aquelas de que precisamos, as que gostam de nós sem condições e sem falsidades. As nossas pessoas.

Já cá ando há 40 anos e tenho dois filhos que são o meu maior tesouro (mesmo quando são umas pestes). Que despertam o melhor e o pior de mim. Que me fazem ter medos inconfessáveis. E me dão forças que nem eu sabia que tinha. E tenho a minha família fantástica (pai, mãe, irmã, cunhado) que são o meu porto de abrigo. No meu Alentejo, claro. E tenho os meus amigos, os meus amigos do peito, uns que já estão comigo há mais de 20 anos, outros mais recentes, que não vou enumerar mas vocês sabem que são, não sabem? Se há coisa que aprendi nestes últimos anos foi a importância de dizer às pessoas de quem gostamos o quanto gostamos delas, mostrar-lhes o quanto são importante para nós. E tenho-me esforçado para o fazer. Umas vezes aqui, muitas vezes por aí. Dando aqueles abraços. Dando a mão. Dando o ombro. Dando uma palavra. Outras vezes pedindo (tenho pedido muito aos meus amigos).

Daqui a pouco vou estar com algumas dessas pessoas. Quase todas, para dizer a verdade. Já cá ando há 40 anos e não me lembro quando foi a última vez que fiz uma festa de aniversário. Mas às vezes temos que sair da nossa zona de conforto. Entre as mensagens que tenho recebido hoje, muitas avisam-me de que o melhor ainda está para vir, que agora é que vai ser mesmo a valer. Portanto, se até aqui já foi assim bom e se agora ainda vai ser melhor... só posso estar optimista, não é?

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por Gata às 12:03



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