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A Gata Christie


Quinta-feira, 20.07.17

Detox (2)

De uma maneira geral, nas férias a regra é não ter regras. Deixarmo-nos ir com a onda, sem horários para comer ou para dormir, a não ser aqueles que nos determinam o corpo e o bom senso. Mas uma regra fiz questão de manter nestes dias: não havia telemóveis durante as refeições nem na praia (e isto serviu também para mim) nem no quarto. Em casa, o António deixa sempre o telefone na sala à noite, mas aqui pareceu-me que eram necessárias medidas mais drásticas. Sobretudo para impedir determinadas pessoas de acordarem a horas impróprias e correrem para o telefone. Assim, antes de irem dormir, os adolescentes desligavam os telemóveis (o mais pequeno não tem telemóvel e não levou o tablet para as férias por isso não tinha nada para desligar) e entregavam-mos. De manhã, eu devolvia-lhes os telefones em troca de bons dias sorridentes. E foi a melhor decisão que tomei. Toda a gente dormiu bem e, na verdade, eles tiveram mais do que tempo para estarem agarrados aos ecrãs. De tal forma, que nunca houve discussões sobre este assunto. Só isso já é uma vitória.

Confirma-se: sou uma chata. Com muito orgulho.

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por Gata às 01:48

Quarta-feira, 19.07.17

Detox

Foram oito dias inteiros de férias: um dia no Alentejo para ver a família e apanhar o primo, seis dias no Algarve com os três rapazes, e mais um dia no Alentejo no regresso. Naqueles seis dias, tirando alguns (poucos) telefonemas, não conversei com nenhum adulto. Não levei computador, não vi televisão (só tínhamos os canais abertos e não havia nada que me interessasse) e tentei controlar os acessos no telemóvel (embora não tenha conseguido fazer o detox completo...). Fazia-me falta. Fazia-me muita falta desligar. E como os miúdos andavam lá na sua vida, felizes e contentes (basicamente só conversavam comigo quando estávamos todos no carro ou à mesa), passei bastante tempo calada. Também me fazia falta isto. Nada de conversas desnecessárias, de blá blá blá sem interesse. Li bastante. Pensei na vida. Vi os putos a brincar nas ondas. Fiz planos para o futuro que nunca se irão concretizar. Dormi. Esqueci-me de levar a máquina fotográfica e por isso nem fotografias tenho destes dias. 

Na verdade, acho que poderia republicar o post do ano passado e estaria tudo certo. 

E o bom que isto é.

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por Gata às 15:54

Quinta-feira, 15.09.16

Desligar

Foi o nosso luxo das férias. Fomos passar duas noites à Offline House, uma casa que a Bárbara e a Rita abriram na primavera no Vale da Telha, entre Aljezur e a Arrifana*, e que é um convite a estarmos desligados das teconologias. Nos cacifos, à entrada, podemos deixar os computadores, telemóveis, i-pads. Lá dentro, só raramente se vê alguém com um destes aparelhos. Há telefone fixo e um relógio de ponteiros na parede da sala (e despertadores à moda antiga nos quartos) e é comum ouvir alguém a perguntar "que dia é hoje?". E é assim mesmo que deve ser. A ideia é que as pessoas desliguem das suas vidas, das rotinas e das preocupações sem importância que nos costumam atafulhar a cabeça, e se concentrem nesta vida boa - uma piscina, as praias ali ao lado, a sombra dos pinheiros, aulas de yoga e de surf, caminhadas, conversar com quem partilha connosco estes dias, pessoas vindas de vários cantos do mundo e que não conhecemos de lado nenhum. Há uma cozinha comunitária, uma sala e um terraço. Há silêncio a maior parte das vezes ou música boa que alguém vai pondo a tocar. Não há pressa.

Foi uma experiência muito engraçada para nós, que nunca tínhamos estado num sítio assim. Os miúdos adoraram. Tivemos sorte por haver três portugueses, muito simpáticos, com quem eles logo fizeram amizade. Digo sorte porque para eles seria mais difícil estabelecer comunicação com a espanhola ou a neo-zelandeza ou os alemães que também lá estavam. "Porque é que vocês estão sempre a falar inglês?, não é justo", queixou-se o Pedro. Não éramos muitos, era quase como quando juntamos a família para o natal. E, há que dizê-lo, a Rita e a Bárbara são óptimas profissionais, e têm esse dom de conseguir pôr-nos em casa, respeitando aqueles que querem manter a sua privacidade mas criando laços entre os que querem participar na vida da casa - nas longas conversas ao pequeno-almoço, com pão alentejano e café; nos jantares que a Bárbara cozinha avisando que não é nada de especial, mas é; nos serões que podem ter piano e jogos divertidos no sofá, mas também podem ser à volta de uma fogueira no jardim, com violas, djambés e cantorias (a meio da noite, os putos foram para a piscina, ficaram gelados mas foi uma aventura inesquecível). 

O tempo estica quando não se tem relógio. Deu para irmos ver o pôr-do-sol ao Monte Clérigo. Deu para ter uma sessão de reiki e tentar alinhar as energias (não resultou muito, mas pronto). Deu para passar um dia inteiro na piscina com um livro e, no final do dia, os miúdos foram com os amigos novos jogar à bola na praia da Arrifana enquanto eu pude desfrutar de uma fabulosa aula de yoga. Uma hora e meia a ouvir os passarinhos e a sentir o vento a passar por entre as árvores e tocar a minha pele, enquanto eu me esticava e relaxava.

Apetecia-nos ficar mais tempo, mas não havia orçamento para tal. Foi o nosso luxo das férias. Dois dias tão perto mas tão longe daqui.

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* há cinco anos que não ia para este sítio onde passei tantos mas tantos dias de felicidade ao longo de doze anos. foi bom matar saudades daquelas praias, daquele mar, daquele cheiro a pinheiros pela manhã, ir ao minimercado Roque & Filhos comprar pão, cumprimentar o dinossauro abandonado no regresso da praia, percorrer aquelas curvas agora no lugar no condutor. e sentir-me em casa. é bom voltar aos lugares onde fomos felizes quando estamos em paz connosco.

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por Gata às 21:58

Terça-feira, 13.09.16

Fomos ver estalactites

Mãe, podemos ir ver estalactites?, pediu o Pedro, há uns tempos, depois de ver umas imagens na escola. Pareceu-me uma boa ideia. Num dos primeiros dias das férias fomos até às Grutas de Mira de Aire. Chovia a cântaros quando saímos de Lisboa e nós de sandálias nos pés. Mas cheios de determinação.

Eu tinha visitado as grutas em miúda, com os meus pais, mas só guardava uma vaga ideia daquilo, de modo que ia tão entusiasmada quanto eles. As grutas são uma pequena maravilha da natureza. Porém, um pouco estragadas pelo homem, há que convir. O empreendimento turístico é feiozito e a museografia é bastante antiquada - as grutas abriram ao público em 1974 e fizeram-se coisas naquela altura que hoje nos parecem completamente desaquadas, como por exemplo aquele excesso de iluminação colorida, ou instalar repuxos lá dentro (porquê?, a beleza natural do espaço não era suficiente?), ou tentar construir um bar no meio das grutas e depois perceber que logisticamente não era viável e por isso lá estão o balcão e os bancos de cimento, como vestígios da desastrosa intervenção humana. Aliás, foi isso que mais me chocou ali: o excesso de intervenção humana. Algo que nos anos 70 devia fazer todo o sentido e que hoje felizmente já não se faz. Apesar disso, a visita causa um impacto enorme. Pela grandeza das grutas. Pela sua beleza. Por saber que estamos debaixo da terra. E lá vimos as estalactites.

No entanto, se lhes perguntarem eles dirão que o melhor da nossa ida às Grutas de Mira de Aire não foram as grutas mas o parque aquático. Assim que vi no site que o empreendimento turístico das grutas tinha um parque aquático soube que não havia como escapar. Marquei uma noite num dos bungalows - bastante simpático, por sinal - e os miúdos puderam aproveitar uma tarde e uma manhã de piscina, mergulhos e escorregadelas. O parque é pequeno e tem apenas três escorregas, o que significa que é perfeito. Eu fiquei sentada no meu cantinho a controlar tudo sem sair do lugar e eles podiam escorregar e depois subir as escadas a correr e voltar a escorregar sem filas nem confusões, num divertimento louco. 

No regresso, ainda aproveitámos para ir ver as salinas de Rio Maior, que eu não conhecia. No caminho para lá, enquanto o co-piloto António acompanhava o percurso no Google Maps, surgiu a questão: como é que é possível haver salinas tão longe do mar? E essa foi uma das coisas que aprendemos nesta visita. Estou à espera de uma ocasião especial para experimentar um pouco do sal que a simpática senhora do posto de turismo nos ofereceu depois de nos ter oferecido várias explicações.

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por Gata às 22:07

Domingo, 11.09.16

Aqui vamos nós outra vez

Os miúdos tiveram três meses inteirinhos de brincadeiras e liberdade. Eu juntei-me a eles nos últimos 24 dias (ena, ena, tantos). Foi tão bom que fica difícil escolher o que foi melhor. Os dias passados no Douro com os avós, diz o Pedro. O dia a escorregar no Aquashow com a Sónia e o resto dos amigos, diz o António. Os dias de praia com os primos, dizem os dois. As aventuras com os amigos novos da praia-campo da junta de freguesia (e crescer todos os dias um bocadinho). As brincadeiras com os vizinhos no terraço ou no condomínio da avó. Os passeios, os mergulhos em piscinas e praias várias (este ano ninguém se pode queixar da temperatura da água do mar, nem mesmo eu que sou a maior friorenta do mundo), os jogos de futebol na areia, os jogos de cartas ao serão. Foi mesmo bom, mas acabou-se. A semana que amanhã começa é uma das semanas mais complicadas de todo o ano, com o regresso ao trabalho, à escola, às actividades, com novos horários, novas exigências, ainda à procura de novas rotinas. Que estejamos sempre assim, como nesta foto, felizes e unidos. Já que o bronze, já se sabe, esse vai desaparecer aos poucos.

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por Gata às 19:34

Sexta-feira, 15.07.16

As good as it gets

Dei por mim sentada numa toalha na praia num daqueles fins de tarde absolutamente espectaculares, com o sol à temperatura certa a tocar-me na pele, sem vento, sem preocupações, com um livro na mão e as gargalhadas dos miúdos, felicíssimos, em brincadeiras dentro e fora da água. E pensei: tenho tanta sorte. Tenho mesmo. É que dificilmente poderia ser melhor do que isto. Claro que poderíamos estar num país exótico qualquer ou poderíamos ter dinheiro para ficar num hotel ou para ir todos os dias comer em restaurantes e não teria que cozinhar ou poderíamos não sei quê. Mas eu não fico a pensar no que poderia ser. O que faço é olhar para aquilo que temos e perceber como, dadas as condições actuais, isto é o melhor que poderíamos ter. Melhor até do que seria de esperar.

Tenho esta sorte de ter sítios-que-são-como-a-minha-casa no Alentejo e no Algarve. A minha família que nos recebe sempre com comidas boas e boa disposição. Aquele calor abrasador, 46º a meio da tarde, que me leva de volta aos longos verões da infância. Os putos já crescidos e que não dão assim tanto trabalho. E desta vez levámos o primo connosco para uns dias de praia e foi ainda melhor porque eles puderam brincar e conversar e passear e divertir-se todos, muito autónomos - o Pedro ainda tem de crescer um bocadinho mas estamos a chegar àquela fase em que eles já quase conseguem resolver os seus conflitos sem a minha interferência e querem estar lá no mundo deles, os mais velhos a ver as miúdas de biquini e a ter as suas conversas parvas, sem precisarem de mim para se entreterem. E, acreditem, eu consegui realmente descansar. Descansar a cabeça de tudo. Fiquei cinco dias sem ter uma conversa com um adulto, o que poderia ter sido um problema mas até isso acabou por ser bom. 

Agora é só aguentar um bocadinho até às próximas férias.

E vejam só como eles cresceram:

098.JPGMonte Clérigo, setembro de 2010 

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Praia da Luz, julho de 2016 

(sim, a blusa que o Alex tem na foto em cima é a mesma que o António tem na foto em baixo, mas na verdade ela agora até já pertence ao Pedro. adoro estes pormenores)

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por Gata às 11:10

Sábado, 02.07.16

Por estes dias

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 do Baby Blues

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por Gata às 23:44

Quarta-feira, 04.05.16

Outra vida

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Encontrei estas fotos fora do álbum. Dois rolos a preto e branco de há 13 anos, quando eu ainda tinha uma máquina com rolo e achava que a vida a preto e branco ficava muito mais cool. E ficava. Íamos para praias quase desertas. Podia ser ainda o início da primavera e nem sequer vestia o bíquini. O Occhi, que era o cão de um amigo, assim chamado em homenagem ao surfista Mark Occhilupo, ficava na praia, tal como nós, as miúdas, a olhar para o mar. Com sorte, havia uma esplanada. Ou então não, era o mais provável. Ouvíamos Red Hot Chilli Peppers e comíamos pão com chouriço, embrulhados em casacos, a ver o pôr-do-sol na Praia Pequena. E podia ser assim todos os fins-de-semana. Na foto do meio já era verão e estava grávida de poucas semanas. Pouco depois, o Occhi morreu.

Quantas vidas cabem numa vida?

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por Gata às 09:41

Terça-feira, 26.04.16

Sonhar não paga impostos

Esta é aquela altura do ano em temos de pagar o IMI e o seguro do carro. Não vamos pensar muito nisso. Esta é aquela altura do ano em que o nosso calendário familiar, que está pendurado na porta do frigorífico, vai já até agosto e à palavrinha mágica: férias. É aquela altura do ano em que olhamos para os dias que aí vêm e vemos muitos testes e muitos trabalhos para entregar, mas também vemos feriados, festas de aniversário, semanas de praia, semanas de campo, torneios de futebol e dias de sol que iremos aproveitar o melhor que soubermos. É aquela altura em que, mesmo sem termos dinheiro para nada, começamos a sonhar com todas as coisas que gostaríamos de fazer e todos os locais que gostaríamos de visitar. Se não for este ano é no próximo. Ou no outro. Isso é certo. Temos um mealheiro que tarda em ficar cheio e temos um objectivo mais ou menos realista a cumprir: uma pequena viagem daqui a dois anos, quando o Pedro terminar o 4º ano, ainda não sabemos muito bem aonde. Eu gostaria que fosse a Londres mas os putos não estão convencidos, parece que preferiam algo com montanhas-russas e assim. Olhar para um calendário e sonhar também é uma maneira de sermos felizes.

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por Gata às 17:19

Segunda-feira, 28.03.16

Da páscoa

Tinha pensado aproveitar a semana para fazer imensos programas culturais mas depois acabámos por nos deixar levar pelos dias. Acordar tarde. Jogos de futebol. Trabalhos de casa. Televisão. Playstation. Andar de skate. Deitar tarde. Ronha, muita ronha. Os primos vieram fazer-nos companhia e, por uns dias, fomos uma família numerosa e foi cansativo mas muito bom. Os crescidos foram ver o Batman vs. Super Homem e eu fui com os pequenos ver o Zootropolis. Fizemos uma caça aos ovos dentro de casa, jogámos juntos ao stop, fomos passar uma tarde "ao campo" com amigos, cantámos no carro as músicas dos Xutos. Os crescidos viram o Top Gun e deram risinhos envergonhados por causa das cenas românticas enquanto, no quarto, os pequenos brincavam com legos. Esta tia descobriu como é difícil pentear os cabelos compridos da sua sobrinha e deliciou-se com os seus desenhos dos animais mais variados e as histórias sobre little póneis, unicórnios e outros seres maravilhosos que povoam a sua imaginação. Tinha pensado aproveitar a semana para fazer imensos programas culturais mas acabou por ser apenas isto. Uma semana de férias à antiga. E é uma pena que já tenha acabado.

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por Gata às 22:18



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