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A Gata Christie


Sexta-feira, 10.11.17

Gente da minha terra

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Se por acaso forem para aqueles lados vão ver as fotos do meu pai e pode ser que também me vejam por lá a preto e branco.

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por Gata às 19:46

Sexta-feira, 20.10.17

A minha bolha

Ando a ler A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, do Agualusa. Tão bom.

Fiz marmelada.

Apesar de algumas atribulações iniciais com a lã, que me obrigaram a começar tudo de novo, estou finalmente a trabalhar num novo projecto de tricot.

Os miúdos já começaram a pensar nas prendas de natal, o Pedro está entusiasmado com a festa das bruxas e o António, imagine-se, até já anda a fazer planos para o aniversário que é só em fevereiro.

Hoje a minha a mãe, também conhecida como avó Mariana, faz 70 anos.

Já perdi uma hora a ver fotografias antigas à procura de uma foto nossa. Adoro fotografias antigas.

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Outubro é o mês-casa, aquele mês em que olhamos para trás e olhamos para nós. 

(Os trabalhos de casa, a correria dos dias, as discussões permanentes, os corruptos que se abotoam com milhões à nossa conta, o jornalismo moribundo, o país queimado, as mortes horríveis, a politiquice da treta, a falência da Europa, as guerras por esse mundo fora. Não é fácil, mas se pararmos um pouco e olharmos com atenção, lá está ela, a felicidade nas coisas pequenas. Aquela que nos permite respirar e resistir. Não é alheamento, é sobrevivência.)

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por Gata às 09:19

Quarta-feira, 02.11.16

Na serra

Fizemos gazeta na segunda-feira, fabricámos um fim-de-semana prolongado e aproveitámos para fazer duas das coisas melhores do mundo: estar com as nossas pessoas e passear. Fomos ao Piódão.

Nós somos pessoas da planície, das estradas a direito e sem fim à vista e, às vezes, substituímos a planície pelo mar mas é mais ou menos a mesma sensação de infinito (e de liberdade). Nas minhas incursões à serra, por mais bonita que seja a paisagem, sinto-me sempre um bocadinho estranha, como se sofresse de claustrofobia. Não é só a dificuldade de conduzir naquelas curvas e contra-curvas, muito concentrada na linha tracejada que assinala o meio do caminho, a tentar afastar pensamentos maus, ai e se agora derrapo lá vou eu pela montanha abaixo. É mesmo aquela sensação de estar no fim do mundo e pensar mas como é que as pessoas moram aqui uma vida inteira e fazem o quê para se entreter e se agora precisasse de ir para o hospital como é que eu fazia? E olhem que eu não sou uma pessoa geralmente dada a estes pensamentos trágicos, acho sempre que vai correr tudo bem. Mas é isto que a serra me faz. De maneiras que fomos ao Piódão, que fica lá longe, e a paisagem é bonita e a aldeia também mas por algum motivo aquilo não me encheu as medidas. Quer fosse pelas curvas, quer fosse pelas portas de alumínio nas casas de xisto ou pelas lojas de recordações industrializadas como aquelas pantufas-dos-chineses-mas-a-fingir-que-são-da-serra.

Mas mesmo sem ter sido uma experiência avassaladora, foi muito bom. Porque passear é bom. Para os miudos, bastam duas noites num hotel e uma piscina e já ficam felizes. Juntemos a isto a companhia dos tios e dos primos, muitas brincadeiras e gargalhadas. E, depois, sim, é claro, a beleza do lugar é inegável. O silêncio da serra faz-nos bem. Andámos muito a pé por caminhos de terra a ver as árvores e a mexer nas pedras, a ouvir os passarinhos, a apanhar paus, a correr pelo campo e a aproveitar o sol na cara (esteve um tempo maravilhoso, tivemos imensa sorte), e, sim, foi muito fixe fazermos isto todos juntos, conhecer um sítio que não conhecíamos, aprender coisas novas, comer comidas diferentes (a broa de batata está aprovadíssima), desfrutar de paisagens que não são as nossas. No fim de contas, acho sempre que ganhamos algo quando saímos de casa. De tal maneira que já estamos a pensar quando é que podemos fazer a próxima escapadela, não é, mana?

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por Gata às 18:49

Sexta-feira, 09.09.16

70

76-77.jpgParabéns, pai. 

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por Gata às 22:28

Sexta-feira, 15.07.16

As good as it gets

Dei por mim sentada numa toalha na praia num daqueles fins de tarde absolutamente espectaculares, com o sol à temperatura certa a tocar-me na pele, sem vento, sem preocupações, com um livro na mão e as gargalhadas dos miúdos, felicíssimos, em brincadeiras dentro e fora da água. E pensei: tenho tanta sorte. Tenho mesmo. É que dificilmente poderia ser melhor do que isto. Claro que poderíamos estar num país exótico qualquer ou poderíamos ter dinheiro para ficar num hotel ou para ir todos os dias comer em restaurantes e não teria que cozinhar ou poderíamos não sei quê. Mas eu não fico a pensar no que poderia ser. O que faço é olhar para aquilo que temos e perceber como, dadas as condições actuais, isto é o melhor que poderíamos ter. Melhor até do que seria de esperar.

Tenho esta sorte de ter sítios-que-são-como-a-minha-casa no Alentejo e no Algarve. A minha família que nos recebe sempre com comidas boas e boa disposição. Aquele calor abrasador, 46º a meio da tarde, que me leva de volta aos longos verões da infância. Os putos já crescidos e que não dão assim tanto trabalho. E desta vez levámos o primo connosco para uns dias de praia e foi ainda melhor porque eles puderam brincar e conversar e passear e divertir-se todos, muito autónomos - o Pedro ainda tem de crescer um bocadinho mas estamos a chegar àquela fase em que eles já quase conseguem resolver os seus conflitos sem a minha interferência e querem estar lá no mundo deles, os mais velhos a ver as miúdas de biquini e a ter as suas conversas parvas, sem precisarem de mim para se entreterem. E, acreditem, eu consegui realmente descansar. Descansar a cabeça de tudo. Fiquei cinco dias sem ter uma conversa com um adulto, o que poderia ter sido um problema mas até isso acabou por ser bom. 

Agora é só aguentar um bocadinho até às próximas férias.

E vejam só como eles cresceram:

098.JPGMonte Clérigo, setembro de 2010 

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Praia da Luz, julho de 2016 

(sim, a blusa que o Alex tem na foto em cima é a mesma que o António tem na foto em baixo, mas na verdade ela agora até já pertence ao Pedro. adoro estes pormenores)

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por Gata às 11:10

Segunda-feira, 28.03.16

Da páscoa

Tinha pensado aproveitar a semana para fazer imensos programas culturais mas depois acabámos por nos deixar levar pelos dias. Acordar tarde. Jogos de futebol. Trabalhos de casa. Televisão. Playstation. Andar de skate. Deitar tarde. Ronha, muita ronha. Os primos vieram fazer-nos companhia e, por uns dias, fomos uma família numerosa e foi cansativo mas muito bom. Os crescidos foram ver o Batman vs. Super Homem e eu fui com os pequenos ver o Zootropolis. Fizemos uma caça aos ovos dentro de casa, jogámos juntos ao stop, fomos passar uma tarde "ao campo" com amigos, cantámos no carro as músicas dos Xutos. Os crescidos viram o Top Gun e deram risinhos envergonhados por causa das cenas românticas enquanto, no quarto, os pequenos brincavam com legos. Esta tia descobriu como é difícil pentear os cabelos compridos da sua sobrinha e deliciou-se com os seus desenhos dos animais mais variados e as histórias sobre little póneis, unicórnios e outros seres maravilhosos que povoam a sua imaginação. Tinha pensado aproveitar a semana para fazer imensos programas culturais mas acabou por ser apenas isto. Uma semana de férias à antiga. E é uma pena que já tenha acabado.

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por Gata às 22:18

Terça-feira, 07.07.15

A vida é boa (havia dúvidas?)

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por Gata às 23:37

Quinta-feira, 25.12.14

Moving on

Neste natal sobrevivi a uma aula de zumba. O António foi "sair" pela primeira vez, para jantar com o primo e os amigos. O Pedro passou o tempo a ler todas as palavras de todos os rótulos que lhe passaram pela frente. Os putos adoraram as prendas e houve até momentos muito emocionantes. Eu comi até quase rebentar. E ganhei uma prenda que foi mesmo uma grande surpresa. Estávamos todos felizes. Foi um dos melhores natais sempre, acho.

O natal acabou às 13:38. Para o ano há mais.

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por Gata às 14:50

Sexta-feira, 07.11.14

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (4)

IMG_00723.JPGDSC_2691.JPGGosto muito destas fotografias, gosto de cada uma delas em separado e acho que ficam bem assim juntas. Unidas por uma mão na anca. 

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por Gata às 09:20

Sexta-feira, 31.10.14

Já cá ando há 40 anos

Já cá ando há 40 anos.

Tenhos dois filhos.

Apaixonei-me algumas vezes. E desapaixonei-me outras tantas.

Casei-me e divorciei-me.

Tenho asma crónica.

Sou jornalista. E gosto muito (apesar de haver dias que).

Tenho saudades dos meus avós.

Gosto de comer e nunca vou ser magra.

Há dias em que sinto que não vou ser capaz, há outros dias em que me sinto a super-mulher, mas nisto, como em tudo o resto, aliás, acho que sou muito parecida com todas as outras pessoas.

Tenho medo de morrer.

Choro muito, com os filmes e com a vida.

Mas, de uma maneira geral, sou feliz.

Fazer um balanço?

Já cá ando há 40 anos. Não me arrependo assim de grandes coisas. Quero dizer. Há coisas que acho que podia ter feito melhor. Ou situações em que podia ter arriscado mais. Tenho pena de não ter dado mais atenção a algumas pessoas e depois já ser tarde de mais. Há coisas que fiz que foram, afinal, desnecessárias. Ou que podia ter evitado. Mas acho que nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente. E não há assim nada de grave de que me arrependa mesmo. Olho para trás e tenho a consciência tranquila. Tudo o que fiz e disse estava de acordo com o que sentia em cada momento, com o que me pareceu importante naquela dada altura. Se o fiz, se o disse, estava a ser honesta. Comigo e com os outros. E isso é algo de que me orgulho mesmo. De não ser falsa. De não mentir. De não fazer jogos. De não ter esqueletos no armário. De acreditar que mais vale mostrar-me como sou, com todos as minhas falhas, do que estar a construir uma personagem que, mais cedo ou mais tarde, será desmascarada. Nunca tive grande paciência para me preocupar com o que os outros pensam de mim, e já várias vezes fui prejudicada por isso. Ah, porque rio muito e muito alto. Ah, porque digo o que acho. Ah, porque protesto quando acho que as coisas estão mal. Ah, porque sou muito emotiva. Ah, porque sou uma gaja complicada e que muda de ideias e que às vezes não sabem bem o que quer. Ah, porque falo muito. Ah, porque devia ser mais discreta. Pois. Sou assim mesmo. E às vezes faço umas figuras tristes, pois faço, porque me exponho demasiado. Porque odeio situações indefinidas e preciso sempre esclarecer tudo na minha cabeça, custe o que custar. Mas continuo a achar que é melhor assim. Mesmo que os outros me mintam - e mentem-me, frequentemente. Mesmo quando descubro essas mentiras e isso me entristece, sobretudo quando vêm de pessoas de que gosto (gostava) muito. Mesmo quando me desiludo - e desiludo-me muitas vezes - ao descobrir que a honestidade não só não é compreendida como não tem reciprocidade. Mesmo assim. Depois há as outras vezes e há outras pessoas que me provam que vale a pena. Que quando somos exactamente aquilo que somos, as pessoas que ficam connosco são exactamente aquelas de que precisamos, as que gostam de nós sem condições e sem falsidades. As nossas pessoas.

Já cá ando há 40 anos e tenho dois filhos que são o meu maior tesouro (mesmo quando são umas pestes). Que despertam o melhor e o pior de mim. Que me fazem ter medos inconfessáveis. E me dão forças que nem eu sabia que tinha. E tenho a minha família fantástica (pai, mãe, irmã, cunhado) que são o meu porto de abrigo. No meu Alentejo, claro. E tenho os meus amigos, os meus amigos do peito, uns que já estão comigo há mais de 20 anos, outros mais recentes, que não vou enumerar mas vocês sabem que são, não sabem? Se há coisa que aprendi nestes últimos anos foi a importância de dizer às pessoas de quem gostamos o quanto gostamos delas, mostrar-lhes o quanto são importante para nós. E tenho-me esforçado para o fazer. Umas vezes aqui, muitas vezes por aí. Dando aqueles abraços. Dando a mão. Dando o ombro. Dando uma palavra. Outras vezes pedindo (tenho pedido muito aos meus amigos).

Daqui a pouco vou estar com algumas dessas pessoas. Quase todas, para dizer a verdade. Já cá ando há 40 anos e não me lembro quando foi a última vez que fiz uma festa de aniversário. Mas às vezes temos que sair da nossa zona de conforto. Entre as mensagens que tenho recebido hoje, muitas avisam-me de que o melhor ainda está para vir, que agora é que vai ser mesmo a valer. Portanto, se até aqui já foi assim bom e se agora ainda vai ser melhor... só posso estar optimista, não é?

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por Gata às 12:03



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