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A Gata Christie


Domingo, 28.05.17

Sem mais nem menos

 

Os Trovante foram o primeiro grupo que vi ao vivo, um concerto ao ar livre numas férias em família, em Lagos, era eu uma miúda. Com os anos fomos todos ficando fartos daquele "tu tu ru ru ru" mas esta versão de 125 Azul é, na verdade, bastante audível - eu tirava ali uns gritos da Lúcia Moniz e aquele olhar profundo do João Gil também era perfeitamente dispensável, mas pronto. O Carlão é o maior e tem uma voz do caraças. E, além disso, está a envelhecer como todos nós, está a engordar e até já tem duplo queixo. 

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por Gata às 14:54

Quinta-feira, 18.05.17

Black Hole Sun

Eu não sou do grunge. No tempo em que toda a gente ouvia a música de Seattle eu ouvia os Beatles e o Elvis Preley e os Beach Boys e mesmo quando comecei a ouvir outras músicas, mais do meu tempo, do Chico Buarque aos Pixies, do Tom Waits aos The Cure, do Nick Cave aos Depeche Mode, do Prince ao Caetano Veloso, nunca parei muito naquele rock mais pesado. Eu do grunge gostava das coisas mais calminhas, das baladas, dos unplugged, dos cabelos compridos (ah, dos cabelos compridos eu até gostava, e o Cornell e o Eddie Veder eram uns belos rapazes, pois eram) e das camisas de xadrez. Até posso admitir que gostava de umas quantas músicas dos Nirvana ou dos Soundgarden ou dos Pearl Jam, mas de uma maneira geral não, eu não sou do grunge, tal como não sou do metal nem do punk nem do rock. Dito isto, queria ter tantas notas de 20 euros quantas as vezes que ouvi e cantei nestes mais de vinte anos este Black Hole Sun.

Não faço ideia do que se passou na vida e na cabeça do Chris Cornell para, aos 52 anos, se enforcar na casa de banho de um hotel em Detroit, a meio de uma digressão, mas tenho imensa pena que alguém termine a sua vida assim e não consiga encontrar forças para continuar. Imagino que seja necessário uma pessoa estar mesmo a sentir-se num poço sem fundo.

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por Gata às 23:34

Quinta-feira, 23.03.17

A caminho

They're heading west. Música que nos faz bem. Ouçam mais aqui.

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por Gata às 23:05

Quinta-feira, 23.02.17

Para José Afonso

Acho que nunca o tinha visto a ler um artigo inteiro de jornal assim com tanto interesse (acho que nunca o tinha visto a ler um artigo de jornal que não fosse sobre futebol). Leu as quatro páginas e depois guardou o jornal na mochila para levar e mostrar aos amigos. Era uma entrevista a Piruka publicada no jornal i, um rapper que entrou nas nossas vidas há umas duas semanas, não mais. Digo nossas porque a voz de Piruka ouve-se cá em casa a toda a hora. Em altos gritos, na coluna ligada sem fios ao telemóvel. E quando não é a voz dele são dele as palavras cantadas pelo meu filho. A toda a hora. Duas semanas nisto e até eu já sei alguns refrões de cor. Já tinha pensado que devia ir investigar quem é este Piruka mas ainda não tinha tido tempo (têm sido dias complicados, o costume) quando hoje vi a cara dele no jornal e pensei logo que iria fazer um adolescente feliz ("és a minha mamã, o meu talismã", ou algo que o valha, canta-me o António/Piruka quando está de bom humor comigo). Parece que este Piruka de que eu nunca tinha ouvido falar é, afinal, um sucesso do youtube há já algum tempo. Lembrei-me de uma conversa que tive na semana passada com o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, a propósito de José Afonso, da música de intervenção e do rap, de que ele é um improvável especialista e fã. Quando lhe perguntei porque é que a música de muitos dos rappers portugueses não chega ao grande público, respondeu-me: "Estão à margem da sociedade oficial mas estão no centro da sociedade marginal". É uma frase brutal. Penso nisto enquanto ouço as músicas do Piruka e vejo aqueles vídeos onde os putos aparecem todos meio ganzados, com dedos espetados, a falar de coisas que nem sei muito bem o que são. Eu até gosto de (algum) rap mas. Acho que isto é um sintoma do chamado generation gap

Jose Afonso, Sergio e Octavio no Coliseu.0.jpg

Passam hoje 30 anos sobre a morte de José Afonso. Eu acho que um dia os meus filhos vão gostar de Zeca. Porque não? Eu quando tinha 12 anos também não achava grande graça àquelas cassetes do meu pai e agora posso ficar horas no youtube a viajar pelas músicas e a deliciar-me com as coisas extraordinárias que encontro. Como estas: 

"De não saber o que me espera"

 

"Já o tempo se habitua"

 

"Como se faz um canalha"

 

"Era de noite e levaram"

 

"O país vai de carrinho"

 

"Viva o poder popular"

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por Gata às 01:57

Terça-feira, 14.02.17

Dez beijos no dia dos namorados

o_beijo_do_hotel_de_ville_paris_1950_robert_doisne

Porque hoje é dia dos namorados, porque estou de folga e porque me apeteceu. Aqui está o beijo fotografado por Robert Doisneau em Paris, 1950 (sim, cliché, cliché do melhor que há). E a seguir vêm dez músicas sobre beijos. Muito diferentes porque os beijos também não são todos iguais. A ordem é completamente aleatória, eu gosto delas todas. Divirtam-se.

1. Marisa Monte, uma das vozes mais bonitas, numa canção linda, linda, Beija Eu:

 

2. Morrisey, Let Me Kiss You:

 

3. A eterna Billie Holiday, Say It With a Kiss:

 

4. Uma descoberta recente, Angel Olsen, aqui cantando Shut Up Kiss Me:

 

5. Esta não é bem uma canção, mas não podia ficar de fora. Leonard Cohen, A Thousand Kisses Deep:

 

6. Elvis Presley cantava assim Kiss Me Quick:

 

7. Para nos divertimos um pouco, aqui está a Cher a cantar It's his Kiss:

 

8. Não é muito romântica mas é uma das minhas preferidas. Violent Femmes, Kiss Off:

 

9. Um beijo bem teenager com os Beach Boys, And Then I Kissed Her:

 

10. A última não está no Youtube, mas já está no Spotify, por isso podem procurar por lá o maravilhoso Kiss de Prince.

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por Gata às 11:12

Sexta-feira, 20.01.17

Enfrentar o frio

Tem estado um bocadinho de frio, é verdade, mas, guess what?, estamos no inverno. A mim preocupa-me mais eu ter estado no natal a passear no alentejo sem precisar de um casaco ou até o facto de praticamente não ter chovido nesta estação (diz que lá para quinta-feira talvez chova mas nunca se sabe). Se puderem, agasalhem-se como deve ser, com botas, camisolas, casacos, cachecóis, luvas, gorros, tudo a que têm direito, e depois vão para a rua e aproveitem o sol. Isto, claro, se não estiverem a trabalhar este fim-de-semana, como eu.

Três sugestões:

1. A Noite da Iguana é a última peça do ciclo que os Artistas Unidos dedicam a Tennessee Williams. Eu sou suspeita porque gosto muito do Tennessee Williams mas acho que este texto é mesmo bom. O espetáculo é encenado por Jorge Silva Melo e tem ali alguns pormenores que me desagradam (o ruído provocado pela galeria de personagens secundárias reduzidas a caricaturas é bastante perturbador em alguns momentos) mas depois ganha-nos nas cenas mais íntimas interpretadas por um trio de luxo: Nuno Lopes, Maria João Luís e Joana Bárcia (reparem na Joana, como ela encontra o tom certo para a sua Hannah).

iguana.JPG

Esta fotografia é de Leonardo Negrão/ Global Imagens. E a Iguana está no Teatro São Luiz, em Lisboa, até 5 de fevereiro.

2. Quando o Paulo Barata, um querido ex-colega, me falou há já uns tempos da sua paixão pelos letreiros antigos e da colecção que estava a construir com a sua mulher, Rita Múrias, eu nunca imaginei que eles conseguissem mesmo fazer uma exposição como esta, Cidade Gráfica, que pode ser visitada até 18 de março no Convento da Trindade, no Chiado. A exposição foi montada em parceria com o Mude - Museu do Design e faz-nos recuar no tempo e passear por uma Lisboa que já não existe, cheia de néons e letreiros luminosos a indicarem-nos alfaiates, telefones públicos e outras raridades (até jornais...). Uma pequena delícia. A entrada é livre, aproveitem.

3. É uma marcha das mulheres mas é também uma marcha de quem quiser ir lá marchar e mostrar a sua preocupação em relação a um período que se adivinha negro para os direitos humanos. Nos EUA mas não só. Pelo que andei a ler da organização portuguesa, será uma marcha contra tudo o que achamos que está mal, desde a precariedade salarial ao neo-fascismo, para lembrar alguns políticos que o aquecimento global não é uma invenção e que os refugiados são um problema de todos. Imagino que será uma salganhada mas ainda assim não posso deixar de simpatizar com uma causa que tem como slogan #don'tbetrump ou #nãosejastrump. E já que não podemos fazer mais nada ao menos vamos para a rua gritar. As manifestações acontecem sábado, em muitos locais do mundo. Em Lisboa, a concentração é em frente da Embaixada dos Estados Unidos da América às 15.00. 

A propósito: uma música nova para aquecer, para dançar e para protestar, tudo ao mesmo tempo:

Arcade Fire, I Give You Power

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por Gata às 23:32

Quarta-feira, 28.12.16

George Michael (1953-2016)

Calhou estar na noite de natal em casa de uma amiga, ela ter recebido um gira-discos de presente e nós estarmos naquele momento a explorar os discos de vinil da nossa juventude. Calhou ela ter, ali, o Last Christmas e o Careless Whisper em 45 rotações e, de repente, sabermos que George Michael tinha morrido e ficarmos todos meio nostálgicos. A lembrarmo-nos. Aos 10 anos, dançávamos assim, aos saltinhos, a agitar os braços, muito leves, muito felizes. Mesmo crescida, sempre gostei mais do George Michael que se dançava do que daquele que sofria em melosas baladas românticas. Não posso dizer que tenha sido um músico assim muito importante para mim mas admito que, muito por causa do trabalho mas não só, tenho ouvido as suas canções nos últimos dias e é verdade que as conheço quase todas e até sei cantar os refrões. Acho mesmo que é preciso ter crescido nos anos 80 para entender isto. 

Wake Me Up Before You Go Go (1984)

I Want Your Sex (1987)

Faith (1987)

Too Funky (1992)

Outside (1998)

 

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por Gata às 08:35

Sábado, 24.12.16

Samba para o dia de hoje

Véspera de Natal, por Adoniran Barbosa 

"Eu me lembro muito bem
Foi numa véspera de natal
Cheguei em casa
Encontrei minha nega zangada, a criançada chorando,
Mesa vazia, não tinha nada.

Saí, fui comprar bala mistura,
Comprei também um pãozinho de mel
E cumprindo a minha jura,
Me fantasiei de papai noel

Falei com minha nega de lado
Eu vou subir no telhado
E descer na chaminé
Enquanto isso você
Pega a criançada e ensaia o dingo-bel

Ai meu deus que sacrifício
O orifício da chaminé era pequeno
Pra me tirar de lá
Foi preciso chamar
Os bombeiros"

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por Gata às 00:43

Quarta-feira, 07.12.16

Porque amanhã é feriado

Isto é bem bonito. Labirinto ou Não foi Nada (poema de David Mourão Ferreira sobre o Fado Vianinha, de Francisco Viana) é o primeiro single do novo disco de Gisela João, Nua. O videclipe foi realizado por André Tentugal e é protagonizado por Fernando Santos/ Deborah Cristal.

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por Gata às 22:05

Sábado, 03.12.16

"Para ser rainha nunca foi preciso rei"

Saímos da aula de bateria do Pedro já depois das sete e meia. Carregados de mochilas. Caminhámos uns dez minutos debaixo daquela chuvinha até casa. A última coisa que nos apetecia era voltar a sair. Já imaginávamos a nossa noite de sexta-feira passada no sofá, em frente da televisão, enroscados nas mantas. Mas... sabem, eu queria muito ir ver a Capicua. Eu nunca a tinha visto ao vivo e tinha passado o último mês a controlar a ocupação da sala no ticketline ao mesmo tempo que tentava convencer uma amiga a fazer-nos companhia, até que, à última hora, tinha conseguido uns bilhetes à borla mesmo irresistíveis, como é que eu poderia não ir? Vá lá, miúdos, façam isto pela mãe. Eles fizeram. E ainda bem. Foi mesmo bom. A nossa felicidade pode ser ver a felicidade de alguém, em cima do palco, a cantar uma música dedicada às mulheres que se levantam cedo para trabalhar ou outra para as mulheres que são maltratadas pelos homens, a dizer que "para ser rainha nunca foi preciso rei", a lembrar o 25 de abril e a cantar em rap as palavras de Sophia de Mello Breyner ("como casa limpa, como chão varrido, como porta aberta") e Sérgio Godinho ("só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, a habitação, saúde, educação"). Os miúdos, claro, pediam a Maria Capaz e Vayorken, que também chegaram, mais para o fim, quando já estávamos todos de pé e a fazer "muito barulho". Não sei muito bem o que é que eles perceberam de tudo o que foi dito mas sei que vê-la ali, tão feliz e genuína, com a sua blusa de bolinhas e folhos, a ser exactamente aquilo que quer ser, sem ligar a estereótipos parvos, e ouvir o que ela nos tem a dizer em forma de poemas ao mesmo tempo duros e belos, é uma grande lição. Para eles e para mim.

Capicua, Medo

e A Mulher do Cacilheiro.

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por Gata às 13:31



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