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A Gata Christie


Quinta-feira, 08.02.18

Filhos com pouca "punkada"

Só hoje - terminada a primeira ronda de testes (tem sido muito duro) - tivemos, finalmente, tempo para começar a explorar o livro A História do Rock para pais fanáticos e filhos com punkada, de Rita Nabais (texto) e Joana Raimundo (ilustrações). Expliquei-lhes o conceito, vimos algumas páginas e depois deixei-os escolher os músicos sobre os quais queriam saber mais. O Pedro escolheu Guns n'Roses, porque os reconheceu imediatamente na capa. O António elegeu Nirvana e Arctic Monkeys, nomes que lhe eram familiares. Lemos os textos, procurámos vídeos no youtube, ouvimos algumas músicas. Depois eles fartaram-se e começaram a pedir outras músicas, daquelas horrorosas que costumam ouvir, e tive que acabar com a brincadeira e mandá-los para cama. 

É incrível a forma como os miúdos resistem às coisas novas. Começam a dizer que não gostam antes sequer de ter ouvido, da mesma forma que sempre que proponho um passeio qualquer eles dizem logo que é uma seca antes mesmo de perceberem onde é que vamos. Faz parte da adolescência, imagino, esta recusa de tudo o que venha dos pais. Dos cotas só pode vir aborrecimento, não é? Tenho portanto aqui muito trabalhinho pela frente para tentar abrir os ouvidos desta malta (e reparem que estou a falar de pô-los a ouvir pop, rock, coisas assim mesmo banais, nem é como se lhes tivesse a mostrar Rachmaninoff) mas não pode ser de uma maneira impositiva. Como tudo o resto, é ir colocando as sementes e esperar que, mais tarde ou mais cedo, floresça dali alguma coisa. 

Entretanto, se quiserem saber mais sobre este livro, no sábado haverá uma apresentação em Lisboa: será às 22.00 no Musicbox (Cais do Sodré), com a participação do Nuno Markl, e a seguir há música para dançar. 

O Iggy Pop viu a sua caricatura e achou-a "cool".

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por Gata às 21:54

Quinta-feira, 08.02.18

Respirar

1. Fui almoçar ao Mezze, o restaurante de comida do médio Oriente no Mercado de Arroios que abriu em setembro do ano passado e que tem também como missão fomentar a integração de refugiados sírios. Tenho acompanhado o projecto nas redes sociais mas ainda não tinha tido oportunidade de lá ir. Aconselho mesmo. Boa comida, boa onda. Não vos consigo dizer o que comi (e também não tirei fotos) mas era tudo bom e em quantidade mais do que suficiente. Não é propriamente barato (paguei 17 euros) mas vale a pena a experiência. Fiquei com vontade de voltar e experimentar outros pratos.

2. Fui ao cinema. Tenho visto muitos filmes no computador, admito, mas esta é sempre uma solução de recurso. Nada se compara a ver um filme no grande ecrã. Gosto mesmo de ir ao cinema, mesmo que seja numa matiné às duas da tarde, numa sala quase vazia, só com meia dúzia de velhotas. Fui ver o Phantom Thread/ Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson, com Daniel Day-Lewis e Vicky Krieps. É a história de um estilista muito conceituado, requisitado pela senhoras da alta sociedade, na Londres na década de 1950. E de como a jovem Alma consegue penetrar nesse seu mundo cheio de regras e de rotinas. É um filme muito bonito. Muito bem realizado. Muito bem interpretado. Com uma música obsessiva de Johny Greenwood. Cheio de mistérios e de vestidos lindos. É também um filme sobre aparências. E sobre o amor (parece que andamos sempre a falar do mesmo). E de como o amor nem sempre é como nós achamos que devia ser.

 3. A música de Sufjan Stevens. A música que ele fez para Call Me By Your Name e as outras, algumas que eu já conhecia e outras que não conhecia. Tem sido a minha banda sonora nos últimos dias.

Ainda não fui ver o mar. Mas um dia de folga a meio da semana, com isto tudo e ainda a passear sozinha ao sol pelas ruas de Lisboa, em silêncio, pode ser suficiente para recuperar a energia. Respirar. Para não sufocar.

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por Gata às 11:23

Segunda-feira, 22.01.18

Actores

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Tudo começa com o casting. O mesmo texto dito por actores diferentes, com emoções diferentes, transforma-se num outro texto. Esse é um dos (super) poderes dos actores. Mas há mais. O de viverem vidas que não são a sua. E mortes também. E de nos mostrarem sentimentos que de outra forma desconheceríamos. O de improvisar. O de fazer o mesmo, todas as noites, sempre igual e sempre diferente. O de rir quando é para rir. E de chorar quando é para chorar. O de mudar de personagem como quem muda de camisa, de manhã, à tarde e à noite, uma pessoa diferente a cada hora, com um outro passado, uma maneira de andar, uma voz, uma intenção. Os actores são atletas emocionais, diz-se a certa altura. E, tal como os outros atletas, têm de treinar uma e outra vez, para se apresentarem em forma no momento da competição. Dando a ilusão que é fácil numa ginástica de que, tantas vezes, nos esquecemos (se eles forem bons, diria, se eles forem mesmo bons, não nos mostram o seu verdadeiro eu, não nos deixam perceber o que por ali vai, as dores que sentem no corpo e na alma, as suas dores tão bem escondidas que às vezes até eles próprios as esquecem).

Os actores têm ainda mais um poder que eu - pessoa que só obrigada se coloca perante uma audiência e, ainda assim, com suores frios, dores de barriga e voz tremida - admiro imenso, que é essa capacidade de darem o corpo às balas, de se exporem perante o público, seja uma sala esgotada ou uma plateia vazia, sem medo do ridículo, sabendo que estarão permanentemente a ser julgados. E ainda bem que o fazem porque só assim podem tocar os que estão sentados no escuro, mesmo à sua frente.

É de tudo isto que fala Actores, o espectáculo absolutamente fantástico que Marco Martins criou (e encena e realiza e interpreta) com os actores Nuno Lopes, Bruno Nogueira, Miguel Guilherme, Rita Cabaço, Luísa Cruz e Carolina Amaral.

Não é para termos pena deles. É para os admirarmos (ainda mais). 

Um espectáculo com tudo no sítio - os excertos escolhidos dos espectáculos em que estes actores participaram, os enquadramentos da câmara, os momentos de riso e os momentos mais sérios, a voz do encenador que interrompe (mesmo) quando acha que é necessário repetir, as histórias que são ou não verdadeiras e tanto faz, as interpretações dos actores que fazem de actores. E, quando achávamos que já nada nos poderia surpreender, aquele final. 

Esta música. E nós, deleitados, a vê-los.

 

"Everybody's gotta live
And everybody's gunna die
Everybody's gotta live
I think you know the reason why"

Love, Everybody's Gotta Live

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por Gata às 21:21

Segunda-feira, 01.01.18

2017 a modos que assim

Tenho dificuldade em fazer um balanço de 2017. Foi um ano tépido. Sem muito que se lhe diga. Sem viagens inesquecíveis. Sem paixões arrebatadoras. Sem mudanças drásticas nas nossas vidas. Foi um ano de altos e baixos, como todos, cheio de momentos bons e de momentos maus e de momentos que são apenas a vidinha a arrastar-nos para a frente. Repito-me, eu sei, mas é a verdade. Valha-nos a felicidade nas coisas pequenas. O sorriso dos putos cada vez mais crescidos. O cheiro de um bolo no forno. O colo das minhas pessoas. Olhar o mar. A alegria de voltar a casa, no Alentejo. Os livros, os filmes, as músicas e toda a arte que nos enriquece. Os amigos, até mesmo aqueles que quase não vejo mas que estão sempre presentes. O amor que pomos nos pequenos gestos. O ano termina e fico feliz com a certeza de que estou a fazer o melhor que posso, o que acho mais correcto, aquilo em que acredito - na minha vida pessoal, profissional, social. E estas são as únicas armas que tenho para enfrentar este 2018 que ainda agora chegou e já tem tudo para correr mal.

"Absolute Beginners", David Bowie

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por Gata às 12:30

Quarta-feira, 27.12.17

Das coisas boas deste ano (2)

Luís Severo

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por Gata às 14:23

Segunda-feira, 25.12.17

Das coisas boas deste ano

 As Pega Monstro. E este videclipe que é de hoje.

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por Gata às 23:57

Sábado, 02.12.17

Zé Pedro (1956-2017)

No meio de tanta tristeza, tem sido muito bonito ler e ouvir todos os testemunhos sobre o Zé Pedro. A sua alegria, a generosidade, a disponibilidade para os outros, o entusiamo com músicos e projectos novos, a falta de peneiras, a amizade. Não há muitos músicos (não haverá muita gente) de quem se possa dizer o mesmo. Os que os conheceram  menos bem (como eu) guardarão a música. E aquele sorriso de puto reguila.

Volto aqui. Contentores é a primeira canção que me lembro de ouvir dos Xutos. Passaram-se os anos e se ouvir os Contentores agora é certo e sabido que não consigo não cantar. Eu estive neste concerto no estádio do Restelo, em 2009, e por esta altura estava certamente a gritar e a pular no meio de uma multidão em êxtase. "A carga pronta e metida nos contentores, adeus, ò meus amores que me vou, para outro mundo." 

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por Gata às 09:54

Segunda-feira, 06.11.17

Remar remar

Cresci com eles. Com os contentores e o homem do leme, em cassetes manhosas. Não sei a quantos concertos dos Xutos já fui. No Passeio Marítimo, no Coliseu, no Campo Pequeno, no Estádio do Belenenses, no Rock in Rio, na Meo Arena, noutros palcos. Quantas vezes cantei com eles em viagens de carro. Os braços cruzados, as letras todas sabidas, reconhecer as canções ao primeiro acorde. Quantas vezes falei com eles, ao telefone e ao vivo, a pôr um ar profissional mas com vontade de lhes pedir um autógrafo. Este sábado não pude ir. E pensar que pode ter sido o último concerto. E ficar triste a ver este sorriso do Zé Pedro. Ficar mesmo triste. Como se fosse um amigo. E querer dizer-lhe: Força, Zé Pedro.

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Fotografia de Paulo Spranger/ Global Imagens,

no concerto de 4 de novembro de 2017 no Coliseu de Lisboa

 

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por Gata às 14:42

Terça-feira, 31.10.17

43

"Freedom", de George Michael

"All we have to do now
Is take these lies and make them true somehow" 

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por Gata às 10:39

Sábado, 30.09.17

Setembros

No primeiro dia do meu regresso ao trabalho, fui até à Vila Dias, em Xabregas, um lugar que eu nem sabia que existia. Dias depois, sentei-me na plateia do Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio, a ver o Lear, como se fosse a primeira vez que ouvia aquele texto. Na semana passada, andei a explorar o Bairro dos Lóios, também conhecido como "pantera cor-de-rosa", em Chelas, mais um sítio onde nunca tinha ido. Esta semana, andei à volta de gente que gosta de música muito diferente da que eu ouço e conheci algumas pessoas mesmo interessantes, como a Violet, uma mulher cheia de garra e de ideias que me disse que os seus planos para o futuro são "fazer as coisas o mais "eu" possível" - que é aquela coisa do sermos nós sem medos nem constrangimentos que tanto persigo.

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a Vila Dias

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o Bairro dos Lóios

Vivem-se dias incertos na imprensa portuguesa, mas enquanto os meus dias forem assim, cheios de aprendizagens e descobertas, de sítios e pessoas e conversas boas, isto vai valendo a pena.

Entretanto, descobri esta versão que os A-ha fizeram do Take on Me que tanto dancei na minha adolescência (e não só) e que agora ouço, emocionada, em modo slow. E penso como desacelerar uma música pode mudar-lhe o significado. Ou então isto é só da idade. E amanhã já é outubro.

"So needless to say
I'm odds and ends
I'll be stumbling away
Slowly learning that life is OK
Say after me
It's no better to be safe than sorry"

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por Gata às 21:36



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