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A Gata Christie


Terça-feira, 05.09.17

Sou como sou

Isto é tão bonito que até me emocionei na primeira vez que vi este vídeo:

 Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Quand j’ai envie de rire
Oui je ris aux éclats
J’aime celui qui m’aime
Est-ce ma faute à moi
Si ce n’est pas le même
Que j’aime chaque fois
Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Que voulez-vous de plus
Que voulez-vous de moi

Je suis faite pour plaire
Et n’y puis rien changer
Mes talons sont trop hauts
Ma taille trop cambrée
Mes seins beaucoup trop durs
Et mes yeux trop cernés
Et puis après
Qu’est-ce que ça peut vous faire
Je suis comme je suis
Je plais à qui je plais

Qu’est-ce que ça peut vous faire
Ce qui m’est arrivé
Oui j’ai aimé quelqu’un
Oui quelqu’un m’a aimée
Comme les enfants qui s’aiment
Simplement savent aimer
Aimer aimer…
Pourquoi me questionner
Je suis là pour vous plaire
Et n’y puis rien changer.

O filme foi realizado por Marion Auvin em 2014. O poema de Jacques Prévert (1900-1977) é uma ode à liberdade. Pode ter interpretações mais ou menos sexuais, para mim é apenas isto: não estar dependente da aprovação dos outros para viver a nossa vida. Estou sempre a voltar a isto. A lutar pela liberdade de sermos o que queremos ser, sem temer o juízo dos outros. É impossível, eu sei. Mas é mais uma luta a juntar a outras lutas pessoais e quotidianas. E é mesmo isto que me apetece dizer-vos neste momento em que nos preparamos para mais um

bom ano novo.

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por Gata às 09:58

Domingo, 23.07.17

Nunca esquecer

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(o mundo seria tão melhor se as pessoas pensassem bem antes de criticarem os outros)

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por Gata às 21:36

Sexta-feira, 14.07.17

Protector solar

"Se apenas vos pudesse dar um conselho para o futuro, diria: usem protector solar. As suas vantagens a longo prazo já foram provadas cientificamente, ao passo que o resto dos meus conselhos não têm outra base mais segura do que a minha atribulada experiência.

Agora, vou dar-vos os meus conselhos para o futuro.

Gozem a força e a beleza da vossa juventude. Mas deixem lá, que só compreenderão a força e a beleza da vossa juventude quando a tiverem perdido.

Daqui a 20 anos hão-de olhar para os vossos retratos e ver que registaram coisas que vocês agora não conseguem entender: as possibilidades que se vos abriam e o aspecto fabuloso que tinham! É que vocês não são tão gordos como imaginam.

Deixem de se preocupar com o futuro, ou então preocupem-se mas saibam que isso vale tanto a pena como tentar resolver uma equação de álgebra a mascar pastilha elástica.

Os verdadeiros problemas da vossa vida serão coisas que nem sequer passaram pelas vossas cabeças preocupadas. Do tipo daquelas que surgem às 4 da tarde numa terça-feira qualquer.

Façam todos os dias uma coisa daquelas que mete medo.

Cantem.

Não se tornem levianos com o coração dos outros nem aceitem que o sejam com o vosso.

Usem o fio dental.

Não sejam invejosos: às vezes vamos à frente, outras vamos atrás. A corrida é longa, mas a verdade é que é uma corrida contra vós próprios. Lembrem-se dos elogios que vos fizeram, esqueçam os insultos. (Se conseguirem, digam-me como é que fizeram.)

Guardem as vossas velhas cartas de amor, queimem antes os extractos do banco.

Façam “stretch”.

Não tenham remorsos se não souberem o que querem fazer da vida. As pessoas mais extraordinárias que conheci, não sabiam, aos 22 anos, o que queriam fazer dela. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço, ainda não sabem...

Tomem bastante cálcio.

Cuidem dos vossos joelhos Que vos vão fazer muita falta.

Talvez se casem, talvez não. Talvez tenham filhos, talvez não. Talvez se divorciem aos 40 anos, talvez dancem sem parar no vosso 75º aniversário de casamento.

Façam o que fizerem, não se entusiasmem demais, nem se censurem.

As vossas escolhas são meio caminho andado, tal como acontece com toda a gente.

Gozem o vosso corpo, usem-no de toda a maneira que puderem! Não tenham medo dele, nem do que os outros pensam dele: o vosso corpo é o instrumento mais fantástico que jamais terão!

Dancem, ainda que não tenham onde dançar, a não ser na vossa sala de estar!

Leiam todas as instruções, mesmo que não as sigam.

Não leiam revistas de beleza, porque se sentirão mais feios!

Dêem-se ao trabalho de conhecer os vossos pais, nunca se sabe quando vos deixarão para sempre!

Sejam simpáticos com os vosso irmãos, eles são a melhor ligação que têm com o passado e os que, mais provavelmente, se manterão ao vosso lado no futuro.

Compreendam que os amigos vêm e vão.

Aguentem-se com os poucos e os melhores que têm.

Trabalhem muito para preencher as lacunas em geografia e no estilo de vida.

À medida que forem envelhecendo, mais vão precisar das pessoas que conheciam quando eram novos.

Vivam uma vez na cidade de Nova Iorque, mas partam antes que ela vos torne duros!

Vivam uma vez na Carolina do Norte, mas partam antes que ela vos torne moles demais.

Viajem.

Aceitem certas verdades inalienáveis.

Haveis de passar por crises, os políticos não deixarão de vos endrominar, vocês também vão envelhecer. Quando isso acontecer, vocês também vão dizer que quando eram novos os preços eram razoáveis, que os políticos eram mais sérios e que as crianças respeitavam os mais velhos.

Respeitem os que são mais velhos que vocês.

Não fiquem à espera que alguém vos sustente. Talvez venham a ter bens ou casem com alguém rico, mas nunca se sabe se tudo isso desaparecerá...

Não se preocupem demais com o cabelo, senão, quando tiverem 40 anos, ficarão com o ar de quem tem 85.

Tenham cuidado com os conselhos que ouvem, mas sejam pacientes com aqueles que os dão. Os conselhos são uma espécie de nostalgia. Dá-los é uma maneira de trazer o passado, de o limpar, de o pintar por cima dos pedaços feios e de o reciclar por mais do que vale.

Mas não deixem de acreditar em mim quanto à protecção solar."

Baz Luhrmann, Everybody’s free (to wear sunscreen)

 (Roubado ao Facebook do Vitor Belanciano porque é lindo e é isto. Acreditem: para quem está de ferias sem computador nem tv, só com um telemóvel e dados controlados, para quem vê o mundo num ecrã pequeno à hora da sesta enquanto pensa em amêijoas para o jantar, isto é a única coisa que vale a pena partilhar. E, sim, temos posto bastante protector solar.)

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por Gata às 16:46

Terça-feira, 04.04.17

Pontas soltas (isto anda tudo ligado, outra vez)

Um destes dias apanhei o Sinais, do M. Night Shyamalan, num canal axn qualquer. Já não me lembrava como é bom este filme. Os filmes bons são como novelos que têm muitas pontas por onde puxar e ir desenrolando fios, cada vez mais longos. 

Nem de propósito, hoje vi este desenho da Mari Andrew, que é uma ilustradora de que gosto bastante. Sobre resiliência mas também sobre aquilo que vamos aprendendo com a vida e que nos vai tornando mais fortes, mais preparados, mais aptos para a vida que ainda está por vir. Tal como no filme: não temos acreditar que isto faça tudo sentido para que, na prática, isto faça tudo sentido.

Este também é da Mari Andrew:

15-hard-truths-about-adulthood-from-a-29-year-old-

E ainda:

- a Joanna Godard escreveu sobre a felicidade nas coisas pequenas. A felicidade nas coisas pequenas dá-nos, muitas vezes, o sentido que andamos à procura. 

- Tentar, falhar, superar. Ensaio para uma cartografia é o espectáculo que a Monica Calle apresenta no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, até ao próximo domingo. Eu não vou conseguir ir vê-lo e tenho imensa pena. Vejam só estas fotos do Paulo Pimenta.

- Comecei a ler o livro novo do Bruno Vieira Amaral, Hoje estarás comigo no paraíso. Ainda vou muito no início mas estou a gostar. Ter um livro sempre à mão, na mochila, e não andar a todo o instante a olhar para o telefone é meio caminho para a minha felicidade.

- Nunca esquecer: relativizar, relativizar sempre.

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por Gata às 22:39

Terça-feira, 03.01.17

Here we go again

O ano novo começou hoje, no aeroporto, quando os miúdos correram para os meus braços com aqueles sorrisos maravilhosos. Nunca como passas à meia noite, nem subo a cadeiras nem uso cuecas azuis e há muito que deixei de estrear roupa nova neste dia. Nos últimos três anos também não tenho podido abraçá-los quando se soltam os foguetes e se abrem as garrafas de espumante. Seja. O ano novo começou hoje e já está a ser fantástico.

Dream, baby, dream. Bruce Springsteen.

Ele diz sonhar, eu digo acreditar, ainda, mais uma vez, as vezes que forem necessárias.

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por Gata às 23:40

Segunda-feira, 02.01.17

Queixar-me do quê?

Eu nunca tinha estado tanto tempo sem os miúdos e também nunca tinha passado uma noite de natal sem eles, por isso, quando esta viagem começou a ser planeada, confesso que fiquei um pouco apreensiva. Não por eles, mas por mim. Mas, depois, decidi tratar este assunto como faço com tudo o resto: olhei para isto o mais racionalmente possível. Perguntei-me: é importante para eles?, vai ser bom para eles? E a resposta não dava margem para dúvidas. Este não era o momento de me pôr com egoísmos parvos.

Os miúdos foram, então, passar o natal com o pai, que já não viam desde o natal passado. Só que, este ano, em vez de ser o pai a vir ter com eles, foram eles ao Brasil. Apanharam o avião no dia 15 de dezembro e voltam amanhã. As fotografias, os vídeos e as palavras que me chegam de lá mostram-me uma felicidade imensa. Miúdos descalços ou de chinelos, a mergulhar no mar, a banharem-se em rios, a brincar em piscinas, a brincar à chuva. Contentes da vida com os tios, os primos, os amigos que eles nem sabiam que tinham, bronzeados, sorridentes.Tem sido uma experiência fantástica para eles e tenho a certeza que esta é uma viagem que os vai marcar para sempre - por ter sido tão boa e por ter sido a primeira.

E, entretanto, por cá, como tenho eu estado? Surpreendentemente bem, devo dizer-vos. 

Comecei logo por me recusar a ter pena de mim própria. Apesar de não estar habituada a passar tanto tempo sozinha e de nem sempre ser fácil encontrar a felicidade no silêncio da minha casa vazia, decidi que não me ia pôr com lamúrias (ia queixar-me do quê? os putos de férias no Brasil, todos alegres, eu com uma vida boa, família por perto, amigos a mandarem mensagens, ia queixar-me do quê mesmo?). O que eu penso é: isto é o que temos, isto é o que vamos ter durante quase três semanas e não há nada que eu possa fazer para mudá-lo, portanto, mais vale aproveitar o melhor possível e procurar o lado bom desta situação. E há um lado bom. Ora vejam. Acordar sem despertador. Manhãs tranquilas, sem correrias. Adaptar o horário de trabalho a esta vida sem filhos. Não ter que correr de um lado para o outro ao final do dia e passar horas ao frio a ver treinos de futebol. Aproveitar para fazer trabalhos que noutra altura não poderia fazer. Ir ao Porto. Cozinhar só quando me apetece. Comer sopa com verdes. Não ver programas infantis na televisão. Ver filmes. Ir ao teatro. Ir caminhar de manhã. Ficar quietinha numa esplanada ou num café tranquilo. Estar com amigos - ir almoçar com amigos, ir tomar café com amigos, ir jantar com amigos, ir beber um copo com amigos - esta foi sem dúvida a parte melhor, como passo o ano inteiro sem ter tempo para ninguém, quis aproveitar para estar com algumas pessoas de quem já tinha muitas saudades. Aprender, aos poucos, a desfrutar do tempo sozinha e da minha casa vazia e silenciosa.

Nem tudo foi maravilhoso. A noite de natal foi diferente. Tinha muito medo de ficar deprimida mas isso não aconteceu. Por um lado, esforcei-me por aproveitar ao máximo aquele tempo com o resto da minha família e, além disso, eu não era a única a ter saudades dos miúdos, os avós, os tios e os primos também sentiram a sua falta, então acho que, mesmo sem termos conversado sobre isso, todos adoptamos naturalmente essa atitude de nos animarmos uns aos outros. E resultou. 

E, sim, ao mesmo tempo que fico feliz pelos meus filhos também sinto algum ciúme por saber que eles se estão a divertir tanto e a ter tantas experiências fantáticas sem mim, e sei que quando eles chegarem vão odiar o frio e ter de voltar para a escola e para a rotina, e vou ser eu que vou ter que fazer o papel de má e lembrar-lhes que as férias já acabaram - mas faz parte, não há alternativa, portanto (lá está) nem vale a pena angustiar-me muito, tentarei dar o meu melhor e esperarei que as coisas voltem a entrar nos eixos.

O mais importante a tirar destas "férias de filhos" é: apesar de a minha vida com os miúdos ser geralmente muito intensa, e até um pouco louca, porque passo o ano inteiro sozinha com eles, é bom perceber que os esforços que vou fazendo para manter uma vida minha, para ter um trabalho que me dá prazer, para alimentar os meus interesses, têm resultado. É bom perceber que não fico completamente perdida quando eles não estão. Fico só um bocadinho. Eu não sabia isto. É claro que tenho saudades dos meus filhos lindos mas sei que não tarda nada eles estão aí de novo, por isso tentei aproveitar estes dias como uma oportunidade única também para mim. E foi bom.

O que me leva à segunda conclusão: grande parte dos nossos problemas não são verdadeiros problemas, são coisas que se resolvem na nossa cabeça, só temos que olhar para eles como eles são e sem dramatizarmos. Relativizar sempre. Ver para além do nosso aqui e agora. Não me canso de o dizer. Ser feliz dá algum trabalho. É preciso querer. São precisas obviamente outras coisas (saúde, dinheiro, sorte, isso tudo...) mas também é preciso querer.

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por Gata às 15:51

Sábado, 31.12.16

Para 2017

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por Gata às 09:59

Terça-feira, 15.11.16

Lembrete

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Da mesma forma que é importante guardar a memória daqueles que foram (são) importantes para nós, das mais diversas maneiras, também é importante saber esquecer aqueles que nos fizeram (fazem) mal.

(por favor, não tentem estabelecer relações com o post anterior, não tem nada a ver, aconteceu por acaso que hoje me pusesse a pensar na necessidade de desocupar algumas assoalhadas do meu coração e de deixar de dar a minha atenção a quem, manifestamente, não a merece. é um caminho que já está a ser feito há algum tempo mas que tem conhecido bastantes desvios.)

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por Gata às 16:24

Terça-feira, 14.06.16

O que faz uma mãe um fim-de-semana inteiro quando não está com os filhos? (2)

Tem imensas saudades, claro, mesmo sabendo que os miúdos estão felizes da vida. Aproveita para descansar bastante mas sente-se um bocado perdida por ter tanto tempo livre.

E depois tenta lidar com isso.

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por Gata às 08:29

Sexta-feira, 27.05.16

Não é precio aprender ballet desde criança para saber dançar

Uma das coisas que eu gosto nesta história é isto: hoje em dia os pais parecem obcecados com a educação dos filhos, querem proporcionar-lhes imensas experiências e incutir-lhes muitos conhecimentos (incutir é a palavra certa) para garantirem que eles vão ter todas as ferramentas para o sucesso, os pais têm que ler histórias aos filhos para eles gostarem de ler, têm de os levar a muitos concertos para bebés para eles gostarem de música, têm de os pôr a aprender inglês aos três anos para eles saberem falar muitas línguas, têm de os levar a viajar porque é importante conhecer o mundo (o quê? ainda não foram à neve? mas que raio de mães és tu?), é essencial começar a fazer tudo muito cedo, desde pequenino, para não lhes arruinar as hipóteses de virem a ter um bom emprego, os pais sentem-se completamente responsáveis pelo futuro dos filhos e tentam moldar-lhes a vida bem moldada, à sua medida e sem margem para erro. E é mentira. Aquilo que as pessoas são quando crescem não depende só dos pais e da educação que eles lhes dão. Claro que a educação é importante mas uma coisa é educar, ensinar regras, transmitir valores, despertar a curiosidade, abrir portas, dar apoio, outra coisa é achar que existe uma relação direta e inequívoca entre aquilo que as crianças fazem/experimentam e aquilo que vai ser o seu futuro.

Felizmente não existe esse determinismo. Felizmente existe um mundo que se intromete nos nossos planos e pessoas que se atravessam na nossa vida. Existe o inesperado. Felizmente existe a personalidade de cada um. Existe a vontade individual. Talentos que se revelam. Sonhos que vêm sabe-se lá de onde. Um caminho que é trilhado todos os dias. E tantas, tantas descobertas que os filhos podem fazer sozinhos, ao longo desse caminho. Com tentativas e erros e falhanços e vitórias e alegrias e tristezas. À medida que crescem.

Penso nisto muitas vezes, porque sei que falho muito e que não consigo fazer tudo o que quero (ou que sonhei) e esta é uma maneira de acalmar os meus sentimentos de culpa. De me lembrar que (para o bem e para o mal) não está tudo nas minhas mãos. Que o importante é lhes transmitido todos os dias, em pequenas coisas, quase invisíveis, quase sem darmos por isso (tal como aconteceu comigo, afinal). Que o importante é estar lá para lhes dizer "vai", "arrisca", "não tenhas medo". Que o importante é estar lá, para amparar as quedas, dar colo, limpar-lhes as lágrimas. E também para os felicitar e aplaudir (muitas vezes, é o que todos queremos).

O resto há de acontecer. Ou não.

Se puderem, não deixem de ir ver o espetáculo do João dos Santos Martins e outros espectáculos do Festival Alkantara.

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por Gata às 11:55



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