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A Gata Christie


Terça-feira, 04.04.17

Pontas soltas (isto anda tudo ligado, outra vez)

Um destes dias apanhei o Sinais, do M. Night Shyamalan, num canal axn qualquer. Já não me lembrava como é bom este filme. Os filmes bons são como novelos que têm muitas pontas por onde puxar e ir desenrolando fios, cada vez mais longos. 

Nem de propósito, hoje vi este desenho da Mari Andrew, que é uma ilustradora de que gosto bastante. Sobre resiliência mas também sobre aquilo que vamos aprendendo com a vida e que nos vai tornando mais fortes, mais preparados, mais aptos para a vida que ainda está por vir. Tal como no filme: não temos acreditar que isto faça tudo sentido para que, na prática, isto faça tudo sentido.

Este também é da Mari Andrew:

15-hard-truths-about-adulthood-from-a-29-year-old-

E ainda:

- a Joanna Godard escreveu sobre a felicidade nas coisas pequenas. A felicidade nas coisas pequenas dá-nos, muitas vezes, o sentido que andamos à procura. 

- Tentar, falhar, superar. Ensaio para uma cartografia é o espectáculo que a Monica Calle apresenta no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, até ao próximo domingo. Eu não vou conseguir ir vê-lo e tenho imensa pena. Vejam só estas fotos do Paulo Pimenta.

- Comecei a ler o livro novo do Bruno Vieira Amaral, Hoje estarás comigo no paraíso. Ainda vou muito no início mas estou a gostar. Ter um livro sempre à mão, na mochila, e não andar a todo o instante a olhar para o telefone é meio caminho para a minha felicidade.

- Nunca esquecer: relativizar, relativizar sempre.

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por Gata às 22:39

Terça-feira, 03.01.17

Here we go again

O ano novo começou hoje, no aeroporto, quando os miúdos correram para os meus braços com aqueles sorrisos maravilhosos. Nunca como passas à meia noite, nem subo a cadeiras nem uso cuecas azuis e há muito que deixei de estrear roupa nova neste dia. Nos últimos três anos também não tenho podido abraçá-los quando se soltam os foguetes e se abrem as garrafas de espumante. Seja. O ano novo começou hoje e já está a ser fantástico.

Dream, baby, dream. Bruce Springsteen.

Ele diz sonhar, eu digo acreditar, ainda, mais uma vez, as vezes que forem necessárias.

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por Gata às 23:40

Segunda-feira, 02.01.17

Queixar-me do quê?

Eu nunca tinha estado tanto tempo sem os miúdos e também nunca tinha passado uma noite de natal sem eles, por isso, quando esta viagem começou a ser planeada, confesso que fiquei um pouco apreensiva. Não por eles, mas por mim. Mas, depois, decidi tratar este assunto como faço com tudo o resto: olhei para isto o mais racionalmente possível. Perguntei-me: é importante para eles?, vai ser bom para eles? E a resposta não dava margem para dúvidas. Este não era o momento de me pôr com egoísmos parvos.

Os miúdos foram, então, passar o natal com o pai, que já não viam desde o natal passado. Só que, este ano, em vez de ser o pai a vir ter com eles, foram eles ao Brasil. Apanharam o avião no dia 15 de dezembro e voltam amanhã. As fotografias, os vídeos e as palavras que me chegam de lá mostram-me uma felicidade imensa. Miúdos descalços ou de chinelos, a mergulhar no mar, a banharem-se em rios, a brincar em piscinas, a brincar à chuva. Contentes da vida com os tios, os primos, os amigos que eles nem sabiam que tinham, bronzeados, sorridentes.Tem sido uma experiência fantástica para eles e tenho a certeza que esta é uma viagem que os vai marcar para sempre - por ter sido tão boa e por ter sido a primeira.

E, entretanto, por cá, como tenho eu estado? Surpreendentemente bem, devo dizer-vos. 

Comecei logo por me recusar a ter pena de mim própria. Apesar de não estar habituada a passar tanto tempo sozinha e de nem sempre ser fácil encontrar a felicidade no silêncio da minha casa vazia, decidi que não me ia pôr com lamúrias (ia queixar-me do quê? os putos de férias no Brasil, todos alegres, eu com uma vida boa, família por perto, amigos a mandarem mensagens, ia queixar-me do quê mesmo?). O que eu penso é: isto é o que temos, isto é o que vamos ter durante quase três semanas e não há nada que eu possa fazer para mudá-lo, portanto, mais vale aproveitar o melhor possível e procurar o lado bom desta situação. E há um lado bom. Ora vejam. Acordar sem despertador. Manhãs tranquilas, sem correrias. Adaptar o horário de trabalho a esta vida sem filhos. Não ter que correr de um lado para o outro ao final do dia e passar horas ao frio a ver treinos de futebol. Aproveitar para fazer trabalhos que noutra altura não poderia fazer. Ir ao Porto. Cozinhar só quando me apetece. Comer sopa com verdes. Não ver programas infantis na televisão. Ver filmes. Ir ao teatro. Ir caminhar de manhã. Ficar quietinha numa esplanada ou num café tranquilo. Estar com amigos - ir almoçar com amigos, ir tomar café com amigos, ir jantar com amigos, ir beber um copo com amigos - esta foi sem dúvida a parte melhor, como passo o ano inteiro sem ter tempo para ninguém, quis aproveitar para estar com algumas pessoas de quem já tinha muitas saudades. Aprender, aos poucos, a desfrutar do tempo sozinha e da minha casa vazia e silenciosa.

Nem tudo foi maravilhoso. A noite de natal foi diferente. Tinha muito medo de ficar deprimida mas isso não aconteceu. Por um lado, esforcei-me por aproveitar ao máximo aquele tempo com o resto da minha família e, além disso, eu não era a única a ter saudades dos miúdos, os avós, os tios e os primos também sentiram a sua falta, então acho que, mesmo sem termos conversado sobre isso, todos adoptamos naturalmente essa atitude de nos animarmos uns aos outros. E resultou. 

E, sim, ao mesmo tempo que fico feliz pelos meus filhos também sinto algum ciúme por saber que eles se estão a divertir tanto e a ter tantas experiências fantáticas sem mim, e sei que quando eles chegarem vão odiar o frio e ter de voltar para a escola e para a rotina, e vou ser eu que vou ter que fazer o papel de má e lembrar-lhes que as férias já acabaram - mas faz parte, não há alternativa, portanto (lá está) nem vale a pena angustiar-me muito, tentarei dar o meu melhor e esperarei que as coisas voltem a entrar nos eixos.

O mais importante a tirar destas "férias de filhos" é: apesar de a minha vida com os miúdos ser geralmente muito intensa, e até um pouco louca, porque passo o ano inteiro sozinha com eles, é bom perceber que os esforços que vou fazendo para manter uma vida minha, para ter um trabalho que me dá prazer, para alimentar os meus interesses, têm resultado. É bom perceber que não fico completamente perdida quando eles não estão. Fico só um bocadinho. Eu não sabia isto. É claro que tenho saudades dos meus filhos lindos mas sei que não tarda nada eles estão aí de novo, por isso tentei aproveitar estes dias como uma oportunidade única também para mim. E foi bom.

O que me leva à segunda conclusão: grande parte dos nossos problemas não são verdadeiros problemas, são coisas que se resolvem na nossa cabeça, só temos que olhar para eles como eles são e sem dramatizarmos. Relativizar sempre. Ver para além do nosso aqui e agora. Não me canso de o dizer. Ser feliz dá algum trabalho. É preciso querer. São precisas obviamente outras coisas (saúde, dinheiro, sorte, isso tudo...) mas também é preciso querer.

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por Gata às 15:51

Sábado, 31.12.16

Para 2017

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por Gata às 09:59

Terça-feira, 15.11.16

Lembrete

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Da mesma forma que é importante guardar a memória daqueles que foram (são) importantes para nós, das mais diversas maneiras, também é importante saber esquecer aqueles que nos fizeram (fazem) mal.

(por favor, não tentem estabelecer relações com o post anterior, não tem nada a ver, aconteceu por acaso que hoje me pusesse a pensar na necessidade de desocupar algumas assoalhadas do meu coração e de deixar de dar a minha atenção a quem, manifestamente, não a merece. é um caminho que já está a ser feito há algum tempo mas que tem conhecido bastantes desvios.)

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por Gata às 16:24

Terça-feira, 14.06.16

O que faz uma mãe um fim-de-semana inteiro quando não está com os filhos? (2)

Tem imensas saudades, claro, mesmo sabendo que os miúdos estão felizes da vida. Aproveita para descansar bastante mas sente-se um bocado perdida por ter tanto tempo livre.

E depois tenta lidar com isso.

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por Gata às 08:29

Sexta-feira, 27.05.16

Não é precio aprender ballet desde criança para saber dançar

Uma das coisas que eu gosto nesta história é isto: hoje em dia os pais parecem obcecados com a educação dos filhos, querem proporcionar-lhes imensas experiências e incutir-lhes muitos conhecimentos (incutir é a palavra certa) para garantirem que eles vão ter todas as ferramentas para o sucesso, os pais têm que ler histórias aos filhos para eles gostarem de ler, têm de os levar a muitos concertos para bebés para eles gostarem de música, têm de os pôr a aprender inglês aos três anos para eles saberem falar muitas línguas, têm de os levar a viajar porque é importante conhecer o mundo (o quê? ainda não foram à neve? mas que raio de mães és tu?), é essencial começar a fazer tudo muito cedo, desde pequenino, para não lhes arruinar as hipóteses de virem a ter um bom emprego, os pais sentem-se completamente responsáveis pelo futuro dos filhos e tentam moldar-lhes a vida bem moldada, à sua medida e sem margem para erro. E é mentira. Aquilo que as pessoas são quando crescem não depende só dos pais e da educação que eles lhes dão. Claro que a educação é importante mas uma coisa é educar, ensinar regras, transmitir valores, despertar a curiosidade, abrir portas, dar apoio, outra coisa é achar que existe uma relação direta e inequívoca entre aquilo que as crianças fazem/experimentam e aquilo que vai ser o seu futuro.

Felizmente não existe esse determinismo. Felizmente existe um mundo que se intromete nos nossos planos e pessoas que se atravessam na nossa vida. Existe o inesperado. Felizmente existe a personalidade de cada um. Existe a vontade individual. Talentos que se revelam. Sonhos que vêm sabe-se lá de onde. Um caminho que é trilhado todos os dias. E tantas, tantas descobertas que os filhos podem fazer sozinhos, ao longo desse caminho. Com tentativas e erros e falhanços e vitórias e alegrias e tristezas. À medida que crescem.

Penso nisto muitas vezes, porque sei que falho muito e que não consigo fazer tudo o que quero (ou que sonhei) e esta é uma maneira de acalmar os meus sentimentos de culpa. De me lembrar que (para o bem e para o mal) não está tudo nas minhas mãos. Que o importante é lhes transmitido todos os dias, em pequenas coisas, quase invisíveis, quase sem darmos por isso (tal como aconteceu comigo, afinal). Que o importante é estar lá para lhes dizer "vai", "arrisca", "não tenhas medo". Que o importante é estar lá, para amparar as quedas, dar colo, limpar-lhes as lágrimas. E também para os felicitar e aplaudir (muitas vezes, é o que todos queremos).

O resto há de acontecer. Ou não.

Se puderem, não deixem de ir ver o espetáculo do João dos Santos Martins e outros espectáculos do Festival Alkantara.

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por Gata às 11:55

Terça-feira, 10.05.16

Quatro anos

Dizem os manuais que não devemos falar quando estamos muito zangados. Que devemos deixar passar a fúria. Que com o tempo acabamos por compreender (e até perdoar). 

Parece que ainda não é o tempo, portanto.

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por Gata às 09:43

Sábado, 02.04.16

Está tudo bem

fine.jpgNão desapareci. Ando ocupada. E muito cansada. E com pouca paciência para algumas coisas. Mas está tudo bem.

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por Gata às 19:40

Segunda-feira, 04.01.16

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Os rapazes voltaram para casa. Abraçámo-nos tanto. Lanchámos torradas enquanto víamos o filme do Ronaldo. O Pedro montou o comboio no corredor. Arrumaram as mochilas para a escola. Cortei o dedo a fazer o jantar e acabei por não fazer a sopa. Na falta das minhas avós, aprendi com as senhoras brasileiras do youtube a fazer ponto meia. O António não conseguia dormir e pôs-se ao meu lado no sofá, embrulhado numa manta, a ajudar-me a contar as malhas. E a conversarmos sobre angústias várias. Lá consegui construir um pequeno gorro de bebé. Os acabamentos estão péssimos, vou ter de fazer outro se quero oferecê-lo à bebé-amiga que aí vem. O António conseguiu dormir, finalmente. Já pus o despertador. Vai ser difícil acordar cedo amanhã. E no entanto esta sensação de que tudo está no lugar certo.

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por Gata às 00:38



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