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A Gata Christie



Segunda-feira, 19.12.16

Tristeza e alegria na vida das girafas

Na sexta-feira fui, finalmente, ver Tristeza e Alegria na Vida das Girafas, um espectáculo de Tiago Rodrigues, com um fantástico grupo de actores - Carla Galvão, Tonan Quito, Pedro Gil e Miguel Borges. O espectáculo estreou em 2011 na Culturgest, depois andou em digressão, entretanto já tinha voltado a Lisboa e eu nunca tinha conseguido vê-lo. Este mês, voltou a estar em cena, no Teatro Nacional D. Maria II, e eu lá consegui, mesmo antes de terminar a carreira. Em boa hora. É um grande espectáculo. Eu fui à confiança, porque gosto muito daquela gente toda, juntos ou em separado, mas a verdade é que já tinha ouvido grandes elogios e algumas críticas mesmo más, por isso não sabia muito bem o que esperar.

A história em linhas gerais é isto: há uma menina de oito anos que está a fazer um trabalho para a escola sobre girafas e, por isso, precisa muito de ter o discovery channel. Mas a mãe morreu há pouco e o pai ficou desempregado e por isso não tem dinheiro para pagar a televisão por cabo. Então a menina revolta-se e parte numa aventura por Lisboa com o seu urso de peluche, chamado Judy Garland, à procura de uma solução. Claro que isto dito assim não parece muito estimulante. O segredo é a forma como isto é contado. É a menina, que está habituada a encontrar todas as explicações que precisa no dicionário, falar como se fosse um dicionário. É aquele urso ser um "bocadinho" malcriado (confesso que houve ali uma altura em que o excesso de palavrões me incomodou um bocado, pareceu-me que estavam a desviar a atenção do que era importante, mas na verdade tudo encaixa, não é algo despropositado). É o pai ser actor e sonhar com Tchekhov. É o Passos Coelho a comer um croissant, descalço, no seu gabinete. É tudo junto. Nesta aventura, a menina cresce. Cresce muito.

Fazendo jus ao título que fala de tristeza e alegria, neste espectáculo ri e chorei, sim, chorei, é mesmo muito tocante. É um espectáculo que olha para a nossa sociedade, que crítica de forma muito clara estes tempos de crise em que vivemos, mas também fala de nós, daquilo que somos na nossa intimidade, da família, de pais e filhos, da infância, dos medos das crianças e do que é ser adulto.

Tenho muita pena de não ter ido vê-lo mais cedo só para vos dizer: não percam.

girafas.jpg

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por Gata às 19:46


2 comentários

De Agridoce a 19.12.2016 às 23:34

Eu fui ver e gostei. Não foi das minhas preferidas do Tiago Rodrigues, mas gostei muito.

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