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A Gata Christie



Quarta-feira, 02.04.14

Uma gente desprezível

"Eu tinha um amigo que tinha algum dinheiro e nos anos 80, quando havia também uma grande crise, a gente comentava que a situação estava mal. E ele dizia, sabes, a situação está má mas numa situação destas a gente encontra umas criadas muito em conta."

Foram histórias como esta que me contou o escritor José Rentes de Carvalho, naquele sábado de manhã. Foi uma conversa fantástica, a propósito do livro 'Portugal. A Flor e a Foice'. Mas que foi muito além disso.

"Politicamente vende-se muita banha de cobra, há muitos anos, e o povo merece um bocadinho mais de decência. Não tenho a ilusão de que o povo é santo e bom, nada disso, o povo é feito de gente, pessoas com defeitos e qualidades, mas esmagar o povo como nem a ditadura fez... Salazar dizia: só havendo pobres é que uma classe social pode ser tão obscenamente rica, essa gente enriquece e só pode ser tão extremamente rica à custa da miséria de uns milhões de pessoas. Estou muito desiludido não é só com o país é com as gentes deste país, é mais trágico ainda, eu não tenho intelectualmente e socialmente e afectuosamente qualquer respeito pela classe da burguesia portuguesa. Para mim é insuportável. É desprezível, é uma gente que não cuida do país, só cuida de si própria. Mas o problema é que eu posso odiar essa classe mas um por um eu gosto deles todos. Não sou fanático ao ponto de dizer a classe média ou a grande burguesia portuguesa são uma merda, não senhor, é gente carinhosa, esplendida, doce. Mas quando chega o ponto de rebuçado dos seus interesses, eles só se vêem a si próprios."

José Rentes de Carvalho, fotografado por Natacha Cardoso/ Global Imagens. Uma parte da conversa está hoje no jornal (em papel), para quem quiser ler. E o blogue dele também já está ali ao lado na lista dos que gosto de ler.

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por Gata às 10:41




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