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A Gata Christie



Domingo, 17.01.16

Uma pilha de pratos

Deixei os miúdos numa festa de anos e fui num instantinho ao teatro. Queria muito ver a Maria Rueff no António e Maria. Das outras vezes que o espectáculo esteve em cena não consegui ir e desta vez não podia mesmo deixar passar. São textos do António Lobo Antunes, costurados pelo Rui Cardoso Martins e encenados pelo Miguel Seabra. Tudo muito bem embrulhado e num dos meus sítios preferidos, o Teatro Meridional. Chovia na rua mas lá dentro estava-se como em casa, com o cheiro do café, a sala cheia, as mantas nas pernas, e um espetáculo tão bom, tão tocante, tão simples e ao mesmo tempo não tão simples assim. Conhecia aquelas pessoas todas. A Celina, voar, Celina, voar. A mulher que vê o marido a morrer na esplanada, não morras agora que está toda a gente a olhar. "Acordei mas não me digam nada que até às 11 da manhã tenho um feitio de cão." Mulheres sofridas, envelhecidas, entristecidas, usadas por homens, revoltadas com os homens, conformadas, sozinhas. Lembrava-me daquelas palavras - "A vida é uma pilha de pratos a caírem no chão" - e daquelas pessoas, do livros de crónicas e da Exortação aos Crocodilos, não sei se de mais algum livro, mas destes seguramente. Uma hora e pouco e o bem que me fez.

Vão ver, vão ver. O espetáculo fica em cena só até 7 de fevereiro e é preciso reservar os bilhetes com antecedência para garantirem que têm lugar. 

"A minha sede de amor é inexcedível mas não vou sair por aí com uma caneca na mão."

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por Gata às 19:05




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