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15
Ago19

A banhos

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publicado às 10:15

14
Ago19

Indo e vindo

Descansar e desligar (os aparelhos mas também a cabeça) são os objectivos principais para os próximos tempos. Duvido que os consiga cumprir completamente, mas não custa tentar. 

Deixo-vos três ideias para estes dias de agosto:

Se estiverem em Lisboa, arrisquem ir ver o espectáculo Mário, que está em cena no Cinema São Jorge. O actor Flávio Gil interpreta este monólogo inspirado na história verdadeira de Valentim de Barros, um bailarino que, no Estado Novo, foi preso e internado como louco, apenas por ser homossexual.

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(a foto é de Pedro Rocha/Global Imagens)

Quem gostou da primeira temporada de The Letdown já tem a segunda temporada disponível na Netflix. Na minha opinião, estes episódios são ainda melhores. Esta não é só uma série sobre a maternidade, é sobre a vida toda das mães, incluindo o trabalho, o marido, os amigos, as idas ao cabeleireiro e os vários pequenos e grandes dramas do dia-a-dia.

E, por fim, voltar a esta canção: Como uma onda, música de Lulu Santos com letra de Nelson Motta. Só para nos lembrarmos que "a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito". Não adianta fugir.

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publicado às 14:28

11
Ago19

Joacine

Tinha muita curiosidade em conhecer a Joacine Katar Moreira e em saber a sua história. Por isso, fui falar com ela. Há dias em que isto ainda vai valendo a pena.

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Fotografia de Orlando Almeida/Global Imagens

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publicado às 12:34

05
Ago19

Aquela pergunta

O Pedro já estava deitado, o António estava na casa-de-banho, eu estava a apagar a luz para dormir. De repente, o Pedro entra no meu quarto a chorar e deita-se ao meu lado. O que foi, filhote? Nada, nada. Estás a chorar porquê? Não sei. Não sabes ou não quero dizer? Não quero dizer. E nisto o António aparece e fica a olhar para nós, abraçados na cama, e pergunta: o que foi? Eu também repito: o que foi? E o Pedro lá balbucia: o que é que acontece depois de morrermos? E ficamos uns momentos todos calados. Só o Pedro a chorar. Eu agarro-o com mais força: não sei, filho. O António atira-se para cima de nós e diz, com aquele ar desafiante dos adolescentes: não acontece nada, morremos e pronto. E o Pedro chora ainda mais. E eu só consigo abraçá-lo. Não sabemos, ninguém sabe, mas podemos acreditar que depois de morrermos aqui na Terra vamos viver para outro lado qualquer, há muitas pessoas que acreditam nisso, é possível que seja assim. Ele não parece muito convencido. Tenta não pensar nisso, sim? (não é um conselho muito inteligente, mas foi o melhor que me ocorreu). Deixamo-nos estar ali mais um bocadinho.

O meu filho pequenino.

Percebo-o tão bem.

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publicado às 23:08

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Eles crescem e fica tudo mais fácil? Nem tudo. Tirá-los de casa, por exemplo, é muito mais difícil. Há uns tempos, bastava-me dizer vamos ali ao parque jogar à bola e assim, com umas horas passadas no parque das nações ou no jardim das conchas, resolvíamos a tarde de sábado e éramos todos felizes. Agora, o Pedro ainda alinharia na boa num programa desses mas para isso precisava do irmão porque ir ao parque sozinho com a mãe não é lá muito divertido. E o irmão... o irmão tem 15 anos e já não acha muita piada a ir ao parque com o mano mais novo. Portanto, este é um dos meus novos desafios: encontrar programas que agradem aos dois. Sobretudo: encontrar programas que agradem a um adolescente e que o tirem de casa sem ser obrigado (eu obrigo, de vez em quando, sei que não é a melhor maneira e que as mães perfeitas arranjam sempre uma maneira melhor mas eu não sou uma mãe perfeita e por vezes tem mesmo que ser). 

Um truque: convidar amigos deles. 

Melhor ainda: combinar com amigos deles cujas mães são minhas amigas. Ou com amigas minhas cujos filhos têm idades parecidas aos meus.

Às vezes conseguimos. E até conseguimos ficar na praia até ser noite. Mas é só às vezes.

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publicado às 11:42

01
Ago19

Agostos

Os verões eram longos. Nunca mais acabavam. Depois das férias na praia, sempre em julho, ainda havia um agosto inteiro pela frente para nos aborrecermos pela casa, espraiadas no sofá a ler livros aos quadradinhos com sotaque brasileiro ou a ver filmes antigos e os programas do Júlio Isidro nos dois únicos canais de televisão que havia. Às vezes, conto isto aos meus filhos. Conseguem imaginar? Dois canais de tv, sem telemóvel, sem internet, sem consolas. Eles ficam de boca aberta. E fazias o quê?, perguntam. Nem eu sei. Quando éramos ainda crianças brincávamos com as bonecas ou no quintal, na adolescência acho que nos limitávamos a estar por ali. Líamos (a minha irmã mais do que eu, eu não lia muito para ser sincera). Jogávamos crapô. Havia as limpezas de verão nas quais tínhamos de colaborar limpando as estantes dos livros (um a um) ou lavando os mil bibelôts. E pouco mais, parece-me. Os verões eram longos e quentes. Um calor abrasador logo pela manhã. A casa na penumbra. Só nos atrevíamos a sair mais tarde. Às vezes havia uma ou outra amiga que também estava por lá em agosto e com quem me encontrava ao final do dia, depois do lanche, hoje em minha casa, amanhã na tua, só para nos entediarmos juntas. Para contarmos os dias que faltavam até setembro, até à feira, até à escola. Bebíamos leite gelado com suchard express. E comíamos gelados super maxi. Mas, pensando nisso, aquilo que me ocorre é que os meus verões tinham sabor a salada de tomate. Em todas as refeições comíamos salada feita com tomates maduros e muito vermelhos, que sabiam mesmo a tomate, ao contrário dos tomates de agora que não sabem a nada. Ao contrário de agora, em que os verões já não se parecem nada com verões.

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publicado às 15:16

31
Jul19

Julho a acabar

Sair cedo do trabalho. Fazer o jantar enquanto bebo uma cidra e ouço a bola a bater no terraço e os putos a brincar com os vizinhos. Não pensar.

Voltar a esta música da Nina Simone as vezes que forem necessárias: I got life.

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publicado às 20:37

26
Jul19

Reabraços

Depois de meses a trocar mensagens dizendo "temos que nos encontrar" e "quando é que nos vemos?", uma das coisas boas das férias da escola é que como tenho mais tempo livre consigo estar com os meus amigos. Ou, pelo menos, com alguns deles. Tinha tantas saudades. Ando a pôr conversas em dia, a recolher conselhos e a dar muitos abraços. Estava outra vez a precisar de abraços. Sou como a formiga que no verão acumula calor humano para me aquecer pelo menos até ao natal.

Sobre abraços. E mais abraços. E ainda mais. E há mais. Parece que é um assunto recorrente por aqui.

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publicado às 09:22

21
Jul19

Privilégios

O vídeo aparece de vez em quando partilhado nas redes sociais. A primeira vez que o vi (há uns dois anos?) doeu-me a alma mas ainda estava na fase do não querer acreditar que isto ia ser mesmo assim. Da última vez que o vi (na semana passada) já não consegui evitar emocionar-me. A "corrida do privilégio" começa com todos os jovens alinhados mas, antes de ser dada a partida, o juiz faz algumas perguntas a que cada um deve responder. Se a resposta for positiva, dão dois passos em frente. Se a resposta for negativa, ficam no mesmo lugar. São perguntas sobre privilégios (do tipo: se estudaram em escolas privadas, se estão sempre seguros sobre a próxima refeição, etc.). No final, há uns que estão mais à frente, outros que ficaram lá para trás. E esta corrida - que é a vida - ainda nem começou. Há um grupo de jovens que ainda nem teve que fazer nada e já está em vantagem. É isso o privilégio. Isto já seria coisa para mexer com o meu coração de esquerda mas o que me doeu mais foi que as perguntas começam assim:

Dêem dois passos em frente se...

1) os vossos pais ainda são casados

2) cresceram com uma figura paterna em casa

Portanto, à segunda pergunta os meus filhos já ficaram bem para trás.

(momento para engolir em seco e ter aquele sentimento de culpa)

(seguido de momento para acordar para a vida e dizer culpa de quê? quem tem de sentir culpa não és tu, tu estás aqui todos os dias)

(seguido de momento para arregaçar as mangas e continuar em frente)

Cá em casa corremos atrás do prejuízo. Permanentemente. Já há uns tempos que tenho plena consciência disso. Não é fácil. As coisas nem sempre são como eu gostaria. Às vezes temos assim uns tropeções e uns trambolhões. Mas damos o nosso melhor. E não desistimos nunca.

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publicado às 22:11

I

No sábado passado, o Expresso publicou um longo artigo da Cristina Margato sobre a infidelidade a propósito de um livro da psicoterapeuta Esther Perel. O tema é fascinante e não é a primeira vez que penso nele. Se perguntarem aos vossos amigos o que é para eles a infidelidade, que tipo de fidelidade esperam de um companheiro, que tipo de infidelidade estariam dispostos a perdoar, verão como cada um dará uma resposta diferente. Tenho falado disto com algumas pessoas - até porque conheço pessoas que já traíram, outras que já foram traídas, conheço casais que estão juntos e felizes na sua monogamia há muitos anos e outros que têm "relações abertas" e também estão contentes, tenho amigos que se divorciaram por causa de traições e outros cujas relações superaram infidelidades. Este é um assunto em que não há respostas certas ou erradas, cabe a cada pessoa (ou a cada casal) encontrar a solução que mais o (s) satisfaz. Seja como for, é um tema sobre o qual gosto de pensar. Até porque pensar estas questões é também pensar como é que uma relação pode durar para além do desejo inicial e do que é que se alimentam as relações longas.

Se quiserem um resumo do pensamento de Perel sobre o assunto podem ver este vídeo:

Do artigo, retirei este excerto, porque faz todo o sentido para mim neste momento:

Algumas pessoas minimizam o envolvimento sexual ou emocional. "Traí, mas foi só sexo", ou "Sim, saímos, mas nunca fomos para a cama". Normalmente os especialistas concordam que, para a maioria dos seres humanos, é difícil separar as relações sexuais das emocionais. Perel garante: "Os casos extraconjugais são menos sobre sexo e mais sobre desejo: o desejo de se sentir desejado, de se sentir especial, de ser visto e de estar em sintonia, de chamar a atenção. Tudo isto carrega uma excitação erótica que nos faz sentir vivos, renovados, revitalizados. É mais energia do que acção, mais encanto do que coito."

II

Também sublinhei uma frase do antropólogo José Gabriel Pereira Bastos, que defende que há dois tipos de pessoas:

As que se focam, e que querem reconstituir o casal parental; e as que nunca se focam, e estas não saíram da idade do jogo. Ou seja, da adolescência. Não querem o compromisso. As que se focam, quando ficam sozinhas, sentem-se mal. Querem um companheiro ou uma companheira. Já as pessoas que permanecem inconscientemente na idade do jogo ficam mal quando arranjam alguém. Começam a ter saudades do tempo em que tinham cinco amigas ou amigos, e em que para ter sexo bastava telefonar. Se não fosse com uma pessoa era com outra.

Nunca o colocaria com estes termos, como é óbvio, mas eu também já tinha percebido mais ou menos isto - porque o sinto na pele. Há pessoas que vivem bem sozinhas. Eu nem por isso. Gosto de ter os meus momentos a sós, claro. Não digo que não aprecie um dia de completo silêncio. E sobrevivo aos dias de folga e aos dias sem filhos porque tenho as minhas estratégias e amigos que me dão colo, e quando tudo o resto falha enfio-me numa sala escura de cinema ou de teatro e espero que o tempo passe. Mas o que mais custa, verdade seja dita, é a solidão que se sente quando não estamos sozinhos. Ou seja. Mesmo quando tenho os putos (o que é quase sempre), eles fazem-me companhia mas não é com eles que converso sobre os meus dramas e os meus sonhos. Não é com eles que desabafo sobre os problemas no trabalho. Não é com eles que me posso sentar a beber um copo e a deitar conversa fora. E mesmo que eles me ajudem no dia-a-dia, não posso contar com eles para me apoiarem nos momentos realmente difíceis. E mesmo que faça com eles os planos para as férias e decida com eles o que vai ser o jantar, não é a mesma coisa do que fazer planos com um companheiro. E mesmo que eles sejam uns queridos e me dêem muitos beijinhos, não é o mesmo de ser abraçada por alguém que me deseja. Portanto, ainda que eu não esteja efectivamente muito tempo sozinha, a verdade é que me sinto muitas vezes só. Não é o fim do mundo, pois não, mas é algo que mexe comigo. E quando a vida nos corre mal de outras maneiras essa falta sente-se mais.

Eu sou mais feliz quando tenho um amor. E gosto de todas as pequenas coisas e cumplicidades e rotinas e lamechices de ter um parceiro. Dos beijinhos antes de adormecer e de lavarmos a louça juntos, de não conseguirmos decidir onde é que vamos jantar e de ficarmos os dois a ler livros numa esplanada sem sequer falarmos um com o outro. Gosto de me imaginar velhinha e ter alguém a quem dar a mão, mesmo que a tremer.

III

Amar e ser amada. Acho que era isso que eu queria. Há quem lhe chame romantismo. Ou apenas estupidez. Mas mesmo que nunca o tenhamos, podemos desejá-lo, não é?

"All I know is that you're so nice
You're the nicest thing I've seen
I wish that we could give it a go
See if we could be something
 
I wish I was your favourite girl
I wish you thought I was the reason you are in the world
I wish my smile was your favourite kind of smile
I wish the way that I dress was your favourite kind of style
 
I wish you couldn't figure me out
But you'd always wanna know what I was about
I wish you'd hold my hand when I was upset
I wish you'd never forget the look on my face when we first met
 
I wish you had a favourite beauty spot that you loved secretly
'Cause it was on a hidden bit that nobody else could see
Basically, I wish that you loved me
I wish that you needed me
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three
 
I wish that without me your heart would break
Yeah, I wish that without me you'd be
Spending the rest of your nights awake
I wish that without me you couldn't eat
Yeah, I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep
 
Look, all I know is that
You're the nicest thing I've ever seen
And I wish we could see if we could be something
Yeah, I wish we could see if we could be something"
 

Nicest Thing, de Kate Nash

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publicado às 20:11


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