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23
Abr09

Beato

Eu prefiro não acreditar a acreditar que há um deus, uma senhora, uns santos ou outra entidade qualquer que se marimba nas desgraças do mundo, que se está nas tintas para as guerras, para os tsunamis, para as crianças com fome, para os refugiados e para a faixa de gaza, que não mexe um dedo para tratar destes flagelos mas que, em troca de umas orações, de umas promessas, de umas velas acesas, de umas caminhadas ou de uns joelhos esfolados no chão de fátima, não se importa de perder o seu tempo a curar dores nas costas e a arranjar empregos para as pessoas deste país triste. É que não consigo sequer perceber como é que alguém há de querer acreditar num deus assim. Um deus, uma senhora, uns santos ou outra entidade qualquer que faz com que corra tudo bem na nossa vidinha, que cuida para que um neto nasça perfeitinho, para que se resolva aquela dívida, para que o negócio avance, para que a doença tenha uma cura, para que o casamento não acabe. Que gasta os seus milagres com as nossas desgraçazinhas apenas porque rezamos o terço e vamos uns quilómetros a pé. Não tem mais nada que fazer este santo? Eu cá prefiro acreditar que se existe um deus ele há de ser melhor do que isso. O meu deus não faz milagres, e ainda bem.

publicado às 10:04


1 comentário

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Anónimo 28.04.2009

"acreditar que há um deus, uma senhora, uns santos ou outra entidade qualquer que se marimba nas desgraças do mundo, que se está nas tintas para as guerras, para os tsunamis, para as crianças com fome, para os refugiados e para a faixa de gaza, que não mexe um dedo para tratar destes flagelos"...
Ora bem, aqui está o erro de muitos "opinanços" na área da religião (sobretudo católica). Esse Deus não existe, pelo menos para os católicos. Deus criou-nos livres e por isso deixa-nos a liberdade de sermos nós mesmos a solucionar o problema dos refugiados e da fome...afinal de contas não fomos nós que os criamos? Sendo mãe, a autora deste blogue percebe talvez melhor do que eu (que não o sou) o grande exercício de amor que é (ante)ver os erros dos filhos mas mesmo assim deixar que os mesmos aconteçam para que cresçam e aprendam.

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