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Ele há coisas fantásticas. Descobri (eu sei que vou atrasada, que isto é assim há muito tempo, mas acho que nunca é tarde para nos deslumbrarmos com as maravilhas legais) que, após o divórcio, as pessoas têm que cumprir o chamado "prazo internupcial" antes de se poderem casar outra vez. Esse prazo, prestem bem atenção que esta é a parte boa, é de 180 dias para os homens e 300 para as mulheres. Não é preciso ser muito esperto para perceber que 300 dias são 9 meses, isto é, o tempo de gestação de um bebé. Ou seja, o senhor legislador, homem com certeza, estava muito preocupado com o facto de haver mulheres, essas devassas, essas galdérias, que quisessem casar-se com um pobre homem inocente ocultando uma gravidez anterior. Que eu nem sei como é que se oculta uma gravidez de seis meses, mas, pronto, o senhor legislador lá há de ter as suas razões. Para que não haja dúvidas, há um ponto qualquer na lei que explica que "a mulher que pretenda celebrar novo casamento antes do decurso do prazo internupcial" deve apresentar um "atestado de médico especialista em ginecologia-obstetrícia comprovativo da situação de não gravidez". Eu já nem falo da humilhação que é uma mulher ter que ir pedir ao médico, olhe, escreva aí por favor que eu não estou prenha. É que até pode dar-se o caso de ela ter engravidado entretanto do homem com quem vai casar. Ou vivemos ainda todos no tempo em que as relações sexuais e essas porcarias obscenas só acontecem no seio (adoro esta expressão) do casamento? Mas aquilo que realmente é escandaloso é: porque é que esse período entre-casamentos é diferente para homens e mulheres? A mulher tem que ter comprovativo médico. Agora que o homem tenha, durante aqueles 180 dias de liberdade ou ainda no período do casamento, engravidado uma meia dúzia de mulheres não interessa nada. Estava só a tentar curar a sua mágoa, tadinho. E, além do mais, se elas não tomavam a pílula ou se não quiseram fazer um desmancho, isso é lá problemas delas, que o senhor legislador não tem nada a ver com isso. E ainda há quem me fale em igualdade.
Isto faz-me cá uma comichão. Está para além da minha certamente curta capacidade de compreensão.
2 mil e quantos? Antes de cristo, só pode.

publicado às 23:22


1 comentário

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Maria 01.07.2009

Não me parece que seja uma regra assim tão absurda, uma vez que, como já foi referido pela Mar, presume-se que, sendo a mãe casada, o pai da criança é o cônjuge. Se não quisermos abdicar desta regra (que facilita, por exemplo, o registo dos filhos de pais casados), não haverá uma forma razoável de contornar o prazo de 300 dias. Ou então impunhamos que, caso nascesse uma criança nos 300 dias após um segundo casamento, fosse feita prova de que o segundo marido era o pai da criança...o que também não seria simpático!

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