Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Ele há coisas fantásticas. Descobri (eu sei que vou atrasada, que isto é assim há muito tempo, mas acho que nunca é tarde para nos deslumbrarmos com as maravilhas legais) que, após o divórcio, as pessoas têm que cumprir o chamado "prazo internupcial" antes de se poderem casar outra vez. Esse prazo, prestem bem atenção que esta é a parte boa, é de 180 dias para os homens e 300 para as mulheres. Não é preciso ser muito esperto para perceber que 300 dias são 9 meses, isto é, o tempo de gestação de um bebé. Ou seja, o senhor legislador, homem com certeza, estava muito preocupado com o facto de haver mulheres, essas devassas, essas galdérias, que quisessem casar-se com um pobre homem inocente ocultando uma gravidez anterior. Que eu nem sei como é que se oculta uma gravidez de seis meses, mas, pronto, o senhor legislador lá há de ter as suas razões. Para que não haja dúvidas, há um ponto qualquer na lei que explica que "a mulher que pretenda celebrar novo casamento antes do decurso do prazo internupcial" deve apresentar um "atestado de médico especialista em ginecologia-obstetrícia comprovativo da situação de não gravidez". Eu já nem falo da humilhação que é uma mulher ter que ir pedir ao médico, olhe, escreva aí por favor que eu não estou prenha. É que até pode dar-se o caso de ela ter engravidado entretanto do homem com quem vai casar. Ou vivemos ainda todos no tempo em que as relações sexuais e essas porcarias obscenas só acontecem no seio (adoro esta expressão) do casamento? Mas aquilo que realmente é escandaloso é: porque é que esse período entre-casamentos é diferente para homens e mulheres? A mulher tem que ter comprovativo médico. Agora que o homem tenha, durante aqueles 180 dias de liberdade ou ainda no período do casamento, engravidado uma meia dúzia de mulheres não interessa nada. Estava só a tentar curar a sua mágoa, tadinho. E, além do mais, se elas não tomavam a pílula ou se não quiseram fazer um desmancho, isso é lá problemas delas, que o senhor legislador não tem nada a ver com isso. E ainda há quem me fale em igualdade.
Isto faz-me cá uma comichão. Está para além da minha certamente curta capacidade de compreensão.
2 mil e quantos? Antes de cristo, só pode.

publicado às 23:22


1 comentário

Sem imagem de perfil

Clara 01.07.2009

Pois, é uma questão legal que é essa apenas, da presunção de paternidade. Seria bastante injusto para um ex-marido ter de assumir uma responsabilidade que não é dele. É no entanto uma questão que, actualmente, não faz sentido, por existirem testes de DNA.
Só é aberto processo quando há negação da paternidade e aí são obrigatórios os testes.

Em relação ao homem poder ter engravidado várias mulheres durante esse período de 180 dias, isso é (e bem) indiferente à lei, a lei só tem de fazer o pai cumprir com as suas obrigações para com essas crianças, não tem de legislar sobre quantos filhos ele fez (se o fizesse é que estava a ser moralista).

Pior que isso (e muito mais injusto, acho eu) é a lei considerar como único dever do pai "prover dentro das suas capacidades económicas". Ou seja, tem de dar dinheiro aos filhos, mas uma vez tendo prescindido (porque há quem possa prescindir) da sua custódia, não tem obrigação de visita (que é considerada um direito, não uma obrigação).

Comentar:

Mais

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor