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Hoje fui visitar a Maria. Nascida há duas semanas, ela é a primeira filha de uma amiga que dentro de alguns meses vai fazer 40 anos. Estivemos a falar sobre isto. Eu fui mãe aos 29 e, sinceramente, achei tarde. Fisicamente, não há dúvidas de que é muito melhor ser mãe jovem. Quando tive o meu segundo, aos 33, senti como estava diferente. A gravidez custou-me mais. O corpo demorou mais tempo a voltar ao lugar (na verdade nunca voltou). O cansaço foi maior em todas as fases. Há uma energia que se vai perdendo. E é uma pena, porque as crianças precisam muito dessa nossa energia, para brincar, para andar com eles de um lado para o outro, para jogar à bola e ir à praia e não nos deixarmos ficar. E nós precisamos dessa energia para aguentar o esforço da maternidade e do trabalho e da vida toda. Claro que há pessoas mais velhas que têm essa energia. Há sempre. Mas não me parece que seja esse o meu caso. À medida que os anos passam parece que vou ficando com menos energia e menos paciência para certas coisas. O que é normal. Mas, mais do que isso, o que me faz realmente achar que devemos ser mães mais jovens é o facto de querer aproveitar ao máximo estes meus filhos. Querer estar com eles o maior tempo possível. De preferência lúcida e saudável (não há garantias que isso aconteça mas quanto mais jovem mais probabilidades, né?). Querer estar aqui para eles quando precisarem de mim. Poder fazer-lhes bolos nos aniversários. Ir buscá-los à discoteca às tantas da noite. Dar-lhes miminhos quando eles estiverem a estudar para os exames. Deliciar-me com as suas paixões. Fazer-lhes o almoço ao domingo quando eles já estiverem nas suas casas. Nos dias em que me ponho mesmo a pensar muito nisto até já consigo imaginar o tipo de avó que gostaria de ser - e que muito provavelmente não vou conseguir ser porque se os meus filhos tiverem filhos com 40 anos então, nessa altura, eu vou estar já bastante caquética. Eu queria ter sido mãe mais cedo.

O que acontece é que a vida nem sempre nos permite sermos mães tão jovens quanto gostaríamos. Porque ainda agora começámos a trabalhar e a ganhar dinheiro e a ser independentes e queremos aproveitar a vida e viajar e sair e fazer essas coisas todas. Porque nem sempre é fácil encontrar a pessoa com quem nos apetece ter filhos. Porque isto de arranjar emprego e ter alguma estabilidade financeira não acontece de um dia para o outro. Pior ainda se quisermos apostar alguma coisa na nossa carreira. Acabamos sempre por adiar a decisão, umas mais do que outras, até que chegue aquele que consideramos ser o momento certo.

Para esta minha amiga foi agora. Dizia-me ela que isto de ser mãe mais velha permite-lhe ter uma serenidade diferente. A tão falada maturidade que, de facto, não se tem aos vinte e tal. Dez ou quinze anos a mais anos fazem toda a diferença. Não stressa tanto com coisas de nada. Não liga tanto ao que os outros dizem e esperam dela. Desfrutará mais, provavelmente, pois já fez muitas coisas na vida, quer a nível pessoal quer profissional, e por isso pode agora entregar-se à maternidade, sem sentir essa pressão de que está a perder qualquer coisa.

Nesta equação não há respostas certas ou erradas.

Mas foi engraçado estar a falar disto, com uma bebé minúscula no colo, no mesmo dia em que li a fantástica declaração de Angelina Jolie e esta análise sobre como as mães de hoje são diferentes das mães de há vinte anos. Porque estas coisas andam mesmo todas ligadas.

publicado às 21:15


1 comentário

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Nandinha 17.05.2013

Eu passei pelas duas experiências. Fui mãe aos 20 e aos 38 anos. A paciência perde-se nas duas idades, claro que com 20 temos menos paciência, mas aos 38 tens dias de tudo :) O importante é o amor que pomos na maternidade, mas acreditem que ser mãe é um espetáculo, independentemente da idade.

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