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A primeira vez que me imaginei três semanas de férias sozinha com os meus filhos ia tendo um ataque de pânico. O problema não é ir à praia sozinha com eles. Nada disso. Apesar dos banhos que terei de dar na água fria, essa é a parte melhor. O problema é ter que estar disponível 24 horas por dia durante tantos dias seguidos. Termos de andar sempre os três, em grupo, para ir ao supermercado ou para ir levar o lixo, para ir pôr gasolina ou para ir passear, para ir comprar o almoço ou levantar dinheiro ou tomar um café ou ver as vistas. Eu, sempre ao volante, para lá e para cá. A carregar e a descarregar as malas. Sempre eu a controlar as birras e a dar colo, a zangar-me quando eles se portam mal e a ter que jogar raquetes ou às cartas, sem ninguém com quem partilhar as tarefas ou com quem conversar sobre o que quer que seja. Eu adoro os meus filhos mas, convenhamos, isto não seriam bem férias. Ao fim de uma semana iriamos andar os três à batatata e eu iria estar de rastos.

Por isso, este ano, expliquei-lhes, vamos ter uma férias um bocadinho diferentes. Em vez de três semanas de praia vamos andar por aí. A cravar camas e colos. A visitar sítios novos e amigos antigos. Vamos fazer muitos quilómetros mas vai valer a pena, prometi-lhes.

Começámos com uma ida a Coimbra e arredores com paragem obrigatória no Portugal dos Pequenitos e na Universidade e mais uns quantos passeios. Dormir no hotel, terminar o dia na piscina, jogar snooker ao serão. Pequenas coisas que fazem os miúdos felizes. A eles bastavas-lhes isso e ter os primos para brincar e parvejar e já eram dias bem passados. As crianças chateiam menos quando têm outras crianças com quem interagir. E eu, apesar da canseira que é conduzir, tinha a minha maninha e o meu cunhado para me animarem.

Prosseguimos para o monte de uns amigos no Alto Alentejo. Mais amigos para eles brincarem. Com mais mergulhos. Bicicletas e cães. O campo e o silêncio. Os miúdos andavam tão entretidos que quase não dei por eles. E eu, além de ter direito a muitos abraços e conversas, consegui descansar (e ainda trouxe uma pen recheada de filmes e séries para me entreter nos próximos dias).

Hoje descemos até ao Baixo Alentejo. Comemos uma feijoada em casa dos avós e acabámos de chegar ao Barlavento Algarvio. Nos próximos dias seremos só nós os três. Eles, diga-se em abono da verdade, têm-se portado à altura. Ajudam a carregar as malas, têm aguentado bem as viagens e, tirando aquelas implicações habituais um com o outro, até se portam bem (dentro do género, entenda-se, os meus filhos não são conhecidos por ficarem sentados no sofá muito tempo). E eu só preciso manter a calma e relaxar. Nem sempre é fácil mas acho que com um bocadinho de esforço chego lá.

A primeira semana está a chegar a fim. So far so good.

publicado às 21:49


4 comentários

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Anónimo 28.08.2013

Parabéns pela coragem que tem em partilhar, mais do que as dificuldades, os medos e estratégias para os superar. Obrigada pela sua frontalidade. É raro falar-se com tanta "verdade" - e mesmo assim sem dramas - do que significa/implica divorciar-se.

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