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Ter amigos verdadeiros. Daqueles com quem podemos ser nós mesmos, sem filtro, sem máscaras, sem pensar, apenas ser. Amigos a quem conto os meus segredos, as minhas paixões, os meus medos, as minhas loucuras, as minhas coisas ridículas. Amigos com quem simplesmente converso. Que ouvem. Que dão bons conselhos. Amigos com quem me calo. E que ficam. Que me protegem. Que se preocupam. Que me dão colo. Que me puxam as orelhas. Amigos a quem mando mensagens que dizem: preciso de ti. E eles respondem. Amigos que aparecem mesmo quando não mando nenhuma mensagem. Que sabem o que sinto sem que eu lhes conte. Amigos que dão abraços. Que me dão copos de vinho. E comida boa. Que me fazem rir. Que me ajudam a esquecer. Amigos que me emprestam camas para eu dormir com os meus pimpolhos quando a coisa começa a ficar complicada. Amigos a quem os meus filhos chamam amigos. Ter amigos verdadeiros é uma das minhas grandes felicidades. Não consigo perceber como é que há pessoas (e há) que conseguem viver sem uma amizade assim. Eu cada vez mais me convenço que se não fossem estes amigos que me amparam há tantos anos não conseguiria continuar a sorrir por entre as lágrimas.

 

("só aos amigos é dado o espetáculo da nossa miséria")

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publicado às 22:36


3 comentários

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Diana A. 31.08.2013


Eu penso que quem não tem amigos assim...só não os tem porque não é muito fácil encontrá-los, ou mantê-los. Começo a achar frequente um suposto grande amigo virar-nos as costas de um momento para o outro.
As poucas mas grandes amizades que temos devem ser preservadas com alguma dedicação e carinho, porque são mesmo muito valiosas.

Boa noite,
Diana
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Anónimo 14.09.2013

Vivo assim e sorrio em cada palavra tua. Sou eu.
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Contas por saldar 01.10.2013

"Creio que já esgotei todas as hipóteses de renegociar a dívida. Considerei hipotecas sobre o melhor que tenho para dar, calculei o valor a tudo quanto recebi isento de juros, congeminei planos de salvação, resgates, vasculhei fundos perdidos, clamei por um novo período de carência. Nada feito. Persiste um insanável desequilíbrio entre o deve e do haver. Decidi-me então aguardar que viesses executar a dívida. Cobrar o aluguer desse ombro incondicional, apresentar factura desse sorriso analgésico, a meiguice ante o horror dos meus pecados, as minhas mãos ensanguentadas e tu capaz de jurar que eram feridas de rosas, malditos espinhos, que eu apenas queria colher rosas e ninguém me pode levar a mal, que as fatalidades são fáceis a qualquer um, e eu a querer a acreditar nos alibis que ias improvisando para a minha culpa, as lágrimas e os lenços de assoar, todas as coisas de nada que nos piores dias foram tudo. Tudo isso que poucas vezes me mereceu a gorjeta de um obrigado, tudo isso a pesar nas contas e eu a temer pela insolvência da nossa amizade. Mas não vieste. Tu que jamais recusarias ficar comigo quando as luzes se apagam e toda a gente vai embora, que assistirias sem hesitar ao espectáculo da minha miséria, que pagarias bilhete se preciso fosse, só para me ver, só para garantir que eu teria público, e ias aplaudir de pé, dando vivas ao artista contra o nojo da restante plateia, atirando rosas para eu apanhar e disfarçar o sangue das mãos culpadas. Tu não vieste cobrar porque não sabes. Nem foste ao camarim porque jamais irias sem que te chamasse ou me soubesses só e carente de um elogio. Tu que sabes mais de mim do que sou capaz de te dizer, deduzindo à distância a extensão do meu vazio, sempre pronta a preenchê-lo com esse sorriso que mata dores escondendo as suas. Incondicional tu. Sem confissões de ciúme, sem voragens de posse, sem calculadora para a oferta. Como te conseguirei pagar se nem tu sabes que te devo?"

Escrito por alguém, algures, há muito tempo, para ti.

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