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Quando eu andava na faculdade não tínhamos telemóveis. Os nossos encontros eram combinados de véspera. Ele dizia: amanhã saio das aulas às 3 e depois encontro-me contigo no saldanha, pode ser? No dia seguinte ia cada um à sua vida. Às 3, ou talvez um pouco depois, ele saía das aulas. Ficava na conversa uns dez minutos ou meia hora. Depois esperava na paragem do autocarro uns quinze ou quarenta minutos. Depois atravessava a cidade no 38 e demorava uns vinte ou cinquenta minutos. Finalmente, chegava ao saldanha, podiam ser 4 da tarde ou 5 horas. E eu estava lá, sentada no degrau da estátua, provavelmente a ler um livro ou apenas a ver as pessoas que passavam, o que para mim sempre foi entretenga suficiente.

Nunca nos desencontrámos (pelo menos, não por estes motivos). Outros tempos.

publicado às 11:46


3 comentários

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Alexandra 13.01.2014

é verdade que era assim. vivíamos num outro ritmo, com outra organização. nós combinávamos de véspera ir à praia, marcávamos horas, ou nem era preciso, subentendia-se que eram as do costume (não recordo quais, é indiferente). o local era tb. o do costume, mais poucos metros para a esq. mais poucos metros para a esq., dependendo do espaço. E lá nos encontrávamos!
claro que havia algo menos de gente, mas tb. não era assim tão complicado. A questão é ser algo preciso, sério (não deixar a rapariga à seca na rua) e saber que a vida acontece e leva algum tempo.
outros tempos sim
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cecília 13.01.2014

também ninguém combinava 'onde tomar café', ia-se ao café, que era o nosso e o de outros o seu. e lá estavam os nossos. sempre.
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Enjoy the Ride 13.01.2014

os "desencontros" da era moderna vão muito para além dos atrasos dos relógios. são "desencontros" que podem mudar as nossas vidas. para pior ou melhor.
não sei se não preferia esses "outros tempos" (lá está a minha veia saudosista a falar).

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