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26
Fev09

Uma mão cheia

No dia em que fez cinco anos o meu filho acordou às dez para as sete. Eu tinha acabado de me deitar, depois de mais de uma hora com o bebé ao colo, quando ele entrou pelo nosso quarto com aquele sorriso de orelha a orelha e a dizer estou muito contente, hoje faço cinco anos, uma mão cheia, estou tão contente. Eu também, meu filho. Ensonada, cansada mas muito feliz, não encontro melhor descrição para o que têm sido estes cinco anos.

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publicado às 22:55

Não percebo estes zunzuns com os Oscares. Todos os anos a mesma coisa. Quando os prémios vão para actores negros (perdão, afro-americanos) os críticos vêm logo dizer que se estava mesmo à espera, que no momento em que se vive há que agradar às minorias e isto é o politicamente correcto. Quando os prémios vão para filmes de causas, os críticos dizem que se estava mesmo à espera, que depois do 11 de Setembro e blá blá blá e é o politicamente correcto. Quando os prémios vão para filmes históricos, os críticos dizem que se estava mesmo à espera, que o ocidente está a ajustar contas com o seu passado e é o politicamente correcto. Quando os prémios vão para filmes de fantasia ou ficção científica ou assim, os críticos dizem que se estava mesmo à espera que a sociedade quer é alienação e estes prémios são politicamente correctos. Quando os prémios vão para os consagrados, os críticos dizem que já não eram sem tempo e estava-se mesmo à espera. Quando os prémios vão para os novos os críticos dizem que isto é Hollywood a piscar o olho à vanguarda e estava-se mesmo à espera. Então, qual é o espanto dos prémios deste ano? Hello!, isto são os Oscares, amigos críticos. É Hollywood. É politicamente correcto. E, salvo raras excepções (acontecem, de vez em quando), os Oscares são assim. Previsíveis. De acordo com a agenda do momento. Por isso, poupem-me ao discurso moralista. Sim, já sabemos, os Oscares são uma porcaria, não valem nada, é só vestidos e fofocas e o dinheiro dos anúncios, é o sistema a premiar o sistema mas, até ver, é o melhorzinho que temos. Alienção por alienação, ao menos que seja com estilo. E já agora com o Hugh Jackman a dar um pezinho de dança.

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publicado às 10:44

19
Fev09

A rolha

Lidas uma a seguir à outra estas notícias provocam-me uma certa comichão. Uma é sobre o facto de o ministério público ter proibido uma sátira ao querido magalhães, o computador entenda-se, num dos desfiles mais populares. Outra diz que uma direccção regional de educação obriga uma escola a ir festejar o carnaval para a rua, quando o conselho directivo tinha decidido que a festa seria dentro dos muros. Fico assim meia zonza. Eu não gosto especialmente do carnaval, não tenciono mascarar-me nem ir a nenhum desfile, mais brasileiro ou mais português. Por mim ignorava-se a data e seguia-se para bingo. Ainda assim fico chocada. Mas que raio. Desde que me lembro de ser gente que o carnaval era a altura dos excessos e das transgressões. Homens que eu via todos os dias de fato e gravata apareciam de peruca e mamas postiças. Gente geralmente composta batia-me à porta com a cara tapada com uma meia. Nos desfiles havia sempre piadas ao momento político, fosse o que fosse, a crise, a cee, as vacas loucas, os políticos. É carnaval ninguém leva a mal, dizia-se. Mas isso era dantes. Transgressões? Agora tem de andar tudo na linha. Há leis e regras e regulamentos e directivas para tudo, tudinho, até para o carnaval. Parece coisa pouca, é só um desfile, são só uns miúdos mascarados em fila indiana, é só um carro alegórico. Só uma proibição. Só uma obrigação. O que é que custa? Parece coisa pouca mas é sintoma de muita coisa.

publicado às 21:37

18
Fev09

Fotossíntese

As praias deviam ser sempre assim. Vazias, sem confusões, com sol mas sem muito calor, sem ser preciso tirar a roupa e sem sequer molhar os pés. As praias deviam ser sempre assim silenciosas e sem cheiro a cremes. O miúdo a brincar, o bebé a dormir, e nós a ver o mar. Onda vai, onda vem. Sem pensar em trabalho. Sem pensar em nada.

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publicado às 23:39

11
Fev09

Obrigado

Obrigado, obrigado, obrigado, obrigado. Obrigado por me ajudarem a soprar com força para afastar estas nuvens negras do caminho. Agora, em vez de pensar em caracteres e tags e que nunca mais é hora de ir e que ainda tenho que fazer o jantar, posso entreter-me a pensar que daqui a pouco é sábado e se deus quiser vai estar sol e que quando voltar vos vou dar aquele abraço. Obrigado mesmo.

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publicado às 20:54

08
Fev09

Domingo

Tomo dois ilvicos. Começa a chover. Acendemos a luz na cozinha. Um almoço rápido, tenho que ir trabalhar. Ele tem a barba por fazer. Está calado. O que se passa, amor? Estou cansado. Levanta os olhos do prato e fixa-os em mim. Essa blusa que tu tens hoje, começa ele. Posso adivinhar o que se segue. É uma camisola de gola alta azul-escura, cheia de borbotos, comprada na La Redoute quando ainda estava na faculdade. Há que tempos que não a usava. Sim?, o que tem? Essa blusa está um bocadinho velha, não achas? Esta blusa sou eu hoje. Um trapo velho. E enfio mais uma garfada de arroz na boca.

publicado às 17:59

02
Fev09

Feel-good


A minha história do cinema está cheia de filmes assim. Não são obras primas. Não são revolucionários. Não são o melhor filme do ano. Não levam cinco estrelas. Não vão mudar o mundo nem o cinema nem sequer me vão mudar a mim. E no entanto um filmezinho pode preencher-me a alma. Slumdog Millionaire é bom porque me fez rir e chorar, porque me fez gostar do herói e sofrer por ele, porque me fez desejar que eles fiquem juntos e acreditar que os contos de fadas podem mesmo acontecer a qualquer um. Porque tem uns miúdos reguilas a quem apetece apertar as bochechas mesmo quando eles só fazem traquinices. Porque nos mostra a Índia que não vem nos guias turísticos (e também a que vem) sem ceder a um olhar paternalista. Porque está bem feito, e se não fossem as semelhanças com a Cidade de Deus até poderia dizer que está muuuito bem feito. Porque me fez dançar na cadeira. Porque quero vê-lo outra vez. Os críticos chamam-lhe feel-good movie. Ora era mesmo disto que andava a precisar.

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publicado às 21:35

01
Fev09

Faz-de-conta

Agora deixávamos os putos com alguém e iamos os dois para um sítio qualquer com sol e com uma cama grande e ficávamos lá uns quantos dias a namorar e a preguiçar e depois voltávamos e tinha nos saído o euromilhões e por isso eu não tinha que voltar a trabalhar e contratávamos uma empregada e éramos felizes para sempre, boa?

publicado às 21:49


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