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19
Fev09

A rolha

Lidas uma a seguir à outra estas notícias provocam-me uma certa comichão. Uma é sobre o facto de o ministério público ter proibido uma sátira ao querido magalhães, o computador entenda-se, num dos desfiles mais populares. Outra diz que uma direccção regional de educação obriga uma escola a ir festejar o carnaval para a rua, quando o conselho directivo tinha decidido que a festa seria dentro dos muros. Fico assim meia zonza. Eu não gosto especialmente do carnaval, não tenciono mascarar-me nem ir a nenhum desfile, mais brasileiro ou mais português. Por mim ignorava-se a data e seguia-se para bingo. Ainda assim fico chocada. Mas que raio. Desde que me lembro de ser gente que o carnaval era a altura dos excessos e das transgressões. Homens que eu via todos os dias de fato e gravata apareciam de peruca e mamas postiças. Gente geralmente composta batia-me à porta com a cara tapada com uma meia. Nos desfiles havia sempre piadas ao momento político, fosse o que fosse, a crise, a cee, as vacas loucas, os políticos. É carnaval ninguém leva a mal, dizia-se. Mas isso era dantes. Transgressões? Agora tem de andar tudo na linha. Há leis e regras e regulamentos e directivas para tudo, tudinho, até para o carnaval. Parece coisa pouca, é só um desfile, são só uns miúdos mascarados em fila indiana, é só um carro alegórico. Só uma proibição. Só uma obrigação. O que é que custa? Parece coisa pouca mas é sintoma de muita coisa.

publicado às 21:37


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