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26
Mar09

Auto-ajuda

Há uma idade, quando estamos na adolescência e achamos que vamos morrer de amor porque o tal da outra turma não nos liga nenhuma, ou quando aquela borbulha na testa nos faz ter vontade de passar o dia enfiadas em casa, ou quando as músicas mais lamechas do lionel richie e do jim diamond nos fazem chorar, há [houve] uma idade em que nós, as raparigas, coleccionamos citações profundas - poemas, excertos de livros, letras de músicas, coisas que tocam a nossa alma sofrida de quinze anos. Escrevemo-las nos cadernos da escola com canetas coloridas e de cheiro a morango. No placard de cortiça ao lado da escrivaninha eu tinha uma frase do Richard Bach (um clássico), escrita com a letra da minha irmã, que dizia mais ou menos assim:
Não te deram um desejo sem te darem, ao mesmo tempo, o poder de o concretizares; contudo, é possível que tenhas de lutar por ele.
Mais ou menos. Cito de cor. É esse o poder da adolescência. Fica impregnada na nossa pele. E depois revela-se nos momentos mais inoportunos. Do nada, pomo-nos a cantar os dire straits ou os new kids on the block. Do nada, lá vem o Richard Bach, uma espécie de segredo antes do tempo dos best sellers.
Não te deram um desejo sem te darem, ao mesmo tempo, o poder de o concretizares; contudo, é possível que tenhas de lutar por ele.
E tantos anos depois não é que o gajo tem razão? Se pensarmos bem, ou se não quisermos pensar de todo. A isto se resume a vida. Um desejo. E a esperança de que se lutarmos o suficiente havemos de alcançá-lo. E lutamos. E sofremos. E pensamos, lá está, é preciso lutar para conseguir. E a puta da vida às vezes dá-nos cabo da cachimónia. Mas, bom, com jeitinho, a coisa faz-se. Há de se fazer.
Não te deram um desejo sem te darem, ao mesmo tempo, o poder de o concretizares; contudo, é possível que tenhas de lutar por ele.
Repetir até à exaustão. Nao te deram um desejo. Eu tenho o poder. Basta lutar.
Mas até quando?

publicado às 22:58


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