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29
Jun09

Recem-nascida

A gente resmunga e queixa-se, porcaria de vida, correrias, sopas, birras, cocós, discussões, pressas, stresses, nervos, preocupações, angústias, doenças, asneiras, gormitis, dúvidas, mas porque raio é que me fui lembrar de ter filhos, não um mas dois, porquê dois?, como se não fosse já difícil antes, e eu sei que é uma injustiça, mas o que querem, de vez em quando, uma pessoa anda cansada, é o trabalho, é o sono, são as prepotências, a incompetência, a estupidez, tudo isto me põe maluca, é a crise, o trânsito, a chuva, os contratempos, os atrasos, e uma pessoa, não me entendam mal, eu gosto dos meus filhos, eu sei que até sou feliz, que me queixo de barriga cheia, mas uma pessoa às vezes esquece-se, não é?, uma pessoa anda tão ocupada que às vezes se esquece de ser tão feliz quanto poderia ser. É preciso nascer a filha de uma amiga. É preciso ficar ali a olhar para aqueles três quilos e trezentas de gente, tão pequenina e com tanto futuro. Um bebé é uma injecção de esperança. De certeza. De vida. Uma oportunidade para ver o mundo pela primeira vez. Outra vez. Uma bofetada na nossa cara. É preciso ir lá para sentir aquele nó na garganta e pensar, porra, não há nada que se compare a isto. Não há mesmo.
Obrigado, Madalena. Bem-vinda.

publicado às 22:42


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