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Não nos dizem isto. Falam-nos das cólicas e das noites sem dormir, das fraldas e das birras, mas não nos dizem que um dia nos vamos encontrar doentes, doentes, com dores em todo o corpo e uma tosse insuportável, e ainda assim nos vamos sentar no sofá e passar horas, muitas horas, a tentar fabricar uma roupa de pauliteiro de miranda para o nosso filho. Podia ser um fato de alentejano (bastava ligar para a mãe, por favor, arranja lá), podia ser um campino (até já estou a ver o gorro do pai natal a transformar-se em adereço ribatejano), podia ser um pastor serrano (com capote e tal), mas não, calhou-nos logo um pauliteiro de miranda que usa uma coisita banal, uma camisa branca com folhos (encontra-se na secção de menina, portanto, e mesmo no continente custa 12 euros), uma saia branca com três folhos e bordados (lá se foi um lençol), um colete castanho (obrigado, mãe do miguel), um lenço florido nas costas, um chapéu com fita vermelha e flores e uns paus na mão. What? Não, não nos avisam disto. Que vamos picar os dedos, voltar trinta vezes à retrosaria, fazer perguntas parvas, aplicar bordados, comprar um dedal, que nos vamos deitar às duas da manhã e, apesar da febre, da tosse, das dores, apesar de nos querermos embrulhar numa manta e que ninguém nos chateie, vamos coser com estas mãos toscas uma linda saia rodada com três (vejam só, três) folhos. Isto para ele dançar, felicíssimo, na festa da escola durante uns cinco minutos.
Ah, e para completar o ramalhete, acho que nem vou ver. Depois de uma gripe que se transformou em faringite, eis que estou com uma rica pneumonia e ordens para ficar em casa durante uma semana. Preciso de pedir ao meu homem para ir ao blockbuster urgentemente.

publicado às 14:43


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