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Não simpatizo com a professora Bruna como não simpatizo com nenhuma pessoa, homem ou mulher, que acha que para ter sucesso na vida lhe bastam um palminho de cara ou de corpo e um pouco de lata. Gente que dorme com o chefe a troco de promoções. Gente que vai a reality shows a troco de fama. Gente que se despe a troco de dinheiro. Acho mais triste o que esta sessão de fotos (mázinha, por sinal) revela sobre o seu carácter do que o que revela sobre o seu corpo. Mas não é isso que está aqui em causa: ela não foi punida por ser ambiciosa, foi punida por mostrar as mamas.
Não simpatizo com a professora Bruna e, se me perguntassem, eu diria que não gostaria que ela fosse professora dos meus filhos. Tal como não gostaria de ter uma professora que fosse de extrema-direita ou que maltratasse animais ou que desse erros de português ou que fosse uma cabra. São coisas que me incomodam. Não são motivos para proibir ninguém de exercer a sua profissão. De resto, Freud explicaria melhor do que eu porque é que há falhas dos professores que são permitidas e outras que dão azo a movimentos populares. Tem tudo a ver com sexo. Como sempre.

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publicado às 22:07

Estamos há dez anos à espera desta festa de casamento. Vai ser lá para setembro. Obrigado, senhor presidente. Pode fazer cara feia à vontade que a gente não se importa e ainda havemos de rir um bom bocado à sua conta quando estivermos a brindar aos noivos, ambos de fato e gravata, e felizes, felizes, como só as pessoas que se amam sabem ser.

publicado às 10:33

18
Mai10

Pedro


A fotografia é do ano passado mas isso não interessa nada. Como toda a gente sabe, na cabeça das mães os filhos nunca crescem. Hoje cantámos-lhe os parabéns logo de manhã, todos na cama, e ele riu-se, bateu palmas e deu beijinhos. Perguntamos-lhe: quantos anos faz o Pedro? E ele responde: bolo. Ora agora a matemática. Hoje é dia de bolo, isso é que importa. Para não o defraudar, vou ali a baixo comprar ovos. E velas. Duas velas.

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publicado às 10:22

Eu li os livros e os artigos das revistas. Do spock, do brazelton e do mário cordeiro, daquele que tem um método infalível para alimentar as crianças, do outro do pequeno ditador e mais uns quantos menos mediáticos mas igualmente cheios de teorias. É óptimo haver tantas teorias porque, se procurarmos bem, há sempre algum especialista que concorda connosco e serve mesmo para justificar as nossas decisões. Há uns que dizem que o bebé deve aprender a dormir sozinho, outros que defendem o co-sleeping. Há uns que dizem que o bebé deve escolher os seus horários, outros que nos aconselham a impor regras e rotinas desde o nascimento. Há uns que nos fazem sentir culpadas por nunca estarmos em casa, outros que dizem que o mais importante é ter tempo de qualidade com eles. Que nunca se deve bater nem gritar, ou que uma palmada de vez em quando não faz mal. Que os devemos obrigar a comer bróculos, ou que não adianta forçar nada. Que eles devem aprender quanto custa a vida, ou que devem ser crianças e temos de os proteger. Já foi moda abdicar de tudo pelas crianças, mas parece que agora voltou a estar na moda sermos adultos e elas que se adaptem à nossa vida. Enfim. É escolher, ò freguesa. Eu li os livros todos e, como toda a mãe que se preza, juntei estes conselhos todos, deitei fora aqueles que não me interessavam, baralhei, dei de novo e criei umas teorias só minhas, acertadíssimas, inatacáveis - para educar filhos perfeitos, sem margem para erros. Tenho certezas absolutas (não temos todas?). Sei exactamente como devo fazer.
O problema não são as teorias. O problema é a prática. Diária. Caótica. Improvisada. Cansada. Barulhenta. E, vai-se a ver, acabo sempre cheia de dúvidas, a achar-me a pior mãe do mundo e a imaginar os horrores que os meus filhos hão de dizer de nós quando, já crescidos, passarem horas e horas na psicanálise. Não podia ser só um bocadinho mais fácil?

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publicado às 15:47


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