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31
Out13

O lado bom

Mallu Magalhães, "Velha e Louca"

publicado às 02:20

30
Out13

Escolhas

Falei há uns dias com um comandante da marinha sobre o filme 'Captain Phillips'. Ele esteve na Somália naquela altura, lembra-se perfeitamente do caso e contava-me a sua surpresa por o filme estar tão bem feito, todos os pormenores batiam certo, nada de erros grosseiros a apontar, nada do espetáculo hollywoodesco e pouco verosímil que é costume neste tipo de filmes. "Claro que a realidade não tem banda sonora, mas de resto é tudo muito real", disse-me.

Fiquei curiosa. E hoje, num impulso, decidi ir ver o Tom Hanks. Não é o tipo de filme que me atraia particularmente mas, sendo baseado num caso real e tendo esta garantia de que não ia ver o 'Pearl Harbour' nem outra qualquer lamechice a adular os heróis americanos, arrisquei. Poucos minutos depois de começar já estava toda encolhida na cadeira. Mesmo conhecendo a história e sabendo exactamente como aquilo ia terminar não dava para controlar os nervos. O coração aos saltos. A tentação de roer as unhas. Tapar os olhos para não ver. Sofrer com o sofrimento daquele homem. Querer sair a meio e querer ficar ao mesmo tempo. Emocionar-me. Uma tortura. Gostei do filme, pois gostei, e vale a pena, sim, senhor, mas ainda assim para mim foi uma tortura. Saí dali como se tivesse levado uma surra por dentro, o que não é surpresa nenhuma. Não é a primeira vez que isto me acontece. E, conhecendo-me, era até bastante previsível que isto iria acontecer.

Mas a questao é: porque é que eu insisto? o que me leva a enfiar-me numa sala escura a meio da tarde, para ver um filme destes, sabendo eu de antemão que vou sofrer assim? não teria sido melhor ir ver o 'Romeu e Julieta' ou 'O Sentido do Amor' ou outra coisa qualquer? sabendo eu o que sabia não seria melhor evitar esta camada de nervos que só me faz cabelos brancos? o prazer de ver este filme é superior ao sofrimento que ele me causa?

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publicado às 16:41

29
Out13

Supermercados

Ao jantar, partilhando os acontecimentos do dia: "Hoje a Inês trouxe o globo e estivemos a ver os supermercados do mundo toooooodo", diz o Pedro.

"Os supermercados?", pergunto eu.

"Sim."

"Os supermercados do mundo todo? Não pode ser... Tens a certeza?"

"Todos."

E, neste momento, o mano mais velho percebe tudo: "Os continentes, mãe, eles estiveram a ver os continentes."

Lol.

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publicado às 23:10

27
Out13

Lou Reed

Há músicas que nos tocam sem sabermos muito bem porquê. Este senhor tinha algumas dessas. Lou Reed (1942-2013)

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publicado às 22:20

26
Out13

Arejar

"Assim eu, Brás Cubas, descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência."

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881

publicado às 16:46

O Paul McCartney velhinho, enrugado, ao piano, com umas birkenstock nos pés. A divertir-se. E uma série de gente mais ou menos conhecida à sua volta para alimentar as notícias dos jornais. A música não tem nada especial mas é suficiente para me pôr a viajar (e sou só eu que ao vê-lo a assobiar e a descer as escadas para o estúdio me lembro do video de No More Lonely Nights?). E agora tenho outra vez 16 anos e sento-me ao microfone da rádio da minha terra a anunciar que All You Need is Love. 

publicado às 10:51

Às vezes vou entrevistar uma pessoa mas passado pouco tempo esqueço-me das perguntas que tenho no caderno e deixo-me levar pela conversa e perco a já de si pouca objectividade que costumo ter e fico a gostar ainda mais da pessoa que está ali à minha frente como se a conhecesse de facto, mesmo sabendo que não conheço e que daí a pouco vou desligar o gravador e não vamos voltar a encontrar-nos. É muito bom quando isso acontece. Já me aconteceu duas vezes com a Patrícia Reis. E ainda por cima ela, como eu, é mãe de rapazes.

publicado às 15:43

21
Out13

Perspectiva (2)

Sabem quando duas pessoas têm uma relação amorosa ou de amizade e discutem e depois cada uma conta a sua versão da história? Os factos são só uns mas as versões pouco coincidem. As palavras ditas ou escritas são as que são, mas cada uma interpreta-as de sua forma. Mais do que ter visões diferentes é quase como se cada uma tivesse vivido algo realmente diferente. Isto acontece tantas vezes. E o pior é que às vezes isto está acontecendo, no dia a dia, e, até ao momento da discussão, as pessoas nem se apercebem.

publicado às 21:47

Arco-Íris. Muitos. Por todos os lados. É sempre mágico.

publicado às 17:43

Hoje, ao conversar com um colega que acabou de se separar, ele falava-me da solidão que sentia em casa. Do silêncio insuportável. Das saudades dos miúdos. Do não ter nada que fazer. Das refeições para um. Falava e a cara dele era só tristeza. Compreendo-o perfeitamente. Imagino-me a dar em maluca numa situação dessas. Não são só as saudades que se tem dos filhos, é a perda de toda uma rotina. É quase como reaprender a viver. Mas, por outro lado, é igualmente desesperante nunca estar sozinha, não poder fazer qualquer programa sem crianças, ter que estar sempre a pensar no jantar e no supermercado e nas roupas e na escola e não ter ninguém com quem partilhar as responsabilidades ou os fins-de-semana ou alguma coisa que seja. É uma situação igualmente solitária, só que no caso dele, acredito, é só uma questão de tempo até ele perceber que pode sair de casa, ver outras pessoas, ir ao cinema, convidar amigos para jantar e ter uma vida normal nos dias em que não tem os filhos. No meu caso, não há escapatória possível. Não sei se consigo explicar isto sem parecer uma mãe desnaturada. Não é que eu não goste dos meus filhos e de estar com eles,que gosto. Não é que eu não consiga fazer isto sozinha, que consigo. É só que é muito intenso. E de vez em quando uma pessoa precisa de um intervalo.

Amanhã, pela primeira vez num mês, vou ter uma noite sem crianças. Uma conjugação de factores e uma tia simpática vão permitir-me ter uma noite inteira de folga. Não sei que vos diga. Estou quase tão entusiasmada com isto como eles estão excitados com o facto de irem passar uma noite fora de casa.

publicado às 20:28

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