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Educar um filho é abrir-lhe portas.

Não podemos decidir o que os filhos vão fazer com as suas vidas nem que tipo de pessoas eles vão ser. Penso muito nisso quando vejo grupos de jovens na rua ou nos transportes. Fico a observá-los e a tentar imaginar como serão os meus filhos daqui a uns anos. Como irão falar. Como se irão comportar. Que música irão ouvir? O que despertará o seu interesse? Serão desportistas? Serão marrões? Serão uns calões? Que profissão irão escolher? Em que partido vão votar? Vão fazer piercings? Irão usar gravata? É impossível prever. Espero mesmo que eles sejam boas pessoas. Rapazes honestos, bons amigos, que gostem de aprender e se preocupem com o mundo em que vivem. Não gostava que eles fossem uns tontinhos, obcecados com as marcas da roupa e do telemóvel. Mas não tenho garantias nenhumas de que assim seja. Faço o meu melhor por lhes transmitir valores. Por lhes dar um bom exemplo. Por lhes mostrar um caminho. Mas, na verdade, apesar de eu saber que a minha influência é grande, há muita coisa que eu sei que não posso controlar.

Educar um filho é abrir-lhe portas. Mostrar-lhe como o mundo é grande. Como há muita coisa interessante. Despertar-lhe a curiosidade. E deixá-lo descobrir o que é que lhe interessa, o que é que o faz feliz. Dar-lhe oportunidade para mexer o corpo e para ginasticar a mente. Dar-lhe ferramentas para que ele vá à procura de coisas novas, por sua livre vontade. E esperar que aquilo que fizemos tenha sido suficiente. Não tenho grandes ilusões sobre isto. Sei que não é por os levar ao ballet na infância que eles vão gostar de ballet quando forem crescidos. As coisas não são assim tão simples. Mas podemos ir abrindo portas, acredito que esse é o meu dever.

Levá-los ao futebol, à missa e ao teatro, tudo no mesmo fim-de-semana. Por exemplo.

publicado às 11:08

15
Out13

Abrir portas

"As pessoas podem não querer vir, podem não gostar de nada do que fazemos. Há pessoas que acham que temos uma programação elitista, que não é para elas. E na esmagadora maioria dos casos nem experimentaram. Recusam a experiência, excluem-se dessa hipótese. E têm o seu direito. Não estou a fazer nenhuma crítica. Mas tenho pena que seja assim. Do meu ponto de vista, têm a probabilidade de ser mais infelizes. Quanto mais coisas uma pessoa gostar mais momentos de felicidade posso ter, penso eu. O prazer que me dá ler um livro ou ver um certo espectáculo são coisas que eu tenho e que outras pessoas não terão."

 Miguel Lobo Antunes, director da Culturgest

publicado às 11:01


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