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21
Abr14

A festa

Foi bonita, até mesmo para uma benfiquista pouco convicta como eu. Foi bonita a alegria e ver tanta gente diferente junta de vermelho e cantarmos todos o hino (eu só sei o refrão, mas não faz mal), com os cachecóis ao alto e as vozes em uníssono. Comovente até. Dispensava-se a cerveja por todo o lado e as cenas tristes que daí advêm, mas não se pode ter tudo. O Benfica é campeão e por momentos só isso importou.

O que eu queria hoje era saber quem foram aqueles dois que escalaram a estátua do marquês até mesmo lá a cima enquanto a malta cá em baixo batia palmas e continha a respiração. Mesmo percebendo que eles sabiam o que estavam a fazer e que tinham equipamento e tudo o mais, juro que temi o pior. Foi um belo acto de coragem. Se conhecesse algum jornalista pedia-lhe para contar a sua história.

Foto da Global Imagens. Há mais imagens aqui.

 E agora vamos lá tratar de arranjar uma caderneta do mundial.

publicado às 11:06

Inaugurámos a época dos piqueniques. E das fotografias a pés descalços. E de baloiçar na rede. Comemos amêndoas. Comemos muito de muitas coisas. Convidámos amigos. Visitámos amigos. Conhecemos o Mojito. Fomos ao Alentejo. Matámos saudades. Estivemos em família. Passeámos a Hope. Comemos o borrego do domingo na quinta-feira porque nos dava mais jeito. Cantámos na missa. Fizemos planos. Fizemos mousse de chocolate. Os miúdos brincaram ao ar livre e sujaram-se e divertiram-se. Eu sentei-me ao sol e conversei. Comemos mais um bocadinho. Demos abraços. Esquecemos as preocupações.

 

Ainda nem sequer é sábado e a nossa páscoa já acabou. E foi bem boa.

publicado às 00:10

No sábado à noite fomos ver os Stomp, ao CCB. Eu já os tinha visto há uns anos e expliquei-lhes mais ou menos como era o espectáculo, mas nada os poderia preparar para aquilo. Quando os intérpretes começaram a fazer música com as vassouras e depois a bater com as mãos no corpo, o rosto dos rapazes iluminou-se de espanto e maravilhamento. Foi fantástico. Os artistas têm uma energia fabulosa em palco e são muito divertidos. Delirámos, todos. E agora, meia volta, tenho os meus filhos a bater nas caixas e a estalar os dedos armados em mini-stomp.

Por outro lado, ontem fomos ao cinema ver o 'Rio 2' e foi uma verdadeira desilusão. O Pedro, que até costuma ficar bastante atento mesmo quando não percebe os enredos, desligou completamente do filme. O António viu tudo mas sem grande comoção. E eu passei o tempo a lutar para não fechar os olhos. Claro que o facto de as vozes serem interpretadas por actores portugueses mas a imitar o sotaque brasileiro me pareceu absolutamente ridículo. Não me lembrava de no primeiro filme ser assim. Que coisa enervante. Mais valia terem comprado a verdadeira versão brasileira, não? Isso e aquele ambiente tropical-turístico a piscar o olho ao mundial de futebol e sempre com uma cuíca por trás só me fez lembrar o sempre contente Zé Carioca, recordam-se?

 E as férias continuam.

publicado às 11:24

14
Abr14

A Gata errou

Diz que afinal estas fotografias foram tiradas pelo meu cunhadinho. É o que dá ter tantos fotógrafos bons na família.

publicado às 13:37

 Convidámos uma amiga para vir tomar o pequeno-almoço cá em casa, ou, como se diz agora, um brunch. As panquecas ficaram um bocadinho desconchavadas (e não se parecem nada com as panquecas dos blogues-fazemos-comida-tão-bonita-e-saudável-e-tiramos-fotografias-lindas-e-tudo-e-tudo) mas garanto-vos que estavam bem boas. A condizer com o doce de morango caseiro que ela nos trouxe, assim como os bolos pascais com sabor a erva doce e a Alentejo. A condizer com as conversas intermináveis e os planos para as férias. Recebemo-la de pijama e ficámos à mesa até quase às três da tarde. Foi perfeito. Gostei tanto que acho que, em vez de marcar jantares, vou começar a convidar os amigos para cá virem de manhã. O que vos parece?

publicado às 22:47

"É tão certo como dois e dois serem quatro, como a noite vir a seguir ao dia, como o Natal ser a 25 de dezembro. Mãe que é mãe sente culpa. Culpa do que fez e do que não fez e podia ter feito. Culpa com fundamento e sem fundamento. Culpa por ter gritado, por ter chegado demasiado tarde a casa, culpa por aquela palmada, culpa por não ter lido a história para o filho adormecer, culpa porque perdeu as estribeiras quando ajudava os miúdos com os trabalhos de casa, culpa porque discutiu com o marido à frente das crianças, culpa por aquela perna partida do mais novo que aconteceu quando nem sequer estava presente (mas devia ter estado presente, claro, se estivesse presente a perna estava inteirinha, logo a culpa é só sua!) Culpa, culpa, culpa. Porque é que somos tão duras connosco? Porque é que achamos que tudo é da nossa responsabilidade? Para quê insistir em sermos perfeitas quando a perfeição não existe?"

Vem aí o novo livro da minha querida Sónia Morais Santos. E tenho cá um pressentimento que me vai ser muito útil.
'A Culpa Não é Sempre da Mãe' é editado pela Esfera dos Livros e vai estar à venda a partir de dia 17.

publicado às 21:07

10
Abr14

Uma miúda

 

Andava à procura de umas coisas antigas nos álbuns e não consegui resistir a estas fotografias tiradas pelo pai em agosto de 1997. Um dia de festa. Toda a gente feliz. Lembro-me que tomei decisões importantes neste dia. É tão engraçado olhar para aqui e encontrar aquela miúda que eu era.

publicado às 16:48

10
Abr14

Nome de guerra








(Baby Blues)



publicado às 10:53

Não sou baptizada. Não sou católica. Não gosto de quase nada do que se passa e diz na igreja. Tenho grandes dúvidas sobre a existência de deus. E, no entanto, aqui estamos. Após dois anos de catequese e missa, o António vai receber os seus sacramentos, três de uma vez. Perante a incompreensão de parte da família e amigos que meia voltam me perguntam: porquê?

A verdade é que passamos a vida a tentar fazer o melhor pelos nossos filhos e, do meu ponto de vista, isso passa por dar-lhes ferramentas para o futuro. Abrir-lhes portas, como tantas vezes digo. Preocupo-me, sobretudo, por abrir-lhes aquelas portas que eu sei que eles terão mais dificuldade em abrir sozinhos. Por isso é que digo tantas vezes que não me esforço minimamente para lhes ensinar coisas sobre informática ou tecnologia, não lhes ofereço consolas nem ligo a televisão - para isso eles não precisam de mim. Mas precisam de mim para os levar em viagens. Ou para os ajudar a ler um livro. Ou para lhes mostrar a beleza de uma obra de arte. Ou para os ensinar a ficar quietos e atentos durante um espectáculo. Tento que a sua educação seja diversificada, que tenham experiências e sensações diferentes para que possam ir descobrindo aquilo que lhes dá mais prazer, aquilo que mais os interessa, seja a matemática ou o futebol, uma tarde de brincadeira com os amigos, um passeio no campo, estudar geografia ou fazer um bolo, visitar os tios ou ficar no sofá.

Abrir-lhes portas. E deixá-los fazer as suas escolhas.

E foi neste caminhada que me apercebi que, ao afastá-los da religião, não estava a dar-lhes opção. Muitas pessoas dizem: não lhes vou impor religião, eles hão de escolher. Concordo. Foi o que fizeram comigo e eu acho que isso é o correcto. Mas os tempos de hoje não são iguais aos meus tempos. E eu senti não estava sequer a dar-lhes oportunidade para que fizessem essa escolha. Pelo contrário. Estava a fechar esta porta. Os meus filhos nunca tinham assistido a uma missa, não faziam ideia para que servia uma igreja, ninguém lhes falava de deus ou da fé. Achei que estava a falhar aqui. E como não me senti preparada para ser eu a fazê-lo, fiz como faço com a música ou a natação, arranjei alguém que o fizesse por mim. O António teve aulas de religião e moral na escola, durante dois anos, mas percebi que aquilo não estava a adiantar nada e decidi então pô-lo na catequese e passámos a ir todos à missa ao sábado.

Para já, trata-se de uma questão de formação. Aprender o que é a Bíblia, quem foi Jesus, o que é a Páscoa, que o Natal não são só presentes. Aprender as orações, os rituais, o que significa a comunhão, o que fazem aquelas pessoas ali juntas todas as semanas. Saber rezar o pai nosso não faz mal a ninguém. Assim como ser baptizado também não o prejudica nem o impede de tomar opções diferentes no futuro. Pela minha parte, concentro-me nas lições de humanismo que são o que mais me cativa na religião - perceber qual a melhor maneira de vivermos uns com os outros, não fazer aos outros o que não queremos para nós, ajudar quem precisa, distinguir o bem do mal. No fundo, aquilo que já lhes ensinava mas agora com outro enquadramento. E procuro também ensinar-lhes a tolerância. Falo-lhes das outras religiões, explico-lhes que há pessoas que acreditam em coisas diferentes ou que não acreditam. Às vezes o António faz umas perguntas difíceis para quem, como eu, não acredita. Tento sempre não impor-lhe a minha visão. É um desafio enorme, este. Tenho vontade de dizer, claro que Jesus não ressuscitou, que parvoíce tão grande. Em vez disso, faço um desvio na conversa e falo-lhe dos romanos e dos cristãos e de como não devemos criticar quem pensa de maneira diferente.

Daqui para a frente se verá. À medida que o António crescer fará o seu caminho, como quiser. Irá ou não irá à igreja. Fará a sua escolha. Tal como combinámos, a obrigação de ir à catequese termina no final deste ano lectivo. Em relação à missa, como a seguir temos a caminhada do Pedro, acho que ainda vai ter que ir por mais uns tempos.

O mais importante, para mim, é que eles saibam que isto existe. Que percebam que a religião (esta ou outra) é algo muito importante para muitas pessoas. Que as une. Que as motiva a fazer melhor. E a ser melhores. É algo que influencia aquilo que somos, até mesmo quando não acreditamos. Que vão percebendo que existem coisas no mundo que estão para além do nosso entendimento e que, entre as muitas formas que existem para encontrar um sentido nisto tudo, também há esta. E que tenham as ferramentas para um dia explorar o seu lado espiritual. Caso queiram. Caso precisem. Sem preconceitos. Com naturalidade. Duvidando, criticando e pensando pela sua cabeça. Sempre. Ou que, se assim o entenderem, rejeitem a religião e digam que não lhes interessa. Mas sabendo o que estão a recusar, e não apenas porque alguém lhes disse, quando eram pequenos, que isto era uma treta.

publicado às 18:51

08
Abr14

Aprendendo

"10 coisas que não aprendi na escola:

1.) Que a inteligência é sobrevalorizada em detrimento de outros atributos como a curiosidade ou a generosidade.

2.) Que todos temos dentro de nós todo o saber, mas poucos se dão ao trabalho de o explorar.

3.) Que o amor não existe, mas acontece.

4.) Que no essencial da nossa vida desperdiçamos um esforço tremendo em opções ridículas, sem impacto ou significado e fugimos da criação de escolhas verdadeiramente importantes para o nosso bem estar e felicidade.

5.) Que tendemos a repetir, mimetizar os comportamentos dos outros, porque nos falta a coragem de seguirmos um caminho que seja o nosso, escorados nas escolhas da maioria.

6.) Que os livros são importantes na nossa aprendizagem e desenvolvimento como cheirar uma flor, olhar o mar ou escrever uma linha de um texto sem sentido.

7.) Que a vida acaba mesmo, embora a vivamos como se fossemos viver para sempre.

8.) Que a maldade pura não existe; que a bondade pura existe; que não há nada que seja completamente mau nem completamente bom.

9.) Que uma boa noite de sono nos matiza muitas extremidades.

10.) Que é bom pecar e não fazer mal a ninguém. Que Deus é fantástico e um grande companheiro."

em novembro de 2010 por Manuel Forjaz

publicado às 09:52



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