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Alugámos uma casa, através do Airbnb, na rue Beaubourg, ao lado do Centro Georges Pompidou. À porta do metro de Rambuteau, a dois passos de Les Halles. A localização era importante para nós - tínhamos ligação direta ao aeroporto e à Disney, conseguimos ir a pé até ao Louvre e até Notre Dame. Um sexto andar sem elevador (sim, é puxado, mas encarámos aquilo como uma ida ao ginásio), num prédio charmoso, de esquina, com varandas a toda a volta e uma sala redonda. A porteira, madame Vasco, era, obviamente, portuguesa. Como nos filmes. Esta era a nossa vista:

Alugar uma casa era uma opção bastante mais barata do que estar num hotel no centro de Paris. Além disso, permitiu-nos cozinhar ao jantar - nem consigo imaginar o que aconteceria se, depois de um dia inteiro na Disney, tivessemos que, às dez da noite, levar esta malta para um restaurante - e preparar snacks para os nossos passeios. Fomos ao supermercado, comprámos baquetes fresquinhas para o pequeno-almoço, garantimos doses diárias de fruta. E, não menos importante, estar num apartamento permitiu-nos estar juntos. Acordar com calma, conversar, partilhar, estarmos à vontade como se estivessemos na nossa casa. Os miúdos dormiram todos num quarto, numa animação incrível (havia uma indicação do senhorio de que os vizinhos de baixo eram muito sensíveis com o barulho mas acho que eles não deviam estar em casa porque nunca houve queixas):

Viajando com crianças não podíamos terminar o dia a beber um gin tónico, calmamente, numa das muitas esplanadas de Paris. Mas podíamos fechar a porta da sala e esquecer as crianças por um bocadinho enquanto nos divertíamos com conversas de miúdas. A felicidade não precisa de hotéis de luxo. A felicidade está nestas pequenas coisas:

publicado às 21:21

Penso tantas vezes nisto, em como é fácil um dia sermos pessoas normais, a tentar ser felizes, a tentar ter "vidas extraordinárias" ou, simplemente, a levar nossa vidinha, e noutro dia sermos outras pessoas, diferentes, algo que não conseguimos controlar, uma doença que se instala devagar, em silêncio, e que nos consome quase sem darmos por isso. Somos tão frágeis. Penso tantas vezes nisto, nas pessoas que já conheci que se deixaram vencer por depressões, que se deixaram levar por vícios, que se deixaram abater pela vida, pela pressão, pelos falhanços, pelas frustrações, por isto tudo. Ninguém sabe muito bem o quê. Ninguém tem culpa. Apenas acontece. Pessoas que caem e não conseguem levantar-se. E às vezes quando reparamos já é demasiado tarde. Duas mortes assim no mesmo dia. Tenho tanto medo disto.

Robin Williams em 'Clube dos Poetas Mortos', de 1989. Um daqueles filmes que me marcaram. E Neil, aquele miúdo que.

publicado às 13:45

A viagem a Paris e à Eurodisney estava prometida ao António para quando ele terminasse o 4º ano, o que coincidia com o facto de o Pedro ir para o 1º ano. Não como um prémio, mais como um marco para eles, e também porque me pareceu que estas seriam as idades certas para nos metermos nesta aventura. Claro que a primeira vez que falámos disto a nossa vida era muito diferente. Éramos quatro e tínhamos mais dinheiro. As coisas complicaram-se mas os planos mantiveram-se. Fizemos um mealheiro, para ajudar nas despesas. E comecei a rondar alguns amigos, a tentar perceber se alguém estaria a pensar ir à Disney este ano. Estava fora de hipótese meter-me numa viagem destas sozinha com os rapazes, não porque não fosse capaz (que seria, obviamente) mas porque iria ser horrível (eu conheço-me e conheço os meus filhos e não seria bonito, posso garantir-vos). Foi por mero acaso, numa conversa que não tinha nada a ver, antes de uma ida ao cinema, que uma amiga comentou que estava a planear levar o afilhado a ver a Torre Eiffel e começou logo ali a nascer a ideia de irmos juntas. Depois, por alturas da Páscoa, acertámos os detalhes: quantos seríamos, as datas que conviriam a todos, o que queríamos fazer na viagem. E começámos a contagem decrescente para as férias.

Éramos três adultos (duas mães e uma madrinha/amiga) e quatro crianças (dois de 10 anos e dois de 6 anos). As crianças não se conheciam. Eu não conhecia a outra mãe. Eu a e a Cecília somos amigas mas nunca tínhamos viajado juntas. Foi como um 'blind date', concluímos, no final da viagem. Podia ter corrido mal. Podíamos ter antipatizado uns com os outros. Mas isso não aconteceu. Correu bem. Correu muito bem. Correu tão bem que ficámos com vontade de viajar juntos mais vezes.

Ajudou muito o facto de sermos pessoas descomplicadas e de estarmos todas no mesmo comprimento de onda - sabíamos que esta viagem era para as crianças e que queríamos gastar o mínimo possível. E ajudou ainda mais o facto de termos connosco a mais dedicada e paciente planeadora-de-viagens-incansável-guia-cuidadora-de-crianças-e-de-mães-recém-divorciadas à face da terra. E que ainda por cima fala francês. Minha querida amiga, obrigado por tudo.

A primeira vez que vimos a Torre Eiffel, lá ao longe, no Centro Georges Pompidou.

publicado às 10:11


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